Nem Todo Gringo é Um bom Partido – Parte 8

Depois do meu grito histérico, pareceu que ele ia continuar resmungando, mas se interrompeu e ficou quieto. Entramos no carro e enquanto ele dirigia para a saída, num tom bem mais calmo, me perguntou se eu tinha o endereço do lugar. Ele que compra e eu que tenho que saber?!

– Não.

– Eu te mandei.

– No print só tem as informações do espetáculo.

– Eu te mandei no e-mail.

– Não mandou, no e-mail só tem a passagem aérea.

Ele ficou insistindo que tinha mandado no meu e-mail e fiz questão de mostrar, através do meu celular, que quando eu buscava pelo nome dele no meu e-mail, só aparecia a passagem.

Daí ele encostou o carro para procurar no celular dele. E eu fiquei entretida mexendo no meu, contando em tempo real para a minha amiga, o que estava acontecendo.

– Encontrou? – Ele me perguntou.

– Não.

– Você está procurando ou fazendo outras coisas?

– Fazendo outras coisas.

Enfim, ele encontrou o endereço, estávamos muito perto, a 7 ou 17 minutos, a pronúncia dele me confundiu e eu estava mais atenta a conversa de WhatsApp, então não sei precisar o tempo exato.

Quando chegamos onde teria o show de Cabaret, um barzinho charmoso chamado ‘Savage Labs’ em Wynwood

… ele mudou completamente o comportamento, tentou puxar assunto, mas eu ainda estava tensa. Achei muito falso ele se comportar daquele jeito amistoso, sendo que tínhamos acabado de brigar. Eu era incapaz de virar a chave tão rápido assim.

Nos acomodaram no melhor lugar e nos serviram uma taça de espumante. Estava tudo muito bacana, mas eu não conseguia aproveitar, tinha perdido o prazer de estar ali. Ele perguntou se eu queria pedir algo para comer umas duas vezes e recusei, não conseguia nem sentir fome. Ele fez um comentário positivo sobre os nossos lugares e eu só acenei.

– Você vai ficar sem falar? Só me fala porque aí eu não falo também. – Ele questionou.

– Eu não quero falar agora.

– Tá bom.

Ele se levantou e foi não sei aonde – suspeito que ao banheiro –, demorando bastante para voltar. Foi uma boa estratégia, pois comecei a ficar preocupada. Daí quando ele voltou, me esforcei em ser mais agradável. Ele perguntou mais uma vez se eu gostaria de pedir alguma coisa e falei que queria mais uma bebida – álcool sempre ajuda nessas horas -. Aos poucos voltamos a conversar.

A apresentação foi incrível, um show de cabaret com uma pegada circense, cheio de acrobacias e uma atriz cantava muito bem.

Durante algum número, ele, empolgado que eu não perdesse o registro, me cutucou para que eu filmasse, contudo, ele não viu que eu tinha acabado de pegar a minha taça, me fazendo derrubar a bebida toda no meu colo, molhando o meu vestido.

Ele não percebeu o que tinha acontecido e nem se desculpou na hora, somente quando a bebida começou a escorrer nele também, que percebeu o estrago. Por sorte aquilo não me deixou irritada, pelo contrário, acabei dando risada da situação, foi uma eventualidade engraçada e o clima ficou mais leve.

Consegui desligar e conceder uma trégua durante a apresentação. Contudo, bastou o show acabar, que o sentimento da briga voltou. Me dei ao luxo de me embebedar um pouco, mas nem a bebida disfarçou a minha chateação por tudo que eu estava passando numa viagem que tinha tudo para ser incrível.

Ele tentava puxar assunto, mas eu não engrenava. Pelo contrário, tudo que ele fazia tinha efeito rebote. Como quando tiramos uma foto com um integrante do elenco, que a imagem não ficou boa, e ele jogou a culpa na mulher que fez a gentileza de nos fotografar, resmungando depois, que ela tinha desligado o flash.

Eu também tenho Iphone e sei que para colocar o flash, não é só ativar o flash simplesmente, precisa ir lá na função e apertar outro botão, senão entra no flash automático, que não altera em nada. Na mesma hora pedi que ele ativasse o flash no celular dele e tirasse uma foto, a foto não saiu com flash e daí expliquei o caminho para colocar o flash corretamente, e mesmo ele tendo a prova naquele instante, ficou insistindo que no momento da foto tinha sido a mulher, como se fosse comum alguém ter essa postura invasiva de mexer no nosso celular, enquanto está fazendo um favor de tirar uma foto.

Quando voltamos para os nossos lugares, após a foto, tinham levado nossas bebidas, recém abastecidas, pois pensaram que tivéssemos partido. Ele solicitou os drinks de volta, mas como demoraram muito, começou a reclamar dos atendentes de lá. Quando tentei resolver, indo falar com a gerente eu mesma, ao voltar para a nossa mesa, me pareceu que ele não tinha gostado muito da minha iniciativa, como se eu tivesse passado por cima da autoridade dele, ao invés de ver aquilo como um trabalho em equipe. Então todos esses pequenos detalhes no comportamento dele, corroboraram para que voltasse aquele sentimento ruim da briga.

Mais tarde, quando chegamos no seu prédio, ele fez um comentário sobre o apê dele ser bem localizado, por termos chegado em casa tão rápido. Achei o comentário esnobe. Diante de todo o contexto, pouco me importava. Nada falei e ele fez questão de reclamar do meu silêncio:

– Você ouviu o que eu falei?

– Ouvi. 

– Não vai falar nada?

– Não tem o que falar, você não fez uma pergunta, só está comentando.

– Vejo que você não se importa com as coisas que eu falo.

Eu estava mais preocupada com os meus sentimentos, do que com o quanto ele era privilegiado por morar ali. Continuei muda, estava cansada demais para discutir. 

*

Nessa noite me permiti desabar um pouquinho.

Me troquei, peguei meu fone de ouvido e fui me sentar na varanda para ouvir música. Ele estava na cozinha, preparando algo para comer, enquanto eu continuava sem a menor fome.

Tenho uma playlist muito específica no meu Spotify, que criei justamente para os momentos em que estou triste, precisando por pra fora, chamada: “Músicas Para Ouvir na Bad”, com 6h de duração. Enquanto ouvia, começaram a cair algumas lágrimas. Chorei olhando para uma vista incrível. Foi poético.

O que eu precisava aprender com tudo aquilo? A conhecer melhor as pessoas antes de me jogar numa aventura daquela? Ou que eu deveria ficar agradecida por pelo menos não ter tido nenhuma situação que colocasse a minha vida em risco?

Acho que fiquei uma hora ali, jogando para fora toda aquela angústia. Em algum momento ele foi até lá perguntar se eu queria comer.

– Não estou com fome. – Respondi sem desviar o olhar do horizonte, com a voz levemente embargada.

Felizmente ele saiu, sem perguntar mais nada.

É impressionante como colocar para fora faz bem, de repente a vontade de chorar foi diminuindo e comecei a me sentir melhor. Fui criando coragem para conversar com ele, pois seria muito ruim dormirmos brigados novamente. Comecei a sentir muita fome e àquela altura ele já tinha comido e estava dormindo na sala. Precisei acordá-lo, pois não estava encontrando a sobra daquele lanche na geladeira e fui perguntar se ele tinha jogado fora. Ele respondeu que não, então voltei a procurar na geladeira, até que encontrei, camuflado entre alguns itens. Comi metade da metade e então fui falar com ele.

Quando me sentei na ponta do sofá, imediatamente ele abriu os olhos, e após uma longa hesitação, falei:

– Estou muito chateada com as coisas que estão acontecendo.

Fiz uma longa pausa, esperando que ele dissesse algo, mas como não disse, segui adiante. 

– Eu não estava brava quando saímos do apartamento. Quando falei: “é ruim fazer as coisas com pressa, né?” Eu estava apenas puxando assunto para quebrar o silêncio. Quando você começou a falar aquelas coisas de que o momento pode ser como quisermos que seja, eu não entendi por que você estava falando aquilo, pois eu não estava reclamando de nada, apenas puxando assunto. No elevador, quando falei “olha, estamos saindo no horário que eu falei que sairíamos, sete e meia” eu não estava brava, novamente estava apenas puxando assunto. Você criou toda uma situação sem necessidade. Ali sim eu fiquei brava, pois detesto ser acusada de algo que eu não fiz. Eu nunca cheguei ao ponto de gritar com ninguém que eu tenha me relacionado. E aí chegando lá você começou a puxar assunto como se nada tivesse acontecido, eu não sou assim. 

– Eu fiz aquilo para que tivéssemos um bom momento. É natural fazer isso. No meu casamento ela também adotava essa postura para cessarmos uma briga.

– É fácil agir dessa maneira porque você não foi o lado atacado, mas sim o que atacou. É como aquele ditado, ‘quem bate esquece, quem apanha não’. Como por exemplo ontem, no restaurante, nunca ninguém criou caso comigo por eu querer escolher uma mesa.

– Por que você está falando disso agora?

– Estou te trazendo o meu lado da história.

– Não sou culpado por tudo sozinho. Os dois tem culpa.

Daí ficamos nos olhando, em silêncio, cada um com a sua razão.

Ficamos algum tempo assim, até que me puxou para perto, de modo que eu me deitasse de costas para ele, numa conchinha, me abraçando por trás. Eu estava tão exausta de tudo, que cedi.

Daí começou a beijar o meu pescoço, aos poucos passou as mãos para os meus seios e, surpreendentemente, também fui ficando excitada. A transa foi desenrolando de um jeito muito gostoso. Nossos corpos se viraram de frente um para o outro e aí ele veio por cima. Novamente foi ardente, por ter sido logo após uma briga. Ficamos pouco tempo no sofá, até que me pegou no colo e me levou para a cama. Sempre dominante, não tinha muita variação de posição, senão era com ele por cima, então era comigo de bruços. Peguei meu brinquedinho e caminhei para o orgasmo também. A paz foi celada. Dormimos abraçados.

– Nossa menina, que coisa. Uma experiência que tinha tudo para ser bacana. – Acho que minha amiga já estava cansada de ouvir meus dilemas. – Você está de TPM?

Outlet em Miami

No nosso penúltimo dia juntos, tiramos para ir no Sawgrass Mills, outro outlet, muito maior que o anterior, desta vez a meu pedido, que queria conhecer os tão falados Outlets de Miami. Neste andamos bastante tempo separados, pois queríamos ver coisas diferentes e assim otimizamos o nosso tempo. O que, confesso, achei ótimo, pois, apesar de ter transado na noite anterior, no fundo ainda nutria um certo ressentimento por todo aquele combo de brigas dos últimos dias.

Nos reencontramos pouco antes do horário do almoço e adivinhem só, ele queria comer na praça de alimentação, com o argumento de que eu não aguentaria o ar-condicionado dos outros restaurantes que tinham na área externa. Ou seja, ainda estava me alfinetando pelo ocorrido de outra noite. Não debati, mas achei aquela postura péssima. A praça de alimentação estava entupida de gente, sem bons restaurantes e sem lugar para sentar. Paramos na fila de um fast food qualquer, dei uma boa olhada em volta e fiquei muito decepcionada que ele preferisse comer ali, do que num restaurante mesmo, sentados numa mesa só nossa, sendo atendidos por um garçom. Desgostosa, soltei:

– Não tem nem lugar pra gente sentar.

Ele observou em volta e deve ter visto o mesmo caos que eu.

– Você prefere comer num restaurante com ar-condicionado?

– Prefiro. – Tive que admitir.

Levamos mais trinta minutos para encontrar a saída e então fomos para o The Cheesecake Factory, onde o ar-condicionado nem estava forte, o que me fez crer que aquela outra noite foi mesmo uma situação atípica.

Mais tarde, quando estávamos indo embora, passamos pela Victoria’s Secret, cuja loja eu tinha olhado mais cedo, sozinha, mas não encontrei nada com um desconto extraordinário que me encorajasse a comprar alguma coisa. Ele quis entrar, dizendo que me daria um regalo – presente em espanhol -.

Só que o presente que ele queria me dar eram umas calcinhas estampadas, horrorosas e broxantes, que custavam 5 por U$ 30. Cujas calcinhas nem eu mesma compraria para mim. “Ele gostaria mesmo de me ver usando isso?”, pensei indignada. Era o que nós mulheres chamamos de ‘calcinhas de ficar em casa’.

Expus a minha opinião e falei que achava aquelas calcinhas feias, ele concordou e saiu em busca de uma mesa que tivessem outros modelos daquela mesma promoção. Em contrapartida, fui até uma camisola lindíssima, super sexy e delicada, que eu tinha visto mais cedo, mas que não tive coragem de comprar por conta do valor. Mostrei para ele.

Ele teve a audácia de olhar para a camisola com a maior cara de desdém e dizer que não tinha gostado. Ele sabia, pelo nível de beleza da peça, que deveria ser mais cara do que o que ele estava querendo me dar. Foi como se ele olhasse para um anel da Tiffany e dissesse: “Não é bom o bastante para mim”. A camisola custava U$ 89. Desisti dela e fui em busca de outra coisa que eu também gostasse.

Encontrei um sutiã lindíssimo, preto, com strass, perfeito para usar com roupa aberta nas costas. Fui mostrar para ele, que me ignorou, tentando me levar de volta para as calcinhas de vó. Aquilo estava começando a me irritar, se era um presente, nada mais justo que fosse algo que eu realmente gostasse, senão qual o sentido? Bati o pé e falei que não queria aquelas calcinhas, que o sutiã seria muito mais útil para mim. Ele fez uma cara de que não gostou muito de eu querer escolher outra coisa, daí eu perguntei logo:

– Você está preocupado com o preço?

– Não.

– Então eu vou provar. 

E o sutiã ficou incrível no meu corpo! Eu ainda não tinha um como aquele, que me permitisse usar roupa aberta nas costas. Voltei toda empolgada, contando para ele como tinha me servido bem, ao que ele veio com um balde de água fria:

– Você vai comprar?

– Você não ia me dar um presente?

– Mas as calcinhas são outro valor. Quanto custa esse sutiã? – Eu não estava acreditando que estávamos tendo aquele tipo de discussão. 

Fomos até onde o sutiã estava – o que eu peguei não tinha etiqueta de preço e no meio daquele transtorno eu esqueci completamente qual valor eu tinha visto – e constatamos que custava U$ 60.

– É o dobro das calcinhas. – Ele disse.

Se estava difícil para ele que recebe em dólares, imagine para mim, que ganho em real?!

– Então tá bom, você paga o equivalente as calcinhas e eu pago a outra metade. – Sugeri, a fim de resolver aquela desagradável situação.

– Espero que você entenda, eu já estou pagando outras coisas, comida e etc… – Ainda jogou na minha cara que estava tendo gastos com a minha alimentação, sendo que era o mínimo esperado, já que me tirou do Brasil para passar uma semana com ele.

– Claro.

Quando saímos da loja, eu não tinha nem vontade de agradecer o ‘presente’, mas me forcei a ser minimamente educada, ainda que aquela situação tivesse tirado completamente o brilho.

Última Noite em Miami

Pegamos muito trânsito na volta, o que foi mesmo péssimo, pois ele tentava puxar assunto e eu não estava na vibe por conta do ocorrido. Fazia um balanço mental da viagem e só me decepcionava. Paramos no mercado para ele comprar algumas coisas e preferi aguardar no carro.

Quando chegamos no apartamento, ao me dar conta que faltava menos de 24h para eu ir embora e que aquela seria minha última noite com ele, como um passe de mágica, todo o meu ranço passou e enquanto eu arrumava a mala, senti uma coisa muito boa por finalmente estar acabando. Foi como se tivesse voltado aquela energia gostosa do primeiro dia.

Ele perguntou se eu gostaria de tomar um vinho. Bem-humorada, respondi: “Gosto da ideia” e ele ficou todo animado por eu ter topado. Terminaria a tarefa de arrumar as minhas coisas primeiro e então teríamos nossa última noite juntos regada a algumas taças de vinho.

Lembra que eu comprei uma mala enorme, aquela da Samsonite?

Pois então, eis que chegou o momento de eu pensar na logística para levar as duas malas embora. Tentei colocar a minha mala antiga dentro da nova, que era bem maior, mas, por pouco não coube. Tentamos ver a possibilidade de comprar uma bagagem extra, mas isso me custaria U$ 65, o equivalente a R$ 325. Então ele se ofereceu para me levar quando viesse ao Brasil, pois, como ele viaja muito, tem direito a malas extras, sem custo.

– Eu levo para você e se não quiser sair comigo de novo, só me dá um beijo como pagamento e tá tudo certo.

Meus planos de nunca mais vê-lo estavam sendo frustrados. Pensei, quer saber, por que não? Não sou obrigada a nada, sair para beber com ele, em outras circunstâncias, pode até ser divertido.

Terminei de arrumar a mala e ele abriu a garrafa de vinho para nós. Nos sentamos na mesa e papeamos bastante. Tinha voltado aquela sintonia do primeiro dia, quando ainda não tinha acontecido nenhum desentendimento entre a gente.

Conversamos bastante sobre música, ele me mostrou alguns artistas que gostava, compartilhei algumas músicas do meu gosto musical também, estava bastante agradável, até que a conversa foi migrando para o campo sentimental.

Ele revelou que eu era a terceira mulher que ele levava para a casa dele nesse contexto. – O contexto de conhecer por aplicativo quando está viajando em outro país. – Sendo que no primeiro dia que cheguei, quando ainda estávamos no carro, nos encaminhando para o seu apartamento, logo após ele me buscar no aeroporto, eu perguntei se ele já tinha feito isso antes e ele negou, agora eis que descubro a verdade. Assim como também confessou que estava dormindo, quando eu te liguei do aeroporto. Mentiroso.

A sua primeira experiência tinha sido ok, mas não quiseram seguir adiante com a relação, após ela ir embora. A segunda tinha dado muito errado.

Logo perguntei:

– Vocês brigaram? – Já sabendo a resposta.

– Sim. Mas não foi por isso. – Imagina, se não. – Não tivemos química. Ela não gostou de mim e eu não gostei dela.

– Você a trouxe sem terem transado antes?

– Isso. Tive até que trocar a passagem para ela ir embora antes.

– É mesmo? – Por dentro eu me solidarizava com a moça. – Mas eu também quis ir embora antes, até pedi para um amigo ver sobre alterar a passagem, mas descobrimos que você tinha comprado com pontos, então precisaria que você cancelasse para emitir uma nova. – Também trouxe meu lado sincero.

E enquanto ele continuava contando, eu ia processando a minha análise: Nossas brigas foram insuportáveis para mim, o que salvou, claramente, foi o sexo, porque de uma maneira muito louca, continuei sentindo tesão nele, até mais, por ter achado picante fazer as pazes na cama. Agora imagine aguentar o seu humor, temperamental, sem um sexo bom que ajude? Entendi completamente a situação da tal argentina.

Daí o assunto chegou na sua experiência atual, nós, e ele disse que apesar de tudo, não achava que as coisas ruins que aconteceram se sobressaiam as boas, que gostava bastante de mim e que gostaria de continuar me conhecendo. Fez-se aquele silêncio, esperando que eu também me pronunciasse, mas do meu lado não foi tão positivo:

– Olha Peter, as brigas me assustaram bastante. – Comecei. – Estávamos tendo brigas como se fôssemos um casal já desgastado. Nunca tive brigas desse nível com meus ex-namorados. Eu preciso pensar sobre isso, voltar para casa, refletir sobre tudo que aconteceu e avaliar se vou sentir saudade.

Instantaneamente a sua linguagem corporal mudou. Ajustou a postura, se sentando mais afastado e o discurso sobre o que faríamos no dia seguinte também sofreu rudes alterações. Tínhamos combinado para o último dia voltarmos em Wynwood para que eu pudesse conhecer o museu de arte, Wynwood Walls, almoçaríamos por lá e depois faríamos o passeio. Daí ele falou:

– Entendo. Bom, amanhã você está com o dia livre, pode fazer o que quiser até o horário do seu voo.

– E o que tínhamos combinado?

– Você pode ficar à vontade para fazer o que quiser sozinha.

– Então só porque estou dizendo que não sei se vou querer continuar saindo com você no futuro, você está mandando eu me virar amanhã?

– É.

Aff muito escroto. O típico hétero top mimado, que se não ouve o que quer, não está nem um pouco disposto a batalhar para mudar o cenário.

– Mas olha só, você devia observar isso em você. Brigou com ela, também brigou comigo… – Falei.

– Por que eu deveria ouvir algum conselho seu?

– Como assim?

– Se você não quer ficar comigo, por que devo dar ouvidos aos conselhos de uma pessoa que não vai ficar comigo?

– Da mesma maneira que existe aquele ditado: “Se conselho fosse bom não se dava, vendia”. – Falei para descontrair, mas acho que não entendeu a referência. Afinal, eu não queria ficar com ele no futuro, mas isso não me impedia de lhe dar um conselho sincero para que amadurecesse. Não queria que outra mulher passasse pelo que passei.

E como eu estava bastante alcoolizada do vinho, levei todo aquele azedume na esportiva e não me ofendi. Contraditoriamente, eu ainda estava com tesão e não queria minar as minhas chances de transar naquela noite. Achei muito infantil ele azedar a noite por conta de algo que ainda nem tinha acontecido. Eu não queria ficar com ele lá na frente, mas ali, naquele momento, queria sim aproveitar com tudo que eu tinha direito. Pedi licença para ir ao banheiro e quando voltei, usei meu poder de sedução para reverter a situação.

Eu sei o que você deve estar pensando: como que eu ainda tinha vontade de transar com um homem daqueles? Mas a verdade é que o álcool tinha me deixado excitada, eu queria transar, não importava a pessoa.

– Mas quem disse que não sinto nada por você? – Falei enquanto ele estava lavando as taças.

– Você mesma.

– Eu sinto sparks.  – Falei em inglês para soar mais engraçadinho.

– Ah é?

– Aham.

E rapidamente nos beijamos. O chupei ali na cozinha mesmo, depois me pegou no colo e me levou para a cama. Tivemos a nossa última transa e foi muito gostosa.

Wynwood Walls

No dia seguinte fomos almoçar em Wynwood e depois visitamos Wynwood Walls, conforme o planejado.

*

– Não tirou foto na cabine de salva vidas, na praia? – Minha amiga me cobrou.

– Não.

– Pq?

– Amiga eu te falei, eu não tive oportunidade, fui pra praia um dia sozinha, não ia ter como fazer fotos de mim mesma lá, entendeu? E a outra vez que a gente foi na praia, não entramos na água, ficamos numa parte bem antes, que ele tava jogando voleibol e eu tomando sol, não tinha contexto pra ir fazer a foto.

– O lugar mais charmoso e instagramável de Miami e você não fez.

– Tudo bem amiga, não faço muita questão.

– Esse Peter é um bosta. Faz sim. Não volte sem essa foto! Você já vai embora hoje, tudo que você pedir pra esse cara, dentro do possível, ele vai fazer. Fala que você quer muito tirar uma foto na praia, ele vai te levar e vai bater a foto. Ai amiga essa foto é tão bafo na praia! O lugar mais fofinho de Miami, icônico! Pelo menos pra fingir que a viagem foi legal.  Não precisa ser de biquini ou maiô. Olha: – daí ela me enviou algumas imagens do Pinterest como referência – Se esses closes não te animarem, então você tá morta por dentro. – E para finalizar ainda mandou uma figurinha que dizia: “Hora de ensinar o sol como se brilha”.

Depois de todo esse discurso e as imagens lindas, tive que me movimentar para tirar aquela foto.

– Pedi aqui para ele. Vamos na praia depois, só para eu fazer essa bendita foto. Já vi que com ele funciona pedindo bem fofinha e não impondo. Ele faz com mais boa vontade.

– Pau mandada kkkk.

– A menina ao invés de falar “Isso aí amiga, fez ele te levar lá só pra fazer uma foto!” Vem me chamar de pau mandada! Você só vê as coisas ruins, o progresso aqui da amiga ela não vê!

– Kkkkk. Tem que jogar na cara mesmo! P-A-U-M-A-N-D-A-D-A! Tô começado a achar que pode ser bom dar uma chance pra ele, kkkkk, nem te reconheço. Parecendo esposa submissa.

– Rá rá rá.

– E se esforça pra foto ficar boa amiga, essa foto é foto de feed hein! Pelo amor de Deus! Posta uma foto no feed em Miami, vai ficar bem linda, coloridinha. Ai eu gosto.

5 horas depois…

– Conseguiu fazer as fotos?

Sim, eu tinha conseguido fazer as fotos.

Tivemos uma tarde super agradável juntos, parecia o primeiro dia de novo. Ele estava gentil e solicito, me tratando imensamente bem. Fomos até a praia fotografar e ele estava um poço de pró atividade. Fizemos vários cliques, até eu dizer chega. Em nenhum momento reclamou ou me pressionou para que fôssemos embora.

Voltando para o seu apartamento, paramos numa loja de suplementos, onde ficamos praticamente uma hora, com ele pegando referências e escolhendo os produtos com o atendente. Eu nem me incomodei com a demora também, pois estava bastante entretida editando a minha foto e pensando na legenda:

Mais tarde, pouco antes dele me levar no aeroporto. Adivinha? Azedou novamente. ¬¬

Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 6

Primeira Briga

Estávamos sem grandes planos para aquele resto de noite, então ele sugeriu assistirmos uma ‘película’ – filme em espanhol – em casa. Topei de bom grado, seria legal termos uma programação mais amorzinho juntos diante de tantos tropeços. Daí ele me entregou seis filmes em DVD que ele tinha comprado. Eu achei que fôssemos escolher um filme juntos, na Netflix, com infinitas e variadas opções, não que fosse restrito a filmes que ele já tinha comprado. Mas tudo bem, não criaria caso por conta disso, só questionei se aqueles filmes teriam legendas em português e ele respondeu que achava que não.

Muito legal.

Daí ele ligou a TV e já estava passando Pearl Harbor, um filme muito bonito por sinal, que mesmo pegando pela metade e sem entender muitas coisas – já que estava em inglês e sem legendas – ainda chorei no final. Quando esse acabou, ele me entregou os filmes para que eu escolhesse e conforme eu olhava capa a capa, para escolher o que mais me agradava, notei que todos eram finos. Pensei: “Nossa, estão aderindo capas slim agora?” A qualidade das imagens no papel estava impecável demais para pensar que eram filmes pirata. Porém, quando abri o DVD do filme que eu tinha escolhido, “DOG” com Channing Tatum, notei pelo CD que não era original. Você vai me achar uma chata, mas aquilo me indignou de certa maneira. Primeiramente porque sou atriz e sei o quanto o comércio de filme pirata é desleal com o trabalho de todos os envolvidos naquela produção. Segundo porque tenho coleção de filmes originais em casa, o que só reforça o meu desprezo por filmes ‘do Paraguai’. Não consegui ficar quieta e soltei um comentário sarcástico:

– Filme pirata? Então você incentiva a criminalidade? Rs.  

Ele disse que sempre comprava de um senhorzinho quando ia ao México. Que eram filmes que ele não encontrava para assistir em nenhum lugar. Achei a justificativa fraca, já que hoje em dia é possível encontrar qualquer filme em várias plataformas de streaming, ainda mais uma produção tão atual, de 2022. Fiquei na minha, não era o momento de iniciar um debate.

Quando acabou o filme que estava passando na TV e ele colocou este que escolhi, era gritante a mudança. Imagem ruim, acompanhado de um som contínuo, que demorei a identificar de onde vinha. Sabe quando uma caixa de som está no último volume, mas não tem nada tocando, e só fica aquele som chato “tummmmmm”? Pois então, exatamente esse som. Perguntei:

– Que barulho é esse??

Eu mesma perguntei e eu mesma respondi, quando me dei conta do que era.   

– Ahh… é o filme pirata. – Completei desaforada.

Ele se ofendeu e a discussão foi iniciada.

– Você disse que não encontra esses filmes em lugar nenhum, mas tem para comprar original na internet. – Falei numa boa.

– Como vou colocar para passar na TV algo da internet?!

Agora sim eu senti na pele nosso problema de comunicação. Eu estava falando de arroz e ele entendendo abobrinha. Ele achou que eu me referia aos torrents da vida, tipo baixar o filme na internet, e ficou se defendendo, dizendo que não seria possível porque a TV dele não era Smart. Ficamos nesse embate chato, até que fui buscar o meu celular para ilustrar o que eu estava dizendo. Joguei o nome do filme mais a palavra ‘comprar’ no google e lhe mostrei que eu me referia a comprar o filme original pela internet, não baixar.

– Se está tão incomodada pode assistir a Netflix na TV do quarto.

Engoli seco aquela grosseria. Tudo bem que eu também fui irritante com aquela questão, admito, mas ele não precisava descer ao mesmo nível, cadê toda a sua maturidade de homem mais velho? Vencida, apenas mexi a cabeça, como quem diz “tá bom” e voltei a sentar do seu lado, porém, mais afastada, a fim de apenas terminar de comer a pipoca. Assim que terminei, me levantei e fui lavar a vasilha. Depois, sem dizer uma palavra, fui para o quarto, o deixando sozinho na sala. Eu não estava acreditando no que estava acontecendo. Segunda situação desagradável em tão pouco tempo. Como se tudo isso já não fosse péssimo o suficiente, ainda teve um plus, pois, ele foi até o quarto ver o que eu estava fazendo.

– Você não vai mais assistir? – Perguntou.

– Tô com sono. – Menti, a fim de evitar mais discussão.

– Eu coloquei o filme por sua causa! Porque você queria assistir! – Em tom de acusação.

Oi?? Eu queria assistir? Ele falou de um jeito como se eu não tivesse tido que escolher entre seis filmes que ele já tinha comprado. Quem o visse falando até pensaria que eu estava louca de vontade de ver aquele filme, rs.

– Eu queria assistir? Escolhi entre as opções que tinham! Ainda um filme sem legendas! – Rebati.

Nesse momento descobri que ele é uma pessoa muito irritante para discutir, pois, não entende a regra básica de uma discussão, em que cada um tem a sua vez de falar e ficou falando junto comigo, ou seja, ele não ouvia nada do que eu estava dizendo.

– Você está sendo mal-educada! Senão queria mais assistir era só ter falado: “Peter, estou enojada (brava em espanhol), não quero mais assistir!” e não vir para o quarto sem falar nada! – Num tom bastante alterado.

– Eu não tenho que dar satisfação dos meus movimentos, já estava subtendido que eu não queria mais assistir.

– Não estava! Você tem que comunicar, não ser mal-educada. – Ele que estava sendo mal-educado, tratando uma visita daquele jeito!

Na cultura dele era um absurdo que eu tivesse feito aquilo, assim como na minha também era extremamente grosseiro o que ele estava fazendo, indo atrás de mim falar umas groselhas, apenas porque não comuniquei que não queria mais assistir o precioso filme dele.

– Eu nem queria assistir esse filme, coloquei porque você escolheu! – Continuou me atacando.

– Você não queria assistir ao filme que você mesmo comprou?! Kkkkk. – Debochei.

Ele estava com a voz alterada, visivelmente irritado. Saiu do quarto batendo porta, convencido que eu não tinha recebido a devida educação na minha criação.

Assim que ele saiu, eu só consegui pensar numa coisa: “Vou embora”. No mesmo momento mandei mensagem para um amigo ver quanto ficava para trocar a minha volta para o dia seguinte. Amigos são tudo nessas horas. Daí descobrimos que a minha passagem foi comprada com milhas, ele teria que cancelar, os pontos retornariam e só aí poderia emitir uma nova. Droga. Teria que falar com ele sobre isso. Naquele momento não tinha o que fazer, eu não iria para a rua, procurar um hotel, tarde da noite e correr outros riscos num lugar que eu não tinha o menor domínio. Outro idioma, outra moeda, tudo que eu não precisava era ter mais estresses naquela noite. Procurei me acalmar e dormir. Ele dormiu na sala, ótimo. Em algum momento da madrugada, o senti deitando-se na cama, mas não nos tocamos.

Na manhã seguinte, ele acordou antes de mim e foi para a sala. Fui para o banheiro e comecei a juntar as minhas coisas. Tirei tudo meu que estava lá e trouxe para o quarto, onde estava a minha mala. Após um tempo, percebi que ele tinha ido ao banheiro pela porta da cozinha, e não muito depois me chamou na varanda, dizendo que queria me mostrar uma coisa. Se tratava de um lindo arco íris.

– Eu nunca vi um desse aqui. – Ele falou.

– Bonito mesmo. – Respondi seca.

Silêncio.

– No Brasil quando vemos um arco íris fazemos três pedidos. – Falei.

– Ahh é? Vamos fazer esse pedido então.

Mais um tempo de silêncio, até que me abraçou, comigo de lado.

– Não quero que termine assim. Me desculpa. – Ele disse.

Qual a probabilidade de ter um arco íris ali, sendo que nem tinha chovido? Me pareceu muito um sinal do universo para que eu desse mais uma chance. Eu também gostei que ele tinha baixado a guarda e reconhecido que tinha errado. Aceitei o pedido de desculpas e decidi continuar vivendo aquela história. No entanto, por mais que ele tivesse se desculpado e eu aceitado, não conseguia voltar ao meu mood extremamente feliz como no começo. Eu precisava de um tempo para processar o ocorrido, o que só se resolvia 100% na cama. Inclusive, achei muito curioso que as nossas transas, para mim, tinham ficado mais interessantes após o episódio da briga. Era como se eu gostasse de fazer as pazes na cama. Será que eu gostava de amor bandido? Me analisei preocupada.

*

– Eu estava mais otimista em relação a vocês. Aquelas, não shippo mais! Já pode vir embora! Kk.

– Calma amiga, não estragou tanto assim. Gostei que ele pediu desculpas.

– Alguém tinha que ser maduro. Que comentário desnecessário o seu também, do filme pirata. Você tá na casa da pessoa e critica isso, um pouco indelicada.

– Sim, também tive culpa. – Reconheci.

Partida de Tênis

Depois que me pediu desculpas, me convidou para jogar tênis. Tem uma quadra pública na frente do seu prédio. Ele também tinha comprado uma roupa a caráter para mim. Achei que seria aquele conjuntinho branco clássico, composto de blusinha e saia, mas foi um vestido preto da Calvin Klein. Bacana também. A regra para utilizar a quadra pública era muito simples, cada usuário poderia usufruir por 1h, sendo esperado esse bom senso de cada um, pois, não tinha ninguém para supervisionar.

No entanto, um rapaz que chegou antes da gente, não estava jogando, mas também não liberava a quadra para que utilizássemos. Depois entendemos se tratar de um professor de tênis, que estava esperando o aluno chegar, cujo chegou meia hora depois de já estarmos aguardando. Achamos esse tal professor bastante folgado, pois, o tempo que ele ficou esperando o outro jogador chegar, poderia nos ter liberado a quadra e depois aguardado terminarmos, mas, não foi bem assim que as coisas aconteceram. Durante aquela espera tentei nos distrair com alguns vídeos engraçados de páginas que sigo no Instagram, contudo, foi inevitável uma discussão entre o Peter e esse rapaz depois, quando encerrou a sua 1h de uso e ele continuou jogando, provavelmente querendo contar o tempo somente depois que o seu aluno tinha chegado. As coisas só se resolveram quando o jogador da quadra ao lado – eram duas quadras – anunciou que já estava terminando e que a outra quadra ficaria disponível.

Eu tinha avisado ao Peter que nunca joguei tênis na vida, apenas de mesa, muitos anos atrás, mas acho que ele não esperava que eu fosse tão inexperiente. Aquela 1h foi dividida entre aulas e treinos. Ele me ensinou como jogar, dispensou um bom tempo comigo praticando e no final joguei algumas bolas para que ele praticasse seus lances também. Sinceramente falando, aquela 1h não foi um momento divertido. Primeiro porque iniciamos logo depois da discussão entre ele e o outro usuário, então o clima estava pesado, essa situação roubou um pouco o prazer de estarmos ali. Segundo que como eu não sabia jogar, estava me sentindo pressionada a acertar de primeira, não o achei muito paciente, e não foi uma cena romântica como vemos nos filmes, com o parceiro te abraçando por trás para te ensinar como segurar do jeito certo. Claro que ele reconhecia quando eu acertava, mas eu não estava nem um pouco relaxada. E terceiro que tudo isso foi debaixo de um sol escaldante. Cada partícula do meu corpo pingava, eu só queria que desse a uma hora logo para sairmos daquele sol e irmos para a sombra. Quando enfim encerramos e voltamos para o apartamento, até meu sutiã estava molhado de tanto suor.

Como jogar tênis não tinha sido aquela atividade romântica e prazerosa que tivesse reaproximado a gente, o sentimento da briga da noite anterior se instalou em mim novamente, me fazendo ficar mais fechada. Ele percebeu a minha cara de poucos amigos e quis conversar sobre o que estava acontecendo. Falei que não consigo virar a chavinha tão rapidamente, que ainda estava chateada pelo ocorrido e aí ele disse que não precisaríamos continuar ficando se eu não quisesse, que poderíamos aproveitar o restante da minha viagem como amigos, que ele só queria ter bons momentos juntos. Essa conversa fez muito bem para nós, pois, depois fiquei até com tesãozinho e quando transamos, logo após tomarmos banho, ao voltar da quadra, parecia que a briga era a pimenta que estava faltando! Passei a achar a nossa transa muito mais gostosa, ainda que nada de novo estivesse acontecendo na sua performance.

– Foi tão gostosa a transa menina! Acho que eu transei com uma vontade que eu não tinha transado até então, nessa viagem. Gozei duas vezes e ele nenhuma, rs. – Compartilhei com a minha amiga por mensagem.

Depois do sexo cochilamos e mais tarde passeamos. Fomos em Wynwood, mas assim que chegamos no bairro começou a chover, então nem saímos do carro e alteramos a rota. Fomos para um Shopping de Outlets, por iniciativa dele, que precisava comprar algumas coisas, e deixamos para voltar em Wynwood outro dia que estivesse ensolarado.

Nesse outro passeio que fizemos, pude notar mais coisas nele que não gostei.

CONTINUA

Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 5

Viagem a Miami

– Ai amiga, estou com uma intuição de preocupação, sei que dará tudo certo na sua viagem, não fica irritada, mas me promete que quando tiver o endereço, você vai me passar? E queria te pedir outra coisa, vai parecer esquisito, e só por precaução… Leva aquele seu sprayzinho na mala?  Porque querendo ou não, você vai pra casa de uma pessoa estranha, em outro país, uma pessoa que você passou poucas horas junto aqui. Em um lugar muito longe que você não tem pessoas conhecidas, te acho meio lesada. 

Péssimo momento para a minha melhor amiga demonstrar qualquer preocupação comigo. Tínhamos almoçado no dia anterior e ela parecia bastante animada com a minha aventura, e agora, no dia da viagem, vinha com essa mensagem negativa.

– Amiga, você mais do que ninguém sabe o quanto sou desconfiada. Fica tranquila, eu não sou tão inocente, se der alguma merda vou me defender também. Rasgo qualquer um com essas unhas, rs.

Tentei não levar para o coração aquele alerta para que também não ficasse pilhada.

*

No momento do check-in, no aeroporto, tive que comunicar sobre o meu spray de pimenta na mala despachada e, graças a minha amiga, perdi o meu item de defesa para sempre, pois precisei retirá-lo e deixá-lo de fora. Até negociei com a balconista sobre ela guardá-lo para mim, mas nunca voltei para buscar.

Voo direto, porém, longo e, para variar, a comida do avião me deu refluxo. Assisti ao filme “Cinderela”, a versão de 2021, que tem a Camila Cabello, para já entrar no clima de conto de fadas.

O voo chegou meia hora antes.

– Pousei! – O avisei imediatamente.

Nada dele responder.

– O voo chegou antes. – Insisti, 20 minutos depois.

Novamente o silêncio. Comecei a ficar ansiosa. E se eu fosse raptada por uma agência clandestina que quisesse me transformar numa escrava sexual, como na novela “Salve Jorge”? E se ele não me respondesse mais e eu ficasse completamente sozinha e desabrigada, num país que não fala o meu idioma? Fui ficando cada vez mais tensa!

– Oie? – Novamente tentei contato, 15 minutos depois.

Comecei a ficar paranoica. Já tinha dado o horário original da chegada do voo, ou seja, já era para ele estar a caminho, e, no entanto, continuava ausente. Em contrapartida, a fila para passar pela Polícia Federal estava gigantesca e lenta. “Se até eu pegar a mala, ele não aparecer, irei ligar para ele”, pensei com meus botões, estruturando um plano de emergência. Mas quem disse que aguentei esperar? Cinco minutos depois eu estava ligando para ele, rezando para que me atendesse e não fosse um golpe.

– Alô.

– Oi.

– Oi! Você já chegou??

– Sim, o voo chegou meia hora antes. Você não está vindo?

– Não, mas eu moro perto. Estou a quinze minutos do aeroporto.

– Ah tá, é que eu te mandei mensagem e você não respondeu.

– …

– Você estava dormindo? – O voo tinha chegado às 7 da manhã.

– Não, estou me arrumando para ir te buscar. Como que está aí? Já pegou a mala?

– Ainda não. A fila da imigração é muito grande.

– Ahhhh sim! Por isso me planejei para chegar um pouco depois do pouso, sabia que iria demorar. Me avisa quando passar, que vou te buscar.

Finalizei a ligação mais tranquila, mas o sentimento de desconfiança não foi embora totalmente. Não tinha gostado daquela ausência. Se ele sabia que eu estava chegando, como não ficou atento nas mensagens? Ele sequer teve a preocupação de acompanhar a chegada do voo!

Após uma hora de espera, enfim chegou a minha vez de ser atendida.

– Qual o motivo da viagem? – O policial perguntou.

– Lazer.

– Onde ficará hospedada?

– Deixa eu pegar aqui.

– Você não sabe?

– Não sei de cor, é a casa de um… amigo.

– Onde você conheceu seu amigo?

– Num aplicativo de relacionamento. – Na mesma hora me bateu uma vergonha de falar isso em voz alta.

– Onde?

– Aplicativo de relacionamento.

– O que é isso?

– Você não conhece?

– Não. Internet?

– Isso! – Achei melhor não dificultar seu entendimento.

Pensei que o policial fosse barrar a minha entrada, mas logo em seguida devolveu o meu passaporte e liberou a minha passagem. Ufa! Após poucos minutos esperando a minha mala surgir na esteira, tive a expertise de checar num amontoado de malas em outro canto e por sorte a minha já estava lá. Um tanto burocrático para sair do aeroporto de Miami e quando a porta automática de saída abriu, o ar-condicionado congelante deu lugar a uma bufa de ar quente úmido. Ele já estava lá. Veio andando até mim, todo bonitão e cheiroso. Nos cumprimentamos e rumamos para o seu carro, que era uma BMW.

*

– Preciso passar num lugar antes. – Ele disse, enquanto estávamos na estrada, de repente, reacendendo a minha desconfiança.

– Que lugar?

– Como você é curiosa… É uma surpresa! – Disse ele, todo sorridente.

Eu não estava muito confortável com aquela “surpresa”. Chegamos numa área de Miami toda residencial, novamente achei que seria raptada. Ele estacionou num lugar estranho e disse que já voltava, me deixando sozinha no carro. Felizmente deixou a chave junto comigo, mas poderia ser um truque, pensei, ainda desconfiada. Fiquei observando aonde ele ia, até que virou a esquina e o perdi de vista. A rua era deserta, fiquei olhando de um lado para o outro incansavelmente.

Após uns dois minutos, surgiu um outro carro e parou a poucos metros de distância. Na mesma hora já peguei a chave do carro, preparada para apertar o cadeado se fosse preciso. O vidro do motorista do outro carro abaixou e o homem que estava ao volante fez algumas fotos da rua com o seu celular. Enquanto o observava extremamente atenta, experimentei um sentimento não muito agradável de medo, percebi que nunca passei por uma situação que me despertasse aquela sensação antes. Depois ele voltou a subir o vidro e deu ré, chegando muito perto do carro que eu estava. Senti mais medo ainda! Mas a sensação logo foi tomada por um alívio, quando manobrou e foi embora.

– Será que foi te comprar flores? – Minha amiga matou a charada antes que ele voltasse.

– Ai amiga espero que não… flores?

Um pequeno adendo aqui, eu devo ser uma das poucas mulheres que não acha a menor graça em ser presenteada com flores. Acho lindo quando vejo nos filmes, mas, na vida real, considero inútil. Gosto de presentes que poderei de fato guardar de lembrança e não que vá morrer em poucos dias.

– No mapa da localização que você mandou tem uma floricultura bem próxima. Só isso para fazer sentido. – Ela analisou.

E tinha acertado. Após alguns minutos, o vejo ressurgindo na esquina, sorrindo, como se estivesse carregando um troféu, segurando algo nas mãos. Devido à distância, não consegui identificar de primeira o que era, mas quando se aproximou mais, pude ver. Se tratava de um lindo buquê de rosas vermelhas, com apenas duas rosas brancas, uma distante da outra, que, segundo ele, representava nós dois, comigo no Brasil e ele nos Estados Unidos. Achei muito fofinho o gesto, coloquei meu lado atriz em ação e demonstrei a maior empolgação com o mimo, mas lá no fundo não me impressionou tanto assim, pois, como falei, flores não é algo que me causa grande encantamento, apesar de serem mesmo muito lindas.

Agora sim rumamos para o seu apartamento, que eu já conhecia de algumas fotos. Ao passar pela porta de entrada, a pequena cozinha americana ficava à direita e o banheiro a esquerda. Havia uma mesa de jantar entre a sala e a cozinha e o seu escritório ficava na frente do sofá, da sala de estar. O seu apê era um grande loft. A direita da sala tinha o quarto, esse sim com paredes e porta, que ligava ao banheiro, separado apenas por um pequeno closet no caminho. Achei engraçado que você podia acessar o banheiro por duas portas diferentes, pelo quarto e pela cozinha. Como é muito comum nos banheiros americanos, para usar o chuveiro você tinha que entrar numa banheira, que era protegida por uma cortina – prefiro muito mais os banheiros brasileiros, com box de vidro. Do lado de fora tinha uma varanda enorme, com uma vista incrível do mar.

Depois de me mostrar tudo, me deixou à vontade para tomar banho e arrumar as minhas coisas, enquanto ele participava de uma reunião online de trabalho. Ainda teve a delicadeza de me preparar uma deliciosa salada de frutas vermelhas com queijo fresco, granola e iogurte. Estava mesmo uma delícia. “Meu conto de fadas está só começando”, pensei, iludida.

Assim que ele teve um tempinho para ficarmos juntos, transamos. Uma transa muito longa para o meu gosto, diferente das transas que tivemos no Brasil. Torci para que essa longa duração não virasse um hábito, transas longas demais são exaustivas. No almoço ele fez um prato fit para gente, composto de ovos mexidos, tomate picado, banana, peito de peru e abacate. Uma mistura que falando pode parecer estranha, mas, comendo, via-se que a combinação era mesmo perfeita! Ele mandava bem na cozinha. Depois sugeriu que eu utilizasse a piscina e jacuzzi do condomínio, pois ele precisaria trabalhar mais um pouco e não queria que eu ficasse sem ter o que fazer. Assim sendo, desceu para me apresentar as áreas comuns do prédio e me deixou bem acomodada na jacuzzi. O lugar estava deserto, então pude ficar bem a vontade para fazer alguns conteúdos com o meu celular, ouvir música e relaxar mesmo.

Uma hora e meia depois, quando encerrou seu trabalho, se juntou a mim. Tivemos bons momentos juntos na jacuzzi e depois também fomos para a piscina. Enquanto estávamos na água, falamos sobre o nosso sexo e aproveitei para expor algumas de minhas preferências, como, por exemplo, preferir várias transas curtas do que uma muito longa.

– Eu achei que você gostasse de transas longas. – Ele disse.

– De vez em quando eu gosto, mas, se for sempre, fico sensível lá embaixo e aí não consigo transar tantas vezes. O ideal seria você gozar logo depois de mim.

– Ahh eu achei que você gostasse de gozar mais de uma vez na mesma transa.

– Não exatamente, porque depois que gozo fico muito sensível, precisando de um descanso.

– Hummm entendido então. Deixa comigo!

Essa conversa foi ótima, pois, ao retornamos para o apartamento, antes de sairmos para jantar, transamos novamente e ele ajustou esses detalhes, teve uma duração mais gostosa. Quando ele saiu do banho, vendo que finalmente tinha me ouvido e feito a barba para que não me pinicasse, quis agradá-lo e o puxei para mais uma rodada de sexo. Estava bem insaciável naquele primeiro dia.

Saímos para jantar num restaurante maravilhoso, chamado CVI.CHE 105. Aquela noite estava muito gostosa, fosse pela comida, pela nossa interação um com o outro – parecíamos um casal em lua de mel – ou pelo clima tropical de Miami. Estava tudo perfeito, até tiramos algumas fotos de casal na mesa do restaurante.

Saindo de lá, fomos dar uma volta, a pé mesmo, na Linconl Road. Ele fez algumas fotos minhas, já eu fotografava as coisas e lugares que passávamos.

Com o passar do tempo foi ficando tarde e depois decidimos que era hora de voltar para o apartamento.

Ao me trocar para dormir, fui presenteada com um vestido regata vermelho tão confortável, que logo entendi se tratar de uma camisola.

– Que camisola feia amiga. Usa suas coisas sexy. – Minha amiga reprovou, quando te enviei a foto do tal presente no meu corpo.

Realmente eu tinha levado uma camisola bem mais sexy da Victoria Secret, uma preta de cetim com renda, mas ele pareceu tão feliz e satisfeito ao me ver usando aquela roupa nada interessante que ele comprou, então o agradei.

*

Na manhã seguinte ele começou a me alisar pela manhã, mas fingi estar dormindo. Não que eu não quisesse transar logo cedo, mas minha pepeka ainda precisava se recuperar das três transas anteriores. Ele me disse que precisaria trabalhar durante a tarde, então me levou para almoçar fora e me deixou num shopping super chique, no mesmo estilo do Cidade Jardim em São Paulo, para que eu passasse o tempo. Não fiquei muito lá, pois as lojas eram muito caras e não quis ficar olhando coisas que eu não poderia comprar, sem me endividar. Minha amiga me falou de um Outlet chamado Marshalls, então fui para lá, andando, conhecendo a cidade e torrando naquele sol ardente de Miami.

Após quinze minutos de caminhada, cheguei e em poucos minutos explorando a loja, me dei conta de que não era tão especial assim.

– Mas menina, essa Marshalls é tão bombada assim? Essa aqui está as moscas, parece uma Americanas. Não vi nada de marca conhecida, só um sutiã da Calvin Klein.

– Menina, confundi com a Macys kkkkkk.

Bom… já que eu estava lá e tinha andado muito, resolvi me entreter ali mesmo. Acabei comprando algumas coisinhas, como uma pantufa para a minha mãe, um mocassim para mim – que nunca usei e depois acabei vendendo – um vestido de cetim preto e quatro blusinhas básicas. Chegou um momento que eu estava exausta de tanto provar roupa – a cada vinte peças que eu pegava, apenas uma ficava boa, os modelos eram muito grandes – e também ficando sem bateria. No exato momento que eu estava chamando um uber para ir à loja certa, ele me ligou, querendo saber como eu estava e se eu já queria voltar. Ele entraria em outra reunião logo mais, então eu tinha que decidir rápido se ele chamava um uber para eu ir embora. Acabei aceitando pois estava mesmo cansada. Ele me enviou a placa do carro, mas não poderia ficar de olho no meu embarque, pois a reunião começaria naquele instante. Quando saí na rua para acompanhar a chegada do motorista, me dei conta de que não conseguiria embarcar, pois a av. estava fechada, ou seja, o motorista não conseguiria me buscar ali. Droga. O jeito foi andar até uma rua próxima e chamar o carro eu mesma. O motorista que ele chamou ainda ficou tentando contato com ele, ligando enquanto ele estava em reunião, quis me ajudar e acabou se atrapalhando.

Quando cheguei no seu prédio, ele ainda não tinha reaparecido. Fiquei uns bons minutos esperando no hall, não pedi que interfonassem no seu apartamento, pois, sabia que ele ainda deveria estar em reunião e não queria atrapalhar, apenas lhe enviei uma mensagem, avisando que o esperava. Meia hora depois, quando veio me buscar na recepção, estava todo esbaforido e incomodado por ter me deixado tanto tempo esperando, mas o tranquilizei, estava tudo bem, tinha sido apenas um desencontro.

Naquela noite, antes de sairmos para jantar, tivemos mais uma sessão de sexo. Eu sou uma pessoa muito sexual e valorizo demais a qualidade do sexo num relacionamento, e por mais que estivesse fluindo muito bem entre a gente na cama, não pude deixar de perceber que, ainda que fosse bom, não era a melhor transa que eu já tive. Estava muito feijão com arroz, morno, sabe? Mesmo desenrolar de sempre, nada de novo acontecendo. Daí resolvi tentar trazer à tona um pouco mais das minhas preferências, no intuito de dar uma apimentada. Pedi que ele falasse algumas putarias, mas o tiro saiu pela culatra. O que era para ser picante, ficou um tanto broxante.

Mais tarde, me queixei com a minha amiga:

– Ai amiga o sexo não é incrível. Mediano.

– Você tava mais empolgada com o sexo antes. Por que mediano?

– Feijão com arroz. Hoje pedi pra ele falar algumas putarias.

– Ele falou??

– “Me encanta sentir-te”. Ai amiga kkkkkkk. Também não chupa os meus seios.

– Nem umas lambidas?

– Não amiga. A preliminar dele é ficar me masturbando. Mas ele já demonstrou interesse em querer saber o que eu gosto.

– Vamos elaborar essas preliminares. Esses detalhes são ajustáveis, precisamos falar o que gostamos, ensinar.

– Ainda mais que ele é gringo, né? Outra cultura, tenho que ser paciente.

*

Desta vez fomos jantar num restaurante Tailandês, chamado MOON THAI & JAPANESE CUISINE.

Não gostei tanto da comida. Pedimos comida japonesa, o gosto não estava extraordinário e ainda passei um pouco de frio lá dentro – devido ao calor úmido de Miami, todos os estabelecimentos possuem ar-condicionado e o desse estava muito gelado – , contudo, mesmo assim foi uma noite muito agradável! Conversamos bastante e demos muitas risadas. Ainda não estava apaixonada, mas caminhávamos para isso, uma vez que estávamos nos dando cada vez melhor.

Quando chegamos no apartamento, ele ainda precisaria trabalhar mais um pouco e eu acabei dormindo. Na madrugada, quando ele veio se deitar, começou a me alisar. Eu, que estava super embalada no sono, não gostei muito. Daí me levantei para ir ao banheiro, achando que isso cortaria a ação do momento, mas, quando retornei, ele continuou me alisando, então tive que ser mais incisiva. Delicadamente tirei a mão dele de mim e me queixei que ele estava me acordando. Ele parou. Deve ter ficado sem graça.

Na manhã seguinte transamos. Quando acordei ele já estava na sala trabalhando, daí fui lá atiçá-lo, animada para compensar o “chega pra lá” noturno. Rapidamente ele correspondeu as minhas investidas e fomos para o quarto. No meio do vuco vuco, ele, provavelmente se lembrando do meu pedido do dia anterior para que dissesse umas putarias, soltou espontaneamente:

– Me encanta sentir-te

Desta vez achei importante ajustar.

– Isso que você está falando não está legal, me soa muito romântico. Fala… – pensei em algo mais safado – “é gostoso foder você!” – Propus.

– Mas isso que você está falando é romântico.

– Não, não é! Rs.

– Para mim isso que soa muito romântico.

– Então não fala nada! – Desisti.

Custava ele apenas repetir e seguir com o momento? Daí tentei uma outra abordagem, falei que gostava de coisas mais selvagens, como puxada de cabelo e pegada no pescoço…

– Me trata como se eu fosse uma putinha. – Falei.

– Isso eu também gosto! – Finalmente deu match!

Daí fui conduzindo algumas posições. Pedi que me pegasse de quatro, depois de bruços, mas em algum momento começou a me machucar, por ele querer ir cada vez mais fundo, sendo que não tinha mais para onde ele ir, e eu com a cara colada no colchão, o que eu falava ficava inaudível. Enfim, trocamos para papai e mamãe, até que conseguimos gozar juntos, muito sincronizado, gostei bastante! No meu ponto de vista, apesar dos tropeços, tinha sido uma transa muito gostosa, mas acho que tivemos percepções diferentes do momento, pois, assim que gozamos, ele quis discutir a relação…

Desentendimento

Naquele momento delicioso e relaxado pós sexo, de repente, ele veio com um papo estranho, que eu custei a atender o porquê dele estar entrando numa discussão daquela.

– Nós estamos tendo problemas de comunicação. – Ele começou. – Eu não te entendo, uma hora você fala para ir forte, outra hora devagar, minha cabeça não entende. Fico sem entender o que você quer.

– Depois a gente conversa sobre isso, acabei de gozar, quero só curtir. – Eu não estava em condições de entrar numa DR naquele momento.

– Mas é importante falarmos sobre isso. Não estamos conseguindo nos comunicar.

Como não estávamos conseguindo nos comunicar se tínhamos acabado de ter uma transa tão gostosa?! Eu não queria acreditar que ele estava problematizando aquilo.

– Tá, mas eu não quero falar disso agora! – Finalizei firme, tentando salvar o último respiro de relaxamento.

Ele se calou. Percebi que não gostou muito. Ficamos um tempo deitados abraçados e cochilamos. Depois se levantou, antes de mim, pois precisava retomar o trabalho. Continuei deitada mais um pouco, até que veio me perguntar se eu gostaria de café da manhã, aceitei. Antes de sair do quarto, voltou no assunto:

– Estamos tendo uns problemas de comunicação.

– A gente pode conversar sobre isso depois.

Quando fui ao seu encontro, na cozinha, percebi que ele não estava muito receptivo, mal olhou na minha cara, pelo visto ainda ressentido pela situação. Fiquei olhando para ele até que nossos olhares se cruzassem e quando aconteceu, deu um sorriso rápido, forçado, aquele típico sorriso que damos sem a menor vontade, apenas por educação. Ele fazia duas coisas ao mesmo tempo, preparava o nosso café da manhã com frutas e um outro prato com ovos mexidos, similar ao que fez de almoço no nosso primeiro dia juntos.

– Você vai comer as duas coisas? – Perguntei, tentando puxar assunto.

– Não sei. Talvez sim. – Num tom não muito amigável.

Depois acrescentou que não teria tempo de cozinhar no almoço, então já estava adiantando. Reiniciei a conversa e falei que não entendia por que ele tinha dito aquelas coisas, pois para mim estávamos nos entendendo muito bem, que é normal durante uma transa não ser algo linear e querer coisas diferentes. Ele começou a fazer várias queixas sobre a nossa comunicação e instantaneamente o meu café da manhã foi ficando indigesto. “Por que ele está problematizando?” eu me indagava mentalmente. Não falei mais nada, só assentia com a cabeça.

*

– Menina as coisas deram uma azedada aqui.

Atualizei minha amiga.

– De repente as coisas ficaram meio estranhas, amiga. Ele todo sério. Complicado. Ele tava falando que ele deveria voltar para as aulas de português, que isso o ajudaria não só comigo, mas com o trabalho dele também… mas sei não menina, do jeito que desandou aqui, se continuar assim não vamos nos ver mais não. Deu uma pesada no clima. Não sei se ele também já estava incomodado de ontem à noite ter me alisado e eu ter dado aquele chega pra lá nele. Ai menina… nem tudo é perfeito.

– Eu também achei algo bem pequeno para tanta cara fechada. Vocês estão se conhecendo, não é para tanto. Tenta ir passear na praia amiga, sua viagem está muito ‘apartamento e restaurante’. Sai, vai espairecer, dá um espaço pra ele também. Anda na praia, vê as casinhas de salva vidas que são charmosas, toma um sorvete gostoso em algum lugar e vai curtir sua companhia amiga, conhecer coisas, turistar e bater perna mesmo sozinha! Deixa ele com esse suposto azedume sozinho aí, você está num lugar incrível! Depois ele se recompõe e quando você voltar já estará tudo bem de novo. Convivência é isso mesmo.

Fada sensata. Contraditoriamente, acabamos transando de novo, antes de me deixar na praia.

– Foi gostosinho, mas nada uau. Não acho que vamos pra frente. Ainda não tô apaixonada. Já estou com saudade da minha casa, dos meus gatos e das minhas coisas. – Continuei com a minha amiga.

– Ai amiga, tem coisas que não adianta forçar. Talvez, se fosse para ser, já estaria virando a chavinha da paixão e encantamento.

Ele me deixou na praia de South Beach, me mostrou um restaurante todo cor de rosa que eu poderia comer depois e rumou para o seu dentista. Aluguei uma espreguiçadeira e um guarda sol. Uma mulher ao meu lado, que também estava sozinha, puxou assunto, enquanto eu estava estirada tentando pegar um bronze.

– Precisa tomar cuidado. – Ela disse, em inglês.

– Com o que?

– Com esse sol. Você que é bem branquinha.

– Ah sim. Apenas vinte minutos de cada lado. – Falei.

– Brasileira?

– Como sabe?

– Pelo seu sotaque.

– E você é de onde?

– Sou de Nova York, vim para a casa de uns amigos.

– Ah sim.

– O que você está fazendo aqui? – Curiosa ela.

– Vim ficar com um cara que conheci num aplicativo de relacionamento. – Eu e essa minha mania de falar da minha vida para quem não conheço.

– Ahh legal. E está gostando?

– Estou sim.

Não entrei em detalhes que já tínhamos saído no Brasil ou que estávamos nos desentendendo aqui, muitos detalhes desnecessários para quem não tem nada a ver com a história.

– E onde ele está agora?

– Trabalhando. – Também não ia entrar em detalhes que ele foi ao dentista. Falar que está trabalhando sempre é justificável para muitas coisas, inclusive para não estarmos curtindo a praia juntos naquele momento.

Daí me virei para pegar sol de costas e o papo foi encerrado. Em outro momento ela me pediu para olhar as coisas dela, enquanto entrava no mar, o que me retribuiu para que depois eu pudesse me banhar também.

Mais tarde, quando bateu a fome, fui até a lanchonete que ele tinha indicado, chamada Big Pink. O garçom tentou tirar meu pedido umas três vezes, mas eu estava perdidinha com um cardápio tão extenso. Acabei pedindo um beirute, que não aguentei comer tudo e levei uma parte para casa. Para beber um drink chamado Piña Colada, que desde que ouvi no filme “De Repente 30”, sempre peço quando vejo no cardápio. Na hora de pagar a conta tive um pequeno conflito com o garçom, pois o dinheiro a mais que lhe entreguei foi para facilitar o troco e ele achou que era gorjeta. Eu não sabia dessa regra lá fora – enquanto aqui a gorjeta é opcional, lá é super ofensivo se você não der -, e de repente comecei a ser maltratada por querer o troco exatamente como calculei que voltaria. Se eu soubesse da regra da gorjeta teria deixado para lá, mas naquele momento senti que ele estava me roubando, querendo dar um de esperto, dizendo que eu tinha lhe entregado um valor menor do que realmente entreguei.

Peter me contatou. Somente naquele momento estava saindo do dentista. Avisei que estava na lanchonete que ele indicou, que tinha sobrado metade do lanche e ofereci para ele, já que se queixava de estar com fome, mas recusou, dizendo que tinha comida em casa e o jeito que ele falou me soou um pouco grosseiro, como se eu estivesse oferecendo resto para ele comer. Novamente entramos naquela questão de não conseguirmos nos entender direito. Perguntei se viria me buscar e entendi que ele precisaria passar em casa para comer antes, pois, passava mal quando ficava muito tempo sem uma refeição. Me sentindo completamente desabrigada, voltei para a praia e após dez minutos começou a chover. Por sorte eu tinha entendido errado e ele já estava indo me buscar direto do dentista. Assim que começou a chover mais forte, ele me ligou perguntando onde eu estava, pois já se encontrava parado no mesmo ponto que tinha me deixado mais cedo. Assim que entrei no seu carro, novamente ofereci o lanche, já que ele estava morrendo de fome, mas ele novamente recusou, pois, queria comer da sua própria comida fit. Eu preferiria comer o que tivesse, do que passar fome, se fosse ele, mas cada um, cada um, né?

*

– Eu dei uma broxada. Agora toda vez que não nos entendemos já me incomoda, depois do que ele disse passei a reparar mais. Nossa relação está muito no início, se é que viraria uma relação, daí como ainda tá começando, é muito cedo pra desentendimentos, isso já me broxa, porque não é uma relação sólida ainda. – Desabafei com minha amiga mais tarde.

– Acho que você não tá pronta ainda, talvez, e sendo de uma cultura diferente e também outra idade, já contribui pra falha de comunicação. Porque um cara de 48 anos com suas vivências, já te passou na maturidade. Acho que a questão do momento certo também é a chave! Aproveita com leveza tudo que for possível.

Mais tarde fomos ao mercado e o senti bastante frio. Saía andando sozinho na frente, sequer se preocupava de andar ao meu lado, o clima estava mesmo muito estranho. Fiquei um pouco emotiva com isso e quando estávamos voltando para casa, ainda no carro, tentei conversar sobre a frieza dele. Aparentemente nos entendemos. Chegando no apartamento, fomos transar para selar a paz na cama, mas quando eu estava quase gozando, ele broxou. Justificou dizendo que como estávamos transando todos os dias, ele precisava de um descanso, mas acho que broxou pelo todo.

Por volta das 22:25 ele queria cozinhar. Eu já estava com sono e sugeri deixarmos para outro dia, afinal, onze horas da noite não é horário de janta. Ele disse que no seu dia a dia sempre treina a noite e que é comum na sua rotina jantar mais tarde. Ou seja, novamente entramos num impasse. Eu costumo jantar oito horas da noite, para as onze já estar me preparando para dormir. Visivelmente ficou chateado. Costumes diferentes é mesmo complicado. E como se isso tudo já não fosse o bastante, naquela mesma noite, ainda tivemos uma discussão acalorada. Eis a nossa primeira briga.

C O N T I N U A