
Depois do meu grito histérico, pareceu que ele ia continuar resmungando, mas se interrompeu e ficou quieto. Entramos no carro e enquanto ele dirigia para a saída, num tom bem mais calmo, me perguntou se eu tinha o endereço do lugar. Ele que compra e eu que tenho que saber?!
– Não.
– Eu te mandei.
– No print só tem as informações do espetáculo.
– Eu te mandei no e-mail.
– Não mandou, no e-mail só tem a passagem aérea.
Ele ficou insistindo que tinha mandado no meu e-mail e fiz questão de mostrar, através do meu celular, que quando eu buscava pelo nome dele no meu e-mail, só aparecia a passagem.
Daí ele encostou o carro para procurar no celular dele. E eu fiquei entretida mexendo no meu, contando em tempo real para a minha amiga, o que estava acontecendo.
– Encontrou? – Ele me perguntou.
– Não.
– Você está procurando ou fazendo outras coisas?
– Fazendo outras coisas.
Enfim, ele encontrou o endereço, estávamos muito perto, a 7 ou 17 minutos, a pronúncia dele me confundiu e eu estava mais atenta a conversa de WhatsApp, então não sei precisar o tempo exato.
Quando chegamos onde teria o show de Cabaret, um barzinho charmoso chamado ‘Savage Labs’ em Wynwood…



… ele mudou completamente o comportamento, tentou puxar assunto, mas eu ainda estava tensa. Achei muito falso ele se comportar daquele jeito amistoso, sendo que tínhamos acabado de brigar. Eu era incapaz de virar a chave tão rápido assim.
Nos acomodaram no melhor lugar e nos serviram uma taça de espumante. Estava tudo muito bacana, mas eu não conseguia aproveitar, tinha perdido o prazer de estar ali. Ele perguntou se eu queria pedir algo para comer umas duas vezes e recusei, não conseguia nem sentir fome. Ele fez um comentário positivo sobre os nossos lugares e eu só acenei.
– Você vai ficar sem falar? Só me fala porque aí eu não falo também. – Ele questionou.
– Eu não quero falar agora.
– Tá bom.
Ele se levantou e foi não sei aonde – suspeito que ao banheiro –, demorando bastante para voltar. Foi uma boa estratégia, pois comecei a ficar preocupada. Daí quando ele voltou, me esforcei em ser mais agradável. Ele perguntou mais uma vez se eu gostaria de pedir alguma coisa e falei que queria mais uma bebida – álcool sempre ajuda nessas horas -. Aos poucos voltamos a conversar.
A apresentação foi incrível, um show de cabaret com uma pegada circense, cheio de acrobacias e uma atriz cantava muito bem.






Durante algum número, ele, empolgado que eu não perdesse o registro, me cutucou para que eu filmasse, contudo, ele não viu que eu tinha acabado de pegar a minha taça, me fazendo derrubar a bebida toda no meu colo, molhando o meu vestido.
Ele não percebeu o que tinha acontecido e nem se desculpou na hora, somente quando a bebida começou a escorrer nele também, que percebeu o estrago. Por sorte aquilo não me deixou irritada, pelo contrário, acabei dando risada da situação, foi uma eventualidade engraçada e o clima ficou mais leve.
Consegui desligar e conceder uma trégua durante a apresentação. Contudo, bastou o show acabar, que o sentimento da briga voltou. Me dei ao luxo de me embebedar um pouco, mas nem a bebida disfarçou a minha chateação por tudo que eu estava passando numa viagem que tinha tudo para ser incrível.

Ele tentava puxar assunto, mas eu não engrenava. Pelo contrário, tudo que ele fazia tinha efeito rebote. Como quando tiramos uma foto com um integrante do elenco, que a imagem não ficou boa, e ele jogou a culpa na mulher que fez a gentileza de nos fotografar, resmungando depois, que ela tinha desligado o flash.
Eu também tenho Iphone e sei que para colocar o flash, não é só ativar o flash simplesmente, precisa ir lá na função e apertar outro botão, senão entra no flash automático, que não altera em nada. Na mesma hora pedi que ele ativasse o flash no celular dele e tirasse uma foto, a foto não saiu com flash e daí expliquei o caminho para colocar o flash corretamente, e mesmo ele tendo a prova naquele instante, ficou insistindo que no momento da foto tinha sido a mulher, como se fosse comum alguém ter essa postura invasiva de mexer no nosso celular, enquanto está fazendo um favor de tirar uma foto.
Quando voltamos para os nossos lugares, após a foto, tinham levado nossas bebidas, recém abastecidas, pois pensaram que tivéssemos partido. Ele solicitou os drinks de volta, mas como demoraram muito, começou a reclamar dos atendentes de lá. Quando tentei resolver, indo falar com a gerente eu mesma, ao voltar para a nossa mesa, me pareceu que ele não tinha gostado muito da minha iniciativa, como se eu tivesse passado por cima da autoridade dele, ao invés de ver aquilo como um trabalho em equipe. Então todos esses pequenos detalhes no comportamento dele, corroboraram para que voltasse aquele sentimento ruim da briga.
Mais tarde, quando chegamos no seu prédio, ele fez um comentário sobre o apê dele ser bem localizado, por termos chegado em casa tão rápido. Achei o comentário esnobe. Diante de todo o contexto, pouco me importava. Nada falei e ele fez questão de reclamar do meu silêncio:
– Você ouviu o que eu falei?
– Ouvi.
– Não vai falar nada?
– Não tem o que falar, você não fez uma pergunta, só está comentando.
– Vejo que você não se importa com as coisas que eu falo.
Eu estava mais preocupada com os meus sentimentos, do que com o quanto ele era privilegiado por morar ali. Continuei muda, estava cansada demais para discutir.
*
Nessa noite me permiti desabar um pouquinho.
Me troquei, peguei meu fone de ouvido e fui me sentar na varanda para ouvir música. Ele estava na cozinha, preparando algo para comer, enquanto eu continuava sem a menor fome.
Tenho uma playlist muito específica no meu Spotify, que criei justamente para os momentos em que estou triste, precisando por pra fora, chamada: “Músicas Para Ouvir na Bad”, com 6h de duração. Enquanto ouvia, começaram a cair algumas lágrimas. Chorei olhando para uma vista incrível. Foi poético.
O que eu precisava aprender com tudo aquilo? A conhecer melhor as pessoas antes de me jogar numa aventura daquela? Ou que eu deveria ficar agradecida por pelo menos não ter tido nenhuma situação que colocasse a minha vida em risco?
Acho que fiquei uma hora ali, jogando para fora toda aquela angústia. Em algum momento ele foi até lá perguntar se eu queria comer.
– Não estou com fome. – Respondi sem desviar o olhar do horizonte, com a voz levemente embargada.
Felizmente ele saiu, sem perguntar mais nada.
É impressionante como colocar para fora faz bem, de repente a vontade de chorar foi diminuindo e comecei a me sentir melhor. Fui criando coragem para conversar com ele, pois seria muito ruim dormirmos brigados novamente. Comecei a sentir muita fome e àquela altura ele já tinha comido e estava dormindo na sala. Precisei acordá-lo, pois não estava encontrando a sobra daquele lanche na geladeira e fui perguntar se ele tinha jogado fora. Ele respondeu que não, então voltei a procurar na geladeira, até que encontrei, camuflado entre alguns itens. Comi metade da metade e então fui falar com ele.
Quando me sentei na ponta do sofá, imediatamente ele abriu os olhos, e após uma longa hesitação, falei:
– Estou muito chateada com as coisas que estão acontecendo.
Fiz uma longa pausa, esperando que ele dissesse algo, mas como não disse, segui adiante.
– Eu não estava brava quando saímos do apartamento. Quando falei: “é ruim fazer as coisas com pressa, né?” Eu estava apenas puxando assunto para quebrar o silêncio. Quando você começou a falar aquelas coisas de que o momento pode ser como quisermos que seja, eu não entendi por que você estava falando aquilo, pois eu não estava reclamando de nada, apenas puxando assunto. No elevador, quando falei “olha, estamos saindo no horário que eu falei que sairíamos, sete e meia” eu não estava brava, novamente estava apenas puxando assunto. Você criou toda uma situação sem necessidade. Ali sim eu fiquei brava, pois detesto ser acusada de algo que eu não fiz. Eu nunca cheguei ao ponto de gritar com ninguém que eu tenha me relacionado. E aí chegando lá você começou a puxar assunto como se nada tivesse acontecido, eu não sou assim.
– Eu fiz aquilo para que tivéssemos um bom momento. É natural fazer isso. No meu casamento ela também adotava essa postura para cessarmos uma briga.
– É fácil agir dessa maneira porque você não foi o lado atacado, mas sim o que atacou. É como aquele ditado, ‘quem bate esquece, quem apanha não’. Como por exemplo ontem, no restaurante, nunca ninguém criou caso comigo por eu querer escolher uma mesa.
– Por que você está falando disso agora?
– Estou te trazendo o meu lado da história.
– Não sou culpado por tudo sozinho. Os dois tem culpa.
Daí ficamos nos olhando, em silêncio, cada um com a sua razão.
Ficamos algum tempo assim, até que me puxou para perto, de modo que eu me deitasse de costas para ele, numa conchinha, me abraçando por trás. Eu estava tão exausta de tudo, que cedi.
Daí começou a beijar o meu pescoço, aos poucos passou as mãos para os meus seios e, surpreendentemente, também fui ficando excitada. A transa foi desenrolando de um jeito muito gostoso. Nossos corpos se viraram de frente um para o outro e aí ele veio por cima. Novamente foi ardente, por ter sido logo após uma briga. Ficamos pouco tempo no sofá, até que me pegou no colo e me levou para a cama. Sempre dominante, não tinha muita variação de posição, senão era com ele por cima, então era comigo de bruços. Peguei meu brinquedinho e caminhei para o orgasmo também. A paz foi celada. Dormimos abraçados.
– Nossa menina, que coisa. Uma experiência que tinha tudo para ser bacana. – Acho que minha amiga já estava cansada de ouvir meus dilemas. – Você está de TPM?
Outlet em Miami
No nosso penúltimo dia juntos, tiramos para ir no Sawgrass Mills, outro outlet, muito maior que o anterior, desta vez a meu pedido, que queria conhecer os tão falados Outlets de Miami. Neste andamos bastante tempo separados, pois queríamos ver coisas diferentes e assim otimizamos o nosso tempo. O que, confesso, achei ótimo, pois, apesar de ter transado na noite anterior, no fundo ainda nutria um certo ressentimento por todo aquele combo de brigas dos últimos dias.
Nos reencontramos pouco antes do horário do almoço e adivinhem só, ele queria comer na praça de alimentação, com o argumento de que eu não aguentaria o ar-condicionado dos outros restaurantes que tinham na área externa. Ou seja, ainda estava me alfinetando pelo ocorrido de outra noite. Não debati, mas achei aquela postura péssima. A praça de alimentação estava entupida de gente, sem bons restaurantes e sem lugar para sentar. Paramos na fila de um fast food qualquer, dei uma boa olhada em volta e fiquei muito decepcionada que ele preferisse comer ali, do que num restaurante mesmo, sentados numa mesa só nossa, sendo atendidos por um garçom. Desgostosa, soltei:
– Não tem nem lugar pra gente sentar.
Ele observou em volta e deve ter visto o mesmo caos que eu.
– Você prefere comer num restaurante com ar-condicionado?
– Prefiro. – Tive que admitir.
Levamos mais trinta minutos para encontrar a saída e então fomos para o The Cheesecake Factory, onde o ar-condicionado nem estava forte, o que me fez crer que aquela outra noite foi mesmo uma situação atípica.
Mais tarde, quando estávamos indo embora, passamos pela Victoria’s Secret, cuja loja eu tinha olhado mais cedo, sozinha, mas não encontrei nada com um desconto extraordinário que me encorajasse a comprar alguma coisa. Ele quis entrar, dizendo que me daria um regalo – presente em espanhol -.
Só que o presente que ele queria me dar eram umas calcinhas estampadas, horrorosas e broxantes, que custavam 5 por U$ 30. Cujas calcinhas nem eu mesma compraria para mim. “Ele gostaria mesmo de me ver usando isso?”, pensei indignada. Era o que nós mulheres chamamos de ‘calcinhas de ficar em casa’.
Expus a minha opinião e falei que achava aquelas calcinhas feias, ele concordou e saiu em busca de uma mesa que tivessem outros modelos daquela mesma promoção. Em contrapartida, fui até uma camisola lindíssima, super sexy e delicada, que eu tinha visto mais cedo, mas que não tive coragem de comprar por conta do valor. Mostrei para ele.
Ele teve a audácia de olhar para a camisola com a maior cara de desdém e dizer que não tinha gostado. Ele sabia, pelo nível de beleza da peça, que deveria ser mais cara do que o que ele estava querendo me dar. Foi como se ele olhasse para um anel da Tiffany e dissesse: “Não é bom o bastante para mim”. A camisola custava U$ 89. Desisti dela e fui em busca de outra coisa que eu também gostasse.
Encontrei um sutiã lindíssimo, preto, com strass, perfeito para usar com roupa aberta nas costas. Fui mostrar para ele, que me ignorou, tentando me levar de volta para as calcinhas de vó. Aquilo estava começando a me irritar, se era um presente, nada mais justo que fosse algo que eu realmente gostasse, senão qual o sentido? Bati o pé e falei que não queria aquelas calcinhas, que o sutiã seria muito mais útil para mim. Ele fez uma cara de que não gostou muito de eu querer escolher outra coisa, daí eu perguntei logo:
– Você está preocupado com o preço?
– Não.
– Então eu vou provar.
E o sutiã ficou incrível no meu corpo! Eu ainda não tinha um como aquele, que me permitisse usar roupa aberta nas costas. Voltei toda empolgada, contando para ele como tinha me servido bem, ao que ele veio com um balde de água fria:
– Você vai comprar?
– Você não ia me dar um presente?
– Mas as calcinhas são outro valor. Quanto custa esse sutiã? – Eu não estava acreditando que estávamos tendo aquele tipo de discussão.
Fomos até onde o sutiã estava – o que eu peguei não tinha etiqueta de preço e no meio daquele transtorno eu esqueci completamente qual valor eu tinha visto – e constatamos que custava U$ 60.
– É o dobro das calcinhas. – Ele disse.
Se estava difícil para ele que recebe em dólares, imagine para mim, que ganho em real?!
– Então tá bom, você paga o equivalente as calcinhas e eu pago a outra metade. – Sugeri, a fim de resolver aquela desagradável situação.
– Espero que você entenda, eu já estou pagando outras coisas, comida e etc… – Ainda jogou na minha cara que estava tendo gastos com a minha alimentação, sendo que era o mínimo esperado, já que me tirou do Brasil para passar uma semana com ele.
– Claro.
Quando saímos da loja, eu não tinha nem vontade de agradecer o ‘presente’, mas me forcei a ser minimamente educada, ainda que aquela situação tivesse tirado completamente o brilho.
Última Noite em Miami
Pegamos muito trânsito na volta, o que foi mesmo péssimo, pois ele tentava puxar assunto e eu não estava na vibe por conta do ocorrido. Fazia um balanço mental da viagem e só me decepcionava. Paramos no mercado para ele comprar algumas coisas e preferi aguardar no carro.
Quando chegamos no apartamento, ao me dar conta que faltava menos de 24h para eu ir embora e que aquela seria minha última noite com ele, como um passe de mágica, todo o meu ranço passou e enquanto eu arrumava a mala, senti uma coisa muito boa por finalmente estar acabando. Foi como se tivesse voltado aquela energia gostosa do primeiro dia.
Ele perguntou se eu gostaria de tomar um vinho. Bem-humorada, respondi: “Gosto da ideia” e ele ficou todo animado por eu ter topado. Terminaria a tarefa de arrumar as minhas coisas primeiro e então teríamos nossa última noite juntos regada a algumas taças de vinho.
Lembra que eu comprei uma mala enorme, aquela da Samsonite?

Pois então, eis que chegou o momento de eu pensar na logística para levar as duas malas embora. Tentei colocar a minha mala antiga dentro da nova, que era bem maior, mas, por pouco não coube. Tentamos ver a possibilidade de comprar uma bagagem extra, mas isso me custaria U$ 65, o equivalente a R$ 325. Então ele se ofereceu para me levar quando viesse ao Brasil, pois, como ele viaja muito, tem direito a malas extras, sem custo.
– Eu levo para você e se não quiser sair comigo de novo, só me dá um beijo como pagamento e tá tudo certo.
Meus planos de nunca mais vê-lo estavam sendo frustrados. Pensei, quer saber, por que não? Não sou obrigada a nada, sair para beber com ele, em outras circunstâncias, pode até ser divertido.
Terminei de arrumar a mala e ele abriu a garrafa de vinho para nós. Nos sentamos na mesa e papeamos bastante. Tinha voltado aquela sintonia do primeiro dia, quando ainda não tinha acontecido nenhum desentendimento entre a gente.
Conversamos bastante sobre música, ele me mostrou alguns artistas que gostava, compartilhei algumas músicas do meu gosto musical também, estava bastante agradável, até que a conversa foi migrando para o campo sentimental.
Ele revelou que eu era a terceira mulher que ele levava para a casa dele nesse contexto. – O contexto de conhecer por aplicativo quando está viajando em outro país. – Sendo que no primeiro dia que cheguei, quando ainda estávamos no carro, nos encaminhando para o seu apartamento, logo após ele me buscar no aeroporto, eu perguntei se ele já tinha feito isso antes e ele negou, agora eis que descubro a verdade. Assim como também confessou que estava dormindo, quando eu te liguei do aeroporto. Mentiroso.
A sua primeira experiência tinha sido ok, mas não quiseram seguir adiante com a relação, após ela ir embora. A segunda tinha dado muito errado.
Logo perguntei:
– Vocês brigaram? – Já sabendo a resposta.
– Sim. Mas não foi por isso. – Imagina, se não. – Não tivemos química. Ela não gostou de mim e eu não gostei dela.
– Você a trouxe sem terem transado antes?
– Isso. Tive até que trocar a passagem para ela ir embora antes.
– É mesmo? – Por dentro eu me solidarizava com a moça. – Mas eu também quis ir embora antes, até pedi para um amigo ver sobre alterar a passagem, mas descobrimos que você tinha comprado com pontos, então precisaria que você cancelasse para emitir uma nova. – Também trouxe meu lado sincero.
E enquanto ele continuava contando, eu ia processando a minha análise: Nossas brigas foram insuportáveis para mim, o que salvou, claramente, foi o sexo, porque de uma maneira muito louca, continuei sentindo tesão nele, até mais, por ter achado picante fazer as pazes na cama. Agora imagine aguentar o seu humor, temperamental, sem um sexo bom que ajude? Entendi completamente a situação da tal argentina.
Daí o assunto chegou na sua experiência atual, nós, e ele disse que apesar de tudo, não achava que as coisas ruins que aconteceram se sobressaiam as boas, que gostava bastante de mim e que gostaria de continuar me conhecendo. Fez-se aquele silêncio, esperando que eu também me pronunciasse, mas do meu lado não foi tão positivo:
– Olha Peter, as brigas me assustaram bastante. – Comecei. – Estávamos tendo brigas como se fôssemos um casal já desgastado. Nunca tive brigas desse nível com meus ex-namorados. Eu preciso pensar sobre isso, voltar para casa, refletir sobre tudo que aconteceu e avaliar se vou sentir saudade.
Instantaneamente a sua linguagem corporal mudou. Ajustou a postura, se sentando mais afastado e o discurso sobre o que faríamos no dia seguinte também sofreu rudes alterações. Tínhamos combinado para o último dia voltarmos em Wynwood para que eu pudesse conhecer o museu de arte, Wynwood Walls, almoçaríamos por lá e depois faríamos o passeio. Daí ele falou:
– Entendo. Bom, amanhã você está com o dia livre, pode fazer o que quiser até o horário do seu voo.
– E o que tínhamos combinado?
– Você pode ficar à vontade para fazer o que quiser sozinha.
– Então só porque estou dizendo que não sei se vou querer continuar saindo com você no futuro, você está mandando eu me virar amanhã?
– É.
Aff muito escroto. O típico hétero top mimado, que se não ouve o que quer, não está nem um pouco disposto a batalhar para mudar o cenário.
– Mas olha só, você devia observar isso em você. Brigou com ela, também brigou comigo… – Falei.
– Por que eu deveria ouvir algum conselho seu?
– Como assim?
– Se você não quer ficar comigo, por que devo dar ouvidos aos conselhos de uma pessoa que não vai ficar comigo?
– Da mesma maneira que existe aquele ditado: “Se conselho fosse bom não se dava, vendia”. – Falei para descontrair, mas acho que não entendeu a referência. Afinal, eu não queria ficar com ele no futuro, mas isso não me impedia de lhe dar um conselho sincero para que amadurecesse. Não queria que outra mulher passasse pelo que passei.
E como eu estava bastante alcoolizada do vinho, levei todo aquele azedume na esportiva e não me ofendi. Contraditoriamente, eu ainda estava com tesão e não queria minar as minhas chances de transar naquela noite. Achei muito infantil ele azedar a noite por conta de algo que ainda nem tinha acontecido. Eu não queria ficar com ele lá na frente, mas ali, naquele momento, queria sim aproveitar com tudo que eu tinha direito. Pedi licença para ir ao banheiro e quando voltei, usei meu poder de sedução para reverter a situação.
Eu sei o que você deve estar pensando: como que eu ainda tinha vontade de transar com um homem daqueles? Mas a verdade é que o álcool tinha me deixado excitada, eu queria transar, não importava a pessoa.
– Mas quem disse que não sinto nada por você? – Falei enquanto ele estava lavando as taças.
– Você mesma.
– Eu sinto sparks. – Falei em inglês para soar mais engraçadinho.
– Ah é?
– Aham.
E rapidamente nos beijamos. O chupei ali na cozinha mesmo, depois me pegou no colo e me levou para a cama. Tivemos a nossa última transa e foi muito gostosa.
Wynwood Walls
No dia seguinte fomos almoçar em Wynwood e depois visitamos Wynwood Walls, conforme o planejado.

















*
– Não tirou foto na cabine de salva vidas, na praia? – Minha amiga me cobrou.
– Não.
– Pq?
– Amiga eu te falei, eu não tive oportunidade, fui pra praia um dia sozinha, não ia ter como fazer fotos de mim mesma lá, entendeu? E a outra vez que a gente foi na praia, não entramos na água, ficamos numa parte bem antes, que ele tava jogando voleibol e eu tomando sol, não tinha contexto pra ir fazer a foto.
– O lugar mais charmoso e instagramável de Miami e você não fez.
– Tudo bem amiga, não faço muita questão.
– Esse Peter é um bosta. Faz sim. Não volte sem essa foto! Você já vai embora hoje, tudo que você pedir pra esse cara, dentro do possível, ele vai fazer. Fala que você quer muito tirar uma foto na praia, ele vai te levar e vai bater a foto. Ai amiga essa foto é tão bafo na praia! O lugar mais fofinho de Miami, icônico! Pelo menos pra fingir que a viagem foi legal. Não precisa ser de biquini ou maiô. Olha: – daí ela me enviou algumas imagens do Pinterest como referência – Se esses closes não te animarem, então você tá morta por dentro. – E para finalizar ainda mandou uma figurinha que dizia: “Hora de ensinar o sol como se brilha”.
Depois de todo esse discurso e as imagens lindas, tive que me movimentar para tirar aquela foto.
– Pedi aqui para ele. Vamos na praia depois, só para eu fazer essa bendita foto. Já vi que com ele funciona pedindo bem fofinha e não impondo. Ele faz com mais boa vontade.
– Pau mandada kkkk.
– A menina ao invés de falar “Isso aí amiga, fez ele te levar lá só pra fazer uma foto!” Vem me chamar de pau mandada! Você só vê as coisas ruins, o progresso aqui da amiga ela não vê!
– Kkkkk. Tem que jogar na cara mesmo! P-A-U-M-A-N-D-A-D-A! Tô começado a achar que pode ser bom dar uma chance pra ele, kkkkk, nem te reconheço. Parecendo esposa submissa.
– Rá rá rá.
– E se esforça pra foto ficar boa amiga, essa foto é foto de feed hein! Pelo amor de Deus! Posta uma foto no feed em Miami, vai ficar bem linda, coloridinha. Ai eu gosto.
5 horas depois…
– Conseguiu fazer as fotos?
Sim, eu tinha conseguido fazer as fotos.
Tivemos uma tarde super agradável juntos, parecia o primeiro dia de novo. Ele estava gentil e solicito, me tratando imensamente bem. Fomos até a praia fotografar e ele estava um poço de pró atividade. Fizemos vários cliques, até eu dizer chega. Em nenhum momento reclamou ou me pressionou para que fôssemos embora.
Voltando para o seu apartamento, paramos numa loja de suplementos, onde ficamos praticamente uma hora, com ele pegando referências e escolhendo os produtos com o atendente. Eu nem me incomodei com a demora também, pois estava bastante entretida editando a minha foto e pensando na legenda:

Mais tarde, pouco antes dele me levar no aeroporto. Adivinha? Azedou novamente. ¬¬
nosaaa…mais um post explicativo, detalhado, intimista, sexy cada relato só aumenta a vontade de te conhecer…seu relacionamento com ele parece q ñ ata nem desata kk qnd parece q vai piorar..melhora…qnd parece q vai melhorar…piora kk…ñ queria estar na sua pele, mas queria sentir a sua pele na minha….pelos seus relatos parece q nenhum deles te dá valor, pelo menos ao q me parece é q todos eles te usam apenas para prazer deles(aparentemente poucas vezes seu tmb :p kk) e deps descartam…às vezes parece até q vc inconscientemente busca por isso…já chegou a ver com sua psicóloga? e tbm já indicou uma pro querido aí? kk acho q ele precisa mais q vc e eu kk bjoss e espero ansiosamente seus próximos relatos…tem mais algum contatinho ndo bumble para mais histórias como essa? kk bjooss
Que legal a decoração de Alice No País das Maravilhas.
E os murais tb.