Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 7

Não tem nada mais broxante em um homem, do que o pão durismo.

Mulher nasceu para ser mimada, presenteada, paparicada, homens que não são generosos perdem muitos pontos na conquista. Ao longo desses dias juntos, tive alguns sinais de que talvez ele fosse um pão duro e eis a primeira situação:

Adentramos na Armani, uma marca que ele gosta bastante. O deixei à vontade para ver as suas coisas e fui dar uma espiada na parte feminina. O estilo dessa marca não combina muito comigo. A única coisa que me cativou de fato, foi uma bolsa pequena, rosa clara cintilante, que custava U$ 120, o equivalente a R$ 600. Achei que seria um belo mimo para ele me dar, afinal, estávamos fazendo uma programação dele, me presentear seria gentil e ganharia muitos pontinhos.

Após provar todas as suas peças, ele começou a olhar o setor feminino, onde tinham umas camisetas bem desinteressantes, em promoção, por U$ 29. Quando me toquei que ele estava procurando um presente para mim naquela sessão, fiz questão de esclarecer que camisetas não fazem parte do meu estilo. Gosto de blusinhas pequenas – até porque sou bem magrinha e camiseta não me valoriza em nada – e que somente quando eu gosto muito da estampa, que arrisco comprar uma.

Ele entendeu o recado e foi explorar outras partes. Decidi ajudá-lo na escolha e indiquei o único item que eu tinha gostado, aquela bolsa. Ele a olhou de longe, sem demonstrar nenhum interesse, completamente blasé, sequer perguntou o preço ou quis vê-la mais de perto.

Diante da possibilidade de ganhar aquele presente, decidi fazer uma nova tentativa e mostrei uma foto que tirei, enquanto estava provando-a, na frente do espelho.

– Olha, você não acha que ficou linda em mim?

Era uma bolsa nada convencional, de usar em balada ou rolê, acrescentei a descrição dos eventos em que poderia usá-la, e me dei conta de que não seriam rolês que eu iria com ele, logo, minaria as chances de me presentear com aquilo.

– Por que você não compra? – Ele soltou essa.

– Porque está cara, convertendo em real é muito dinheiro.

– Quanto?

– U$ 120, o que dá R$ 600.

Cento e vinte dólares, para ele que ganhava em dólares, não era nada exorbitante. No entanto, se calou, não me ofereceu de presente e o assunto morreu aí. Percebi que se não fossem as camisetas em promoção que ele queria me dar, então não me daria nada. Não que ele fosse obrigado a me dar alguma coisa, mas vamos combinar que seria muito galanteador me presentear depois de todos os atritos que vínhamos tendo, com certeza me deixaria mais feliz.

Depois entramos na Nike para que olhasse se tinha algo legal, não que ele estivesse procurando alguma coisa em específico. Já eu fiquei completamente desinteressada de ver algo para mim, pois não ganharia nenhum presente e a minha moeda estava desvalorizada.

Ele foi até o provador e ficou me mostrando como cada roupa ficava no seu corpo. Não sei por que, mas comecei a vê-lo como um homem egocêntrico, que agia como se fosse um super entretenimento para mim vê-lo escolhendo roupas para ele.

Talvez tivesse se instalado um pequeno ranço pelo ocorrido na Armani, sei lá, só sei que eu estava começando a ficar entediada. Ele tinha muito mais condições financeiras do que eu, no entanto, via-se que generosidade não era o seu forte.

Depois entramos numa loja de malas e fui fisgada por uma rosa da Samsonite que eu estava namorando há muito tempo no Brasil, mas que nesse outlet estava muito mais em conta. Para terem uma ideia de valores, a mala grande nessa loja, em Miami, custava R$ 500 mais barato que uma pequena que eu vi no Brasil. Ou seja, seria um ótimo negócio levá-la. Fiquei na dúvida se comprava ou não, pensando na logística de como a traria junto com a outra mala grande que eu já levava em viagem, daí ele, para me incentivar a comprar, disse que se eu levasse, contribuiria com um valor. Não que ele fosse obrigado a algo, claro que não, mas ao oferecer uma contribuição, esperava que fosse algo realmente significativo. No entanto, me ajudou com U$ 40, sequer arredondou para cinquenta, rs.

Quando eu me interessava por algum souvenir baratinho, de U$ 7 ou U$ 9, aí sim ele comprava para mim, sem pensar duas vezes.

Naquele mesmo dia, um pouco mais tarde, durante o jantar, nos desentendemos mais uma vez. Já estava virando rotina. Uma rotina bem desagradável e estressante.

Segunda Briga

Ele estava em dúvida se me levava para jantar no The Cheesecake Factory ou num restaurante peruano. Decidiu pela primeira opção. Quando adentramos neste, o ar-condicionado estava tão forte, que senti frio imediatamente. Não era refrescante e sim congelante mesmo.

A atendente nos levou até a parte externa para darmos uma olhada, onde tinham uns ventiladores, visto que comecei a me tremer todinha. Me posicionei embaixo de um deles para sentir a potência da ventilação e chamei ele, que estava parado longe – eu tinha avançado até uma possível mesa sozinha, só depois percebi que ele não tinha vindo junto. – Ele se recusou a vir até onde eu estava, fazendo sinal com a cabeça em negativo, dizendo que não ficaria ali fora. Por mais que ele não quisesse, não lhe custava ir até onde eu o chamava e pelo menos fingir que tentou. Insisti para que viesse – se ele era teimoso, eu sou mais ainda. – Mesmo assim ele disse que não comeria ali, que além de estar muito quente, a vista também era feia (como se dentro fosse ter alguma paisagem incrível do restaurante). Aquilo me incomodou um pouco, afinal, eu poderia passar frio por ele, mas ele não poderia passar calor por mim? Enfim, fomos acomodados numa mesa e eu continuava me tremendo de frio.

– Você precisa andar com blusa de frio, porque aqui todos os lugares terão ar-condicionado. – Ele disse, todo ranzinza.

Tinha um pouco de razão, mas, em quatro dias, era a primeira vez que eu sentia tanto frio assim, estava mil vezes pior que o restaurante Tailandês de outro dia.

– Você quer ir para outro restaurante? – Ele ofereceu e por estar oferecendo, achei que estaria tudo bem para ele essa mudança.

– Quero.

Entramos em um outro bem badaladinho, ele deu uma olhada no cardápio antes de irmos para qualquer mesa e após poucos segundos olhando (provavelmente conferindo os preços), sentenciou que não queria aquele, num tom não muito amigável, parecendo até um pouco irritado.

Acabamos indo para o peruano, aquele que tinha cogitado inicialmente. Quando adentramos neste, o ar estava super agradável, muito melhor que o anterior. O garçom indicou algumas mesas vazias e na mesma hora me encantei por uma charmosinha de dois lugares. Contudo, ele quis sentar numa mesa de quatro lugares ao lado de uma parede branca estranha com uma iluminação fria. A mesa que eu tinha visto aparentava ser muito mais aconchegante, quis convencê-lo a ficarmos nela.

– Aquela mesa é pequena, essa aqui é muito maior. – Ele rebateu.

– Mas estamos em dois, rs.

– Sim, mas essa mesa é maior, gosto de ter mais espaço.

Ficamos nesse impasse por alguns segundos. Ele ainda teve a audácia de pedir uma fita métrica para o garçom, para medir a mesa que eu queria e comparar com a outra espaçosa que ele escolhera. Que constrangimento. Eu não tinha argumentos válidos que justificassem eu não ter gostado da energia daquele canto da sala que ele estava escolhendo, então me dei por vencida e falei que tudo bem. Daí, ele não acreditou que eu estava sendo sincera, cedendo tão rapidamente, e continuou falando, justificando a sua escolha.

– Peter, tudo bem. Podemos ficar nessa mesa. – Enfatizei.

Ele ficou emburrado, como se eu estivesse sendo irônica, mas falava com total sinceridade, só queria evitar mais confusão. Pedi licença para ir ao banheiro e quando estava voltando, avistei outra mesa de dois lugares ainda mais aconchegante que a anterior!

Enquanto a mesa atual estava posicionada numa quina de duas paredes brancas, sem graça, a mesa que eu tinha visto ficava encostada numa parede de tijolos marrons, com uma iluminação diferenciada, cor quente, tornando o ambiente em que ela se localizava muito mais agradável e romântico.

Voltei comentando sobre tal mesa, tentando lhe despertar alguma curiosidade pelo que eu estava descrevendo, mas foi inútil. Ele sequer se dispôs a ver com os próprios olhos o que eu estava falando. E aquilo serviu para criar mais atrito entre a gente. Eu só esperava que ele dissesse: “Tá bom, vamos para a mesa que você quer”, ainda que contrariado, pois eu tinha certeza que quando nos sentássemos na nova mesa ele também se agradaria, mas isso não aconteceu.

Quando vi que era causa perdida, que ele não trocaria de lugar, não importasse o que eu dissesse, mais preocupado em se auto satisfazer, do que tentar agradar uma mulher que ele estava tentando conquistar, calei a minha boca e fiquei igual uma estátua, olhando para o horizonte. Só me mexia para dar alguns goles no copo de água. O achei muito infantil, mas talvez eu também estivesse sendo.

Chegou a entrada que ele pediu, ceviche, me ofereceu, mas recusei. O jantar, que era para ser um momento de descontração e interação entre a gente, se tornou uma atividade banal e sem significado. Somente quando nossos pratos chegaram – o que demorou bastante, ouso dizer, mais de quarenta minutos – foi que voltamos a conversar, quando ele puxou algum assunto sobre a comida. Eu já estava bastante incomodada com aquele silêncio e colaborei para que tivéssemos uma boa experiência juntos.

*

– Mas gente, tá uma montanha russa isso! Acho que assim como pra você está ruim, pra ele também deve estar. Amiga, vê com ele a possibilidade de alterar a passagem e você voltar antes. Porque vocês estão num ponto que eu não acredito que vá reencantar, sabe? Já estragou.

– Sim amiga, mas falta pouco para eu ir embora e amanhã temos o Cabaret que ele já comprou os ingressos. Já temos programação para amanhã e domingo. Segunda iremos voltar em Wynwood. Já que estou aqui, então vou extrair o máximo que puder dessa viagem. Engraçado que pra transar com ele está sendo bom, tenho mais tesão nessa coisa de macho alfa, mas para conviver não, porque também quero as coisas do meu jeito.

– Não conhecia esse seu lado. Eu estaria doida para voltar.

A terceira briga foi ainda pior.

Terceira Briga

Não tínhamos mais um dia de paz. Todo dia ocorria uma situação nova desagradável. A terceira briga chegou para mostrar que realmente não éramos compatíveis, pois jamais teríamos um saudável convívio.

O plano daquele quinto dia juntos era:

  1. Academia
  2. Praia
  3. Cabaret

Eu não fazia a menor questão de treinar em viagem, mas, concordei, pois, percebi que era importante para ele fazermos essa atividade juntos. A praia não seria um evento especificamente nosso, não ficaríamos deitados numa cadeira tomando sol, nem entraríamos no mar bem namoradinhos, nada disso. Ele iria jogar voleibol com seus amigos e eu ficaria avulsa.

Guardem essas informações. Agora voltamos a programação normal.

Nosso pré-treino foi apenas uma salada de frutas, daquela mesma que ele fez para mim no primeiro dia, e quando estávamos quase chegando na academia, ele se deu conta que não tínhamos comido ovo, querendo fazer uma parada no mercado, para comprar barras de proteína. Eu tinha entendido que aquelas barrinhas eram para comermos antes do treino, um reforço do café da manhã, mas não, ele disse que era para depois.

Quando terminamos de treinar, uma hora e meia depois, eu estava começando a ficar com fome, já que tinha gastado muita energia e se aproximava do horário de almoço. Perguntei se iríamos almoçar antes de ir para a praia e fui surpreendida com uma resposta negativa.

– Por isso comprei as barrinhas. – Ele respondeu.

Não era possível que ele quisesse emendar horas na praia sem uma alimentação decente! Olha bem pra mim, sou toda magrela, preciso de sustância! Contestei que meus pós treino, seguindo a dieta do meu nutri, precisava ser algo muito mais nutritivo que uma simples barrinha de cereal.

Ele queria pular o almoço para chegar mais cedo na praia? Para que? Já tinha dito que seus amigos só chegariam mais tarde, que talvez nem fosse possível jogar voleibol, então não entendi a pressa.

Ao perceber o meu humor mudando drasticamente, ele disse que poderíamos parar em algum lugar para comprarmos um lanche para viagem. Ele não estava com fome e não teve a menor preocupação que eu estivesse. Após sairmos da lanchonete, a caminho do carro, ele disse algo muito deselegante, reforçando a minha percepção dele ser um extremo pão duro:

– Não serão todos os dias que conseguiremos comer fora. Algumas vezes teremos que comer em casa também.

Oi?? O cara que morava na melhor localização de Miami estava me dizendo que não poderia levar para jantar uma pretendente que ele trouxe do Brasil para passar uma semana com ele? Veja que não estamos falando de um mês ou uma vida inteira, mas apenas uma semana, que àquela altura só restava dois dias! Qual a necessidade de trazer o seu pão durismo à tona, fortemente daquele jeito?

– Não estou falando de comer fora, mas sim de comer. Eu poderia muito bem voltar no apartamento e comer a sobra do lanche que trouxe do Big Pink ontem. Só não sabia que não íamos almoçar antes de ir a praia. – Rebati.

A partir daquele momento se instaurou um grande ranço em mim. Tudo nele passou a me incomodar, principalmente a sua mania irritante de sempre falar “Oh fuck”, quando alguma coisa estava prestes a dar errado. Me soava tão falso e artificial, longe de conter qualquer charme americano na pronúncia. Comi metade do meu lanche no caminho e quando chegamos no estacionamento, ele não teve a paciência de esperar eu terminar, perguntando se eu não poderia finalizar na praia. Sim, claro, tudo que eu mais queria era fazer uma refeição debaixo de um sol de 40 graus.

– Claro. – Respondi, a fim de evitar novos conflitos.

Quando chegamos na praia, sequer havia a quantidade necessária de jogadores para que começassem a partida. Ou seja, eu poderia ter terminado o meu lanche na sombra e no conforto do ar-condicionado do carro tranquilamente. Me sentei num banco de cimento e continuei comendo a minha comidinha, encolhida numa fresta de sombra, graças ao tronco de uma árvore. Não tive o menor prazer em conhecer os seus colegas de jogo. Eles conversavam entre eles, tentando me inserir no assunto, mas eu só mexia a cabeça, com a boca sempre cheia, mastigando. “Como ele é egocêntrico”, eu pensava. Desde o início do dia fazendo as coisas dele. O treino DELE, a partida de voleibol DELE, nenhuma programação que fosse nossa. E ainda por cima queria me deixar sem comida ou então comendo embaixo de um sol daqueles.

*

Para que não nos atrasássemos para o show de Cabaret, teríamos que sair da praia pontualmente às 18h, que seria dali a duas horas. Contudo, ele se empolgou com a partida e mesmo que eu fizesse o típico sinal das horas, batendo com as costas do meu indicador em cima de um relógio de pulso invisível, ele continuou jogando por mais meia hora. Comecei a juntar as suas coisas para que entendesse o meu movimento de “vamos embora”, o que acabou funcionando, daí ele veio e fomos andando na maior pressa, separados, rumo ao estacionamento.

“Oh fuck”, perdi as contas de quantas vezes ele soltou essa irritante exclamação no caminho. Me senti na série Black Mirror, no episódio “Hang the DJ”, quando a protagonista já está de saco cheio do som que o cara faz toda vez que termina de beber alguma coisa, rs. Não nos falamos muito no trajeto de volta. Quando chegamos na garagem do prédio, enquanto ele dirigia até a sua vaga, chequei o horário e tentei esquematizar o nosso cronograma.

– A gente saindo umas 19:30, conseguimos não chegar atrasados.

Ao invés de simplesmente concordar comigo, parecia que ele sentia prazer em contribuir com a discórdia.

– 19:30? Temos que sair o quanto antes!

– Sim, eu sei, o quanto antes, mas pelo horário que já é agora, 19:30 é o mínimo que conseguiremos.

– Que horas são?

– Já são 19h. Até um tomar banho e depois o outro, será 19:30.

– Eu me arrumo rápido.

Fiquei quieta. Ao adentrarmos no apartamento, sugeri que ele fosse tomar banho primeiro, já que estava mais sujo de areia, mas ele disse que eu poderia ir. Tomei o banho mais rápido da minha vida e assim que terminei, fui avisá-lo para que também fosse. Nos arrumamos em silêncio.

– Tô pronta.

– Eu também. – Mentira, ele ainda estava finalizando.

Enquanto ele vestia uma camisa que ele tinha acabado de passar no vapor, todo desajeitado com a pressa, aproveitando que ele já estava na reta final e que eu não o atrapalharia, tentei quebrar o gelo:

– É ruim se arrumar com pressa, né? Rs.

– Não.

Ele não entendeu que a minha pergunta era para ser engraçada, como se eu estivesse me solidarizando com a correria dele.

– Os momentos podem ser bons ou ruins, de acordo com a maneira como você conduz. Uma coisa não muito boa pode ser engraçada, se você tiver jogo de cintura e senso de humor. – Ele disse, querendo me dar lição de moral.

Oi?? Eu não entendi por que ele estava me dando aquela alfinetada, como se eu estivesse reclamando de alguma coisa, quando eu simplesmente só tentei puxar assunto! Engoli aquilo em seco e ignorei, percebi que ele tinha entendido tudo errado e estava com preguiça demais para explicar.

– Pegou as chaves? – Perguntei quando estávamos saindo do apartamento.

– Você ouviu o que eu disse?

–  Ouvi, pegou as chaves? – Ele achava que eu estava fugindo do assunto?

Entramos no elevador em silêncio e o ar estava pesadíssimo. Eu não acreditava que já estava azedando de novo. Olhei para o relógio e adivinha que horas eram? 19:30! Brincalhona, tentei quebrar o gelo mais uma vez:

– Olha só, estamos saindo no horário que eu falei que sairíamos! 19:30!

– SIM! 19:30!! – Visivelmente alterado.

– Você está bravo?!

– ESTOU! PORQUE VOCÊ ESTÁ BRAVA!

Eu não estava. Mas a partir daquele instante eu fiquei.

– EU NÃO ESTOU BRAVA!

– FICOU SE ARRUMANDO TODA EMBURRADA!

– Genteeee, eu estava concentrada!

– GENTEEEEE… – Ele teve a audácia de me imitar!

A partir daí começamos a falar ao mesmo tempo, soltei bem alto um: “VOCÊ É INSUPORTÁVEL!”, mas não sei se ele ouviu, já que falava junto comigo. Eu entrei num estado de alerta fortíssimo em que me calei, travei o meu maxilar e comecei a respirar fundo, forte e rápido, tentando eu mesma me acalmar, pois a minha vontade era de explodir e voar no pescoço dele. Nunca em toda a minha vida eu estive num estado de fúria como aquele. Eu sou muito tranquila, foi bizarro me ver sentindo algo que eu nunca vivenciei antes.

Por um segundo pensei em desistir de ir ao evento, mas numa fração de segundo, lembrei que a outra alternativa seria ficar no apartamento com ele. Pelo menos saindo eu me distrairia da sua cara.

Quando percebi que discutir não adiantaria, porque ele falava junto comigo, me calei e comecei a respirar fundo, tentando me acalmar internamente. Porém, mais do que as grosserias que ele cuspia, a sua voz estava me irritando. A porta do elevador abriu no andar do estacionamento, e mesmo comigo em silêncio, ele continuava reclamando, enquanto ia na frente.

– Tudo você reclama! Nada tá bom pra você!

Do que eu tinha reclamado? Só estava tentando puxar assunto e ainda era acusada de algo que eu não tinha feito! Isso me enfureceu ainda mais! Meu sangue foi esquentando e, de repente, me vi gritando mais alto que ele:

PARA DE FALAAAAR!!! EU NÃO TÔ FALANDO NADA! ENTÃO CALA A BOCA TAMBÉM!!!!!

Cheguei

no meu

limite.

CONTINUA