“O Sinistro”

Querido diário… 

Eu não planejava postar sobre esse encontro, mas como escrever sempre funcionou como uma terapia para mim, decidi que se eu fosse realmente escrever, então também iria postar. Acho que de todos os atendimentos que eu tive, este com certeza foi o pior, psicologicamente falando. Duvido vocês acertarem de primeira o que aconteceu.
 
De antemão, enquanto ainda agendávamos pelo WhatsApp, ele me avisou que não fumava e não bebia. Na hora não compreendi muito bem o porquê dessa anunciação e apenas respondi: “sem problemas”. Ele me contratou por quatro horas, uma duração consideravelmente longa para um primeiro encontro, mas aceitei. Visto que nos encontraríamos num quarto de hotel e não um motel, que tivesse alguma hidro ou piscina para ajudar a passar o tempo, já fui preparada para longas quatros horas com uma pessoa que nem um vinhozinho rolaria. 
 
Ele me encontrou na entrada do hotel e subimos para o quarto. Logo de cara notei que ele fazia o tipo introspectivo. Ele também tinha uma cara séria, o que até brinquei em determinado momento do encontro, dizendo que ele tinha cara de mau. Perguntei se já tinham dito isso a ele, ele deu um sorriso e disse que sim, até que lancei a pergunta: “e você é?” e ele mais uma vez riu e disse que não. Via-se que ele não era uma pessoa carismática, então sempre era eu que tentava puxar algum assunto. 
 
Quando adentrei na suíte, sugeri colocarmos uma música – acabei colocando do meu celular mesmo – , e fazer uma alteração nas luzes – troquei aquela luz branca, que remetia a hospital e que mais parecia um holofote em cima da gente – por uma penumbra mais sexy, acendendo as luzes da cabeceira da cama. Feito tudo isso, começamos a nos beijar. 
 
Como tínhamos quatro horas pela frente, não me preocupei em conduzir nada e ficamos um tempão nos beijando, ainda de pé. Já nos beijos começou a ficar gostoso, ele podia não ser muito de conversa, mas via-se que na intimidade não era bobo. Durante o nosso beijo rolaram algumas passadas de mão bem sensuais na minha parte íntima por cima da roupa e ele, como um bom macho alfa, no tempo certo me conduziu para a cama. 
 
Ele sabia exatamente como tratar uma mulher. Fez todas as carícias em mim primeiro. Chupou os meus seios e sem muitas delongas já desceu para chupar a minha buceta. Não foi o melhor oral da minha vida, mas também não foi o pior, estava mais gostoso do que ruim, não cheguei a gozar.
 
Depois voltamos a nos beijar e a nos amassar, até que foi a minha vez de chupá-lo também. Fiquei lá me deliciando, até que ele, com delicadeza, me puxou para cima. Ele disse que queria me chupar e eu, deduzindo errado como seria esse ‘chupar’, fui me posicionando para sentar na cara dele, rs. Ele desviou e pediu que eu deitasse de costas, se referia a chupar meu cu. 😏 Achei delicioso. Me chupou por um tempão, de um jeito super gostoso. Depois me virou e chupou a minha buceta mais uma vez e notei que ele começou a se masturbar enquanto me chupava, assisti-lo me deixou ainda mais excitada! Depois voltamos a nos amassar e alguns minutos depois peguei a camisinha. Encampamos e ele veio por cima.
 
Como tínhamos dispensado bastante tempo nas preliminares, eu estava mega excitada e também me masturbei enquanto ele me penetrava. Ele metia de um jeito gostoso, começando bem devagar, curtindo as sensações, até que, depois que gozei, acelerou para gozar também. Foi uma transa muito gostosa.
 
Ele foi ao banheiro retirar o preservativo, se lavar e quando retornou me ofereceu água – que aceitei – , deitando-se ao meu lado na sequência. Me aninhei em seus braços e puxei assunto, diante daquele silêncio. Descobri que ele já era aposentado, aos 38 anos, o que achei bem estranho, mas que fará algum sentido mais para frente. Perguntei se ele era comprometido e disse que não, que fazia tempo que estava solteiro, mas sequer mencionou alguma namorada ou casamento no passado, o que novamente estranhei, ele era bom de cama, não era possível que nunca teve um relacionamento duradouro com alguém.
 
A outra coisa que achei estranha foi ele dizer que viajaria até quando conseguisse. Ahh, esqueci de mencionar que ele estava em São Paulo a passeio, mochilando pelo Brasil. Parecia papo de pessoa em estado terminal e perguntei se ele estava bem de saúde, respondeu que sim e nada mais disse. Conversar com ele não estava sendo a prosa mais animada, até porque ele não me fazia nenhuma pergunta de volta, o que evidenciava ser apenas eu a interessada em conversar. 
 
Então, logo mais iniciamos as preliminares do segundo round. O chupei, ele também me chupou, mais algum tempo de beijos e amassos, até que novamente encampamos o menino. A segunda transa começou exatamente igual a primeira. Iniciamos com papai e mamãe, até que me colocou de bruços e meteu nessa posição até gozar. Mais uma vez não saiu de imediato, fazendo leves movimentos como se ainda estivesse penetrando, mesmo quando já tinha finalizado. Curti a sensação do seu pós gozo com ele, até que saiu e foi se lavar. 
 
Quando retornou, me serviu mais água, perguntou se eu estava com fome e respondi que não, fui bem alimentada, uma vez que o encontro seria longo e ele não mencionou nada sobre jantarmos durante esse tempo. Novamente me aninhei em seus braços e tive a infeliz ideia de puxar assunto sobre algo que tem estado presente em todas as rodas de conversa hoje em dia: a pandemia. Comentei algo como:
 

-Poxa, novamente esse lockdown, igual no ano passado. E eu achando que um ano depois tudo estaria melhor.

E foi aqui que a conversa começou a desandar…
 

-As coisas não vão melhorar.

-Por que não?

-Muitas coisas ruins vão acontecer.

-Que tipo de coisas?

-Coisas ruins.

Todo enigmático nas suas falas, o que só me fazia querer arrancar mais. Continuei insistindo.
 

-É complexo pra explicar.Ele relutava em me contar algo.

Eu devia ter encerrado o assunto ali, mas, ariana e jornalista, a curiosidade estava gritando.

-Me conta.

-Não sei como dizer.

-Essas coisas ruins que você fala são tipo tragédias naturais?

-Também.

-Tipo o que?

Continuei insistindo, até que ele soltou que aconteceria um terremoto.
 

-Onde?

-Na América do Norte.

-E aqui?

-Não sei como vai afetar aqui, mas irá afetar todo o planeta.

-Como você sabe disso?

-Sabendo.

Eu continuava insistindo, pois achava que ele fosse me dar alguma informação fundamentada.
 
-Mas como você sabe? Você é tipo um vidente?
 

-Não.

-Então como sabe?

-É complexo pra explicar.

-Eu quero entender.

Relembrando esse diálogo vejo que eu ‘cavei a minha própria cova’ ao me aprofundar nesse assunto, mas vocês não concordam que a própria conversa conduz para que façamos isso? Quem não quer desvendar um mistério? Rs. Ele ficou em silêncio.
 

-Todo misterioso ele. – Brinquei, tentando convencê-lo de que podia confiar em mim.

Foi quando ele começou com um papo bizarro. Teoria da conspiração, seguidores do satã na terra, futuro apocalíptico a caminho, visões, vozes, aos poucos fui ficando cada vez mais assustada. Continuei dando corda cada vez mais, fazendo questionamentos, buscando entender a mente dele, mas confesso que por dentro eu estava horrorizada. Já assisti muitos filmes de suspense para saber que ao se deparar com uma pessoa assim, você não deve nunca bater de frente com ela e sim entrar na brisa do sujeito, foi isso o que fiz.
 
Segundo ele, em determinado momento da sua vida, sem aviso prévio, a sua mente se expande. Uma chuva de pensamentos e lembranças vem à tona, lhe deixando na dúvida se aquilo que você lembrou realmente aconteceu. Disse que fizeram uma amarração com a gente e que nesse momento da revelação é muito perturbador, pois descobrimos que pessoas próximas a nós tramaram tudo isso.
 

-Mas por que essas pessoas fizeram isso? – Perguntei.

-Fizeram um acordo com o satã em troca de algo que não sei. São amarrações que levam anos para fazer efeito em nossas vidas.

-Mas essas visões que você teve só assustam ou machucam também?

-Elas não machucam, fazem com que você mesmo se machuque, querer se matar, por não estar dando conta das vozes e visões. 

Fiquei muito assustada com tudo que ele estava me dizendo, pensando em como seria terrível se algum dia aquilo também acontecesse comigo. Ele disse que o diabo atua implantando pensamentos ruins na nossa mente (e eu que achava que dentro da nossa mente fosse um lugar protegido), fazendo um link com a frase de Jesus, ao ser pregado na cruz, quando pedia para que Deus os perdoassem, pois eles não sabiam o que estavam fazendo.

-Eles não sabiam o que estavam fazendo porque o pensamento não era deles, foi o satã que implantou pensamentos ruins nas cabeças daquelas pessoas.

Determinada hora pedi licença para fazer xixi e quando espiei no meu relógio de pulso ainda nos restava pouco mais de meia hora. Eu não podia ir embora de repente, precisava manter a boa relação até o final, fiquei com medo de que ele, contrariado, me atacasse. Sabemos que pessoas com esse distúrbio, se entrarem numa brisa ainda pior, podem atacar qualquer um.

Ele fez muitos links com coisas escritas na Bíblia, mesmo ressaltando que não seguia nenhuma religião. Disse até que conseguia ver a marca da besta na testa das pessoas (aquela numeração de três dígitos que todo mundo sabe) que eram seguidoras do satã. Perguntei se ele também via em mim e nesse momento ele baixou sua cabeça em direção ao seu travesseiro (estávamos deitados de bruços), ficou alguns segundos em silêncio, até que respondeu baixinho: “um pouco”. Gente… mas eu sou uma pessoa super do bem, de Deus! Pensei alarmada. 😰
 
Em outro momento da conversa, do nada, novamente ele baixou sua cabeça daquele jeito no travesseiro, em silêncio, por alguns segundos, me causando uma forte sensação de que ele levantaria bruscamente e me atacaria, daí pedi que ele parasse de ficar daquele jeito, que estava me assustando. Felizmente ele voltou a si, saindo daquela introspecção sinistra.
 
Quando faltava meia hora, tentei mudar o foco do encontro, dizendo que o nosso tempo estava acabando e que se ele quisesse fazer mais alguma coisa, seria bom começarmos naquele momento. Até ofereci uma massagem, mesmo sabendo que não tinha mais clima para sexo. Ele disse que não precisava, então seguimos conversando. 
 
Quando fui me banhar, fiquei com muito medo de dar algum surto nele durante esse tempo que eu estava ausente no quarto e me atacar no chuveiro. Me assustei quando ele entrou de repente no banheiro segurando o meu celular. Prestes a ele passar pela porta, ouvi um som diferente, parecendo uma sirene, e ele surgiu dizendo que a polícia militar estava me ligando. Oi? Eu continuava tão tensa que enquanto ele estendia o celular para que eu visse, num milésimo de segundo vislumbrei ele me atacando de supetão com meu próprio telefone, tomei da mão dele rapidamente e olhei que não tinha nenhuma chamada perdida. – Depois compreendi que o que deve ter acontecido foi que ele, tentando abaixar o volume da música, ativou a chamada de emergência, o Iphone tem dessas, rs. –
 
Até o último instante do encontro fiquei com medo, inclusive, dele não me pagar. De dar algum surto, me botar pra fora e não me acertar pelas quatro horas que passamos juntos. Mas não, felizmente deu tudo certo. Ele contou que estava com sono (também, depois de gozar duas, rs), mas que estava tendo muitos pesadelos. Segundo ele, ter essas revelações o faz um conhecedor da verdade do universo, enquanto nós, o resto das pessoas que ainda não tiveram essa clareza, fomos amarrados por preceitos, mas que em algum momento Jesus irá virar a chave da nossa mente para que vejamos tudo isso também.
 
Enquanto no quarto, eu me comportava como se tudo que ele estivesse me contando fosse uma grande descoberta, você jamais diria que eu estava com medo. Mas quando fui embora comecei a me sentir mal. Muito mal. Sentia como se todas as coisas horríveis que ele falou eu fosse começar a enxergar também muito em breve. No Uber de volta para casa já mandei mensagem para a minha vizinha de porta, perguntando se ela poderia me receber. Eu precisava conversar com alguém antes de ficar sozinha com os meus gatos. 
 
De certa maneira ele conseguiu entrar na minha mente, de um jeito que eu não conseguia abstrair tão facilmente. Minha vizinha é tão amiga que me recomendou até uma meditação de limpeza de DNA. Quando entrei em casa, acendi um incenso, rezei, mas as lembranças de tudo que ele me contou não passava. Dormi com a tv e a luz da sacada ligada. Sempre adormeço ouvindo uma meditação, mas desta vez, enquanto eu tentava mentalizar as luzes que a meditação guiava, só vinha o preto. Parei a meditação, aumentei a tv e abracei o meu gato que dormia ao meu lado. Adormeci assim. 
 
Não tive sonho, porém, acordei 4:19 da madrugada (duas horas depois) com sede e desconfortável. Foi quando cheguei a conclusão que botar tudo isso para fora, escrevendo, me ajudaria e duas horas depois, finalizava o rascunho dessa postagem. Terminei de escrever umas 6:43, voltei a dormir e agora sim tive pesadelo! O dia já estava claro e lá estava eu tendo pesadelos pela manhã, rs! Acordei uma hora depois, perturbada. Rezei o “Pai Nosso” umas três vezes e voltei a dormir. Ufa, agora sim consegui ter um sono tranquilo.
 
Engraçado que quando eu estava a caminho dele, recebi a mensagem de um outro cliente que eu já tinha saído, como se fosse um alerta para eu não ir:
 
Devia ter mudado a rota, rs.

No outro dia, conversando com um médico, que entende do assunto, tive a seguinte aula, que achei relevante anexar aqui. Eu achava que esse cliente fosse esquizofrênico, mas, segundo o médico, pode até ser maníaco. Só dar play abaixo:

Eu pretendia bloqueá-lo alguns dias depois, para não ficar muito na cara que não gostei, mas antes que eu o fizesse, ele me procurou de novo:

Quando resolvi responder, ele já tinha me bloqueado. Melhor assim. Espero que fique bem.