Passei a me identificar com causas femininas e me deparei com a triste realidade da mulher na sociedade: A mulher objetificada, que é estuprada e desvalorizada.
E vamos lembrar que eu faço parte de um grupo muito específico: A puta, a garota de programa, a mulher da vida, a PROSTITUTA. Sim, sou tudo isso. Mas também sou a mulher que gera vida (se eu quiser), a que seduz, a que hipnotiza, a que traz alegria pra dentro de uma moradia.
Ser mulher é viver em ciclos. É habitar fases que mudam nosso corpo, nossa mente e a nossa percepção. TPM, menstruação, gestação… Mas também temos muita sensibilidade e uma forte intuição feminina. Temos um corpo que sangra e que, por muito tempo, foi ensinado a ser visto como sujo, impuro, quando na verdade carregamos criação, consciência e renovação.
Crescemos sendo pressionadas a caber em padrões: belas, jovens, desejáveis. E existe um custo constante para existir como mulher: tempo, dinheiro, energia e adaptação. Historicamente atravessadas por experiências que nos exigiram sermos mais fortes, mas nunca livres demais.
Eu cresci e tomei a consciência de como o mundo pode ser cruel ao se aproveitar de uma mulher. Homens frágeis que não sabem ouvir um não. Ou que se aproveitam da inocência de uma menina em formação, que nos olham por vezes com um desejo nojento, mesmo quando o ambiente não condiz com tal comportamento.
Esses dias eu estava me servindo num restaurante self service dentro de um shopping, e um homem muito mais velho, de traços árabes e asqueroso, me encarou de um jeito invasivo, que me deixou desconfortável. Rapidamente desviei o olhar para deixar claro que eu não estava correspondendo, mas ainda assim, mesmo olhando para o meu prato, enquanto me direcionava a balança, ainda pude sentir o seu olhar sobre mim, enquanto cruzávamos o espaço. Ele estava indo se servir no mesmo estabelecimento também, e fez questão de guardar o seu lugar justamente onde eu acabara de me sentar, mesmo com muitos lugares vagos em torno da gente. Teatralmente colocou sua nécessaire à minha frente e nesse momento marcou presença, me dando um forte: “Boa tarde”, em português, ainda que com os outros dois que estavam com ele, falasse em outro idioma. Forçando uma interação desnecessária com uma estranha, que só estava ali comendo.
Eu, que já tinha percebido seu olhar de interesse anteriormente, nem queria responder ao seu cumprimento, mas fui ensinada a ser educada e lhe devolvi o “Boa tarde”, mesmo que sem vontade.
Se sentou de frente para mim, no intuito de que rolasse algum contato visual, e para não ter que trocar de lugar e talvez deixar ainda mais claro que me senti invadida, me limitei a comer olhando para o meu prato. Olhei de sorrateiro para o vazio de assentos pela extensão da mesa compartilhada e não compreendi essa inconveniência, dele sentar junto com seus amigos bem no espaço que eu tinha me abrigado.
Sim, eu sou puta. Sim, eu trabalho com sexo. Mas isso não quer dizer que fora do meu contexto de trabalho, eu me sinta confortável com olhares lascivos, numa situação cotidiana. Não interessa a minha roupa (que nem era sexy ou vulgar), ou a cor do meu batom (que nem era vermelho), nada dá o direito a um homem qualquer achar que tem essa liberdade, de tentar uma proximidade, através de um forçado “Boa tarde”.
Sim, eu trabalho com sexo. Mas não é qualquer um que se deita comigo. E o homem sabe quando algo não é para o seu bico, mas ele tenta porque não respeita o nosso espaço.
Frequentemente vejo comentários machistas nos meus vídeos do TikTok, de homens que se acham soberanos por se considerarem “homens de respeito”, enquanto eu sou uma mulher que cobra por algo que eles gostam de ter ou tomar de graça. Mas antes de serem rudes com qualquer mulher, independente de quem ela seja, ou do que ela faça, deveriam se lembrar de que só estão aqui…
– Ai amiga, estou com uma intuição de preocupação, sei que dará tudo certo na sua viagem, não fica irritada, mas me promete que quando tiver o endereço, você vai me passar? E queria te pedir outra coisa, vai parecer esquisito, e só por precaução… Leva aquele seu sprayzinho na mala? Porque querendo ou não, você vai pra casa de uma pessoa estranha, em outro país, uma pessoa que você passou poucas horas junto aqui. Em um lugar muito longe que você não tem pessoas conhecidas, te acho meio lesada.
Péssimo momento para a minha melhor amiga demonstrar qualquer preocupação comigo. Tínhamos almoçado no dia anterior e ela parecia bastante animada com a minha aventura, e agora, no dia da viagem, vinha com essa mensagem negativa.
– Amiga, você mais do que ninguém sabe o quanto sou desconfiada. Fica tranquila, eu não sou tão inocente, se der alguma merda vou me defender também. Rasgo qualquer um com essas unhas, rs.
Tentei não levar para o coração aquele alerta para que também não ficasse pilhada.
*
No momento do check-in, no aeroporto, tive que comunicar sobre o meu spray de pimenta na mala despachada e, graças a minha amiga, perdi o meu item de defesa para sempre, pois precisei retirá-lo e deixá-lo de fora. Até negociei com a balconista sobre ela guardá-lo para mim, mas nunca voltei para buscar.
Voo direto, porém, longo e, para variar, a comida do avião me deu refluxo. Assisti ao filme “Cinderela”, a versão de 2021, que tem a Camila Cabello, para já entrar no clima de conto de fadas.
O voo chegou meia hora antes.
– Pousei! – O avisei imediatamente.
Nada dele responder.
– O voo chegou antes. – Insisti, 20 minutos depois.
Novamente o silêncio. Comecei a ficar ansiosa. E se eu fosse raptada por uma agência clandestina que quisesse me transformar numa escrava sexual, como na novela “Salve Jorge”? E se ele não me respondesse mais e eu ficasse completamente sozinha e desabrigada, num país que não fala o meu idioma? Fui ficando cada vez mais tensa!
Comecei a ficar paranoica. Já tinha dado o horário original da chegada do voo, ou seja, já era para ele estar a caminho, e, no entanto, continuava ausente. Em contrapartida, a fila para passar pela Polícia Federal estava gigantesca e lenta. “Se até eu pegar a mala, ele não aparecer, irei ligar para ele”, pensei com meus botões, estruturando um plano de emergência. Mas quem disse que aguentei esperar? Cinco minutos depois eu estava ligando para ele, rezando para que me atendesse e não fosse um golpe.
– Alô.
– Oi.
– Oi! Você já chegou??
– Sim, o voo chegou meia hora antes. Você não está vindo?
– Não, mas eu moro perto. Estou a quinze minutos do aeroporto.
– Ah tá, é que eu te mandei mensagem e você não respondeu.
– …
– Você estava dormindo? – O voo tinha chegado às 7 da manhã.
– Não, estou me arrumando para ir te buscar. Como que está aí? Já pegou a mala?
– Ainda não. A fila da imigração é muito grande.
– Ahhhh sim! Por isso me planejei para chegar um pouco depois do pouso, sabia que iria demorar. Me avisa quando passar, que vou te buscar.
Finalizei a ligação mais tranquila, mas o sentimento de desconfiança não foi embora totalmente. Não tinha gostado daquela ausência. Se ele sabia que eu estava chegando, como não ficou atento nas mensagens? Ele sequer teve a preocupação de acompanhar a chegada do voo!
Após uma hora de espera, enfim chegou a minha vez de ser atendida.
– Qual o motivo da viagem? – O policial perguntou.
– Lazer.
– Onde ficará hospedada?
– Deixa eu pegar aqui.
– Você não sabe?
– Não sei de cor, é a casa de um… amigo.
– Onde você conheceu seu amigo?
– Num aplicativo de relacionamento. – Na mesma hora me bateu uma vergonha de falar isso em voz alta.
– Onde?
– Aplicativo de relacionamento.
– O que é isso?
– Você não conhece?
– Não. Internet?
– Isso! – Achei melhor não dificultar seu entendimento.
Pensei que o policial fosse barrar a minha entrada, mas logo em seguida devolveu o meu passaporte e liberou a minha passagem. Ufa! Após poucos minutos esperando a minha mala surgir na esteira, tive a expertise de checar num amontoado de malas em outro canto e por sorte a minha já estava lá. Um tanto burocrático para sair do aeroporto de Miami e quando a porta automática de saída abriu, o ar-condicionado congelante deu lugar a uma bufa de ar quente úmido. Ele já estava lá. Veio andando até mim, todo bonitão e cheiroso. Nos cumprimentamos e rumamos para o seu carro, que era uma BMW.
*
– Preciso passar num lugar antes. – Ele disse, enquanto estávamos na estrada, de repente, reacendendo a minha desconfiança.
– Que lugar?
– Como você é curiosa… É uma surpresa! – Disse ele, todo sorridente.
Eu não estava muito confortável com aquela “surpresa”. Chegamos numa área de Miami toda residencial, novamente achei que seria raptada. Ele estacionou num lugar estranho e disse que já voltava, me deixando sozinha no carro. Felizmente deixou a chave junto comigo, mas poderia ser um truque, pensei, ainda desconfiada. Fiquei observando aonde ele ia, até que virou a esquina e o perdi de vista. A rua era deserta, fiquei olhando de um lado para o outro incansavelmente.
Após uns dois minutos, surgiu um outro carro e parou a poucos metros de distância. Na mesma hora já peguei a chave do carro, preparada para apertar o cadeado se fosse preciso. O vidro do motorista do outro carro abaixou e o homem que estava ao volante fez algumas fotos da rua com o seu celular. Enquanto o observava extremamente atenta, experimentei um sentimento não muito agradável de medo, percebi que nunca passei por uma situação que me despertasse aquela sensação antes. Depois ele voltou a subir o vidro e deu ré, chegando muito perto do carro que eu estava. Senti mais medo ainda! Mas a sensação logo foi tomada por um alívio, quando manobrou e foi embora.
– Será que foi te comprar flores? – Minha amiga matou a charada antes que ele voltasse.
– Ai amiga espero que não… flores?
Um pequeno adendo aqui, eu devo ser uma das poucas mulheres que não acha a menor graça em ser presenteada com flores. Acho lindo quando vejo nos filmes, mas, na vida real, considero inútil. Gosto de presentes que poderei de fato guardar de lembrança e não que vá morrer em poucos dias.
– No mapa da localização que você mandou tem uma floricultura bem próxima. Só isso para fazer sentido. – Ela analisou.
E tinha acertado. Após alguns minutos, o vejo ressurgindo na esquina, sorrindo, como se estivesse carregando um troféu, segurando algo nas mãos. Devido à distância, não consegui identificar de primeira o que era, mas quando se aproximou mais, pude ver. Se tratava de um lindo buquê de rosas vermelhas, com apenas duas rosas brancas, uma distante da outra, que, segundo ele, representava nós dois, comigo no Brasil e ele nos Estados Unidos. Achei muito fofinho o gesto, coloquei meu lado atriz em ação e demonstrei a maior empolgação com o mimo, mas lá no fundo não me impressionou tanto assim, pois, como falei, flores não é algo que me causa grande encantamento, apesar de serem mesmo muito lindas.
Agora sim rumamos para o seu apartamento, que eu já conhecia de algumas fotos. Ao passar pela porta de entrada, a pequena cozinha americana ficava à direita e o banheiro a esquerda. Havia uma mesa de jantar entre a sala e a cozinha e o seu escritório ficava na frente do sofá, da sala de estar. O seu apê era um grande loft. A direita da sala tinha o quarto, esse sim com paredes e porta, que ligava ao banheiro, separado apenas por um pequeno closet no caminho. Achei engraçado que você podia acessar o banheiro por duas portas diferentes, pelo quarto e pela cozinha. Como é muito comum nos banheiros americanos, para usar o chuveiro você tinha que entrar numa banheira, que era protegida por uma cortina – prefiro muito mais os banheiros brasileiros, com box de vidro. Do lado de fora tinha uma varanda enorme, com uma vista incrível do mar.
Depois de me mostrar tudo, me deixou à vontade para tomar banho e arrumar as minhas coisas, enquanto ele participava de uma reunião online de trabalho. Ainda teve a delicadeza de me preparar uma deliciosa salada de frutas vermelhas com queijo fresco, granola e iogurte. Estava mesmo uma delícia. “Meu conto de fadas está só começando”, pensei, iludida.
Assim que ele teve um tempinho para ficarmos juntos, transamos. Uma transa muito longa para o meu gosto, diferente das transas que tivemos no Brasil. Torci para que essa longa duração não virasse um hábito, transas longas demais são exaustivas. No almoço ele fez um prato fit para gente, composto de ovos mexidos, tomate picado, banana, peito de peru e abacate. Uma mistura que falando pode parecer estranha, mas, comendo, via-se que a combinação era mesmo perfeita! Ele mandava bem na cozinha. Depois sugeriu que eu utilizasse a piscina e jacuzzi do condomínio, pois ele precisaria trabalhar mais um pouco e não queria que eu ficasse sem ter o que fazer. Assim sendo, desceu para me apresentar as áreas comuns do prédio e me deixou bem acomodada na jacuzzi. O lugar estava deserto, então pude ficar bem a vontade para fazer alguns conteúdos com o meu celular, ouvir música e relaxar mesmo.
Uma hora e meia depois, quando encerrou seu trabalho, se juntou a mim. Tivemos bons momentos juntos na jacuzzi e depois também fomos para a piscina. Enquanto estávamos na água, falamos sobre o nosso sexo e aproveitei para expor algumas de minhas preferências, como, por exemplo, preferir várias transas curtas do que uma muito longa.
– Eu achei que você gostasse de transas longas. – Ele disse.
– De vez em quando eu gosto, mas, se for sempre, fico sensível lá embaixo e aí não consigo transar tantas vezes. O ideal seria você gozar logo depois de mim.
– Ahh eu achei que você gostasse de gozar mais de uma vez na mesma transa.
– Não exatamente, porque depois que gozo fico muito sensível, precisando de um descanso.
– Hummm entendido então. Deixa comigo!
Essa conversa foi ótima, pois, ao retornamos para o apartamento, antes de sairmos para jantar, transamos novamente e ele ajustou esses detalhes, teve uma duração mais gostosa. Quando ele saiu do banho, vendo que finalmente tinha me ouvido e feito a barba para que não me pinicasse, quis agradá-lo e o puxei para mais uma rodada de sexo. Estava bem insaciável naquele primeiro dia.
Saímos para jantar num restaurante maravilhoso, chamado CVI.CHE 105. Aquela noite estava muito gostosa, fosse pela comida, pela nossa interação um com o outro – parecíamos um casal em lua de mel – ou pelo clima tropical de Miami. Estava tudo perfeito, até tiramos algumas fotos de casal na mesa do restaurante.
Saindo de lá, fomos dar uma volta, a pé mesmo, na Linconl Road. Ele fez algumas fotos minhas, já eu fotografava as coisas e lugares que passávamos.
Com o passar do tempo foi ficando tarde e depois decidimos que era hora de voltar para o apartamento.
Ao me trocar para dormir, fui presenteada com um vestido regata vermelho tão confortável, que logo entendi se tratar de uma camisola.
– Que camisola feia amiga. Usa suas coisas sexy. – Minha amiga reprovou, quando te enviei a foto do tal presente no meu corpo.
Realmente eu tinha levado uma camisola bem mais sexy da Victoria Secret, uma preta de cetim com renda, mas ele pareceu tão feliz e satisfeito ao me ver usando aquela roupa nada interessante que ele comprou, então o agradei.
*
Na manhã seguinte ele começou a me alisar pela manhã, mas fingi estar dormindo. Não que eu não quisesse transar logo cedo, mas minha pepeka ainda precisava se recuperar das três transas anteriores. Ele me disse que precisaria trabalhar durante a tarde, então me levou para almoçar fora e me deixou num shopping super chique, no mesmo estilo do Cidade Jardim em São Paulo, para que eu passasse o tempo. Não fiquei muito lá, pois as lojas eram muito caras e não quis ficar olhando coisas que eu não poderia comprar, sem me endividar. Minha amiga me falou de um Outlet chamado Marshalls, então fui para lá, andando, conhecendo a cidade e torrando naquele sol ardente de Miami.
Após quinze minutos de caminhada, cheguei e em poucos minutos explorando a loja, me dei conta de que não era tão especial assim.
– Mas menina, essa Marshalls é tão bombada assim? Essa aqui está as moscas, parece uma Americanas. Não vi nada de marca conhecida, só um sutiã da Calvin Klein.
– Menina, confundi com a Macys kkkkkk.
Bom… já que eu estava lá e tinha andado muito, resolvi me entreter ali mesmo. Acabei comprando algumas coisinhas, como uma pantufa para a minha mãe, um mocassim para mim – que nunca usei e depois acabei vendendo – um vestido de cetim preto e quatro blusinhas básicas. Chegou um momento que eu estava exausta de tanto provar roupa – a cada vinte peças que eu pegava, apenas uma ficava boa, os modelos eram muito grandes – e também ficando sem bateria. No exato momento que eu estava chamando um uber para ir à loja certa, ele me ligou, querendo saber como eu estava e se eu já queria voltar. Ele entraria em outra reunião logo mais, então eu tinha que decidir rápido se ele chamava um uber para eu ir embora. Acabei aceitando pois estava mesmo cansada. Ele me enviou a placa do carro, mas não poderia ficar de olho no meu embarque, pois a reunião começaria naquele instante. Quando saí na rua para acompanhar a chegada do motorista, me dei conta de que não conseguiria embarcar, pois a av. estava fechada, ou seja, o motorista não conseguiria me buscar ali. Droga. O jeito foi andar até uma rua próxima e chamar o carro eu mesma. O motorista que ele chamou ainda ficou tentando contato com ele, ligando enquanto ele estava em reunião, quis me ajudar e acabou se atrapalhando.
Quando cheguei no seu prédio, ele ainda não tinha reaparecido. Fiquei uns bons minutos esperando no hall, não pedi que interfonassem no seu apartamento, pois, sabia que ele ainda deveria estar em reunião e não queria atrapalhar, apenas lhe enviei uma mensagem, avisando que o esperava. Meia hora depois, quando veio me buscar na recepção, estava todo esbaforido e incomodado por ter me deixado tanto tempo esperando, mas o tranquilizei, estava tudo bem, tinha sido apenas um desencontro.
Naquela noite, antes de sairmos para jantar, tivemos mais uma sessão de sexo. Eu sou uma pessoa muito sexual e valorizo demais a qualidade do sexo num relacionamento, e por mais que estivesse fluindo muito bem entre a gente na cama, não pude deixar de perceber que, ainda que fosse bom, não era a melhor transa que eu já tive. Estava muito feijão com arroz, morno, sabe? Mesmo desenrolar de sempre, nada de novo acontecendo. Daí resolvi tentar trazer à tona um pouco mais das minhas preferências, no intuito de dar uma apimentada. Pedi que ele falasse algumas putarias, mas o tiro saiu pela culatra. O que era para ser picante, ficou um tanto broxante.
Mais tarde, me queixei com a minha amiga:
– Ai amiga o sexo não é incrível. Mediano.
– Você tava mais empolgada com o sexo antes. Por que mediano?
– Feijão com arroz. Hoje pedi pra ele falar algumas putarias.
– Ele falou??
– “Me encanta sentir-te”. Ai amiga kkkkkkk. Também não chupa os meus seios.
– Nem umas lambidas?
– Não amiga. A preliminar dele é ficar me masturbando. Mas ele já demonstrou interesse em querer saber o que eu gosto.
– Vamos elaborar essas preliminares. Esses detalhes são ajustáveis, precisamos falar o que gostamos, ensinar.
– Ainda mais que ele é gringo, né? Outra cultura, tenho que ser paciente.
*
Desta vez fomos jantar num restaurante Tailandês, chamado MOON THAI & JAPANESE CUISINE.
Não gostei tanto da comida. Pedimos comida japonesa, o gosto não estava extraordinário e ainda passei um pouco de frio lá dentro – devido ao calor úmido de Miami, todos os estabelecimentos possuem ar-condicionado e o desse estava muito gelado – , contudo, mesmo assim foi uma noite muito agradável! Conversamos bastante e demos muitas risadas. Ainda não estava apaixonada, mas caminhávamos para isso, uma vez que estávamos nos dando cada vez melhor.
Quando chegamos no apartamento, ele ainda precisaria trabalhar mais um pouco e eu acabei dormindo. Na madrugada, quando ele veio se deitar, começou a me alisar. Eu, que estava super embalada no sono, não gostei muito. Daí me levantei para ir ao banheiro, achando que isso cortaria a ação do momento, mas, quando retornei, ele continuou me alisando, então tive que ser mais incisiva. Delicadamente tirei a mão dele de mim e me queixei que ele estava me acordando. Ele parou. Deve ter ficado sem graça.
Na manhã seguinte transamos. Quando acordei ele já estava na sala trabalhando, daí fui lá atiçá-lo, animada para compensar o “chega pra lá” noturno. Rapidamente ele correspondeu as minhas investidas e fomos para o quarto. No meio do vuco vuco, ele, provavelmente se lembrando do meu pedido do dia anterior para que dissesse umas putarias, soltou espontaneamente:
– Me encanta sentir-te
Desta vez achei importante ajustar.
– Isso que você está falando não está legal, me soa muito romântico. Fala… – pensei em algo mais safado – “é gostoso foder você!” – Propus.
– Mas isso que você está falando é romântico.
– Não, não é! Rs.
– Para mim isso que soa muito romântico.
– Então não fala nada! – Desisti.
Custava ele apenas repetir e seguir com o momento? Daí tentei uma outra abordagem, falei que gostava de coisas mais selvagens, como puxada de cabelo e pegada no pescoço…
– Me trata como se eu fosse uma putinha. – Falei.
– Isso eu também gosto! – Finalmente deu match!
Daí fui conduzindo algumas posições. Pedi que me pegasse de quatro, depois de bruços, mas em algum momento começou a me machucar, por ele querer ir cada vez mais fundo, sendo que não tinha mais para onde ele ir, e eu com a cara colada no colchão, o que eu falava ficava inaudível. Enfim, trocamos para papai e mamãe, até que conseguimos gozar juntos, muito sincronizado, gostei bastante! No meu ponto de vista, apesar dos tropeços, tinha sido uma transa muito gostosa, mas acho que tivemos percepções diferentes do momento, pois, assim que gozamos, ele quis discutir a relação…
Desentendimento
Naquele momento delicioso e relaxado pós sexo, de repente, ele veio com um papo estranho, que eu custei a atender o porquê dele estar entrando numa discussão daquela.
– Nós estamos tendo problemas de comunicação. – Ele começou. – Eu não te entendo, uma hora você fala para ir forte, outra hora devagar, minha cabeça não entende. Fico sem entender o que você quer.
– Depois a gente conversa sobre isso, acabei de gozar, quero só curtir. – Eu não estava em condições de entrar numa DR naquele momento.
– Mas é importante falarmos sobre isso. Não estamos conseguindo nos comunicar.
Como não estávamos conseguindo nos comunicar se tínhamos acabado de ter uma transa tão gostosa?! Eu não queria acreditar que ele estava problematizando aquilo.
– Tá, mas eu não quero falar disso agora! – Finalizei firme, tentando salvar o último respiro de relaxamento.
Ele se calou. Percebi que não gostou muito. Ficamos um tempo deitados abraçados e cochilamos. Depois se levantou, antes de mim, pois precisava retomar o trabalho. Continuei deitada mais um pouco, até que veio me perguntar se eu gostaria de café da manhã, aceitei. Antes de sair do quarto, voltou no assunto:
– Estamos tendo uns problemas de comunicação.
– A gente pode conversar sobre isso depois.
Quando fui ao seu encontro, na cozinha, percebi que ele não estava muito receptivo, mal olhou na minha cara, pelo visto ainda ressentido pela situação. Fiquei olhando para ele até que nossos olhares se cruzassem e quando aconteceu, deu um sorriso rápido, forçado, aquele típico sorriso que damos sem a menor vontade, apenas por educação. Ele fazia duas coisas ao mesmo tempo, preparava o nosso café da manhã com frutas e um outro prato com ovos mexidos, similar ao que fez de almoço no nosso primeiro dia juntos.
– Você vai comer as duas coisas? – Perguntei, tentando puxar assunto.
– Não sei. Talvez sim. – Num tom não muito amigável.
Depois acrescentou que não teria tempo de cozinhar no almoço, então já estava adiantando. Reiniciei a conversa e falei que não entendia por que ele tinha dito aquelas coisas, pois para mim estávamos nos entendendo muito bem, que é normal durante uma transa não ser algo linear e querer coisas diferentes. Ele começou a fazer várias queixas sobre a nossa comunicação e instantaneamente o meu café da manhã foi ficando indigesto. “Por que ele está problematizando?” eu me indagava mentalmente. Não falei mais nada, só assentia com a cabeça.
*
– Menina as coisas deram uma azedada aqui.
Atualizei minha amiga.
– De repente as coisas ficaram meio estranhas, amiga. Ele todo sério. Complicado. Ele tava falando que ele deveria voltar para as aulas de português, que isso o ajudaria não só comigo, mas com o trabalho dele também… mas sei não menina, do jeito que desandou aqui, se continuar assim não vamos nos ver mais não. Deu uma pesada no clima. Não sei se ele também já estava incomodado de ontem à noite ter me alisado e eu ter dado aquele chega pra lá nele. Ai menina… nem tudo é perfeito.
– Eu também achei algo bem pequeno para tanta cara fechada. Vocês estão se conhecendo, não é para tanto. Tenta ir passear na praia amiga, sua viagem está muito ‘apartamento e restaurante’. Sai, vai espairecer, dá um espaço pra ele também. Anda na praia, vê as casinhas de salva vidas que são charmosas, toma um sorvete gostoso em algum lugar e vai curtir sua companhia amiga, conhecer coisas, turistar e bater perna mesmo sozinha! Deixa ele com esse suposto azedume sozinho aí, você está num lugar incrível! Depois ele se recompõe e quando você voltar já estará tudo bem de novo. Convivência é isso mesmo.
Fada sensata. Contraditoriamente, acabamos transando de novo, antes de me deixar na praia.
– Foi gostosinho, mas nada uau. Não acho que vamos pra frente. Ainda não tô apaixonada. Já estou com saudade da minha casa, dos meus gatos e das minhas coisas. – Continuei com a minha amiga.
– Ai amiga, tem coisas que não adianta forçar. Talvez, se fosse para ser, já estaria virando a chavinha da paixão e encantamento.
Ele me deixou na praia de South Beach, me mostrou um restaurante todo cor de rosa que eu poderia comer depois e rumou para o seu dentista. Aluguei uma espreguiçadeira e um guarda sol. Uma mulher ao meu lado, que também estava sozinha, puxou assunto, enquanto eu estava estirada tentando pegar um bronze.
– Precisa tomar cuidado. – Ela disse, em inglês.
– Com o que?
– Com esse sol. Você que é bem branquinha.
– Ah sim. Apenas vinte minutos de cada lado. – Falei.
– Brasileira?
– Como sabe?
– Pelo seu sotaque.
– E você é de onde?
– Sou de Nova York, vim para a casa de uns amigos.
– Ah sim.
– O que você está fazendo aqui? – Curiosa ela.
– Vim ficar com um cara que conheci num aplicativo de relacionamento. – Eu e essa minha mania de falar da minha vida para quem não conheço.
– Ahh legal. E está gostando?
– Estou sim.
Não entrei em detalhes que já tínhamos saído no Brasil ou que estávamos nos desentendendo aqui, muitos detalhes desnecessários para quem não tem nada a ver com a história.
– E onde ele está agora?
– Trabalhando. – Também não ia entrar em detalhes que ele foi ao dentista. Falar que está trabalhando sempre é justificável para muitas coisas, inclusive para não estarmos curtindo a praia juntos naquele momento.
Daí me virei para pegar sol de costas e o papo foi encerrado. Em outro momento ela me pediu para olhar as coisas dela, enquanto entrava no mar, o que me retribuiu para que depois eu pudesse me banhar também.
Mais tarde, quando bateu a fome, fui até a lanchonete que ele tinha indicado, chamada Big Pink. O garçom tentou tirar meu pedido umas três vezes, mas eu estava perdidinha com um cardápio tão extenso. Acabei pedindo um beirute, que não aguentei comer tudo e levei uma parte para casa. Para beber um drink chamado Piña Colada, que desde que ouvi no filme “De Repente 30”, sempre peço quando vejo no cardápio. Na hora de pagar a conta tive um pequeno conflito com o garçom, pois o dinheiro a mais que lhe entreguei foi para facilitar o troco e ele achou que era gorjeta. Eu não sabia dessa regra lá fora – enquanto aqui a gorjeta é opcional, lá é super ofensivo se você não der -, e de repente comecei a ser maltratada por querer o troco exatamente como calculei que voltaria. Se eu soubesse da regra da gorjeta teria deixado para lá, mas naquele momento senti que ele estava me roubando, querendo dar um de esperto, dizendo que eu tinha lhe entregado um valor menor do que realmente entreguei.
Peter me contatou. Somente naquele momento estava saindo do dentista. Avisei que estava na lanchonete que ele indicou, que tinha sobrado metade do lanche e ofereci para ele, já que se queixava de estar com fome, mas recusou, dizendo que tinha comida em casa e o jeito que ele falou me soou um pouco grosseiro, como se eu estivesse oferecendo resto para ele comer. Novamente entramos naquela questão de não conseguirmos nos entender direito. Perguntei se viria me buscar e entendi que ele precisaria passar em casa para comer antes, pois, passava mal quando ficava muito tempo sem uma refeição. Me sentindo completamente desabrigada, voltei para a praia e após dez minutos começou a chover. Por sorte eu tinha entendido errado e ele já estava indo me buscar direto do dentista. Assim que começou a chover mais forte, ele me ligou perguntando onde eu estava, pois já se encontrava parado no mesmo ponto que tinha me deixado mais cedo. Assim que entrei no seu carro, novamente ofereci o lanche, já que ele estava morrendo de fome, mas ele novamente recusou, pois, queria comer da sua própria comida fit. Eu preferiria comer o que tivesse, do que passar fome, se fosse ele, mas cada um, cada um, né?
*
– Eu dei uma broxada. Agora toda vez que não nos entendemos já me incomoda, depois do que ele disse passei a reparar mais. Nossa relação está muito no início, se é que viraria uma relação, daí como ainda tá começando, é muito cedo pra desentendimentos, isso já me broxa, porque não é uma relação sólida ainda. – Desabafei com minha amiga mais tarde.
– Acho que você não tá pronta ainda, talvez, e sendo de uma cultura diferente e também outra idade, já contribui pra falha de comunicação. Porque um cara de 48 anos com suas vivências, já te passou na maturidade. Acho que a questão do momento certo também é a chave! Aproveita com leveza tudo que for possível.
Mais tarde fomos ao mercado e o senti bastante frio. Saía andando sozinho na frente, sequer se preocupava de andar ao meu lado, o clima estava mesmo muito estranho. Fiquei um pouco emotiva com isso e quando estávamos voltando para casa, ainda no carro, tentei conversar sobre a frieza dele. Aparentemente nos entendemos. Chegando no apartamento, fomos transar para selar a paz na cama, mas quando eu estava quase gozando, ele broxou. Justificou dizendo que como estávamos transando todos os dias, ele precisava de um descanso, mas acho que broxou pelo todo.
Por volta das 22:25 ele queria cozinhar. Eu já estava com sono e sugeri deixarmos para outro dia, afinal, onze horas da noite não é horário de janta. Ele disse que no seu dia a dia sempre treina a noite e que é comum na sua rotina jantar mais tarde. Ou seja, novamente entramos num impasse. Eu costumo jantar oito horas da noite, para as onze já estar me preparando para dormir. Visivelmente ficou chateado. Costumes diferentes é mesmo complicado. E como se isso tudo já não fosse o bastante, naquela mesma noite, ainda tivemos uma discussão acalorada. Eis a nossa primeira briga.
Ele realmente me ligou quando chegou no aeroporto e, pasmem, a ligação durou 11 minutos! Eu não estava com expectativas que manteríamos contato até a sua volta ao Brasil, mas ele sempre entrava em contato.
– Olá.
– Oie. Chegou bem de viagem?
– Sim. Como está você? – Nesse momento me enviou duas fotos, mostrando a vista incrível do seu apartamento.
– Também estou bem, correndo com os preparativos da viagem. – Eu viajaria para Paris em poucos dias. – Que mar lindo! Que alto! – Comentei sobre as fotos que me enviara.
– Andar 47.
– Seu trabalho? – Não temos prédios residenciais tão altos no Brasil, então achei que fosse a vista de um prédio comercial.
– Meu apartamento. Lembra que eu trabalho da minha casa?
– Lembro sim. Mas achei que você tivesse que ir na empresa uma vez por semana, sei lá.
Daí ele me enviou uma foto da mesa de escritório dele, enorme, com duas telas de computador, um tablet, vários posts it, xícara de café quase vazia, enfim, um verdadeiro caos. Complementou com um áudio, explicando sobre a empresa em que trabalha ser localizada na Suíça, como também contou alguns detalhes sobre a sua rotina de trabalho.
– Não lembrava que ficava na Suíça! Mas que bom, trabalhar remoto em tempo integral te dá mais liberdade de fazer seus horários, né?
Daí ele me ligou. Assim, do nada. Eu estava chegando na minha aula de percepção musical, então não atendi e avisei que tinha chegado na aula.
– Sorry. Apenas explicar a você. Mal-entendido de não me entender. – Que mal-entendido ele estava falando? Eu já tinha entendido tudo. – Eu moro em Miami. Trabalho para uma empresa que está na Suíça. Eu vou a Suíça umas 4 ou 3 vezes por ano, mas em Miami sempre trabalho da minha casa, do meu apartamento. Espero que você me entenda bem. Beijo. Bom dia.
Que mensagem mais estranha. Ele não precisava justificar tudo aquilo novamente e ainda finalizar mandando beijo e bom dia, quatro horas da tarde. Sério que esse era o motivo da ligação?
– Fica tranquilo, eu já tinha entendido desde a primeira vez que você falou. Mas muito fofo – estranho – da sua parte querer me ligar para explicar isso. – Ele se estendia em alguns assuntos desnecessários, repetitivo.
A noite nos falamos em ligação novamente, um papo leve, sobre coisas aleatórias. No dia seguinte, ele seguiu conversando:
– Olá Sara. Espero que você esteja bem e que esteja tudo pronto para a sua viagem. Beijo e abraço.
– Olá querido! Como foi sua viagem ao México? – Ele iria para o México visitar a mãe e fazer um procedimento estético no couro cabeludo. – Ainda tenho que fazer as malas!
– Minha viagem foi bem cansativa. Ontem fui à academia e voltei tarde. Depois jantei e fiz minhas malas. Dormi às 2h da manhã e despertei 5:10 para ir ao aeroporto, porque meu voou era às 8h. Cheguei às 10 em ponto no horário do México e fui almoçar com a minha mãe. Agora de volta na casa dela, vou trabalhar. Espero que esteja tudo bem com suas malas e os preparativos da sua viagem. Beijos. – Ele tem uma mania de ficar finalizando a conversa com “beijos” sendo que vamos continuar conversando.
– Caramba você está corrido hein, desde ontem você fez muita coisa, pouco tempo para dormir e descansar… você deve estar exausto, né? Foi bom matar a saudade da sua mãe? Já vai fazer o procedimento amanhã?
– O procedimento será na quinta, amanhã é o exame de sangue.
– Muito bom! Ansiosa pra ver como vai ficar o cabelo novo!
– Eu também.
– Já ouviu falar de uma peça em Nova York chamada “Sleep No more”? – Uma hora depois, resolvi resgatar a conversa com outro assunto.
– Noup. Soa interessante.
Ele nunca ouviu falar e sequer perguntou mais sobre o tema e já fez o assunto voltar para ele:
– Desculpa, estava muito cansado e dormi por uma hora. A casa da minha mãe tem quatro cômodos, então eu sempre que estou aqui fico no mesmo quarto. Tenho dormido, mas agora estou trabalhando e tenho que ir a costureira, porque tenho uma roupa que eu preciso apertar, mas agora estou aqui trabalhando. Um beijo, espero que você esteja bem, ao ponto de arrumar suas coisas. Um beijo.
Sim, o áudio dele foi exatamente assim, uma mistura de assuntos desconexos. Ignorei tudo que ele disse e voltei no assunto que eu estava falando antes, enviando um link em que fala melhor da experiência imersiva, Sleep No More.
– Duas pessoas já me falaram dessa peça. É um teatro imersivo. – Insisti.
– Lindo. 😍 Macbeth de Shakespeare. Outro em Miami. Nocturna. – E me enviou um link falando de um outro parecido com o que indiquei, só que em Miami.
– Imersivo também?
– Não sei. Mas tema interessante e show acrobático também. Um pouco de horror com um pouco sexy. Tema interessante penso. Em Miami e podemos ir juntos.
– Parece bem promissor!! Gostei.
Quando enviei a indicação do Sleep No More, fiquei com a esperança de que ele se animasse ao ponto de irmos até Nova York assistir, afinal, o que são 3 horinhas de voo, quando você já está nos Estados Unidos? Mas pelo visto ele não teve essa ideia e já pesquisou por algo parecido em Miami mesmo.
– Me anima muito fazermos programações de casal em Miami – Falei, igual uma emocionada.
– Claro! Eu te vejo como uma pessoa especial pra mim.
– E você pra mim! Estou achando muito legal continuarmos mantendo contato a distância.
– Igualmente.
– Que horas são aí agora?
– 8:24 pm. E para você?
– 11:25 pm. Pouca diferença.
– Sim. Que descanses baby. Beijo.
– Você também. Um beijo.
Eu viajaria para Paris no dia seguinte e no outro dia ele mandou uma nova mensagem:
– Boa viagem. 😘 Beijos.
– Oii Peter. A caminho do aeroporto agora. Muito obrigada!!
– Ok. Muito bom.
Aí, do nada, a conversa começou a ficar estranha, com ele dizendo:
– Muitas vezes não entendo você e sua maneira de se comunicar comigo. Mas, tudo bem, penso que tenho que ir direto ao ponto com você. Desejo que tenha uma boa viagem. Divirta-se. Tchau.
Oi? Do que ele estava se queixando se estávamos conversando normalmente? Alguém me explica? Mostrei essa mensagem para três amigos, que também ficaram confusos. Ele queria que eu fosse mais romântica, é isso?
– Mas o que você não entendeu? Gostaria que eu conversasse mais? Eu fico com receio de estar te atrapalhando, por isso espero que você mande primeiro. Mas, se quiser, posso falar mais do meu dia sim. – Ele que nunca pergunta, uai!
– Olá. Desfrute sua viagem. Falamos quando você voltar ao Brasil.
Três minutos depois, me enviou um áudio de dois minutos:
– Olá Sara, não, não é que você vai atrapalhar não, eu preciso disso, como eu falei com você, eu mostro muito, mas preciso que você mostre muito também. – Isso vindo de um cara que só fala de si e nunca pergunta das minhas coisas. – Então, não quero agora te preocupar com nada, quero que você tenha uma excelente viagem, passe muito bem, muito legal – se quisesse isso mesmo, não viria com essa DR justamente quando estou no aeroporto toda empolgada – Quando você conhecer um pouco de mim, verá que eu sou muito expressivo, eu gosto de ser carinhoso e terno, mas eu preciso receber o mesmo. Possivelmente você não é assim – isso me soou ofensivo, me chamando de fria na cara dura – e tenho que te conhecer e descobrir, então eu percebo que a comunicação com você é um pouco fria. – Fria? Estou sempre puxando assunto e dando corda para os assuntos dele!! – Mas pode ser que você é assim e se você é assim, está bem, eu tenho que entender, mas eu também tenho que ser da mesma maneira que você. – Ah sim, por que se eu for uma pessoa estúpida e cretina, ele também vai ser? Que papo mais nada a ver! Cada um deve dar o melhor de si e não se igualar ao outro – Isso é tudo. Não estou irritado, não estou bravo, não é uma briga, – imagina se fosse – não é nada, tudo bem. Somente, como falei, vou ser e escrever a você como você é comigo. É assim. Mas se você me pergunta como eu gosto, eu sou mais expressivo, sou mais carinhoso, mas está bem! Somente quero ir ao mesmo ritmo que você. Ok? Espero que você tenha uma excelente viagem e que seja tudo divertido, que você aproveite em Paris e que tenha momentos incríveis. – Me pareceu recalcado. – Um beijo e nos falamos depois, quando você voltar, cuide-se muito. Passe bem. Beijos. Tchau.
Olha, hoje, olhando em retrospecto para todos esses detalhes do passado, enquanto escrevo esta história, percebo tantos sinais ignorados por mim mesma. Eu estava tão empolgada com o novo, o diferente, que não me atentei que isso não daria certo se já começava desse jeito, com essas cobranças.
– Oie. Eu não sou fria não – tentei responder de um jeito descontraído, definitivamente não estávamos tendo a mesma percepção da situação -, eu busco entender qual o ritmo da pessoa, pra não sentir que estou sendo a emocionada da história ou sufocando o outro. Mas já que você gosta de um contato mais diário – como se já não estivéssemos tendo – , por mim tudo bem. Vamos conversando mais sim. Estou na fila do embarque com a minha amiga.
– Olá Sara, eu não estou precisando de uma comunicação diária, eu gosto de uma comunicação de qualidade, não de quantidade. Então, pode ser pouco, que é o que acontece quando as pessoas estão longe, mas se expressar muito, com carinho, ternura, isso é bonito. Não tem que ser diário, nem todo o tempo, não!! Somente que seja bonita, terna, sem medo, penso que é assim que deve ser. Isso de ambos os lados, do seu também. Eu estou bem, não estou bravo com nada, simplesmente faço as coisas como eu vejo que as coisas são dadas para mim. Espero que você me entenda e se não, como falei, podemos falar quando você voltar, sem problema. Um beijo, tchau. Boa viagem.
Ele vai me desejar boa viagem mais quantas vezes?! O cara estava me cobrando mais romance nas mensagens? Ele não sabia que as coisas precisam fluir naturalmente, de maneira leve, sem esses scripts pré-definidos por ele? O sentimento precisa de tempo para ser desenvolvido, não vou trocar mensagens de amorzinho com quem ainda estou conhecendo! Francamente, viu. Sério, onde eu estava com a cabeça que não me liguei em todos esses detalhes do comportamento dele?
Cinco horas depois, sem qualquer resposta minha, ele me enviou mais mensagens:
– Espero que você chegue bem ao seu destino.
– Tem toda razão, concordo com você. Conversas de qualidade, não quantidade. Já faz um tempinho que chegamos no aeroporto de Paris. Perdemos um tempinho no banheiro carregando o celular, nos arrumando, escovando os dentes e aí agora vamos pegar a mala e ir atrás do cara do transfer do hotel.
– Tranquilo. Desfrute sua viagem. Beijo. Have fun. 🙂
*
Continuamos nos falando, todos os dias, um pouco, durante a viagem. Vez ou outra ele compartilhava fotos do seu dia e eu retribuía.
– Você me gusta muito… sabia?
– Você também me gusta. – Retribui.
*
Depois que voltei da viagem de Paris, alguns dias se passaram, até que, surgiu o convite para que eu fosse passar uma semana com ele em Miami.
– Acho que seria bom convivermos alguns dias para nos conhecermos melhor. – Ele disse.
– Me parece uma boa ideia. Mas como seria? Você compraria a passagem?
– Certamente. Eu cuidaria de tudo e você se hospedaria em minha casa.
Fiquei bastante animada com a ideia. Já tinha ouvido tantas histórias de mulheres que conheceram um gringo, se apaixonaram, casaram-se e viveram felizes para sempre em outro país, parecia muito a possibilidade de viver um conto de fadas. Talvez fosse o meu momento de viver algo assim também.
Ele propôs algumas datas e definimos uma que fosse dali a vinte dias, o tempo ideal para eu me organizar financeiramente para essa viagem. Seriam umas férias improvisadas, ficaria uma semana com ele, sem trabalhar, então precisava deixar tudo organizado por aqui.
– Estou muito contente e emocionado com a sua vinda.
– Eu também estou muito animada! – E estava mesmo.
Enviei a foto do meu passaporte e no dia seguinte já recebi o e-mail com a minha passagem aérea. Seguimos nos falando todos os dias, por mensagem e chamadas de voz, até que chegou o grande dia!
Decidi encontrá-lo novamente e o convite para um almoço acabou virando treino juntos, já que lhe mandei mensagem logo pela manhã, aceitando encontrá-lo, e ele já quis me encontrar naquele horário mesmo. Conscientemente eu queria ir, mas, inconscientemente, algo dizia que não, cuja teoria foi reforçada ao sair da cama, quando bati meu joelho no guarda-roupa. Como se isso não fosse estranho o bastante, alguns minutos depois outra obscenidade aconteceu, quando eu estava me maquiando no espelho do banheiro. Começou com um som quase inaudível, até que, um segundo depois, antes que eu pudesse raciocinar de onde possivelmente vinha aquele barulho, o meu exaustor do banheiro despencou em cima da minha cabeça!! Sério, foi muito assustador! Parecia que uma coisa do além estava vindo me buscar! Meu coração quase saiu pela boca! Fui contar para a minha amiga os sinistros acontecimentos, achando que ela me apoiaria na minha teoria da conspiração, mas não…
– Toda hora você está inventando um negocinho, tá parecendo uma maluca. Vai logo nesse encontro! O exaustor já deu problema antes.
Enfim, eu fui!
Quando cheguei no hotel que ele estava hospedado, Meliá do Ibirapuera, ele já me aguardava na recepção e subimos até a suíte para eu deixar as minhas coisas, antes de irmos para a academia. Ao adentrarmos no quarto, o plano era realmente só deixar a bolsa, junto com a minha jaqueta, mas, não sei por que, ele colocou uma música para tocar em seu laptop. Disse que precisava procurar alguma coisa, mas percebi que era só pra ganhar tempo. Após a melodia iniciar, se voltou para mim e foi inevitável não rolar um clima.
Se aproximou devagar e lentamente começamos a nos beijar. Pude ouvir uns grunhidos vindo do fundo da sua garganta, como se fosse algo que ele ansiava muito acontecer. Aos poucos suas mãos começaram a passear pelo meu corpo, por cima da roupa de ginástica, até que, aos poucos, foi me despindo. Ele estava focado em me seduzir, então, ao me deitar na cama, se apressou em me agradar do jeito que se agrada uma mulher na intimidade. Seu sexo oral não foi o melhor que já recebi, mas valorizei sua dedicação. Na sequência partimos para a penetração, as preliminares encerraram ali.
O sexo durou um tempo considerável, ele não foi muito afoito, como também não durou uma eternidade. Gostei do timing, transas muito longas são exaustivas e para isso eu preciso estar com imenso tesão na pessoa para curtir tantos minutos a fio na atividade. Não que eu não estivesse com tesão nele, foi gostosinho, mas longe de ser aquela paixão arrebatadora.
Me bateu um soninho depois e como o quarto estava um pouco frio, nos cobrimos e cochilamos juntos. Após o que acredito ter sido meia hora de sono, despertamos quase ao mesmo tempo, iniciamos uma conversa, e o segundo round desenrolou naturalmente. Depois houve uma terceira rodada e então saímos para almoçar pela região.
*
– Transamos 3x. Agora vamos almoçar, ficaremos juntos até ele ir embora. Menina, ele já está falando de eu conhecer a família dele! Disse que está há muito tempo sozinho, que quer fazer muitas coisas comigo em Miami. Ele tem um corpo muito bonito, muito inteiro amiga! O peitoral dele é do jeitinho que eu gosto, malhado, a barriga não tem gominhos, mas é bem sequinha. O negócio dele é médio, não muito grande, mas também não é pequeno. Se dedicou em mim de primeira, nem foi preciso eu retribuir e já partimos para o abate. Depois cochilamos juntos e conversamos bastante. Ele já até me ensinou um pouco de espanhol.
Fiz um resumão para a minha amiga, enquanto ele estava numa ligação de trabalho.
– Mas ainda não estou encantada. Talvez eu precise trabalhar essa questão do merecimento. Sempre comentei que seria muito história de filme conhecer um gringo, bem-sucedido e tal, ele é tudo isso e bonitão, o que mais estou querendo? Se tudo que ele me falou for verdade, se ficarmos juntos teremos muitas experiências legais a dois. Quer me levar para esquiar, para conhecer a mãe dele no México e ainda disse que vamos “bailar” kkkkk. Você acredita que dançamos salsa no quarto? Foi muito fofinho. Mas não estou iludida não, até porque nem estou tão encantada assim ainda.
– A transa foi boa? – A pergunta mais importante de todas.
– Foi sim. Ele tem bastante disposição, nem tive trabalho, só curti.
*
Seis horas depois…
– Estou aqui ainda. Ele está se arrumando para ir embora. Transamos muito amiga! Um saldo final de 5x! Estou gostando mais dele. Espírito jovem, parece ser uma pessoa legal, me contou bastante coisa sobre ele. Menina, não fiz oral nele ainda, acredita? Vamos descer para tomar algo no bar do hotel, após ele fazer o checkout. Aproveitando até o último instante. Você acredita que ele já me deu dois apelidos? Loquita e Nag (que em português quer dizer ranzinza) kkkkk. “Loquita”, por eu ‘tira casaco e coloca casaco’ toda hora que sinto calor e frio e “Nagging” por eu ficar reclamando da barba dele arranhando a minha pele, fiquei toda vermelha, tive que pedir para que nas próximas vezes ele a faça no dia e não na noite anterior, para que não me pinique. Ele é um tipão amiga! Bem-vestido, vaidoso, cheiroso… Obrigada pelas palavras que você disse ontem, sobre eu estar me autossabotando. Acordei pensando naquilo e me incomodou. E se causa desconforto é porque temos que dar atenção para o que está sendo dito.
– Que reflexiva. Claro, amiga, você foi no segundo encontro por alguma razão e tava se bloqueando sei lá por quê.
*
Foi uma despedida bem gostosa, tomamos a saideira no bar do restaurante. Desta vez ele não pôde chamar o Uber para mim, pois precisou chamar para si mesmo, rumo ao aeroporto. Disse que me ligaria antes de embarcar. Voltaria dali um mês. Será que não sumiria mesmo até lá?
O achei bonito. Um pouco mais velho do que nas fotos, mas, ainda assim, bastante apresentável e atraente. No entanto, não rolou aquele encantamento da minha parte.
O restaurante estava com fila, tivemos que esperar alguns minutos de pé, na escada da entrada, e aproveitamos esse tempo para nos conhecermos, já que mal conversamos pela internet. Descobri que seus funcionários também estavam jantando naquele restaurante e ele estava achando engraçado que nos vissem naquela situação de primeiro encontro. Ele me contou mais sobre o seu trabalho, falei um pouco da minha trajetória profissional também, como atriz e jornalista fake (obviamente não contei que era acompanhante de luxo) e em algum momento nos chamaram para nos encaminhar a nossa mesa. Coincidentemente, a mesa que nos acomodaram era justamente ao lado da mesa que estavam os seus três funcionários. Ele riu da coincidência.
Conversamos sobre muitas coisas. Ele é de touro com ascendente em escorpião, sem filhos e teve três relacionamentos ao longo da vida. Uma namorada alemã, muito fria, zero amorosa, cuja personalidade ele atribuiu a cultura do país dela. Foi casado por anos com uma venezuelana, casamento esse que fracassou quando ela descobriu que tinha endometriose e não conseguiria ter filhos. A terceira e última namorada, uma italiana temperamental, que exigia que ele fosse morar na Itália com ela.
– Eu me cuido, tenho um trabalho bom, sou uma pessoa legal e como é difícil encontrar alguém. – Ele disse.
Concordei internamente, pois também noto essa dificuldade de encontrar alguém legal e compatível. Todo sincerão, revelou que a troca do restaurante, não foi porque ele concordava que uma comida japonesa fosse mais leve para a noite e sim porque depois que mandei a mensagem, pedindo que ele me enviasse um áudio, ficou desconfiado de mim também e trocou em prol de si próprio, pois caso nosso encontro fosse por água abaixo, ele pularia para a mesa dos seus funcionários, após eu ir embora. Achei um tanto desnecessária essa revelação.
Em outro momento, quando meu drink acabou e lhe perguntei se podia pedir outro (tive esse cuidado, pois, obviamente, não seria eu que pagaria a conta), ele elogiou demais a minha postura, acrescentando que em Miami – onde ele mora – as mulheres se comportam completamente diferente, como se o homem fosse obrigado a pagar tudo, então já iam pedindo mais e mais coisas, sem se preocupar com o bolso de quem estava pagando.
Percebam que aqui já tive um pequeno sinal de que, talvez, ele fosse um pão duro. Sempre precisamos nos atentar aos sinais. Guardem essa informação para mais tarde.
– Pode pedir o que você quiser! – Ele autorizou.
Coincidentemente, quando estava com ele nesse restaurante, cujo lugar eu nunca tinha ido na minha vida, encontrei minha ex-chefe do passado, uma mulher que trabalhou comigo no meu segundo emprego, em 2011! Encarei aquilo como um ótimo presságio, como se fosse uma mensagem do universo, dizendo que seria bom me relacionar com ele.
Fomos os últimos a deixar o restaurante. Tivemos uma conexão legal. Ele, gentilmente, chamou meu uber de volta para casa e não propôs de esticarmos o encontro, o que achei muito positivo. Na despedida rolou apenas um selinho, por iniciativa minha. Já deixamos combinado um segundo jantar para dali a dois dias.
Segundo Encontro
Desta vez fomos num restaurante italiano. Ele se atrasou. Fui acomodada no balcão, enquanto a mesa não estava disponível. Ele chegou todo bonitão e cheiroso, realmente sabia vestir-se muito bem. Usava uma roupa social e casual ao mesmo tempo. Após sua chegada, ficamos pouco tempo no balcão e logo fomos acomodados na mesa. Tudo ia muito bem, até que começou a ir mal. Assim que pude, pedi licença para ir ao banheiro e já enchi minha melhor amiga de mensagens:
– Vim no banheiro. O papo ficou um pouco estranho com o gringo. Me senti um pouco pressionada a me relacionar com ele. Dizendo que com a ex-esposa dele já no primeiro encontro rolou tudo e sabiam que queriam ficar juntos, como se eu tivesse fazendo algum joguinho. Não gostei disso. Falei que ainda estamos nos conhecendo, que é o segundo encontro e tal. Ele vai embora amanhã e volta daqui um mês. Estou um pouco alcoolizada do vinho, mas tenho certeza de que estou tendo uma percepção clara das coisas. Me pareceu que queria ter garantia de sexo depois. Ele veio com um papo de que o homem já sabe de primeira se a mulher é para algo casual ou se será alguém importante na vida dele, mas que se a mulher fica desconfiada e com medo de se entregar, automaticamente muda na cabeça do cara, a percepção sobre ela. Não gostei desse papo, isso depois de eu dizer que sou mais cautelosa para me envolver. Me remete a caras que só quer transar e está tentando manipular para conseguir isso. O clima na mesa mudou um pouco. Ele tá mais sério e desanimado. Dei uma broxada. Claro que já transei em primeiros encontros, mas ele não me despertou essa vontade e estou cansada de ter transas vazias.
– Quanto de vinho você bebeu? – Minha amiga perguntou.
– Duas taças.
– Você está certa de não querer se entregar para qualquer um e não somos obrigadas a nada! Lembre-se do meu exemplo, como o menino lá foi tosco comigo porque eu não quis transar. Como entraram nesse assunto?
– Ele perguntou o que eu queria para a minha vida. Eu não tenho um plano definido. Eu sei o que eu quero, mas não fico estipulando prazos para isso. Eu sei que um dia quero casar e ter filhos, mas não fico obcecada procurando um marido, deixo as coisas acontecerem naturalmente. Aí foi daí que ele entrou nesse papo, acho que me achou muito vaga na resposta.
– Ahh entendi. Se você também não sentiu atração amiga, não é pra ser! Me dá notícia.
Voltei para a mesa e tentamos resgatar um clima agradável. Ele falou sobre seu apartamento em Miami, que seria legal eu ir passar uma semana com ele para nos conhecermos melhor, que poderíamos fazer algumas atividades juntos, como ir assistir alguma peça, praticar algum esporte juntos, coisas desse tipo, o que me soava muito como historinha de conto fadas, como se ele esperasse me deslumbrar com esse cenário. Quem convidaria uma estranha para uma semana, aparentemente incrível e promissora, em Miami? Alguma coisa não me cheirava bem, sou muito desconfiada.
Após algum tempo de conversa, comecei a ficar com sono. Tinha acordado cedo naquele dia e o jantar não estava mais tão empolgante. Ele quis salvar o encontro, me convidando para esticar no seu hotel, mas eu já tinha dado uma bela desanimada, fora o álcool e o sono, tudo que eu não estava era empolgada para me exercitar transando. Recusei o convite, mas o beijei em algum momento na mesa, o que foi super bem recebido por ele. Me convidou para almoçar no dia seguinte, antes dele ir embora. Não dei certeza de que sim, mas também não disse que não. Novamente chamou um uber para que eu fosse embora e permaneceu no restaurante sozinho.
*
– Está desconfiada mesmo do cara, hein amiga? Cismou com ele, que coisa!
– Estou desconfiada porque parece ser bom demais para ser verdade. Um cara rico, bonito (apesar dele ter 48 anos não aparenta ter a idade que tem), inteiraço, gringo e tal, querendo algo sério assim? Sendo que nem nos conhecemos direito para dizer que já está apaixonado. Até onde ele realmente está falando a verdade?
– Aceita amiga. Eu não tô entendendo tanta desconfiança. Se sabotando. Ele não está te pedindo em casamento, você pode dar uma chance. Ele vai te dar um golpe de te levar pra cama? Talvez, se fosse um brasileiro você já teria ido. Está criando coisas na sua cabeça amiga, paranoias. É aquela questão do merecimento. O cara parece ser super legal. Você vai analisando, você não é burra. Só que você já está se sabotando, impedindo que as coisas aconteçam. Amiga, relaxa, vai almoçar com ele amanhã, relaxada, sem pressão de nada. O cara falar que quer algo sério, não quer dizer que ele vai te levar para o altar amanhã. Ele só falou o que ele deseja, um relacionamento sério, não necessariamente com você, também está sendo analisada.
Fui dormir e acordei com aquelas palavras martelando na minha cabeça. Será que eu estava mesmo me autossabotando de conhecer alguém legal e viver uma linda história de amor?
Eu já ouvi muitas histórias sobre mulheres que conheceram um homem gringo, bem-sucedido e maravilhoso, que se apaixonaram, casaram e foram morar no país de origem dele. Para mim isso soava muito como história de conto de fadas. Eu não conhecia ninguém que tivesse passado por isso, até ter a minha própria experiência.
Se relacionar com um gringo pode soar muito instigante num primeiro momento, afinal, é charmoso alguém que fala outro idioma ou que tenha nascido em outro país. Mas, se relacionar com uma pessoa de uma cultura diferente é muito mais desafiador do que uma religião ou classe social diferente. Não ter os mesmos costumes influencia bastante na convivência, pois, algo que pode ser ofensivo para você, pode não ser para o outro e vice-versa. Outra questão importante a ser observada é: como a mulher é vista na educação que esse homem teve? Muitos pontos precisam ser analisados e muito bem alinhados para que não haja atritos no relacionamento.
Sou uma mulher solteira, livre, desimpedida, em busca de novas aventuras. Me envolver com um homem que não fosse brasileiro não era exatamente a minha meta de relacionamento, mas, a oportunidade se apresentou e eu pensei: “Por que não?”
Parte 1
Nos conhecemos num aplicativo de relacionamento. Não, não foi no Tinder. Por sugestão de uma amiga e alguns seguidores, decidi experimentar o Bumble, que diziam ser mais elitizado, com pessoas mais bonitas e etc. Voilà, demos match! A descrição do seu perfil dizia o seguinte:
Ele era bem mais velho do que eu. 48 anos, mas você jamais diria que ele tinha aquela idade. Se exercita bastante, desde os 11 anos, pratica hóquei no gelo, voleibol, tênis e academia todos os dias. Seu corpo era de causar inveja em muito novinho. Pele bronzeada, umas coxas lindas, peitoral saltado, barriga chapadinha, mais sarado de que todos os caras com quem já me relacionei. A única coisa que, talvez, entregasse um pouco a sua idade, eram as ruguinhas na região dos olhos, mas nem um fio de cabelo branco para contar história. Nossa conversa pelo aplicativo foi bem sucinta e rapidamente me enviou seu número de telefone.
E já me enviou seu número de telefone, sem eu ter pedido. Confesso que achei um pouco precipitado. Levei uns dois dias para salvar seu número e enfim lhe enviar uma mensagem.
– Olá! Sara do Bumble aqui. Tudo bem com você Peter?
– Olá. Sim.
E de repente me ligou! Simples assim. Óbvio que não atendi, coisa mais estranha ligar para o outro sem o menor nível de intimidade ou aviso prévio. Não falamos nada após a recusa da chamada e três horas depois me fez o seguinte convite:
– Boa noite. Eu chego a SP terça feira. Espero poder jantar com você.
– Terça à noite tenho aula de canto.
– Quarta? Ou quinta?
– Quinta pode ser.
E a conversa morreu aí. Três dias se passaram sem que conversássemos, até que na véspera do suposto jantar, me enviou uma confirmação:
– Olá Sara. Bom dia. Espero que sua semana esteja bem. Espero podermos jantar amanhã. Beijo.
– Oi Peter, bom dia. Podemos jantar sim.
– Perfeito. Bom dia para você. Beijo. Você gostaria de carne? Me avisa ou se gosta de outra coisa. Beijo. – Jeito estranho de conversar, dizendo beijo toda hora.
– Gosto da sugestão.
– Perfeito. Beijo.
*
No dia do jantar me bateu a maior preguiça de encontrá-lo. Não era uma pessoa que eu estava muito empolgada para conhecer, diante da total falta de assunto.
– Olá. A que horas você pode?
Ignorei. Duas horas depois ele tentou novamente.
– Olá.
Achei melhor responder.
– Olá Peter, boa noite. Estou um pouco insegura de ir encontrar alguém que eu mal conversei. Poderia me enviar um áudio para eu ouvir a sua voz?
Daí ele me enviou um áudio de 47 segundos, falando português, mas carregado de sotaque espanhol:
– Olá Sara, estou aqui em Offner café, com o pessoal do trabalho, estou aqui afora. Eu não falo perfeito português, pero, si, eu posso falar. Eu queria ver se você quer, se vamos ir a jantar e… eu não sei como você pensa. Entendo que você pensa que é complicado, difícil demais. Se você quer falar comigo ou se quer uma vídeo chamada, eu estoy bien, eu posso falar um poco com você, para que você se sinta bem, você me avisa.
Depois acrescentou por escrito:
– Se quiser falamos por telefone ou vídeo chamada.
Vídeo chamada? Até parece que eu, que estava toda largada e descabelada na cama, sem nenhuma maquiagem, faria uma vídeo chamada com alguém. Agradeci pelo áudio e respondi que já tinha sido o suficiente, não necessitando fazermos uma chamada.
– Podemos combinar para 20h? O que acha? – Sugeri.
– Está bem para eu.
– Combinado então.
– Só penso que você deve estar insegura porque penso que você agora não está convencida de conhecer-me e eu não gostaria sentir-me incomodado porque você este incomodada.
Do que ele estava falando? Eu já tinha dito que o áudio tinha sido o suficiente e que podíamos seguir adiante com o encontro.
– Não entendi.
– Só quero saber se você está segura de nos conhecermos. Você pode falar rápido por vídeo chamada?
Que insistência pela vídeo chamada! Decidi lhe enviar um áudio também.
– Oi, vou mandar áudio igual você fez, tá bom? Vídeo chamada não. Eu vou começar a me arrumar aqui, então te encontro às 20h, tá bom? Até daqui a pouco.
– Você prefere Japonês, melhor? Ou carne está melhor para você?
– Acho que comida japonesa, à noite, é mais leve! Gosto da mudança.
– Perfeito. Eu também prefiro japonês. Te encontro em Djapa às 8pm. Beijo.
Esses dias estava refletindo sobre como é uma delícia ser namoradinha de homem casado. Mas calma, não sou nenhuma talárica, apenas estou exercendo o meu trabalho, cumprindo uma função que frequentemente me é atribuída.
90% dos meus clientes são casados, e olha… como são um perfil delicioso de atender! 😎 Outro dia, aconteceu uma coisa muito atípica, que em alguns anos como acompanhante nunca tinha me acontecido. Um cliente que eu já tinha saído algumas vezes, me contratou para uma brincadeira a três com a sua esposa, em que eu precisei fingir que nunca tinha saído com ele, rs.
Sim, os homens são muito safados. Tão safados, ao ponto de cada vez mais eu ter certeza que o matrimônio é uma grande mentira. Uma farsa criada pela sociedade para esconder a hipocrisia. Esses dias, quando estava na Scandallo, conversei com um rapaz muito inteligente, que me afirmou que 99,99999% dos homens são infiéis. Não que seja alguma novidade pra mim, eu também já cheguei a essa concepção, mas vendo um homem reconhecer isso, se apoiando em dados científicos, achei muito agregador na conversa. Ele afirmou que existe uma parte do cérebro masculino que está sempre em busca de dopamina. O homem não trai por falta de amor ou caráter, mas sim porque seu cérebro é programado para isso. Algo que eu até compreendo, não estou aqui para julgar, mas para refletirmos juntos o quanto lutamos contra nossa real essência, ao querermos nos enquadrar em algo que foge da nossa natureza.
As pessoas adoram me perguntar: “Você não quer casar e formar uma família?”, daí eu penso, pra que vou me enfiar numa prisão em que a longo prazo ambos diminuiremos o tesão pelo outro, passar para o lado da esposa que o marido engana saindo com outra, se ser a namoradinha do casado é muito mais gostoso?
E digo mais, é claro que não posso falar por toda a população do planeta Terra, mas diante do que vejo nesses bons anos trabalhando como uma profissional do sexo, é muito provável que todo homem casado tenha uma namoradinha, seja ela paga ou não, para se divertir fora do seu casamento. Eles casam com as puras, mas se divertem com as putas.
As vantagens de ser uma esposa, ao meu ver, são bem poucas, na verdade. A oficial sempre está presente em datas comemorativas e eventos de família. Ponto. Essas são as únicas vantagens.
A namoradinha fica com todas as outras partes boas. Sexo ardente que nunca esfria, pois não tem o desgaste da convivência, passeios diferentes por ele querer fugir do estresse da vida cotidiana, presentes interessantes por ele querer ver o deslumbre nos olhos de alguém que não está acostumado a ter isso todos os dias, não temos os estresses das contas a pagar, dos filhos a educar, dos parentes chatos a socializar, ficamos apenas com aqueles momentos íntimos em que ele se desconecta da sua vida real para ser outra pessoa.
Eu adoro ser namoradinha dos meus clientes. Não tem brigas, falta de tesão ou mesmice. O que você chama de solidão por as vezes eu estar sozinha na minha casa, eu chamo de paz, liberdade e sossego. Tem duas coisas que os homens têm de melhor: sexo e dinheiro. E eu consigo ter isso deles, sem a parte da dor de cabeça. É o paraíso.
Daí você pensa: “Nossa, que coração de gelo”, até que não, sabia? Já me apaixonei perdidamente por dois clientes!
O primeiro foi logo ali no começo, no meu primeiro ano de experiência. Seu apelido aqui no blog é “Habib”, por ele ter traços árabes. Escrevi alguns relatos sobre ele. Empresário, tinha alguns comércios no Brás. Não foi um cliente que me apaixonei de primeira. O achava bonito, mas muito fumante e o sexo nem era lá essas coisas. Sabe como ele conseguiu me conquistar? Me levando para vários restaurantes caros. O meu ascendente é touro, ou seja, me conquistou pela barriga. A primeira vez que fui num restaurante chique, foi com ele. Lembro que fiquei espantada quando vi que a conta tinha ficado R$ 600, isso em 2015, quando o dinheiro tinha outro valor. Mais do que o deslumbre por coisas finas, ele não me contratava pelo sexo, mas sim pela companhia, quantas vezes saímos pra jantar, sem a obrigatoriedade do “algo a mais” depois?
– Sabe qual é o meu sonho? – Ele me disse certa vez, durante o sexo, quando eu ainda não estava envolvida.
– Qual?
– Que um dia, nem que seja só uma vez, você transe comigo sem eu precisar pagar. Que você queira transar comigo não pelo dinheiro, mas porque você quer mesmo.
Lembro que quando o ouvi dizer isso, pensei “coitado”, mas o danadinho conseguiu reverter o jogo. Com o passar do tempo, conforme fui me apaixonando (saíamos mais de uma vez por semana), transar com ele passou a ser algo cada vez mais prazeiroso. A paixão é como um filtro de embelezamento numa rede social: traz um brilho extra para cada momento.
O Habib só tinha um problema: era muito ciumento com o meu trabalho. Algo completamente ilógico, visto que me conheceu assim e ainda era casado, com filho pequeno. É ridículo como os homens adoram ter posse, quando nem eles se prendem ao que foi construído.
E já que me queria de forma exclusiva, o que caberia a ele fazer então? Me bancar financeiramente. Tivemos essa conversa e colocamos no papel todos os meus gastos. Ficaria apertado, mas, segundo ele, conseguiria. Eu não poderia ter nenhum luxo extra, seria tudo contadinho, mas como eu estava apaixonada, topei do mesmo jeito.
A grande questão foi que, até isso de fato acontecer, precisei continuar atendendo, o que resultou em mais brigas desgastantes por ciúmes. Eu não podia mais nem aceitar uma carona dos meus clientes. E se tem uma coisa que eu já percebi que detesto é ser controlada por alguém.
Certa noite, o Habib quis me encontrar para discutir a relação e eu recusei. Já estava saturada de brigar e falei para nos resolvermos por mensagem mesmo, e só deixarmos para nos encontrarmos quando estivesse tudo bem. Queria encontrar pra curtir e não pra ter conversas exaustivas, que nunca resolviam o problema de fato. Daí, de pirraça, ele parou de me responder, mesmo eu demonstrando toda uma boa vontade de conversar a distância.
Quando ele voltou a me dar atenção, disse o seguinte:
– Estava jantando com a minha esposa e precisei arquivar a conversa. Eu te chamei pra vir jantar comigo e você que não quis. A minha esposa, apesar de já ter jantado, veio me acompanhar.
Eu apenas respondi:
– Palmas pra ela.
Daí sabe o que ele fez?
– Quem você pensa que é pra ofender a minha esposa? Vai se fuder!!
E me bloqueou. Assim, sem mais nem menos. E vamos combinar que eu nem tinha ofendido ela, apenas fiz um comentário irônico. Foi o rompimento mais ridículo que eu já vivi. Fiquei na maior fossa por vários dias. Não conseguia atender ninguém, fiquei na merda sem dinheiro, e ele tinha cortado o contato completamente. Ainda me senti uma grande idiota, por ter parado de cobrar dele, o que só reforçou o sentimento de ter sido usada.
Quatro anos depois, novamente me apaixonei por um cliente. Aqui no blog ele está como: “O Fenomenal”. Um carioca careca, advogado, gostoso. Diferente do Habib que a conquista levou um certo tempo, pelo Fenomenal foi paixão imediata desde o primeiro encontro. Até aquele momento eu nunca tinha tido uma transa tão gostosa. Ele me apresentou o que era um sexo de respeito. Me conquistou pela cama. E desde o primeiro encontro passamos a nos falar todos os dias. A recíproca foi tão verdadeira que, para o nosso segundo date, ele comprou uma passagem de avião para que eu fosse encontrá-lo numa viagem de trabalho em Porto Alegre, onde tivemos o nosso primeiro pernoite. Transar com o P era coisa de outro mundo. Me apaixonei completamente, se tornou meu muso inspirador aqui no blog. Os textos: “P de Paixão”, “Romanticamente Safada” e “Eu, Tu e Ela” foram escritos inspirados nele.
Diferente do Habib, o P não tinha ciúmes do meu trabalho, até porque ele morava no Rio e também era casado, com dois filhos pequenos. Mas assim como o primeiro, tentou me manipular para que eu deixasse de cobrar dele.
– Olha linda, vai ter dias que eu vou pra São Paulo, mas não poderei sair com você. Não porque eu não quero, mas porque não posso.
Imediatamente compreendi que se referia a um possível impedimento financeiro. Eu amava transar com o P, muito mais do que foi com o Habib, mas eu já tinha aprendido a minha lição e jamais cometeria o mesmo erro novamente. Deixar de cobrar de cliente casado, quando eu não tenho nenhuma garantia na relação, é a forma mais burra de me tornar uma amante. Obviamente não cai no seu joguinho.
– Tudo bem lindo, quando você não puder sair, a gente não sai.
Mas mesmo assim o P tinha algumas regalias comigo, me pagava o equivalente a um pernoite e eu ficava com ele a noite e o dia seguinte inteiro. Nunca saíamos do quarto do hotel, nossos encontros eram regados a muito sexo. Tenho até um vídeo de 0:23 segundos, transando com ele, que envio no privado, como mimo, para os meus assinantes do Only.
Na última vez que estivemos juntos, saímos para jantar e até tiramos uma foto na mesa do restaurante. Ele nunca tinha saído comigo em público, e naquela noite pareceu que estávamos avançando. Ledo engano, depois daquele encontro, nunca mais nos vimos. E como foi o rompimento? Determinada tarde, enquanto tínhamos nossa costumeira troca de mensagens diária, de repente ele reapareceu dizendo que sua esposa tinha descoberto, que ela estava com seu celular na mão e acabou vendo a minha mensagem. Ou seja, a casa caiu pro lado dele.
Como ele vivia reclamando do casamento e fazia insinuações sobre um possível futuro comigo, achei que se separaria se em algum momento desse merda. Nada disso, quem ficou a ver navios fui eu. Novamente sofri um coração partido. O meu único consolo foi não ter deixado de cobrar dele em nenhum momento. Eu tinha perdido o meu brinquedinho, mas dessa vez não saí me sentindo usada. É muito importante aprender com os erros.
Depois do P, eu tive um novo aprendizado: não mais me deixar enganar por xaveco de homem casado. E a terceira vez que me permiti ter esse envolvimento, foi por um cliente que não me atraiu pela aparência, nem pelo sexo, mas pela forma como ele me tratava. Pelos pernoites em que agendava e cozinhava pra mim em seu apartamento para depois assistirmos filme no sofá da sala, como um legítimo casal namoradinho. Não me apaixonei rapidamente, foi uma construção que levou tempo, resultando em um ano de namoro e um ano morando juntos durante a pandemia. Mas essa história você pode conferir completa em outra postagem, só clicar aqui.
Eu já estive dos dois lados. Já morei junto, já fui casada. É um modo de vida diferente, você ganha a companhia e o amor do outro, mas perde a sua liberdade e solitude. Talvez ainda não fosse o meu momento de me prender a alguém, mas não sei se algum dia isso me fará totalmente feliz, já que todas as vezes que tentei me relacionar, não fui bem sucedida. Até mesmo com o Intenso, ainda que apaixonada e disposta a parar de atender mais uma vez, lá no âmago eu me sentia um pouco castrada ao vislumbrar o meu futuro. E deve ser por esse mesmo motivo que os homens traem, por lá no fundo eles também sentirem essa fobia, com a diferença de que eles dão o seu jeito para terem o melhor dos dois mundos. Mas será que apreciariam suas esposas também terem seus namoradinhos?
Talvez um dia eu volte a escolher o outro lado. Talvez não. Hoje, a verdade é que prefiro a lucidez à ilusão. Já fui esposa, já fui amante, hoje sou namoradinha de aluguel. E se tem algo que aprendi estando em todos esses lugares, é que o problema nunca foi onde eu estava, mas a mentira que contaram sobre onde deveríamos estar.
No fim das contas, talvez o problema nunca tenha sido a namoradinha do marido. Talvez o problema seja a fantasia que insistimos em sustentar sobre amor, posse e fidelidade, mesmo quando a realidade se apresenta todos os dias de forma oposta. Eu não sou vilã, nem heroína. Sou apenas uma mulher que escolheu não fingir. E enquanto o casamento continuar sendo um acordo social que ignora a natureza humana, sempre haverá uma esposa acreditando… e uma namoradinha sabendo. 😏
Sempre tive muita curiosidade em conhecer a Scandallo, – para quem não sabe ou não conhece, é uma casa noturna luxuosa e sofisticada, aqui em São Paulo, conhecida por seu público classe A, festas exclusivas, DJs, gastronomia e entretenimento adulto. –, mas por outro lado, ao mesmo tempo em que eu tinha essa vontade, relutava por saber de algumas regras da casa, como por exemplo: a garota ter que cumprir 7h, cinco dias por semana. Tenho um espírito livre e gosto de fazer meus horários (uma certa fobia com regras empregatícias que me remetem a CLT), além de nunca ter sentido a real necessidade de buscar clientes na casa, uma vez que sempre tive boa procura através das minhas redes e já possuir muitos clientes fixos. No entanto, a vida foi conduzindo para que eu me jogasse nessa aventura!
Em agosto deste ano, recebi mensagem de uma nova pupila, querendo contratar a minha mentoria (direcionada para quem quer iniciar no ramo), e pedi que ela me contasse um pouco do seu contexto:
Daí fizemos uma chamada de vídeo com duração de 2h e conversamos bastante. A Lia – seu nome de trabalho – é muito linda e já teve algumas experiências similares através do Meu Patrocínio. Mantivemos contato desde então e ela veio para São Paulo, indo trabalhar na Scandallo. Após muitas tentativas de nos encontrarmos, sempre sendo sabotadas pela incompatibilidade de agenda, enfim marcamos nosso café da tarde, num domingo, três dias antes de eu decidir também embarcar nessa aventura. Ouvindo a Lia me contar de todas as suas experiências bem-sucedidas com clientes que conheceu na casa, me senti mais confiante de experimentar, uma vez que eu a teria como minha rede de apoio lá dentro.
Marquei a entrevista com o contato do gerente que ela me passou, ele me pediu algumas fotos de biquini ou lingerie (algo corriqueiro pra mim que tenho dezenas de fotos assim nas minhas postagens), e daí agendamos uma entrevista presencial.
De cara achei o lugar beeeeem bonito! Realmente uma balada mais chique. Na entrada já constava um banner enorme divulgando o show do Vintage Culture que ocorreria na noite seguinte.
O segurança pediu para vistoriar a minha bolsa, fui anunciada pelo rádio e então liberaram a minha entrada. Aguardei no sofá. Depois fui chamada numa sala, onde estava o tal rapaz que eu havia falado pelo WhatsApp. Muito respeitador, conversamos de porta aberta. Me sentei ao seu lado, numa grande mesa de reunião. Começou a me explicar as regras da casa, vestimentas proibidas, sistema de pagamento e comanda, multa se não cumprir os cinco dias, enfim, todas as informações pertinentes. Ao final, disse que precisava de meninas para o horário do meio dia e que até me liberaria para já começar, mas como eu estava de jeans, não seria possível naquele momento, por eu não estar no dress code permitido, o que achei ótimo, pois eu já tinha clientes agendados e não fui preparada para ficar direto.
– Eu não sabia que talvez ficaria direto, você não mencionou nada. – Justifiquei.
– Não falamos sobre isso pelo WhatsApp sem antes ver a garota pessoalmente, porque às vezes chegam aqui completamente diferente das fotos, muito Photoshop. Mas você, olha, vou até dizer, é mais bonita pessoalmente do que nas fotos que me enviou.
– Ai que bom! Obrigada. 😊
Cá entre nós, os clientes sempre me dizem isso, eu achava que era xaveco, mas pelo visto é verdade, ainda bem! Imagine se fosse o contrário? Rs.
Me autorizou a iniciar no dia seguinte – na data do show do Vintage –, no mesmo horário que a Lia, às 18h.
*
Eu encarava a minha primeira experiência na Scandallo como uma noite de balada entre amigas, sem olhar para o evento como uma noite propriamente de trabalho e a Lia também estava na mesma energia, ambas empolgadas pro show do Vintage, num ambiente sem muvuca, desfilando nossa beleza.
Primeiramente jantamos no restaurante que tem lá dentro, muito bom inclusive, todo na penumbra, depois seguimos para o ambiente da pista de dança, pedimos uma garrafa de vinho branco e enquanto o show não começava, bebericávamos, sentadas no bar, próximo ao palco, interagindo com quem parasse para conversar com a gente. Papeamos com outra acompanhante (uma muito fofa que tinha me reconhecido quando estávamos saindo do banheiro) e com um bonito rapaz que estava passando a parou pra puxar assunto.
Como chegamos muito antes do auge da noite, foi interessante observar a casa enchendo e o público mudando. Depois que nossa garrafa esvaziou, fomos dar uma circulada nos ambientes e achei o máximo as mulheres terem acesso livre aos camarotes, quando somente um público mais selecionado poderia estar ali com a gente.
Todo lugar que você andava chovia mulher bonita. Mulheres aos montes pros caras escolherem. Um verdadeiro paraíso para eles, imagino. Mulheres de todos os tipos, que eles podiam abordar sem medo de serem ignorados.
Eu não estou acostumada a adular ninguém pra sair comigo, pelo contrário, os caras que me adulam pra sair com eles, então eu não fazia o tipo “atacante” que chega nos clientes. Preferia deixar essa conquista pra eles. Penso que se ele sabe que todas que estão ali estão suscetíveis a ficar com ele em troca de pagamento (salvo algumas exceções em que o cara for escroto na abordagem e aí ninguém é obrigada a nada), o flerte inicial eu decidi que deixaria por conta deles. Não lhes tiraria essa pequena conquista.
*
Em outro momento, enquanto eu a Lia voltávamos para a pista de dança, um rapaz japonês, acompanhado de uma linda mulher, começou a acenar pra gente. Ficamos na dúvida de qual das duas ele estava chamando e nos aproximamos deles.
– Você é a Sara. Não é?
– Sou! – Já abrindo aquele sorrisão.
– Eu te sigo! – Visivelmente empolgado.
E daí ele pegou seu celular, abriu no meu Instagram e mostrou pra sua esposa: “Olha amor, eu sigo ela!” E aí pronto, foi o que bastou para engatarmos uma prosa com eles. Ficamos um tempão, eu e a Lia, interagindo sem qualquer pretensão financeira com o casal. Curioso que até uma outra garota se inseriu na interação – algumas mulheres lá são mesmo muito atacantes – quando sentou no banco atrás deles, daí a esposa dele olhou pra trás sobressaltada e a garota respondeu brincalhona: “Perdeu o lugar”. A esposa dele entrou na brincadeira e sentou no colo dela. Achei o máximo que uma interação que iniciou por conta de mim, estava rendendo até para as minhas “colegas”, rs. E essa garota participou por algum tempo, ora ela conversava com o japonês, enquanto eu e a Lia conversávamos com a esposa dele, ora invertia, e ela papeava com a esposa dele, enquanto eu e a Lia com o japonês. Depois, em algum momento, quando provavelmente ela percebeu que dali não sairia nada, se despediu e saiu. Ainda lhe lancei um elogio final, pois a achei muito parecida com a Belinda, que ela sorriu e agradeceu, mas também não sei se todo mundo conhece essa cantora, rs.
Depois uma outra amiga da Lia se juntou a nós e aí desvinculamos daquele casal para dar uma circulada.
*
Quando o show acabou e a balada se encaminhava para o fim, um rapaz colou na gente, primeiramente interagindo com essa outra amiga da Lia. Eu estava curtindo o som, um pouco aérea do que estava acontecendo, só fui seguindo as meninas até um grupo de homens, que se tratava dos amigos desse tal cara. Daí, rapidamente, um grudou em mim, (vou apelidá-lo de “Cara do TI”), e um outro também já gostou da Lia.
Aquele rapaz ficava me abraçando e tentando me beijar algumas vezes, mas eu sempre desviava, afinal, as meninas tinham me alertado de caras que tentam tirar casquinha sem pagar, eu que não facilitaria nenhuma amostra grátis. Só viraria a chavinha para o meu mood namoradinha depois que meu cachê estivesse na conta. 💵
O Cara do TI e seus amigos ficavam dizendo que eu era brava e desconfiada, (e sou mesmo), por eu ser a mais séria do grupo, mas eu só estava tentando sacar qual era a deles, se realmente ficariam com a gente. Daí me perguntaram o que eu precisaria pra ficar feliz naquela noite. “Hummm, o me faria feliz nessa noite?” Repeti em voz alta, pensativa. 🤔
– Ah… 5k me faria muito feliz nessa noite! – E finalizei com um sorriso malicioso.
Daí eles absorveram a informação e também ficaram pensativos. Depois falei pras meninas sobre essa conversa que tinha rolado, para que ficássemos todas alinhadas. Daí iniciou-se uma grande sessão de negociação/enrolação.
Fizeram uma contraproposta de R$ 3.300. Ok, razoável. Mas alguém ainda não estava concordando com este valor para todas.
– Vamos fechar em R$ 3k. – Um outro tentou negociar.
– O que são mais R$ 300 pra quem já vai pagar R$ 3k?! – Rebati.
Os caras demoraram UMA VIDA pra bater o martelo, porque todas as garotas que eles conversavam, jogavam o valor lá embaixo.
Com o passar do tempo, o meu carisma estava indo embora diante do cansaço da espera e as tentativas de reduzir o nosso cachê. De repente, aquele montante já não me apetecia mais, o paraíso que eu visualizava era ficar descalça e me teletransportar para a minha cama.
– As meninas ficam desesperadas pra trabalhar e cobram menos. – Avaliou a Lia.
Ela anunciou que ia embora, daí o rapaz que tinha a escolhido, a segurou pela mão e insistiu que esperasse mais um pouco, pois tanto ele, quanto o que sairia comigo, estavam tentando fechar alguém pra sair com a terceira garota. Ainda brincaram que venda casada era crime, rs.
– Olha só, deixa eu te falar uma coisa… – disse o meu par, no meu ouvido, enquanto me abraçava. – eu fecharia 5k em você, mas não dá pra fechar 5k nas suas amigas. (Ele foi delicado de dizer no plural para não especificar de quem realmente estava falando, já que o outro que ficaria com a Lia, também já tinha concordado). É sua primeira vez aqui, então olha só, se você fica na dependência das suas amigas, vai perder dinheiro. Eu fecho com você, mas só com você.
Achei coerente o seu toque, mas eu estava um pouco alterada do álcool (aproveitei por ser show do Vintage e a minha estreia na casa) e não me sentia segura de sair dali sozinha com ele. É um outro modo de trabalhar, que eu não estava acostumada.
Depois o vi conversando com outra profissional, uma loira bonita, e ali pensei em ir embora, não iria entrar em disputa com ninguém, meu pé doía cada vez mais, ansiava pelo meu descanso. Mas quando ele voltou para me abraçar, aproveitei para dar uma alfinetada:
– Nossa você já estava negociando com outra? Assim, na minha frente?!
– Nãooooo. É que ela é de Brasília também, tava pegando o contato pra uma próxima vez. Ficou com ciúme?? – Dando um sorrisinho malicioso e aproveitou pra tentar me beijar de novo.
Essa outra garota ficou ali rodeando, e percebendo que ele ficava entre nós duas, decidi unir minhas forças com a concorrente:
– Sabia que hoje é minha primeira noite aqui? – Puxei assunto.
– Ah é? Que legal! – Ela foi super simpática.
E rapidamente viramos um trisal. 😈
– Ela faz por R$ 2.500. – Ele barganhou.
– Nada de R$ 2.500. Estamos combinando R$ 3.300! – Reafirmei batendo o pé sobre o valor.
Ele achou que me faria reduzir diante do perigo da perda, mas eu fiz com ela subisse o cachê também, kkkk.
– Ahh eu tinha entendido que seria aqui. Pra irmos pra outro lugar realmente é mais caro. – Ela entrou na onda e eu adorei essa cumplicidade feminina. 😏
Em outro momento, uma moça morena, com traços indianos, que sairia com aquele amigo dele que nos abordou primeiro, veio me perguntar por quanto estávamos combinando, pois o par dela estava achando caro R$ 2.500. E um outro amigo dele também afirmou que tinha subido com uma garota linda mais cedo por R$ 1.500. Alguns de seus amigos buscavam o menor preço, então a negociação seguia interminável.
Eu estava por um fio de ir embora.
– Amiga tá uma enrolação isso aqui. Eu tô muito cansada. Quero ir embora.
– Amiga não costuma ser enrolado assim. Geralmente é bem rápido.
Daí a Lia disse pro seu par: “Bom, a gente vai dar uma volta.” Um código para “vou buscar algo melhor”, daí seu par a segurou pela mão novamente e insistiu que aguardasse mais um pouco, eles estavam tentando levantar o dinheiro em espécie, para não deixar registros na conta. (Dilemas de homem casado.)
– Eu preciso muito sentar. – Anunciei. – Meus pés já estavam querendo dar PT.
– Eu também. – A outra loira, que descobri se chamar Gi, concordou. E daí fomos nós três (eu, ela e o nosso par) e mais um amigo dele (aquele que afirmou ter ficado com uma por R$ 1.500) para a área Garden, na parte externa, onde nos acomodamos em uma mesa.
– É a sua primeira vez na casa ou trabalhando com isso? – Seu amigo me perguntou.
– Primeira vez trabalhando na casa.
– Como você fazia antes?
– Ahh, através das minhas redes sociais.
– Das suas redes sociais? Como assim?
– Meus clientes vem através das minhas redes.
– Você é influencer?
– Ahhh… sou. (Eu não me via dessa maneira, rs)
– Quantos seguidores você tem?
– Ahh, no insta tenho 11 mil e no Tiktok 70. – Nem mencionei o Twitter.
– Olha só, uma influencer…
Daí o assunto foi migrando para outras pautas e em algum momento eu olhei para o lado, observando as interações das outras pessoas, e daí achei ter visto o meu ex. 😳 Não o Intenso, o que veio antes, aquele que era cliente e que parei de atender para irmos morar junto (contei tudo aqui). Achei muito bad vibes vê-lo ali e torci para que fingisse que não me conhecesse. Em outro momento decidi olhar de novo para ter certeza e felizmente constatei que não era. Mas de fato aquele cara parecia muuuuuito com ele! Ufa, foi só um susto.
Depois voltamos para a pista onde estava o resto do pessoal, ver se já tinha desenrolado, e minha amiga já tinha R$ 1k em mãos como garantia. Ia rolar, era só questão de tempo.
– Depois que beijar vai ficar louco. – Lá vinha meu par tentando me tascar um beijo de novo, mas novamente desviei, só beijaria depois que a minha garantia também estivesse na conta, rs.
*
Enfim chegou o momento de partirmos para a segunda fase da noite. A outra amiga da Lia tinha se ajeitado com outro cara do grupo (um que iria com ela e mais uma) e aí fomos para a interminável fila do caixa. A balada estava nas últimas, então uma multidão foi fechar a conta ao mesmo tempo.
Os nossos pares se encarregaram de pagar a nossa comanda, e eu fiquei sentada num sofá próximo, descansando os meus pés naquele salto.
Restava agora o pagamento do nosso cachê. O meu par pagaria no crédito e o aplicativo da Nubank não estava abrindo para eu fazer a cobrança. Me bateu um leve desespero, mas aí a Gi me lembrou do cartão branco que todas nós recebemos quando entramos na casa, um sistema da Scandallo que recebe o pagamento por nós e posteriormente repassa para a nossa conta integralmente. Muito útil se o cliente não tiver como fazer o pix. Aí sim deu certo, ufa! Deixei minha mala no meu carro (não estava em condições de dirigir) e seguimos de táxi para o hotel que o Cara do TI estava hospedado.
O Cara do TI
– Eu vou no meio. – Ele anunciou antes de entrar no táxi, depois que a Gi já tinha entrado, rs.
Chegamos no hotel e fomos direto para o elevador, passando ilesos daquela burocracia chata do check-in para visitantes.
Assim que entramos na suíte, eu a Gi arrancamos o salto, guardei meus anéis (já perdi muito anel em atendimento) e entrei no banho. Ai que coisa boa uma chuveirada descalça, depois de horas em pé naquele salto. Agora precisava recarregar as energias para dar um trato naquele homem.
Ele gentilmente tentou pedir um café da manhã pra gente, mas ainda era cinco e pouco da manhã e só liberavam o serviço do café no quarto, a partir das 7h.
Depois que me banhei e percebi que não tinha uma terceira toalha pra Gi, conduzi para que ele fosse na sequência (já tinha uma em uso), enquanto esperávamos a recepção trazer outra (que acabaram nem trazendo e a Gi se secou com uma de rosto).
Daí após ela entrar no banho, eu e ele continuamos conversando, um papo super interessante sobre formas de pesquisar algo no Chat, (ele até mencionou um artigo que tinha escrito a respeito), e então engatamos o tão esperado beijo. 💋
– Eu te falei que quando beijasse ia ser louco. – Ele repetiu.
Eu estava enrolada na toalha deitada no sofá, ele veio por cima de mim e com poucos beijos logo estava abocanhando os meus seios. Hummm que delícia. Conforme foi ficando mais quente, sugeri irmos para a cama, o que ele aderiu rapidamente.
No quarto, nos beijamos mais um pouco ainda de pé, até que conduzi para que se deitasse e fui pra cima dele toda seduzente, em direção ao seu pau. Me surpreendi com o tamanho. Era grande e grosso. 😋 Comecei delicadamente pelas bolas, ao que ele assistia com um sorriso de quem estava gostando. Fiquei um tempo naquele agrado, até que subi para chupar o membro inteiro. Ele tinha um pau gostoso, macio, já imaginava como seria delicioso sentar nele. 😈 Em algum momento a Gi voltou do seu banho e entrou na brincadeira, o masturbando, enquanto eu voltava com a minha boca para as suas bolas.
– Não esperava que você tivesse tudo isso não. – Ela elogiou. Pelo visto não foi só eu que achou ele bem dotado, rs.
Ele ficou louco de tesão com as duas interagindo nele ao mesmo tempo. Depois ela o abocanhou por completo e só saiu quando ele a puxou para sentar na cara dele. Ficamos nessa troca de energia deliciosa, ele chupando ela, eu chupando ele, e depois invertemos. Em outro momento, quando era eu que estava sentada na boca dele, sentindo a sua língua na minha buceta, ela o chupou mais um pouco, e então encapou, já sentando. 🔥 Até ofereci se ela não queria um gelzinho, mas a danadinha nem quis saber e não perdeu tempo, cavalgou nele com gosto. Teve uma hora que eu até interrompi a sua chupada e saí de cima dele, pra que pudesse apreciar a visão dela performando.
– Ai caralho. – Ele repetia várias vezes.
A Gi sentava sorrindo, aquilo nem parecia um esforço pra ela, fazia na maior naturalidade. Achei que ele fosse gozar, pois eu já estava quase gozando só de assistir aquela cena erótica, mas ele tinha bebido e em algum momento ela se deu por satisfeita, saindo de cima dele.
Entendi que era a minha vez de assumir a tarefa, mas nessa pausa acabamos dispersando, nos distraímos tentando ligar o ar condicionado (a temperatura tinha esquentado) e entramos em algum assunto, somado a pausa para pedir o nosso café da manhã.
Em outro momento dei alguns amassos nele, mas sexo mesmo só foi rolar depois que a Gi foi embora. Ele decidiu liberá-la antes (já que mal tava dando conta de uma, rs) e depois que ela partiu, ainda tiramos um providencial cochilo. Somente ao acordarmos, levemente mais descansados, que desenrolou a transa e ele me pegou de bruços bem gostoso. 😈 Ficou algum tempo assim, depois quis me pagar no papai e mamãe, bem amorzinho, beijando e metendo ao mesmo tempo. Ai que delícia! Estava muito bom, mas, infelizmente, nem comigo ele não chegou lá, ☹️ e após um tempo de atividade, pedi pra fazermos uma pausinha, afinal, o seu brinquedo era grande demais pra minha pepekinha.
Seus amigos ligavam toda hora, o requisitando para ir encontrá-los, (a essa altura já era umas onze da manhã) mas quem disse que ele conseguia me deixar ir embora? 🥰 Ficamos de beijos e chamegos até uma da tarde, quando enfim fui mais firme, pois ainda precisava buscar meu carro lá na Scandallo. (Ele generosamente me deu mais um presentinho pelo tempo extra).
*
A noite ele propôs de sairmos novamente. Queria que eu o acompanhasse em outra boate que iria com seus amigos (até estranhei ele querer repetir, do que ter uma nova experiência), o que eu até toparia se ele aceitasse a minha proposta de R$ 6k pelo pernoite, mas achou muito, fazendo uma contraproposta de R$ 3k, que acabei recusando. Uma coisa era aceitar essa quantia já estando no rolê, quando eu não tinha expectativas de rolar algo, outra era eu sair da minha casa, ainda não recuperada do cansaço, e ter que me produzir tudo novamente para ficar mais não sei quantas horas em pé outra vez. Se por um lado fiquei triste que não rolou o reencontro, por outro fiquei feliz de poder descansar mais daquela noitada.
Saldo final da aventura: Gostei, mas também cansei, contudo, repetirei! 😈
É com muita felicidade que me liberto desta saga. Todos sabemos que eu poderia ter abandonado o barco faz tempo, mas é aquilo, quando você está envolvida é muito complicado. E sendo eu uma “bruxa”, como meu amigo diz, podemos dizer que foi graças a essa magia que pude me libertar totalmente.
* Vamos a um rápido flashback aqui *
Lembram na postagem anterior, quando o Intenso sumiu o dia inteiro, e só reapareceu às 16h? Pois então, este sumiço foi extremamente benéfico para os planos que o universo tinha pra mim.
Estava eu lá, na casa da minha mãe, mexendo no meu Instagram, migrando da minha conta pessoal para a profissional, quando, de repente, vejo a carinha do Intenso entre as contas logadas no meu telefone. “Oxe, ele aqui?” Estranhei totalmente. Cliquei para ver o que era, não entrou de primeira, achei que tinha visto uma miragem, saí do insta e entrei de novo, e outra vez a carinha dele apareceu lá. Fiz uma nova tentativa e aí meus amores, a mágica aconteceu, eu entrei no Instagram dele!
E como isso foi possível?
Lembra quando ele veio com aquelas ideias de criar um Instagram do Intenso, pra postar registros das nossas viagens? (Falei sobre isso na Parte 9.) Pois então, ele criou e me passou a senha, para que ambos atualizássemos o perfil. Eu ainda não tinha divulgado essa conta para os meus seguidores, (seguia todo um planejamento de postagens, divulgaria quando chegasse na parte da história em que nos reconciliávamos na viagem de Ilhabela, mas como as postagens estavam atrasadas em relação aos acontecimentos reais, tudo desandou antes que eu divulgasse), mas a criação do perfil do Intenso havia sido feita há algumas semanas, e não entendi esse vínculo que o Instagram fez com a conta pessoal dele e o delay para que isso acontecesse. Pra mim isso foi muito o universo conspirando a meu favor para que a verdade, mais uma vez, caísse no meu colo. ✨
Enfim, fucei o Instagram dele de cabo a rabo. Mensagens, pessoas bloqueadas, pessoas ocultadas do story, fotos arquivadas, mas até então ele estava limpo, a única coisa comprometedora que encontrei e que ele tratou de excluir depois (sem saber que eu já tinha visto), foi uma mensagem que ele enviou para um cara gay, muito gato, em 2024, falando sobre ter achado ele muito interessante e estar se sentindo confuso, em como ele, um homem hétero, se sentiu atraído por outro homem.
Não foi legal ler aquilo, mas decidi passar por cima disso, afinal, seu interesse por homens não era nenhum segredo, ele já tinha me trazido sobre a sua curiosidade pelo masculino no nosso terceiro encontro, além de ser uma conversa de quando ainda sequer nos conhecíamos. Outro ponto que levei em consideração também, foi o fato deles nem se seguirem mais e a conversa não ter desenvolvido tanto (em algum momento o cara parou de respondê-lo). Não encarei aquilo como algo que eu devesse me preocupar, mas sim ficar mais esperta.
Daí, após minutos a fio passando o pente fino na sua rede social, fui olhar as notificações e constava aquele alerta “sua conta foi acessada em um dispositivo em Guarulhos”, que eu sabiamente apaguei. Se ele não estivesse com o celular desligado até às quatro da tarde, teria recebido o alerta da notificação e minha descoberta seria sabotada. “Deus escreve certo, por linhas tortas”, esse ditado nunca fez tanto sentido pra mim!
Ele reapareceu depois, aquilo que vocês já sabem, tivemos várias DRs ao longo da semana, mas ele seguia se comportando, sem prospectar, mesmo diante das brigas.
Na noite em que ficamos bem pela última vez, estávamos vendo hospedagens para passarmos o réveillon juntos.
Daí comecei a enviar outros mais em conta, até que ele me ligou e disse que não estava conseguindo gostar de mais nenhum, após ter visto aquela locação maravilhosa que eu tinha achado. E daí ele reconsiderou irmos no mais caro.
– Você quer ir naquele?
– Quero. Mas, vai dar pra ir? Você falou “nem fodendo”.
– Ahh eu dou um jeito. Você quer?
– Ah seria bem bacana irmos nele, tem até uma praia privativa.
– Mas aí só tem uma condição.
– Qual?
– Que você não vai fazer foto pra Sara.
– Como assim? Por que não?
– Por que é uma viagem da ***** e do ******.
– Mas todas as nossas viagens são da ****** e do ******.
– Você escolheu essa hospedagem só por isso, né?
– Não, eu nem pensei nisso. Mas não gostaria de ter essa limitação. Conteúdo pro Only, pode né?
– Também não.
– Não estou te entendendo.
– Você está querendo me usar pro seu trabalho?
– A gente não tinha combinado que quando fôssemos morar juntos eu continuaria com os conteúdos online? Como vou continuar se não puder fazer os conteúdos?
– Mas não ficou combinado que eu teria que fazer os conteúdos com você.
– Ah não? Você não quer que eu use os vídeos com o Gabe, mas também não quer fazer vídeos comigo, não faz sentido isso.
– Eu não sou ator pornô, não trabalho com o que vc trabalha, não é o meu universo. Pra você é fácil se deitar com alguém e postar o vídeo na internet depois.
– Como é que é?!
– É isso mesmo que você ouviu.
Desliguei na cara dele. Escroto do caralho.
Eu fiquei completamente confusa com aquele comportamento. Como ele era contraditório! Já não era a primeira vez que discutíamos por conta da sua recusa em gravar conteúdo comigo, porém, da outra vez que aconteceu, ele voltou atrás e por iniciativa própria quis gravar comigo depois. Uma vez que tínhamos passado por cima disso, não achei que voltaria a ser uma questão pra ele.
Isso me lembrou de uma outra situação em que também me ofendeu, dizendo que eu era drogada, só porque eu curto fumar um, e depois ele apareceu com uma caneta de THC. Como que a pessoa ofende e depois contribui para aquilo que ofendeu? Contraditório total, assim como ele fazia agora. Reconheci o padrão.
Me irritei e mandei textão:
“Pra me levar em casa de Swing e fazer putaria com estranhos, ok né.
Agora quando se refere ao meu trabalho com conteúdo, aí não é legal, aí é sujo, aí eu sou uma qualquer ‘que se deita com alguém e posta o vídeo na internet depois’.
Novamente você me atacando por conta do meu trabalho. Já estou cansada dessa falta de respeito!!
E completamente sem nexo, uma vez que vc até criou um perfil no Onlyfans pra que eu te marcasse nos vídeose ainda comprou aquela câmera digital.
Eu fico pensando “será que é pq ele é inseguro com o pau e não acha que fica bonito nos vídeos?” Ou é pq ele de fato não me aceita, acha nojento o que eu faço, mas quando é pras putarias dele, aí eu sirvo?
Eu posso aceitar o seu lado bi, safado, e etc, mas você não pode aceitar o meu trabalho, de gravar conteúdos e querer te incluir, uma vez que você adora ser incluído nas minhas coisas.
Não vejo como isso vai dar certo a longo prazo. Você cada vez mais querendo me deixar mais dependente.”
– Também estou pensando sobre isso. Eu não vou falar nada pra te ofender. Não mais. Mas vc romantiza o lado sujo do seu trabalho. É isso que eu não aceito. Se ofendeu pq eu falei verdades.
– Não me ofendi pq vc falou verdades e sim pq vc falou absurdos. Eu não sei o que vc ainda tá fazendo comigo então. Ahh pera, eu sei, pq pra ir na hot, algo que te convém, aí é conveniente eu ser como eu sou. Péssimo. Você é muito hipócrita.
– Não se preocupe, isso não vai se repetir novamente. Não comigo. Não com vc.
– Tudo que eu não preciso é ser desrespeitada por alguém que deveria ser meu ponto de apoio. Você não me ama. Isso não é amor. A forma que vc me trata é pura conveniência. Você ama o jeito que eu te faço sentir (quando estamos bem) e não me ama genuinamente mesmo. Pq quem ama não machuca, não quer ver a outra pessoa mal. Já te falei inúmeras vezes pra não me atacar pelo meu trabalho. E você volta e meia faz isso.
– Vc se sente atacada quando ouve verdades. Só isso. Eu falei uma grande verdade e se sentiu atacada.
– O meu trabalho não é sujo. É um trabalho digno, como qualquer outro. Eu não coloquei a minha cara no TikTok pra enfrentar o preconceito das pessoas, pra na minha vida pessoal ler barbaridades do meu próprio namorado. Vá buscar uma namorada puritana então.
– Ok.
– E vai lá procurar uma mulher “perfeita”, da qual você nunca conseguirá se conectar verdadeiramente, porque nunca aceitarão o que eu tive que me virar pra aceitar de você. Nisso você não pensa, são sempre “questões” que você está lidando e “se descobrindo”, quando na verdade já sabe do seu interesse por homens. Eu sou uma mulher muito forte, amada, resiliente, lamento que você não valorize isso! Está sempre criando problemas, não consegue viver em paz e quer tirar a paz dos que estão ao seu redor. Comece a pensar nisso!
Paramos de nos falar, mas eu ainda tinha esperanças de que ele me procuraria para se desculpar e reconhecer que foi um babaca.
Mas isso não aconteceu.
Foi numa quarta-feira.
Sexta-feira começaram a pipocar mulheres e conversas no seu Instagram.
Primeiro uma conversa com uma mulher zero interessante, que também morava em São Paulo, mas estava em Campinas, na casa dos pais. Eu dava de 10×0 nela. Daí, como com ela estava desenrolando muito devagar, de repente pipocou a mensagem de um homem. Ou melhor, de um gay. Visivelmente afeminado.
– Opa. – O outro homem falou primeiro.
– Fala Will.
– Fala L.
– Bem melhor por aqui cara. Aquele app é horrível.
– Horrível pq?
– Pra interagir.
– Realmente é mesmo. Diferente dos outros.
– Tipo Tinder?
– Sim. Grindr também.
– Esse eu não conheço não.
– É Tinder para homem que pega homem, estritamente para sexo. Você parece um homem muito sério, L.
– Isso é ruim?
– Não. Acho interessante. Misterioso. Dá um frio na barriga.
– Explique melhor isso, rs. Nunca saiu pra fazer amizade com um homem sério? Mas relaxa, sou um baita brincalhão, sarcástico. Vai ver quando me conhecer.
– Kkkkkk.
– E você como é?
– Tímido, desconfiado e falador.
– Cara você reúne todas as características de um cara legal. Eu também sou muito tímido e ao mesmo tempo curioso e falador. Sou geminiano né.
Daí ele mandou um vídeo de visualização única para o cara.
– kkkkk. Fofo. Tá nítido que vc fala muito em público.
– Hsuahsuah.
Acho tão patético um cara de 40 anos escrever como um adolescente.
– Sou tímido. – Ele continuou. Quase não abro a boca. Cadê você falando?
– Nem que me pagassem 5 milhões.
– Te pago um suco.
– Posso mandar uma selfie. – E mandou uma foto de visualização única.
– Você é muito nerd.
E logo estavam combinando de se encontrar, naquela mesma noite.
– Que horas quer que eu te pegue aí? Pra eu me organizar aqui. – O gay enrustido perguntou.
– Podemos combinar 21?
– Claro. Entre 21h e 21:30.
– Okay. Onde vamos? – Eu também estava curiosa pra saber.
– Não tenho a mínima ideia. Quer sugerir algum lugar?
– Não conheço muitos lugares aqui. :/
– Acharemos um.
Daí o tal de Will enviou seu endereço.
Eu estava cadastrada no plano familiar do Intenso, aquele da Apple, e tinha acesso a localização dele. Acompanhei TODO o processo. Ele buscou o cara em casa e o levou o pra um barzinho.
– Você já jantou? – O rapaz que ele conversava perguntou próximo do horário de se encontrarem.
– Não. Comemos algo na rua.
Era uma distância de 23 min da casa de um pro outro (sim, conferi no mapa)
– Cheguei. Sou pontual.
– Tô vendo. Vou descer. Deixa eu só avisar meu amigo aqui. Ele tá no banho.
– Isso. Vai que vc é sequestrado.
– Kkkkk. Qual carro?
– Branco grande, parece uma balsa.
ELE TEVE UM DATE GAY!
Ficaram 3h no barzinho, depois levou o cara pro apartamento dele.
ALERTA GATILHO: Aquela mensagem do Dr. Rafael então não era o ménage que ele inventou. E deve ter sido recente, naquele final de semana que ele tinha me pedido um tempo para “refletir”.
Nos bastidores a orelha dele queimava:
Ele ficou com o cara no apê dele por 3h. Achei que fossem até dormir de conchinha, mas na madrugada o Will mandou a seguinte mensagem, pelo Instagram mesmo:
Ali eu não me aguentei. No mesmo minuto mandei uma mensagem pra ele dizendo:
– Espero que a sua noite tenha sido maravilhosa.
Imediatamente ele cancelou meu cartão de crédito adicional. 😂
E me desconectou do seu Instagram.
Apesar da raiva que senti durante o processo, no pós eu estava em frangalhos. No dia seguinte, sábado, ainda tentei contato, disposta a conversar para tentar entender o que tinha se passado pra ele fazer aquilo, mas ele recusou e ainda se achou no direito de ficar ofendido pela “invasão de privacidade”, como se o que ele fez não tivesse sido inúmeras vezes pior do que o que eu fiz.
– Você quebrou nossa principal regra. Estava me vigiando esse tempo todo.
– Eu quebrei a nossa principal regra? Achei que a principal regra fosse fidelidade. Não trair o outro. Não ficar com pessoas escondido. Você mentiu pra mim em todas as instâncias. Me fez acreditar que o seu tesão em homens era somente com homens héteros em momentos de putaria, pois seriam “homens quebrando tabus”, mas ontem você me provou que gosta de interações masculinas somente com homens sim, e com gays também! Cara, como eu fui idiota de acreditar em você. No final das contas, aquele Dr. Rafael era tudo verdade. Vocês transaram só vocês dois. E você também queria isso com aquele Marcelo. VOCÊ ME TRAIU! De todas as formas possíveis. O universo é tão bom comigo que em todas essas vezes jogou a verdade no meu colo. Me mostrou sobre a Maristela, sobre o Rafael, sobre o Marcelo e agora sobre o William. Você não é esse príncipe encantado que pintou pra mim. Coitadas de todas essas mulheres que passaram pela sua vida, iludidas, achando que eram especiais, quando na verdade eram só uma fachada pra você desfilar em sociedade. Queria nunca ter te conhecido. Me fez sofrer demais. Nunca me senti tão humilhada. Todas as minhas análises sobre você ser um narcisista se concretizaram. O narcisista não tem sentimento genuíno por ngm, só por si mesmo.
– Vc não tem direito algum em conjecturar e inventar histórias fantasiosas a meu respeito, inventar coisas e muito menos monitorar minha vida. Ontem eu apenas precisava de alguém pra me ouvir. Não aceito que crie histórias a meu respeito. Vc mentiu pra mim e sabe as consequências que isso vai te trazer. Segue sua vida.
– No que eu menti pra você mesmo? Fiquei curiosa na sua tentativa de manipulação. Não precisa mais usar máscara comigo. Ontem ficou tudo bem claro. Mais uma vez você preferiu buscar fora a se resolver comigo. O comportamento do narcisista é justamente esse! Quando não tem mais o suprimento que fortalece seu ego, vai buscar essa validação em outro lugar. Se me amasse verdadeiramente, vc nem teria cabeça pra sair com outra pessoa agora.
– Não busquei nada fora. Não sei o que vc está pensando. Fui apenas conversar. Precisava disso. Vc tem amigas, eu não. Não imagine essas ilusões a meu respeito, é muito injusto.
– Seria muito mais digno se você assumisse logo. Bate no peito e enfrente a verdade. O grande mentiroso aqui é você.
– Não importa o que eu diga. Eu sempre vou ser isso pra vc. Já assumi tudo. Sim, estava aprendendo com vc novas possibilidades de explorar minha sexualidade, pq vc me deu essa liberdade. Mas nunca ocorreu nada do que vc julga ter ocorrido. Pelo menos agora eu aprendi que o dia que eu quiser ir na hot, é só contratar alguém como vc. Não haverá julgamentos. Mas não tenho mais que dar satisfação pra vc. – Como se ele tivesse me dado em algum momento. – Ainda mais considerando que nada que eu diga vai fazer vc acreditar. Sempre vai olhar para o pior de mim. Tudo que senti por vc foi muito real e forte. Mas vou me apegar as suas palavras cruéis pra tentar te superar.
*
Passei aquele sábado na maior fossa. Não comi nada o dia inteiro, apenas vegetando.
A noite, fui olhar a localização dele de novo, e quase dei um pulo de susto do sofá, quando vi que ele estava em São Paulo! Mais precisamente no Teatro Liberdade (muito perto da minha casa), cujo espetáculo incialmente iríamos juntos, que ele tinha me dito que seria na sexta, mas pelo visto ele se enganou com a data, pois era no sábado.
Me ocorreram alguns pensamentos intrusivos de baixar no teatro e ficar de tocaia para pegá-lo no flagra na saída e ver com quem ele tinha ido, mas me controlei, seria muita humilhação me sujeitar a esse papel. Ainda fiquei com esperança dele vir na minha casa depois, buscar alguma reconciliação, mas é óbvio que isso não aconteceu.
Fiquei acompanhando todo o trajeto após ele sair da peça, ainda com uma pontinha de esperança de que ele viesse pra minha casa tentar se entender comigo. Parecia cena de filme, quando ele chegou na Brigadeiro Luís Antônio, ali seria decisivo pra saber se ele viria pra minha casa ou não. Teve uns minutos de suspense, enquanto ele estava parado no farol, até que… ele foi na direção contrária. Fiquei muito na merda. Por mais que eu tivesse acompanhado toda aquela patifaria com outro homem, eu ainda gostava dele, não conseguia odiá-lo. Como eu queria que a raiva falasse mais alto, pra me ajudar a superar aquele chifre gigantesco.
Quando ele chegou num endereço de apartamento na Bela Cintra, não me aguentei e liguei pra ele. Não me atendeu.
– O que você quer? – Me enviou mensagem poucos minutos depois.
– Eu sei que você está em São Paulo. Por favor, me desconecte do seu plano família, não quero mais ficar me torturando.
– Como sabe
– Da mesma forma que eu sei que vc buscou o cara em casa ontem, ficaram 3h no bar, depois você o levou pra sua casa e após mais 3h de muito sexo, você o levou em casa novamente. Eu não sou idiota.
– Nossa. Vc tá viajando legal. Não transei com ninguém. Muito menos homem.
– Chamou outra pessoa pra te acompanhar na peça e agora estão indo pro apartamento dessa pessoa. E depois ainda diz que o que sentiu por mim foi real. Você supera muito rápido.
– Vc sabe que foi. Sei que sente que foi. Não menti em nada. Não sei de onde vc tirou que eu transo com homens. É muito injusto isso.
Como o Narcisista costuma agir quando é pego na mentira?
A primeira reação típica é negar tudo com firmeza, mesmo diante de provas claras. Ele pode distorcer os fatos, dizer que foi “mal interpretado” ou que a outra pessoa está “imaginando coisas”. O objetivo é criar confusão e fazer o outro duvidar da própria percepção.
Quando o narcisista é pego na mentira, ele raramente assume a culpa — porque isso fere profundamente o seu ego e ameaça a imagem grandiosa que ele tenta manter. Em vez disso, ele tende a reagir com uma série de mecanismos de defesa e manipulação, geralmente muito calculados.
– Mas vou te superar. Se divirta muito aí! – E parei de responder.
Tomei um remédio pra dormir e larguei o celular no sofá.
Quando acordei no dia seguinte, havia duas mensagens dele e uma ligação perdida.
Enviada 01:35:
– Estou voltando pra casa agora. Nem minhas mensagens vc vê mais.
01:42:
– Você é engraçada, me liga, e quando eu te retorno estou bloqueado.
Fui conferir se ele realmente tinha ido embora, mas eu não tinha mais acesso a sua localização. O que achei bom. Respondi:
– Você acha mesmo que eu ia ficar esperando um retorno seu depois de você transar e se divertir com outra pessoa?
– Eu fui em uma padaria comer, estava com fome.
– E obrigada por atender ao meu pedido e me tirar do plano família, assim me desconecto de você e te deixo ir. Me decepcionei muito com você.
– É muito simples e ao mesmo tempo lamentável explicar pq não deu certo. Eu não consigo aceitar seu trabalho, do qual vc se orgulha tanto, e por outro lado, vc não acredita em nada a meu respeito. Conjuntura meu pior lado e cria cenários fantasiosos que não existem o tempo todo. E por último, acha que eu sou gay. Que saio com homens. Me afogou em algo que vc mesma me incentivou a fazer – eu incentivei?! Ou será que fui induzida a dançar conforme a música? –, me dando liberdade e depois me julgou. E principalmente, acha que sou narcisista. Sem dar a mínima para o que eu realmente sinto por você. Vc lida a todo momento com amores frágeis e vazios e quando vê que alguém está verdadeiramente te amando, não acredita.
Impressionante como ele ainda tentava me manipular.
– Quem será essa pessoa que vc passou a noite? A tal Fulana que também mora em São Paulo? Ou será que chamou o Will pra um segundo date? Ou então uma terceira pessoa prospectada?
– Meu Deus.
Quando ele disse esse “Meu Deus”, várias coisas interligaram na minha cabeça, de outras vezes que surtei de ciúmes em que ele respondia exatamente com esse mesmo “Meu Deus”, fazendo parecer que eu era a surtada, quando agora, sabendo que eu estava certa, identificava seu padrão de mentiras, ou seja, das outras vezes eu também fui enganada!
– Independente de quem seja, ninguém que chegue a minha altura, disso eu tenho certeza. Mas ninguém que vc dê o devido valor de fato, já que nem pra mim você deu. – Finalizei. – Enfim, eu não quero mais conversar. Só manda as minhas coisas que assim que chegar enviarei as suas também.
Alguns minutos depois, não me aguentei, e voltei a descascar o pepino:
“Que parte de eu acompanhar todas as suas conversas do Instagram e a sua localização você não entendeu? Não estou fazendo conjecturas, eu tenho todas as provas da sua traição. A sua “balsa branca” e a “noite gostosinha”. A grande diferença entre nós é que quando você me pegou na mentira, – ele me pegou na mentira 2x quando eu fingia não estar atendendo, pra evitar mal estar na relação – eu fui muito mulher de confessar e me abrir com você, já você nega insistentemente, mesmo com todas as provas evidentes.
Sua terapeuta terá um árduo trabalho pela frente em te ajudar a entender pq você é um mentiroso compulsivo. O que vc mais abomina, é o que você mais faz. Assim como o meu trabalho, que você tanto “abomina” e gostaria de poder fazer igual. – Ele já tinha confessado pra terapeuta dele que se fosse mulher faria o mesmo.
Vá sim buscar entender a sua sexualidade, você com certeza não foi sincero comigo, assim como não vem sendo consigo mesmo. Se liberte! E pare de enganar as pessoas.
Se não quiser gastar com Uber, pode trazer minhas coisas quando tiver por São Paulo, deixe na minha portaria, a partir de amanhã já deixarei as suas por lá também.
Não precisa me responder, não faço questão, só reflita, de alguém que já gostou de você.”
E ele seguiu na vitimização:
– Vc me bloqueou no Whats, eu tô tentando ter um diálogo normal com vc, mas está difícil. Quer que eu nunca mais te mande mensagens? Eu não posso te entregar uma confissão de algo que não existiu. É muito injusto. E não se preocupe com suas coisas, eu prometi enviá-las. Me dói vê-las aqui. Não vou deixar aqui não.
– Sim, quero que pare de me mandar mensagens, siga sua vida e pare de continuar me dizendo mentiras. Leia as coisas que eu te mandei acima com generosidade consigo mesmo.
– Ok. Nunca mais te incomodarei.
Daí mandei uma outra mensagem com algumas instruções de todas as minhas coisas que estavam lá, pra ele não esquecer de enviar, pois alguns itens estavam guardados em lugares diferentes pelo apartamento. Principalmente meus perfumes importados.
– Já estão todos na caixa, foi o primeiro que encaixotei, acha mesmo que eu ia me torturar sentindo seu cheiro? Basta o sofrimento que foi tirar roupa por roupa e sentir seu cheiro nela. Mesmo que você não acredite.
– Tenho certeza que o “sofrimento” que vc disse sentir não chega nem perto do sofrimento que eu senti de verdade. Mas enfim. Obrigada.
– Como não. Pq vc me diminui tanto? Tudo que eu falei com relação a meus sentimentos por você sempre foram sinceros. É uma pena você não sentir e não acreditar nisso.
Era muito cinismo. Isso me irritou profundamente! Descarreguei:
– Meu querido, você me traiu na sexta com outro cara que eu ACOMPANHEI em tempo real pelo seu Instagram e localização do celular. Como se isso já não fosse o bastante, você veio pra São Paulo, levou outra pessoa no teatro e depois foi pro apartamento dessa pessoa. PARA DE MENTIR! Eu acompanhei tudo!! Tenho prints e provas. Padaria porra nenhuma, eu joguei a localização no mapa. PARA DE SUBESTIMAR A MINHA INTELIGÊNCIA. Você não me manipula mais!!! Te mandei a msg acima pra te gerar algum tipo de conscientização, não pra você achar que ainda tem chance de reconciliação.
EU ACORDEI PRA VIDA! Finalmente!!!!
– Eu JAMAIS fiquei com outro homem… não sei de onde vc tirou isso. Saí sim pra conversar, depois fui pra casa beber e conversar, mas JAMAIS fiquei com outro homem. Fica tranquila, não quero reconciliação não. Só não acho justo acusações que não ocorreram.
– Se faz bem pra você alimentar essa mentira, faz o que achar melhor. Quem não quer melhorar vai continuar sempre nesse vazio de sair com pessoas diferentes e nunca ter uma relação de verdade. Felizmente isso já não é mais problema meu. Boa sorte.
E lá veio ele com seu costumeiro drama e vitimismo:
– Vc está sendo muito injusta comigo. Está me destruindo com essas mensagens. Se essa era a intenção, conseguiu. Me deixou devastado.
*
No dia seguinte, não me aguentei e mandei mais mensagens, como parte do meu processo de cura, que incluía esculhambar ele!
– Não consigo parar de pensar na sua frieza de vir pra São Paulo na surdina no sábado, levar outra pessoa para o teatro e ainda ir pro apto dessa pessoa transar. Como eu me decepcionei com você. É tão absurdo e nojento. Você não teve nem a decência de terminar comigo antes. Depois de vir com aquele papo ridículo de que jamais trairia. Você é a pior pessoa que eu já conheci.
– Desculpe, mas eu não sei de onde vc tira essas ideias fantasiosas, – o discurso dele não muda?! -, não fui para o apartamento de ninguém, não transei com ninguém… eu não tô com cabeça pra nada… acha mesmo que eu conseguiria pelo menos levantar meu pau depois de tudo que aconteceu? Eu tô péssimo. Eu nunca te traí, isso vc pode ter certeza.
– 😂
Só rindo mesmo.
– Quer vc acredite ou não, essa culpa eu não levo.
– Claro que não leva essa culpa, pq vc não tem sentimento por ngm, só por si mesmo. Seu grande narcisista mentiroso.
– Vc pode falar que sou a pior pessoa do mundo, pode falar o que quiser, mas que eu te traí, não.
– MENTIROSO. Nem com todas as evidências a pessoa não admite.
– Não existe evidência.
– 😂
E todos os meus prints? Kkkkk.
– Não adianta me atacar assim. Vc está fazendo isso pq está tão machucada quanto eu. Sei que também sente minha falta. Os dois estão machucados. E muito. Eu fui sim no bar, fui em casa assistir filme, – ele tinha dito antes que foi pra casa beber e conversar, agora já virou cineminha rs -, mas jamais transei com homem. Não é isso que curto e vc sabe disso. – Eu não sei de mais nada kkk. – Fui sim ao teatro. Depois fui comer na paulista. Deixei a pessoa em casa e fui embora. Tanto que te liguei. Se eu tivesse transando com alguém ou no apartamento de alguém, eu não teria te ligado.
– Você mente tanto que acredita na própria mentira kkkk. VOCÊ LEVOU AQUELE CARA GAY PRA DENTRO DA SUA CASA! Ficaram 3h que eu acompanhei. Ele não teria te mandado “foi gostosinho” se não tivesse rolado sexo. Se vc chupa homens na minha frente, que dirá o que faz pelas costas!! A idiota ainda propôs de conversarmos no sábado, e você NÃO QUIS, mas veio pra São Paulo na surdina com outra pessoa pro teatro. Se você de fato sentisse algo por mim, teria buscado se entender comigo e ido comigo na peça. PARA DE ME TIRAR DE IDIOTA, o endereço que vc foi na bela Cintra só tem flat, não tem porra de padaria! Foi lá, comeu a pessoa por uma hora e depois ainda queria tentar a sorte com a idiota aqui. Ainda vinha com aquele papo de “ai tô me descobrindo” você já sabe o que gosta, só não tem coragem de assumir ainda.
– Nossa. Se vc tem print pega o endereço de onde eu estacionei na paulista… Volte de onde estava o carro estacionado e pega na esquina, vai ver que tem uma padaria/barzinho ali… entrei, comi um bauru e fui embora.
– A pessoa saiu da liberdade pra ir pra paulista comer um Bauru 🤣
– Sim, pq eu fui naquela que vc me levou, e estava com fila de espera… aí achei esse lugar na paulista aberto.
– Mentira! Eu acompanhei todo o seu trajeto e você nem passou pela HADOCK LOBO. SEU GRANDE MENTIROSO.
– Meu deus… como assim. Eu não tô mentindo.
– Enfim. Não quero mais ficar aqui discutindo com um narcisista mentiroso e que não se assumiu ainda. Te falei que tenho todas as provas então para de ser ridículo.
– Vc sabe que eu não curto gay, não faria nada com gays… então eu sei muito bem o que curto, e vc sabe também.
– É mesmo? Kkkk então pq levou um gay pra um bar e depois pra sua casa? Muito hétero isso. Kkkkk.
– Pq vc está me machucando desse jeito?
– Aí vem ele com a vitimização e drama de sempre. Sem levar a mínima responsabilidade por todos os atos.
Daí ele mandou um print do seu buscador de gps, com as últimas pesquisas, querendo provar que foi mesmo na tal padaria.
Daí eu printei de volta e mandei recortado no endereço do cara que ele buscou em casa:
– Olha o endereço do cara que você foi buscar kkkk. Fez um date com um cara gay e buscou ele em casa. E ainda tem a cara de pau de dizer que não curte gays. Se assume de uma vez. Eu acompanhei TODA a conversa. Aff, queria nunca ter te conhecido.
– Tô aqui te provando onde eu fui. Minhas pesquisas que fui sim naquela padaria.
– Isso não me prova nada. Pelo contrário. Acabei de te provar que sei o endereço do gay que vc fez o date. Não faz o menor sentido pra mim isso. Você veio pra São Paulo na surdina com outra pessoa (ou a mesma) depois de ter feito um date com um gay na noite anterior. Compreende a gravidade disso? Para de ser fazer de sonso.
Cara seria tão mais digno ele abrir o jogo. Tava feio demais aquela negação.
– Nunca disse que não saí com o cara pra conversar. Isso não significa que fiz algo. Se vc acompanhou a conversa viu que não teve nada demais.
– CLARO QUE TEVE. SEU CINICO!
“Foi gostosinho”
– Não teve, nunca tive nada com o cara, mas ele me ouviu, eu estava mal… conversamos por horas… eu precisava disso sim.
– 😂
– Eu estava destruído. Quer vc acredite ou não.
– Ah sim, claro, você precisa sair pra um date com um cara gay do que se resolver com a sua namorada. EX. Você é nojento.
– Nossa. Pq vc está fazendo isso comigo?
– Não quero mais falar com vc que está me embrulhando o estômago.
– Quer me deixar pior do que estou?
– Envia de uma vez as minhas coisas. Pra eu te bloquear de vez.
– No sábado vou pra SP, passo aí e deixo suas coisas, fica tranquila.
– “No sábado vou pra SP no meu date da bela Cintra de novo” kkkkk me poupe dos detalhes da sua vida.
– Pode bloquear, eu te garanto que vou levar suas coisas. Não precisa ficar conversando com alguém que vc não acredita, mesmo eu te mandando prints e que ainda te dá nojo. Nunca ninguém falou isso a me respeito.
– Pq nunca viram a verdade sobre você. Nunca ninguém deixou de estar comigo pra ir num date com um gay e ir no teatro com outra pessoa, estando namorando comigo. Te garanto que do meu lado tá muito pior kkkk.
– Já tínhamos terminado, em minha concepção… e eu estava bem mal, precisava conversar. Já te falei mil vezes.
– Patético.
– Quando vc estava mal, foi atrás da sua amiga.
– Deixarei suas coisas na portaria. Aguardo as minhas no sábado então.
– Pode doar as minhas.
– Ótimo.
– As suas eu vou te devolver tudo, não se preocupe.
Eu já ia encerrar a conversa, mas aí lembrei de uma outra mentira:
– “Dei seu nome pra uma estrela” o documento nunca chegou 🤣🤣🤣 até nos bons momentos ele mentia.
*
Na nossa primeira viagem de Tiradentes, quando estávamos deitados naquela cama que levitava, olhando o céu estrelado, ele disse que tinha dado meu nome para uma estrela e que o documento chegaria na minha casa. Achei tão romântico, mas depois esqueci completamente dessa história. 5 meses se passaram e cadê esse documento? Kkkkkk.
– Nossa.
– Agora entendo pq vc não durou com nenhuma mulher. E pq não tem amigos. Mentiroso.
– Vc pegou tudo que foi bom, e jogou no lixo.
– Eu não, você fez isso quando saiu com outro cara e veio pra São Paulo escondido de mim. – Além das grosserias que me falou na nossa última briga.
– Vc acha mesmo que mereço isso?
– Merecia muito mais. Mas como vc não tem coração, infelizmente não vai sentir nada do que eu senti.
– Você está me destruindo, falando essas coisas. Estou aos prantos aqui, se vc queria isso, conseguiu.
– 😂
– Está falando coisas muito duras.
– Me explica como a documentação nunca chegou? Kkkkk pq vc nunca fez isso. Falou ali na hora pra me iludir, dentre tantas outras coisas. E mentiras.
– Vc me chamou só pra me maltratar assim?
Daí ele me mandou um print do site onde ele “fez” a solicitação do tal documento.
– Talvez eu tenha caído em um golpe.
– 😂
Quem caiu no golpe foi eu! Kkkkkk.
– Pq eu mentiria sobre algo assim? Eu já estava te dando muito mais do que um papel, pq mentir.
– Você mente coisa muito pior. Kkkk isso não é nada!
– Vc continua falando comigo pq assim como eu, tem vontade de falar comigo. Eu fico olhando o celular a todo momento pra ver se chega uma merda de sms seu. E quando chega, é me destruindo. Eu realmente não queria que as coisas terminassem assim. Em momento algum eu te insultei, mesmo vc falando esse monte de coisas pra mim. Entendo que está chateada, e criando situações que não ocorreram.
*
4 dias depois, ele tentou caçar assunto:
Obs. 1: Ele não tinha dito pra mandar pra doação?
Obs. 2: Perceberam a tentativa de me afetar, falando sobre a nécessaire “esquecida” em algum apartamento?
Pois, bem, mandei a foto sem dirigir uma palavra.
– Deixe na portaria por favor, eu passo aí e pego. – Ele instruiu.
Só reagi com joinha.
– Portaria é 24 horas?
Como se ele não soubesse. Só reagi com joinha novamente.
*
3 dias depois, enfim ele mandou as minhas coisas. E aproveitou para tentar o ciclo do Retorno:
– Não imagina como sinto sua falta.
– Vi que mandou as minhas coisas. Obrigada. As suas permanecem na portaria. Precisa retirar.
– Não consegui buscar. Nem sei se vou conseguir. Deixe com vc por favor, se eu for pra São Paulo te aviso pra vc deixar lá.
Até parece que eu ia manter esse canal aberto com ele.
– Ficará lá por tempo indeterminado então.
– Pq está sendo tão cruel comigo? Eu sinto tanto sua falta. Hj te mandei mensagem, depois apaguei. Queria expor como estava me sentindo.
Olha a tentativa dele de me alugar por horas, igual todas as outras vezes que ele fez.
– Não tenho interesse em saber como você está se sentindo. Segue a sua vida. Suas coisas estão na portaria, ficará lá por um mês, se vc não retirar vão colocar pra doação.
E BLOQUEEI!!!!
Nunca mais falei.
P.S.: As roupas dele foram pra doação em uma semana.
Epílogo
Consegui romper o ciclo do Narcisista.
Mesmo com ingressos já comprados para o show do Imagine Dragons, no dia 1º de novembro e mesmo com viagem fechada para o Rio de Janeiro, com aéreo e hotel, para a segunda semana, também de novembro. Foram essas experiências planejadas que tantas vezes me prenderam na relação, já que, a cada briga, eu me agarrava à expectativa do que viria a seguir, imaginando como seria maravilhoso fortalecer os laços e viver tais experiências com ele. – A propósito, será que a nossa primeira viagem, para Tiradentes, que ele propôs 4 dias depois de me conhecer, tinha fechado inicialmente para ir com outra? Visto que quando terminamos deixei duas programações em aberto para que ele convidasse outras pessoas também? Fiquei refletindo sobre isso depois. É bem provável.
Eu sou uma mulher que tem duas ‘eus’ dentro de mim: a que quer ser comida (Sara) e a que quer ser amada (Maria), e ele se apresentou como o homem ideal para cada uma delas, entendendo perfeitamente as minhas necessidades – três anos solteira, ansiando viver uma nova história de amor –, se projetando a partir disso como um espelho. No entanto, quando olho para trás, sinto que vivi uma grande mentira, uma ilusão de um amor que só existia na minha cabeça.
Nossas viagens e passeios cumpriram um papel emocional muito poderoso sobre mim, pois eu já vinha de uma rotina intensa dessas vivências com clientes, e sentia falta de viajar e passear com alguém por quem eu estivesse envolvida emocionalmente. Afinal, se com clientes já era bom, imagine com alguém por quem eu estivesse apaixonada? Eu tinha esse desejo de viver algo real, e ele maquiavelicamente deu forma a isso por um tempo.
*
Pois, bem, como uma forma de cura, no fim de semana que éramos para estar no Rio, aluguei para o mesmo período, um chalé no campo, embarcando nessa aventura completamente sozinha, para ressignificar o momento, usando aqueles dias para focar nos meus projetos literários, mentalizar os meus sonhos e a minha vida futura.
*
O problema nunca foi o meu trabalho. Eu nunca estive errada nas vezes em que desconfiei de algo estranho. Eu não era a louca da história, mesmo que ele tentasse me fazer duvidar das minhas próprias percepções inúmeras vezes. Se eu tivesse confiado na minha intuição, teria me poupado de todo esse desgaste.
Como ele era tóxico comigo, ciumento e possessivo, passei a ser assim com ele também. Quando ele sumia, ativava minhas crises de ciúmes. Nas primeiras vezes ele foi acolhedor, paciente, explicativo, mas com o passar do tempo me ridicularizava, nem se esforçava mais para me fazer mudar de ideia, como se eu fosse a problemática da história. Teve uma vez, nunca vou esquecer, que sumiu das 19h de uma noite e só reapareceu 10h do dia seguinte. Ele estava numa viagem de trabalho e alegou ter ficado sem bateria. Aquela vez eu passei a pior noite da minha vida, ali eu me vi totalmente dependente emocional, desesperada com a ideia de nunca mais vê-lo, ou de perdê-lo para outra pessoa. E isso foi logo no começo. Me ver daquele jeito foi assustador, eu nunca desenvolvi essa dependência por ninguém, de passar o dia na cama se eu não estivesse em contato com o outro.
Quando o véu finalmente caiu, comecei a conectar cada comportamento manipulador ao padrão das acusações que ele recebia. Como naquela vez em que sumiu por duas horas e quando demonstrei ciúmes, apontando o que aquele desaparecimento sugeria, ele apenas respondeu: ‘Meu Deus’, como se eu estivesse surtando sem motivo. Quando enfim a verdade veio à tona e ele repetiu exatamente a mesma expressão numa situação em que eu SABIA que ele mentia, percebi que, naquela primeira vez, eu também deveria estar certa. Fui enxergando seu padrão de manipulação e vitimização com muito mais clareza.
*
Comecei a escrever sobre o Intenso durante o nosso primeiro afastamento em que estávamos brigados. Ele usava o meu trabalho para me atacar e assim conseguir a sua liberdade provisória. Da primeira vez que o fez (que eu sequer sabia que aquilo era um padrão e que se repetiria), passei esses dias na minha casa escrevendo sobre ele, foi quando escrevi a Parte1, 2 e 3 de uma vez.
Ele já sabia da existência do blog, e que além dos encontros com os clientes, eu também relatava sobre as minhas experiências amorosas, detestando a ideia de ser só mais um, me proibindo de postar sobre ele, dizendo até que antes de viajarmos para Tiradentes, eu precisaria assinar um contrato referente a isso.
No entanto, quando voltamos a nos falar desse primeiro afastamento e eu compartilhei que tinha escrito sobre ele, ficou curioso para ver e quando me ouviu ler maravilhas sobre a sua performance (afinal, ainda estávamos nas partes boas), seu ego inflou de um jeito, me autorizando a postar no blog.
Aí vocês me perguntam: Será que ele ainda está acompanhando? Não sei, mas se estiver, seria bom que pegasse todo esse material e levasse para a terapia, a fim de entender a si mesmo, pois, nada do que contei aqui é mentira, sou muito fidedigna a realidade dos fatos quando escrevo sobre algo, mas também, é claro, são as minhas percepções, e se eu interpretei tudo tão errado assim, cabe a ele olhar para si do mesmo jeito, pois foi o que ele causou em mim, é o que ele causa nas pessoas.
Uma parte B de quando comecei a escrever sobre nós que jamais li para ele e não coloquei na postagem oficial, trago aqui agora, em off, a listinha que eu tinha feito de coisas ruins que me aconteceram desde que comecei a sair com ele: (Cuja lista fui incrementando ao longo do processo)
COISAS RUINS de quando estava com o L:
Após o nosso primeiro encontro comecei a ficar com a garganta inflamada e na véspera do segundo date (que ocorreu uma semana depois), saiu uma afta por dentro do meu lábio.
Após o segundo encontro, em que forcei a afta pra beijar e fazer sexo oral, ela virou uma cratera enorme, levando duas semanas para sarar, o que me impediu de marcar encontros. Também tive candidíase, e começou a intensificar a dor de garganta, partindo para uma amidalite. Três enfermidades de uma vez, que me impediam de trabalhar.
No terceiro dia de amidalite, vendo que não resolveria com anti-inflamatórios e antigripais, entrei no antibiótico por sete dias.
No penúltimo dia de antibiótico, a amidalite tinha sido curada, no entanto, voltaram os sintomas da gripe. Fiquei rouca por duas semanas, em que precisei até cancelar a gravação do Achismos React no Maurício Meireles, que felizmente não desistiram de marcar uma nova data, mas mesmo quando remarcamos, ainda não estava 100%, podendo ser notado no vídeo. (Quem não assistiu, só clicar aqui). E por final a gripe virou sinusite.
Era uma enfermidade atrás da outra que me impedia de fazer o meu trabalho e durante esse tempo eu só saía com ele. Eu nunca me vi nesse estado de ficar continuamente doente de várias formas diferentes, era tanto estresse e uma montanha russa de emoções, que a minha imunidade foi afetada constantemente.
Num dos nossos tantos rompimentos, além dele me deixar com o coração partido, também me presenteou com uma infecção urinária.
Quando eu estava com ele achava que tudo isso era porque o meu corpo não queria de fato voltar a atender, uma vez que eu estava (achava) vivendo um conto de fadas, com um único homem. Mas hoje vejo que na verdade era a energia negativa dele, contra o meu trabalho, que ele emanava e me contaminava.
COMPORTAMENTOS ESTRANHOS que notei em mim:
Medo/receio de compartilhar coisas da Sara. Como se esse lado da minha vida fosse errado.
Não poder vivenciar as conquistas do meu trabalho, como quando fui pela segunda vez no Maurício Meireles ou quando fui contatada pelo marketing da Fatal Model, já que a minha exposição era algo que o incomodava demais.
Me vi falando mal dos meus clientes e do meu trabalho, para que ele se sentisse melhor em relação a minha atividade, pois se incomodou muito quando leu/assistiu eu dizer que gostava do que faço.
Tive que passar por cima de questões minhas, para evitar me indispor com ele.
Por fim, algo que foge da esfera do meu trabalho: quando estávamos juntos na minha casa, não me deixava dar atenção para os meus gatos, eles não podiam mais subir na cama ou sofá, devido uma possível alergia dele. Numa dessas vezes até questionei: “Meus gatos não podem subir na cama, não podem subir no sofá, como vai ser quando morarmos juntos? Eles não vão poder chegar mais perto de mim?”
Ele tentou, por diversas vezes, tirar meu brilho advindo do meu trabalho, dizendo coisas horríveis sobre a Sara ainda vir ser a destruição da minha real persona. Sendo que muitas das minhas conquistas, senão todas, são advindas da Sara!
Quando levei pra ele a minha estranheza, por tantas enfermidades depois que o conheci, se ofendia e rebatia: “Você atende vários homens e eu que tô te passando essas coisas?”, como se eu que fosse a suja da história.
Sendo que eu mal estava atendendo, foi a minha pior época para trabalhar. Inclusive, sinto muito por todos aqueles (devido as circunstâncias nem foram tantos assim) que saíram comigo nesse período de maio a outubro deste ano, pois, não dei o meu melhor. Eu trabalhava tensa, pensando em como ele estava se sentindo, sabendo que eu estava ali. Eu não conseguia mais gozar, nem sentir prazer com os meus clientes, me sentindo culpada em relação a ele. Fiquei mais de R$ 20k negativa no banco, ele ainda me manipulou com seu ciúme doentio para que eu rompesse com o meu melhor cliente, um que tínhamos um combinado mensal financeiro.
*
Enquanto estávamos juntos, fui convidada pela Record, para participar de um documentário sobre: ‘Mulheres do Job que estão nas redes’. – Cujo convite também virou motivo de briga entre a gente. – A produção da emissora me acompanhou por dois dias, estiveram no meu apartamento, gravando a minha rotina, treinando na academia, escrevendo no blog, gravando vídeos para o TikTok, indo atender cliente, e adivinhem só? A energia dele era tão negativa, que esse documentário foi engavetado. Na época até desconfiei se não tinha sido dedo dele, sei lá, alguém que ele conhecia, que lhe devia um favor? Achei muito estranho todo o investimento da emissora em deslocar toda aquela equipe e equipamentos para produzir um documentário e depois descartarem o que foi investido na produção do mesmo.
Também recebi mensagem de uns dos produtores do Podpah, – outra briga advinda disso, afinal, ele não conseguia festejar nenhuma conquista minha – estranhamente a proposta também não foi pra frente. Impressionante como a nuvem sombria de algumas pessoas podem minar todos os nossos projetos.
A única proposta que ele não conseguiu estragar, até porque já estava em desenvolvimento antes de eu conhecê-lo, foi o meu contrato com uma editora para o meu livro que será lançado ano que vem. ❤️ (Eis o que fui fazer no chalé sozinha hehe). “Vamos comemorar!”, ele disse, mas essa comemoração não aconteceu. Ele nunca ficava genuinamente feliz pelas minhas vitórias.
Eu era apenas um mero objeto sexual. Me via como uma mulher sem o menor valor, mas que lhe fornecia acesso (como quando voltamos de uma briga e ele quis se aproveitar das minhas influências para que eu conseguisse um convite do CRS pra gente – que eu consegui) e benefícios sexuais para as putarias dele.
Ele fudeu com a minha vida.
Comprometeu a minha saúde física, mental e financeira. Que merda de relacionamento foi esse?
Quando rompemos definitivamente, fiquei preocupada se eu conseguiria voltar a atender com a mesma empolgação de antes, uma vez que estava de coração partido, mas, felizmente sim, a chavinha virou de volta instantaneamente. Como eu estava leve, sem me preocupar em dar satisfação pra ninguém, e sem me sentir culpada pelo que eu fazia, pude voltar a sentir o prazer que sempre tive com o meu trabalho.
Claro que ainda sofri muito depois que terminamos, as lembranças boas martelavam na minha cabeça, eu queria que tudo tivesse sido diferente e que ele não fosse daquele jeito. Mas precisei ser ainda mais resiliente e não fraquejar, pois eu tinha um amor muito maior que precisava honrar: o meu próprio.
*
Ele cumpriu o seu papel de me direcionar para a Psicologia (ainda que seus interesses não fossem genuínos, está sendo muito agregador para a minha jornada). Como também me gerou bastante conteúdo para o blog, TikTok e até mesmo alguns vídeos sensuais no meu OnlyFans. Também pude viver alguns (poucos) momentos bons ao seu lado, ainda que tenha sido uma grande ilusão. E em troca disso… enfim, vocês já sabem, nada é de graça, tudo paga-se um preço.
Apesar de tudo, não consigo odiá-lo, porque a gente dá o que a gente é, e eu sou só amor. Imagino como deve ser sofrido para uma pessoa narcisista sentir esse constante vazio, tendo essa incapacidade de se envolver genuinamente por alguém. Eles nunca terão o prazer de viver um amor verdadeiro, e isso, com certeza, é muito pior de que todo o mal que ele me fez.
*
Agradeço demais a Deus, as orações da minha mãe, a paciência dos meus amigos, e ao universo por me mostrar a verdade, e assim eu conseguir ancorar forças para sair desse relacionamento tóxico. Se por um lado foi absurdo eu ter me sujeitado a tanto, por outro, preciso reconhecer que consegui sair em pouco tempo. Quantas pessoas não levam anos para se libertar e saem com sequelas irreversíveis? O tempo que me deixei enganar não quer dizer que eu não seja uma mulher forte, mas sim o quanto um narcisista é nocivamente poderoso.
Espero poder alcançar muitas pessoas com essas postagens para que aprendam a identificar, com mais facilidade, sinais de um relacionamento narcisista, ancorando forças para buscar o devido apoio e se libertar, já que o narcisista não vai embora definitivamente por si mesmo até te destruir por completo. Eles são como um parasita que se alimenta do seu hospedeiro até não ter mais nada do que extrair dali.
Felizmente consegui me libertar. E trazer tudo isso nessas páginas ajudou muito no meu processo de cura, principalmente pelos comentários aqui postados por vocês, que estavam de fora e não foram afetados pelo envolvimento sentimental que me cegou por algum tempo.
Obrigada por me acompanharem e por serem tão queridos.
Nesses 5 meses em que ficamos juntos, nos aventuramos na Hot Bar mais vezes do que relatei. E a nossa última aventura foi… olha… nem sei como adjetivar essa experiência. Deixo esse desafio pra vocês nos comentários!
*
Cada vez mais o Intenso me revelava camadas sobre a sua possível bissexualidade. Isso me preocupou um pouco no começo, por receio dele acabar se descobrindo gay e me trocar por um homem, mas procurei adotar um pensamento mais altruísta de que se isso acontecesse, eu deveria ficar feliz por ele, por finalmente se conectar com a sua real essência e deixar de viver uma mentira. Afinal, amor é isso, você quer que a pessoa seja feliz, mesmo que não com você.
Então eu dava corda pras fantasias dele, e já rolava algumas trocas de putaria nesse sentido, sobre chuparmos um pau juntos, por exemplo. Então fomos na Hot Bar transformar a fantasia em realidade.
MÉNAGE MASCULINO
Troquei olhares com um japonês interessante na pista de dança, ele estava single na balada. Foi o nosso segundo ménage com outro cara, com a diferença de que dessa vez eu interagi mais com os dois juntos, diferente dele ficar só assistindo e se masturbando. Não fiz dp, nem nada do tipo, apenas encostei os dois paus um no outro, enquanto chupava os dois ao mesmo tempo, um roteiro já pré-definido entre a gente. Em algum outro momento o Intenso também masturbou o japa, mas não passou disso. Depois que transei com esse rapaz e ele chegou lá, a brincadeira acabou e saímos em busca de uma nova aventura.
*
Nessa noite, podemos dizer que consegui ter a minha vingancinha por tudo o que passei e pelo que ainda iria passar, quando me deparei com a seguinte situação:
– Vi que você vai pra Hot Bar hoje, também estarei lá, estou te avisando para não causar nenhum constrangimento.
– Olha só. Quem sabe fazemos uma troca de casal?
– Acho que não vai rolar, a mina que eu vou é ciumenta.
– Ahhh, que pena.
Um ex ficante e o meu atual sob o mesmo teto. Que emoção!
O BOY ECONOMISTA
Fazendo um breve resumo sobre esse personagem, ele quase virou capítulo aqui no blog, foi o último que saí antes de me envolver com o Intenso. Inclusive, ele brincava que todas que ele ficava, namoravam o próximo rs, e realmente aconteceu kkkk.
Como nos conhecemos?
De uma maneira que eu jamais imaginaria. Ele já era seguidor da Sara no Instagram e me abordou pela rede social com um papo sobre investimento. Uma abordagem confusa, respeitosa e educada:
– Sim, essa é uma mensagem totalmente aleatória sobre o que eu estava pensando. E eu pensei: Será que ela já tem alguém que a ajuda na parte da organização financeira dela? Então, lá vai: Você já fez um Planejamento Financeiro? Precisa de ajuda com isso?
Como a primeira frase começou desse jeito engraçado, não falando nada com nada, conseguiu chamar minha atenção e fui dar uma olhada no perfil dele. Continham alguns vídeos profissionais dele falando sobre economia, o que me passou uma certa credibilidade e fui cativada pelo seu jeito de se comunicar, além de tê-lo achado bonito. Correspondi o flerte, ainda que ele não admitisse que estava flertando com aquele papinho de investimento, rs.
– Gostei da ousadia.
– Eh sério, rs. Eu admiro seu trabalho e como vc trata ele. E acho que você precisa de ajuda com finanças, porque a maioria das pessoas precisam. Então, se quiser tomar um café pra falar disso, podemos tomar. A gente mora perto, rs.
– De repente podemos. Como sabe que moramos perto?
– Vc mora perto da Paulista. Eu moro na Vergueiro. Pelo menos parece pelos lugares que frequenta.
– Que observador.
– Ah sim, isso sim. Mas não sou stalker, pode ficar tranquila, rs. Eu tô indo pra uma convenção da empresa e depois viajo pra Patagônia, senão já te chamaria pro café. Posso te chamar na volta?
E aí trocamos muitas mensagens até de fato nos conhecermos pessoalmente.
Bom… não vou me delongar no nosso lance agora (vai que ele vira um capítulo mesmo depois), mas no total saímos três vezes. Desencanei quando percebi que ele era bicho solto. Eu tava querendo um romancinho e ele não estava na mesma vibe. Segue na pegação até hoje com várias.
Enfim, me avisou que estaria na Hot Bar e fiquei na dúvida se comentava com o Intenso ou não, já que era muito ciumento. De repente, vi o Economista na pista de dança e pareceu cena de filme, rs. Não estávamos muito perto, mas nos vimos praticamente ao mesmo tempo, ele levantou sua garrafa de cerveja no ar, em saudação, e eu levantei a minha taça de gim. Nossos pares não perceberam essa singela interação. Depois, conduzi o Intenso para que fôssemos mais perto deles, e aí o cumprimentei. Antes que eu pudesse fazer as devidas apresentações, o Intenso já estava o cumprimentando também, e ali decidi não revelar nada, e deixar o Intenso tentar desenrolar as coisas por si mesmo. O boy Economista entendeu a minha jogada e também agiu como se não me conhecesse.
O Intenso tentou um troca de casal, mas como eu já sabia, a garota era ciumenta e não rolou. O que foi um tanto frustrante, seria legal ter os dois caras que eu curto na mesma cabine, nus, além do Intenso também ter achado o Boy Economista interessante.
Daí sugeri para o Intenso tentarmos algo com eles organicamente, quando estivessem lá no inferninho, às vezes, na hora do tesão, quem sabe ela se permitisse? E em outro momento os vimos lá, na maior pegação, numa parte que permitia esse contato com outras pessoas, e não estavam dentro de uma cabine, o que facilitaria esse contato. Quando o meu olhar e o do Economista, que estava comendo ela de costas, cruzaram, antes que eu pudesse tentar qualquer coisa, no mesmo segundo um outro casal nos abordou, interessados em nós.
A NOVINHA E O ITALIANO
Quem nos abordou foi a menina, dizendo que nós tínhamos sido o casal que chamou muita atenção do seu par, que era um homem, mais velho, italiano. Demos corda e foi divertido as interações do Intenso se comunicando com ele, também em italiano (tentando rs). Fomos os quatro para uma cabine. O italiano pirou em mim, com poucas preliminares, já queria transar, ao que o Intenso tentou dar um freio, quando viu o cara já pegando o preservativo: “Calma aí”, ele disse.
Essa foi a segunda vez que vi o Intenso interagindo com outra mulher. – A primeira experiência tinha sido numa outra noite que fomos na Hot Bar, com uma menina linda de 23 anos, que me atacou cheia de tesão, rapidamente me deixando no clima também. Inicialmente ela interagiu somente comigo e eu que puxei ele pra brincadeira depois, por eu mesma ter ficado com muito tesão nela e querer compartilhar aquela delícia. Mas ele só a chupou e beijou, transar com outra na minha frente ainda não tinha acontecido. – E desta vez, surpreendentemente, ele não queria transar com a menina (por isso tentou frear quando viu que o Italiano já ia avançar comigo).
– Melhor não, ela tem ciúmes. – Me usando como desculpa.
– Pode transar, lindo, tá tudo bem. – Incentivei.
(Os sinais estavam lá e eu não percebi, rs.)
Ambos transamos, mas ninguém gozou.
No término, o Italiano e o Intenso trocaram número de telefone e cada casal pegou seu caminho.
O MAROMBADO MUSCULOSO
Nossa terceira interação ocorreu naquele mesmo inferninho, em outro momento, em que uma mulher começou a interagir comigo, ao mesmo tempo em que interagia com o seu parceiro. Daí ela incentivou uma interação minha com ele também, olhei para o Intenso que deu sinal verde para seguirmos. Achei o cara gostoso e interagi com vontade. Dali a pouco sua parceira incentivou que transássemos e após encapar o menino, me pegou deliciosamente no frango assado. Eu continuei sentada onde estava, com as pernas abertas, e o Intenso fugiu de interagir com a mulher do cara, preferindo ficar sentado do meu outro lado, se masturbando, enquanto assistia (provavelmente se imaginando no meu lugar). Foi uma delícia aquela transa, não sou fascinada em homens musculosos, mas aquele tinha uma forte presença. Gozou gostoso comigo.
*
Após todas essas interações, o Intenso quis tentar uma estratégia diferente, nos conduzindo para uma cabine, onde entramos e ele trancou a porta, deixando a cortina aberta, para que quem tivesse passando nos assistisse. Como já tínhamos tido três significativas interações, ao nos fechar ali, pensei que seria um momento só nosso, mas ele só estava me usando como isca para atrair outros homens. E funcionou. Colou um na porta (que deveria estar com sua parceira do lado, pois naquele ambiente só entravam casais e não singles) e esse cara colocou o pau pra fora, naquele buraco da porta. Comecei a masturbá-lo e chamei o Intenso para interagir junto. Era a sua chance de explorar, sem culpa, a sua bissexualidade. Daí ele fechou a cortina da porta, para que o rapaz não visse quem estava na ação e abocanhou o pau dele. Revezamos. Ora eu chupava, ora ele. Determinado momento o deixei chupando mais, até que… o cara gozou na boca dele! O Intenso quase se engasgou – veio de surpresa – e parou de chupar. O rapaz guardou o pau e fez um sinal de joinha, agradecendo.
Eu me diverti com a situação, celebrei que ele tinha conseguido fazer um homem gozar (achando que era a sua primeira vez naquilo) e aí o Intenso se voltou para o casal da cabine ao lado, pelo buraco da parede, que permitia essa interação, se estivesse aberto.
O cara que estava comendo uma mulher, em algum momento deu descanso para ela e colocou o pau no buraco da parede, tal como o outro tinha feito no buraco da porta. Deixei que o Intenso interagisse sozinho com esse e me voltei para ele, o chupando. Ou seja, enquanto eu chupava o meu homem, ele chupava outro cara. Ficamos nessa por algum tempo, até que fiquei com vontade de transar e pedi que me comesse. Ele atendeu prontamente, mas, após pouco tempo transando, quis interromper para interagir com outras pessoas que tinham parado para nos assistir pelo vidro da porta.
– Olha, chegou um casal aqui.
– Me come.
Ele continuou, mas dali a pouco tentou novamente:
– É um casal bonito, vem ver.
– ME COME!
Me irritou profundamente ele querer interromper a nossa transa pra chupar outro pau. Já não bastava não?!
Daí, adivinha o que aconteceu?
Ele broxou.
Em cinco meses, ele nunca tinha broxado comigo.
Quando comecei a sentir o seu volume perdendo força, interrompi a transa e falei que queria voltar pra pista de dança. Ele se vestiu, mas ao contrário do que solicitei, nos conduziu para a saída. Não contestei, não tinha mais clima pra continuar ali mesmo.
No Uber viemos em completo silêncio.
Assim que adentramos no meu apartamento, instiguei uma conversa:
– Vamos conversar sobre o ocorrido?
– Vamos. – Num tom tranquilo, demonstrando uma falsa boa vontade.
– O que aconteceu ali?
– Eu só não queria mais transar.
– Você não quis mais transar para chupar outro pau.
– Não.
– Foi exatamente isso que aconteceu. Você só broxou depois que apareceu aquele outro casal, porque você preferia chupar um pau do que continuar comendo a sua namorada!
– Não foi isso.
– CLARO QUE FOI!
Daí, como de costume, sempre que lhe é exigido alguma resposta, ele fica ofendido e faz movimentos de ir embora. Desta vez não o impedi, eu também estava irritada e se ele queria ir embora, que fosse com Deus!
Saiu sem dizer uma palavra. Quando percebi que ele tinha deixado peças de roupa para trás, fui até o corredor para avisar, mas quando abri a porta ele já tinha sumido. Sequer ouvi o barulho do elevador. Voltei para dentro do apartamento, tirei minha make, tomei meu banho tranquilamente, coloquei meu pijaminha, fiz meu skincare e fui dormir com a cama toda só para mim.
Quando acordei, por volta das 9:30 liguei para ele. Duas chamadas não atendidas. Daí mandei a seguinte mensagem:
– Você esqueceu roupas suas aqui em casa. Depois só me avisa se chegou em segurança.
Quarenta minutos depois e as minhas mensagens continuavam não entregues.
– Estou preocupada com você. Seu celular está desligado. Me avisa se chegou bem, assim que acordar. E vamos fazer uma chamada pra conversar sobre ontem. Muito impulsivo e imprudente da sua parte ir embora daquele jeito.
Fui passar o domingo com a minha mãe.
Já era duas da tarde e ele continuava sumido, celular permanecia desligado.
– Estou preocupada com você. Que crueldade sua sumir desse jeito, eu fico aqui achando que você sofreu algum acidente na volta. Só não baixo na sua casa pq o risco de dar com a cara na porta é grande, já que vc está incomunicável por aqui e não sei nem se vc tá na sua casa. (Meu amigo Denis acha que ele foi pra sauna gay.)
Ele foi aparecer duas horas depois, por volta das quatro da tarde, respondendo a minha mensagem inicial, sobre ele ter esquecido roupas no meu apartamento:
– Quando vc vier buscar as suas vc traz.
– Achei que tinha acontecido alguma coisa.
– Não tem que se preocupar comigo mais.
– Quer que eu busque quando?
– Quando vc quiser.
– Pode ser hoje?
– Pode.
E a preguiça de sair de Guarulhos até Campinas?
– Só me avise pra eu não estar em casa. – Ele acrescentou.
– Você não vai querer conversar sobre o que aconteceu? Já quer terminar desse jeito?
– Vc mesma já terminou ontem.
– Eu não terminei. Você que foi embora.
– Não lembra de como ficou me pressionando pra dizer algo que vc queria ouvir, enquanto o que eu queria falar era outra coisa? Ontem eu tive muitos insights sobre mim mesmo.
– Eu estava te pressionando a me dizer a verdade. E você preferiu ir embora e me deixar com as minhas paranoias. Como se o seu silêncio fosse a confirmação do que eu estava achando. Você não se preocupou em me fazer mudar de ideia.
– Vc é irredutível em mudar de ideia. Ontem vc me levou para o parquinho pra brincar, me soltou e disse: pode brincar com o que quiser… e aí eu descobri um brinquedo novo… e gostei… e no começo vc me apoiou. Mas depois vc me chamou de volta e me repreendeu. Eu estava ali num momento de descoberta, concentrado, encantado com novas sensações e me sentindo seguro por estar a seu lado, até que o jogo mudou e você começa a me pressionar. Não sei se ficou com ciúmes pq percebeu que eu tinha curtido chupar pau também… não sei o que aconteceu. Já eu, em momento algum te repreendi nas suas brincadeiras. Deu pra 3, beijou mulheres e nem por isso fiquei te cobrando dar só pra mim. Era um ambiente de diversão mútua. Em casa seríamos só nós dois, de Lovezinho. Agora estou aqui com essa sensação de descoberta e ao mesmo tempo perdido e sem apoio.
– Sabe o que eu percebo de você? Que quando vc é confrontado com algo que foge do seu controle, você foge. Eu fui dormir me sentindo preterida. Por você preferir interagir com outras pessoas do que transar comigo. Como se o que a gente tem, não tivesse mais graça pra você. Foi esses insights que vc teve? Que o que nós temos perdeu a graça pra você?
– Não, foram insights muito maiores. Eu olhava a hot como um parque de diversão para os dois. O que temos um com outro não cabe dentro da hot. É muito maior.
– Eu apoiei a suas brincadeiras com o maior gosto, te chupei por um tempão enquanto você chupava o outro cara, só que em algum momento eu queria você só pra mim. Igual quando você fica com ciuminho depois. E quando você quis interromper um momento nosso por uma pessoa estranha, aquilo pegou muito mal pra mim. Talvez eu devia ter falado com mais cuidado, tipo “lindo, quero fazer amor com você agora, quero ficar com vc um pouco agora” do que dizer “me come” daquele jeito impositora.
– Sim. Com certeza seria diferente. Eu entenderia e pararia a brincadeira. Nem eu e nenhum homem funciona sob pressão. Eu muito menos. Travo. É psicológico.
– Reconheço que não tive muito tato na hora, mas pq eu tava com ciuminho da atenção dispensada para outro. Queria uma confirmação de que você ainda preferia a mim, e quando você quis interromper pra de novo interagir com outro cara, me senti uma pessoa zero importante pra você.
– Dispensada para outro pq era meu momento de brincar. Não fiquei com ciumimho quando vc estava dando pra três ou beijando outras. Vc ficou com ciumimho pq descobriu que eu curti uma coisa nova. Vc sempre vai ser mais importante que eu, acontece que aquele tipo de brincadeira só teria ali. Fora dali seria só nós. Ontem eu descobri um lado muito importante a meu respeito: sim, curti chupar pau e achei muito excitante, e isso pode ser um problema pra vc e pra qualquer outra mulher… Vim a viagem toda pensando nisso e me recriminando sem querer aceitar isso… Mas veio a solução: não posso mais negar que gostei disso e não vou me limitar… se um dia eu quiser fazer isso dinovo, é fácil: faço igual os outros caras que fazem… contrato uma amiga sua GP e vou lá só pra isso. Só pra chupar pau.
AFFFFF
– Mas você também aproveitou quando eu dei pra esses três caras. Você fala como se tivesse sido algo só pra mim e foi pros dois. Eu embarco na brincadeira com vc, tanto que revezamos aquele que gozou na sua boca. Mas repara que em todas as nossas brincadeiras, acontecia e depois a gente brincava entre a gente. E dessa vez você queria emendar 3 interações suas com outras pessoas, sendo que eu tbm queria um pouco de você pra mim. Então entenda que o que me irritou não foi você ter essas interações, mas o fato de esquecer de mim nesses momentos.
– Desculpe mas vc não soube expor da maneira correta.
– A gente brinca direto sobre você chupar outro pau, já falamos sobre isso nas fantasias das nossas transas, se fosse algo que me incomodasse, eu não teria brincado com vc ontem quando chupou aqueles dois. Tanto que eu estava te chupando enquanto você chupava o segundo. Porém, eu fiquei com tanto tesão naquilo que queria ter prazer também e foi quando te chamei pra transar comigo, pq o meu maior prazer é interagindo com você, e ali o seu maior prazer não foi mais interagindo comigo.
– Era só ter deixado claro: amor tô com tesão nisso. Brinca comigo agora. Mas não pressionar: me come agora… me come. Eu broxei na hora e fiquei me sentindo péssimo pq 3 caras te comeram e eu não consegui. Minha masculinidade e insegurança foram lá embaixo. Eu não conseguia olhar na sua cara.
– Você teve algum insight sobre preferir ficar só com homens a partir de agora? Gostar mais de homens do que de mim ou de outra mulher? Pode ser sincero. Não quero ser uma pedra no seu sapato, entre as suas novas descobertas.
– Não. Não sou gay. Sou viciado em mulheres. Mas sim, achei tesão chupar homens. Gostei dessa troca de energia a 3 mais próxima tipo o que aconteceu com o japa. Isso pra mim é um bom sexo, um bom ménage. 3 pessoas se pegando sem frescura e trocando energia. Sem tabu. Mas não. Isso não diminui meu desejo por mulher, não desejo gays, mas achei tesão pegar num pau e chupar. Assim como vc achou tesão chupar a buceta daquela mulher aquele dia.
– Sim, eu reconheço que poderia ter falado de outra forma. Mas você mais do que ninguém sabe que quando estamos com ciúmes não conseguimos agir com a razão.
– Por isso imediatamente eu parei tudo e conduzi pra irmos embora. Eu te conheço. Leio em seu olhar.
– Entendi. E por mim tudo bem quanto a isso. Ontem foi uma infelicidade pelo tom que falei e como você recebeu. E como pegou pra mim também. – Comecei a achar que a errada da história era eu.
– Eu me senti o pior homem do mundo. Enquanto centenas querem te comer, eu broxei quando vc me pressionou a te comer. Não conseguiria ficar na sua casa te olhando. Me senti péssimo. Lixo. Incapaz. Broxa. Julgado por ter me entregue a uma brincadeira que vc mesma me deu a liberdade e depois podou. Foi uma sensação horrível. Vim chorando a viagem toda. Me culpando por ter gostado de ter chupado um pau, me culpando por ter explorado mais minha sexualidade do seu lado. Hora, pagasse então alguém que seria neutro. Que não me julgasse. E não haveria esse tipo de sensação horrível. Hj eu acordei sabendo um pouco mais sobre mim, mas ao mesmo tempo sabendo que até mesmo as pessoas de mente mais abertas não aceitariam isso. Que é algo indigestivo principalmente quando tem amor envolvido. Entendo melhor os lances comerciais. A próxima vez que eu for na hot, será através de um lance comercial, e com tudo muito bem alinhado. Será prático e confortável.
– Você quer terminar comigo então? Pq eu jamais aceitaria você ir na hot sem mim, estando junto comigo.
– Não estou falando de ir lá sem vc. Estou falando de uma situação em que eu estaria solteiro.
– Eu não te julgo. Se eu te julgasse a gente nem faria essas brincadeiras. Te chamei pra chupar comigo e até te deixei se divertindo sozinho depois. A única coisa que pegou pra mim foi você querer interromper uma transa nossa pra interagir com uma pessoa estranha. Se você tivesse transado mais comigo ali, em algum momento nos daríamos por satisfeitos e continuaríamos a buscar mais interações com outras pessoas. Eu não fiquei puta por você ter chupado outros caras, já sabemos que vc curte isso não é de hoje e tá tudo bem. Eu desde o começo acolhi a sua bissexualidade, reconheça isso.
– Lembre bem como vc ficou me confrontando ontem. Não condiz com o que vc diz agora. Foi bem cruel.
– Eu só fiquei mal pq vc quis me deixar de lado pra fazer essas interações.
– Não, eu entendi que ali, naquele momento, vc estava me deixando livre pra brincar. Sob sua supervisão. Deixar eu no parquinho me divertir. Vc já tinha se divertido e eu tbm… e naquele momento eu estava em uma situação que era rara acontecer: um cara se deixar ser chupado. Então estava ali aproveitando aquela oportunidade. Nunca imaginei que seria uma questão pra vc.
– Mas como eu disse, eu poderia ter falado com mais jeito, que naquele momento eu queria ter um pouco só de você pra mim. Reconheço que me posicionei de uma forma ruim e deu no que deu.
– Pois é. Eu pararia tudo pra te dar atenção. E namorar só com vc. Não obstante, ficou me chamando de broxa. Não sabe como é humilhante isso.
– Eu não te chamei de broxa.
Oxe, colocando paravas na minha boca!
– Mas você ter broxado bateu pra mim que me comer não era mais interessante pra você. Que interagir com estranhos era muito mais prazeroso do que transar comigo. Você não precisava ter ido embora daquele jeito.
– Eu estava sendo atacado a todo momento. Não merecia aquilo. Achei injusto.
– Eu estava te dizendo que vc preferia interagir com outros do que transar comigo e você em nenhum momento disse algo para tirar esse pensamento destrutivo de mim. Se você ficou mal por se sentir um broxa, eu tbm fiquei mal por me sentir sem graça pra você.
– Eu falei que não, que não era isso e vc não acreditava. Vc não acredita no que eu falo quando vc coloca algo na sua cabeça, ninguém tira. Vc insistia, insistia e insistia.
– Você poderia ter insistido. Poderia ter tentado dizer de outra forma, quando vc coloca algo na sua cabeça eu tento te fazer mudar de ideia de mil maneiras. Você só tenta uma vez e se não der certo você vai embora e foda-se como eu estou me sentindo.
– Eu não gosto de ser confrontado quando a pessoa não está correta, quando minha forma de pensar não é igual. Não sou vc. Não sei agir como vc. Somos diferentes.
– Realmente, agimos e temos percepções diferentes da mesma situação. Mas se relacionar é um tentar se adaptar ao jeito do outro. E não ter a síndrome de Gabriela. Hoje de manhã eu busquei refletir sobre o ocorrido, tentando ver pelo seu olhar e cheguei na conclusão de que não me expressei muito bem, que talvez se eu tivesse falado com mais jeitinho, o resultado teria sido diferente. Mesmo sabendo como eu me senti indesejada, mesmo sabendo que o ocorrido tbm me afetou negativamente. Já você não costuma fazer esse exercício de se colocar um pouco no meu lugar também. E veja que se colocar no lugar do outro não é invalidar o que vc sentiu, mas tentar ver o que o outro sentiu tbm.
– Um dia, no seu curso da faculdade, vc vai entender que situações como a de ontem causam sequelas psicológicas muito grandes. Eu tô bem mal com minha masculinidade. Marquei médico pra amanhã. Vc nunca foi indesejada. Eu apenas estava diante de uma situação rara: um cara deixar eu chupar ele. E vc estava me apoiando. E isso era a coisa mais incrível do mundo pra mim, então eu só estava aproveitando a oportunidade. Sempre que dava em outras situações ali eu interagia com vc… te chupava, te comia, te deixava a vontade.
– Mas a questão é que vc já tinha finalizado a sua interação com o cara. Você estava querendo interromper uma interação nossa pra ter uma outra interação que poderia esperar após termos o nosso momento. Você entende como isso pegou mal pra mim? Eu pensei: “poxa ele já chupou um cara até gozar, já chupou o cara da cabine do lado até a interação estagnar naquilo, queria um pouco dele pra mim e ele preferiu interromper a nossa transa pq eu não estava mais sendo interessante pra ele.” Eu também poderia ficar com sequelas psicológicas, pensando “ele prefere chupar outro cara do que continuar transando comigo.”
– É uma brincadeira arriscada. Sempre me envolvo em brincadeiras arriscadas por vc.
Por mim? Ou por ele mesmo?!
– Eu reconheci que falei de uma forma rude pra você continuar me comendo, mas antes mesmo de eu ter dito isso, isso não apaga o fato de que você quis interromper uma transa nossa pra chupar outro cara. Sendo que vc já tinha chupado dois na sequência.
– Já expliquei sobre isso.
Daí eu voltei na parte da conversa que ele dizia ter marcado o médico.
– Que médico? – Perguntei.
– Não interessa pra vc, são coisas minhas. Inseguranças minhas.
– Não estamos mais juntos então?
– Depois de ontem acho que não neh. Eu não sou homem pra vc. Não me sinto mais homem suficiente pra vc. Depois me avise quando estiver na sua casa, vou mandar suas roupas por Uber. Você não precisa vir aqui.
– Eu vejo a gente como um casal. E um casal vive suas crises, tem seus desentendimentos, mas depois se entende. Te deixei ir embora ontem, pq tbm estava irritada e também me senti fragilizada, por o meu namorado preferir ter outras interações masculinas do que sentir prazer me comendo. No entanto, hoje acordei de cabeça mais fria, refleti sobre o ocorrido, compreendi a minha parcela de culpa e te mandei msg pra saber se você tinha chegado bem e falei sobre fazermos uma chamada pra conversar sobre o ocorrido. Se eu achasse que vc não é homem suficiente pra mim, eu não teria esse tipo de preocupação de conversar com você. Agora se você chegou na conclusão de que não tem mais tesão em mim pq curtiu demais as interações masculinas de ontem, que você quer experimentar um novo modelo de relacionamento, então fale por você e não jogando nas minhas costas algo que em nenhum momento foi dito por mim.
– Vc já parou pra pensar o tamanho da responsabilidade sexual que é pra um homem ter vc? Vc é uma mulher muito desejada, linda, todos os homens te querem. É uma baita responsabilidade te satisfazer. E sinto que não consigo dar conta disso. Ontem isso ficou bem claro, vc me pedindo pra te comer, mandando e eu pressionado, não conseguia. Eu nunca disse que perdi o tesão em você.
– Assim como eu tbm nunca disse que queria terminar ou que você não é homem pra mim.
– Mais uma vez vc distorcendo tudo, enquanto eu tô te fazendo um baita elogio.
– De que valem esses elogios se você está desistindo? O elogio se torna um fardo.
– Não tô desistindo. Fardo é não ser homem suficiente pra vc.
– Você me dizendo essas coisas parece a minha amiga terminando com o namorado dela dizendo que ele é um cara incrível, mas que o problema era ela e não ele, quando na vdd ela já tava cagando pro cara e só não queria admitir que já tava a fim de outra pessoa. Então por favor, seja sincero comigo.
– Serei.
– Você disse que teve insights enormes sobre você, que está repensando a sua masculinidade e até marcou médico (que vc não quer abrir pra mim qual especialidade) pra falar sobre isso. Então se vc não quer mais ficar comigo pq descobriu que ter outro modelo de relacionamento fará mais sentido pra você, não vem com esse papo de que eu sou incrível e bla bla bla, e me fala a verdade nua e crua. Pq senão eu vou ficar igual uma idiota aqui tentando fazer você mudar de ideia, quando na verdade nem é isso que vc quer mais de mim.
– São vários pontos. Ontem eu descobri algo novo sobre mim. E vc quem me deu liberdade pra isso. Descobri que sinto sim tesão em chupar pau. Mas isso não invalida em momento algum o que sinto por mulheres. Sou viciado em mulheres. Sou viciado em vc. Adoro buceta muito mais que pau. É só um brinquedo novo. Não tenho tesão em gays. Não teria um relacionamento homoafetivo. Não sairia com um cara sozinho.
Gravem bem essas frases em negrito para a Parte 13.
– E só faria essas brincadeiras com uma pessoa de confiança (vc) ou com alguém que eu pagasse pra ir na HotBar comigo. – Ele continuou. – O outro ponto é que vc é muito desejada por todos e isso por si só me coloca uma pressão diária. Desde que eu comecei a sair com vc eu sempre penso que nunca sou bom o suficiente pra vc. Já levei isso várias vezes na terapia. Vivo querendo melhorar meu pau pra vc. Isso é insegurança minha. Por querer ser melhor pra vc, ser bom o suficiente, pra vc não me trocar por outro. Homens também são inseguros. Terceiro ponto: se tem algo que afeta o homem, é o psicológico. Ontem quando vc ordena que eu te coma e quando eu tento começar e vc muda a cara e continua ordenando, imediatamente eu broxo. Naquele momento vem em minha mente: “eu não posso falhar agora, 3 acabaram de comer ela gostoso, eu não posso falhar”. Pronto, é a receita perfeita pra eu falhar. Psicológico é tudo. E vc interpreta isso da maneira mais errada possível.
– Você quer terminar? É isso que você quer? Seja honesto comigo, por favor.
– Pq vc acha que eu quero terminar? Pq agora vc acha que eu gosto mais de pau do que vc? Vc cagou pra tudo que eu disse acima.
– Pq eu te mando msg em busca de nos entendermos e você vem com esse discurso de não ser homem pra mim.
– Te dei uma aula sobre como me sinto. Estou fragilizado. E sim, não me sinto o suficiente pra vc.
– Eu também me senti fragilizada ontem. E em nenhum momento eu cogitei rompermos o que temos. Eu pensei “ok, brigamos, ele foi embora, mas depois nos entendemos”. E você já acha que tudo é o fim da relação.
– Vc não entende a importância de tudo que estou te entregando aqui. Da sinceridade que estou te entregando.
– Eu tô sempre repetindo pra você o quanto eu sou doida por você. O quanto eu adoro dar pra você, o quanto eu amo o seu pau assim, que vc não precisa mexer em nada. O que mais eu posso fazer pra você ter confiança no que sinto por você? Ontem eu me senti zero desejada por ti e mesmo assim eu não pensei em abandonar a nossa relação.
– Eu não deixo de desejar vc um minuto sequer. Mas vc pensou isso. Eu falhei em algo. Talvez estivesse muito empolgado com meu brinquedo novo. Estava tão bom na primeira interação, vc brincando junto, sem ciúmes. Me senti tão livre e acolhido por vc.
– Entendi que a minha pressão bateu errado em você, assim como você querer interromper a nossa transa bateu errado pra mim. Foi uma situação infeliz, ok, acontece. Qual o nosso papel como casal a partir disso? Conversarmos, entender o que cada um sentiu, fazermos ajustes e seguir com a relação. Quando qualquer coisa te faz querer desistir da gente, novamente me vejo naquele cenário de incerteza, em que qualquer briga você vai terminar comigo.
– Não quero desistir da gente. Só me senti um horror e não queria ficar por perto. Me senti pressionado, acuado, acusado. Me senti muito mal tbm. Broxa, insuficiente. Eu só conseguia lembrar das dezenas de cara que desejariam te comer e eu não consegui pq meu psicológico foi afetado. Sexualmente falando, nunca me senti tão mal na minha vida. Não quero passar por uma situação onde eu mesmo me coloco em humilhação, jamais na vida.
– Então não fica trazendo pra conversa esses discursos derrotistas que vc não é homem o suficiente pra mim, pq se eu não acho isso, você tbm não tem que achar. Em nenhum momento te acusei por não ter me comido, pelo contrário, eu que fiquei me sentindo não gostosa o suficiente pra você.
– Mas ficou se sentindo assim justamente pq eu não consegui te comer, uma coisa puxa a outra.
– Eu fiquei sentindo isso pq você quis INTERROMPER a nossa transa pra interagir com outras pessoas. Ali eu pensei “eu não sou importante pra ele”, pq ele prefere dar prazer pra outras pessoas, vai sentir mais tesão com outras pessoas, do que comigo. Você ter broxado, eu entendi que foi pela forma rude que eu falei. Ninguém executa nenhuma tarefa bem na base da ignorância. Eu sei que falei grossa. Por isso repensei hoje de manhã que se eu tivesse falado com mais carinho, o resultado teria sido diferente.
– Eu jamais trocaria vc por outra pessoa ou casal.
– Mas você quis fazer isso ontem quando quis parar a nossa transa pra interagir com as pessoas na porta.
– Nós estávamos ali o tempo todo buscando um casal legal. Aí eu virei pra trás e vi um casal bonito, pensei: achamos… e fui lá chamar eles… mas aí vc entendeu tudo errado. Vc achou que eu estava trocando vc por eles e não era isso.
– Sim. Entende que ambos tiveram percepções ruins e diferentes da situação? O que estamos fazendo agora é conversar sobre o ocorrido pra ajustar e entender o que o outro sentiu. É isso que casais fazem. Esse seu lance de brigou vem buscar suas coisas, não demonstra muita importância da nossa relação pra você. Pq qualquer briga você já quer decretar o fim. Se terminar não é algo que vc quer de fato, então não conduza a conversa por esse caminho. Opte pelo mesmo caminho que eu tento conduzir: o da reconciliação. Senão eu vou achar que de fato você quer terminar.
– Então pare de me agredir. Ontem o que eu recebi foram só agressões. E eu tentando me defender.
– Hoje eu entendo que o que te confrontei, soou pra você como um ataque por você ter broxado, quando pra mim eu só estava querendo puxar de você uma declaração concreta de que vc ainda tinha tesão por mim. E repito, não achei que vc não tinha mais tesão em mim por ter broxado, eu, mais do que ngm, sei que os homens podem broxar, mesmo com muito tesão na pessoa, pq é algo psicológico e não necessariamente físico. O que me fez ter esse pensamento foi você interromper a nossa transa. Por você preferir interagir com outras pessoas. E hoje vejo que não foi com esse olhar que vc quis interromper.
– Nunca duvide disso. Eu declaro isso toda hora. A todo momento. Só te entrego elogios.
– Peço desculpas da forma como falei com você ontem. Não é pq vc é meu namorado que vc é obrigado a me comer, eu poderia ter falado de uma forma mais amorosa. E tbm não quis te atacar por ter broxado. Sei o quanto isso pega mal pros homens.
– Peço desculpas por qualquer coisa que possa ter te deixado mal. E por ter saído daquela forma da sua casa, mas eu estava me sentindo agredido.
Enfim, não vou mais me alongar nesse diálogo. Nos entendemos.
Isso foi num domingo.
NOVA BRIGA
Reiniciando a semana, ele retomou com aquele padrão de caçar briga quando estamos separados. Já na segunda mesmo, última semana de setembro:
– Quando vc chegar na sua casa, me avisa? Quero falar com vc. Só me dá uma previsão de horário que estará lá por favor. Pra eu me organizar. – Ele disse.
– Aconteceu alguma coisa?
– Sim.
– O que? – Eu, sem entender nada.
– Nos falamos quando você puder.
Eu estava numa lanchonete com a Manu, após atendermos um cliente juntas. Eu tinha compartilhado com ele um vídeo do lugar, que era todo cor de rosa, e aí ele veio com essas mensagens acima.
– Hoje vai ser complicado falar por ligação, pq daqui vou pra aula e da aula vou ter cliente.
– Vá trabalhar. Depois falamos.
– Se puder adiantar o assunto, eu ficaria mais tranquila.
– Vamos terminar.
– Oi?
– Só quero falar isso por vídeo se vc preferir.
– Falamos amanhã então, não tô a fim de estragar meu dia. Parece que vc sente prazer em não me ver bem.
Gente, qual a necessidade disso? Ele conseguiu estragar até o meu rolê com a minha amiga.
– Eu tô mandando suas roupas por Uber.
Reagi só com joinha.
Vendo que eu não me afetei, dois minutos depois tentou me desestruturar novamente:
– Vc sabe que o que vc fez hoje foi ridículo.
– Eu não sei do que vc tá falando.
– Sabe sim.
– Não, não sou adivinha.
– Olha sua atitude de hj. Sumiu. Não falou nada. Não quero mais isso pra minha vida.
*
Ele se queixava porque nossa última interação tinha sido quatro horas atrás e quando eu ressurgi, já foi mandando o vídeo do lugar onde eu estava. Que ele respondeu com um mero ponto de interrogação.
– Estou te mostrando o lugar que vim com a minha amiga. Todo cor de rosa.
– Foi com sua amiga? Eu pensando que estava trabalhando. Obrigado por avisar.
E aí na sequência ele veio com aquele diálogo do início, querendo terminar.
*
– Nos falamos aqui. – Daí trouxe o print da nossa última interação, quatro horas antes. – Que vc ainda demorou 1h pra me responder. Depois disso você TAMBÉM não falou mais nada. As interações precisam partir de ambos os lados, não só de um. Ainda vim aqui compartilhar onde estou e você, ao invés de ficar feliz por mim, que estou vivendo um pouco, vem me atacar com essa possessividade desnecessária. Você sabe que estou com a minha amiga papeando e sente prazer de interferir pra estragar o meu dia. Não pode simplesmente ficar feliz por eu estar fazendo algo diferente.
– 5 horas depois vc aparece. – Ainda aumentou uma hora. – E eu achando que vc estava trabalhando, angustiado. E vc nem teve a coragem de me falar que ia sair pra passear. Vejo que vc não está preparada pra ter um relacionamento, dar satisfação. Custava ter me avisado?
– Sim eu estava trabalhando. Te falei que tinha um atendimento com ela. E depois viemos comer algo e fofocar. Qual o problema nisso? Você me trata como se eu tivesse te traindo com alguém. Que ridículo. Ao menos eu apareci, né. Você acha que só vc é ocupado. Eu te mandei vídeo da onde eu estava. Eu tenho que te pedir autorização de todos os meus passos antes de fazê-los? Esse seu comportamento é doentio.
– Ok. Segue sua vida. Vou seguir a minha.
E daí já sumiu a foto dele.
– Tô vendo que já apagou meu contato e me removeu do Instagram. Então você nem vai esperar pela chamada, já terminou por mensagem mesmo?
– Te avisei. Você pediu pra eu adiantar o assunto. Hoje vc me excluiu completamente da sua vida. Fiquei bem mal, não quero mais passar por essa situação. Sabemos que já é muito difícil pra mim aceitar seu trabalho, que não consigo aceitar vc trabalhando, e quando ocorre esses sumiços seus, sem dar satisfação, me vem os gatilhos que desencadeiam sensações horríveis, que não desejo para ninguém. Por mais que eu goste de vc, quando vc some, sinto coisas horríveis. Vc prometeu pra mim que manteria contato mesmo quando fosse trabalhar e hj não cumpriu isso. Mais uma vez escondendo coisas, omitindo. Assim como vc não consegue confiar em mim, não consigo confiar em vc. Vive uma vida muito diferente da minha. Por mais que eu tenha tentado me adaptar, não consegui. E lutei muito por isso. Eu realmente espero que vc consiga sair dessa vida e achar alguém que vc ame de verdade e que faça valer a pena, ou então um cliente que aceite isso numa boa. Eu me machuco muito com tudo isso. Estou exausto. Não consigo mais. Hoje foi o fim da linha. Eu esperando contato seu, vc trabalhando, com sua amiga sem falar nada. Podia pelo menos ter comentado, mas preferiu omitir, como sempre. É mais fácil pra vc omitir do que falar, do que dar atenção. Vou seguir minha vida e desejo tudo de melhor pra vc. E eu realmente desejo que vc saia dessa vida o quanto antes. Sofri muito muito hj. Não aguento mais isso. Quero um amor que me traga paz e acho que sou merecedor disso. O seu trabalho e o que vc faz me machuca muito por gostar muito de vc. E isso só me machuca. Quero poder sentir paz no meu coração. Vai ser muito difícil agora no começo, mas vai passar, vou me recuperar. E tenho certeza que será menor do que essa angústia diária que eu vivo. Hj vc tem dois clientes, não me falou de nenhum deles. Não deu a mínima para a pessoa que fala que te ama. Isso não é se importar. Às vezes vc esquece disso. Da minha insegurança. De que o que vc faz não é algo trivial pra mim. Espero que Deus te ilumine muito. Não sou homem suficiente pra te bancar nem financeiramente, nem sexualmente. Se eu tivesse grana vc não estaria nenhum dia a mais nesse trabalho.
E lá vamos nós!
Eu, na minha aula de dublagem, que nem pode entrar com celular, fiquei disfarçadamente redigindo mensagem pra ele. Nem consegui prestar atenção na aula.
– Vamos olhar para o dia de hoje como um todo? Você acordou e sequer me deu bom dia. Puxei assunto com pela manhã, sobre a minha prova e você levou meia hora pra me responder, até perguntei se vc tinha ido trabalhar, pq sabendo que vc está sempre conectado, achei que estivesse dormindo, pra ter demorado tanto, e você disse que sim, que tinha acordado cedo, levou o carro pra revisão e foi trabalhar. Na hora eu pensei, “poxa, ele acordou cedo, não me mandou um bom dia, e quando eu puxo assunto, ainda levou meia hora pra me responder.” Te mandei várias coisas aleatórias durante o almoço, você levou mais de 1h pra me responder e ainda foi super sucinto nas respostas. Demonstrando zero empolgação pra interagir comigo. Fui fazer as minhas coisas e deixei vc fazendo as suas. Pensei: “quando ele quiser interagir comigo, vai me mandar msg.” Isso não aconteceu. Quando saí do encontro e fomos comer em algum lugar, quebrei o silêncio e fui compartilhar com você onde estava, super empolgada pela estética do lugar, que era todo rosa. Fui recebida com ataques, como se eu tivesse fazendo alguma coisa errada. Totalmente desproporcional com o momento. Eu já tinha comentado com você, no fim de semana, que teria esse atendimento com ela, quando estávamos falando sobre as mensagens do celular da Sara, mas como sempre, você nunca lembra das coisas e vem me acusar de estar te escondendo algo, sendo que o meu trabalho não é nenhuma novidade pra você. Você também disse, no fim de semana, que ia me deixar livre pra fazer o meu trabalho. Me deixar livre, entendo que não preciso ficar te reportando toda a minha agenda. Você diz as coisas e depois cai em contradição nas suas próprias sentenças. Você diz que eu não estou pronta pra ter um relacionamento, mas é você que tem uma ideia errada do que é se relacionar. Se relacionar é respeitar os afazeres do outro, sem qualquer retaliação por isso. Hoje, todas as vezes que interagimos, foi por iniciativa MINHA. Você quer que o meu dia seja em torno de você o tempo inteiro. Você não compartilha comigo NADA do seu dia. Você me exige algo, que você mesmo não faz.Também já estou cansada dos seus ataques e acusações. Estou cansada dessa infantilidade, qualquer chateação sua, você age de forma impulsiva, quer terminar, apaga meu contato, me exclui do Instagram, você não me dá segurança NENHUMA pra ir morar com você. Se eu tendo a minha independência você já me trata assim, imagina quando eu tiver morando debaixo do seu teto, dependente de você?
– Vc sabe muito bem o que causa todo esse meu comportamento. Com meus ex relacionamentos não existia isso. Vc sabe muito bem o motivo de estarmos terminando. Se vc morasse comigo, não estaria trabalhando. E esse tipo de situação não aconteceria.
– Essa discussão não vai levar em lugar nenhum. Ok. Segue seu caminho em busca de um relacionamento normal. Preciso de paz também.
– Só levaria a algum lugar se vc parasse de trabalhar com essa merda. Eu não aguento mais sofrer por isso.
– Estamos brigando não é pelo meu trabalho, é pela sua possessão e intolerância. Se eu trabalhasse com qualquer outra coisa, você ia se incomodar com as minhas ausências do mesmo jeito. O seu comportamento é só uma amostra do todo.
– Jamais. Pessoas trabalham. Eu não sou possessivo. Vc nunca vai olhar pra seu trabalho como deveria. Sempre vai romantizar como se fosse algo normal e que as pessoas devessem aceitar. Eu juro que queria muito ser rico pra falar que a partir de amanhã vc não trabalharia mais com isso. É muito difícil abrir mão de quem se ama por não suportar situações. Eu jamais pensei em passar por isso.
– Você é extremamente ciumento. Não posso ter um momento de descontração numa cafeteria com a minha amiga que vc já vem me atacar por eu ter ficado horas ausente. Você quer me controlar o tempo inteiro. Ao invés de valorizar eu ter te mandado msg, você me atacou pelo tempo que não mandei. Vc não sabe olhar pras coisas boas. Isso me faz disparar um alerta enorme de ir morar com você. O tanto que vc me controlaria.
– Não é o problema de vc estar descontraindo, é eu estar aflito enquanto isso acontecia e vc sequer me falou. Se tivesse falado eu estaria de boa… te incentivando. Nunca foi sobre controle, sempre foi sobre me sentir mal com seu trabalho. Vc estava com sua amiga justamente pra atender junto com ela. Trabalhar nesse trabalho que vc tanto vangloria.
– Não se preocupe. Não precisará mais passar por isso daqui pra frente. Vai lá comentar numa foto da Bruna, igual vc fez dia 17 de agosto e quem sabe retoma o contato? Melhor e mais tranquilo, você retomar um relacionamento normal. Meu trabalho é esse, é o que paga as minhas contas no momento e se isso é demais pra você, mesmo quando já tínhamos planejado algo futuro, melhor você parar de se mutilar mesmo. Também estou sofrendo, a minha proporção, com todos esses estresses e desgastes. E para de jogar as coisas nas minhas costas. Você não cansa desse vitimismo não? Se vc tava tão mal assim, era só ter me mandado mensagem e perguntado o que eu tava fazendo. Seu dedo não iria cair. Tô cansada de ser sempre EU a ter que fazer as coisas.
– Você ama o que faz. Ama que te desejem. Mesmo que seja velhos babão. Por isso vc romantiza seu trabalho. E quando eu critico vc fala que é pq eu sou possessivo.
– Ok. Já estou exausta de discutir com vc. Depois manda minhas coisas pelo Uber. Farei o mesmo com as suas coisas que estão lá em casa.
– Não vou mandar. Juro que me arrependo do dia que te conheci. Do dia que me apaixonei por vc.
– Você não disse lá em cima que ia mandar?
– Não vou mais.
– Vai jogar minhas coisas fora?
– Não sou sem escrúpulos, posso estar nervoso agora, falando merdas, mas não faria isso. Mandarei suas coisas. Só preciso me acalmar mais pra conseguir tirar elas do guarda-roupa. É um sonho sendo destruído.
– Ok. Manda quando quiser. Vou tentar prestar atenção na aula.
– Boa aula. Bom trabalho. Divirta-se.
Mas você pensa que acabou aí? Não. Essa discussão se estendeu até o dia seguinte, mas como é só mais do mesmo, vou poupá-los deste desgaste cansativo.
Dois dias depois, enquanto víamos hospedagens para passarmos o réveillon juntos, tivemos uma briga definitiva. Impressionante como uma conversa leve e gostosa, fazendo planos para uma data tão especial, descambou em algo negativo e pesado.
Ele possuía uma habilidade sombria de azedar tudo.