
Viagem a Miami
– Ai amiga, estou com uma intuição de preocupação, sei que dará tudo certo na sua viagem, não fica irritada, mas me promete que quando tiver o endereço, você vai me passar? E queria te pedir outra coisa, vai parecer esquisito, e só por precaução… Leva aquele seu sprayzinho na mala? Porque querendo ou não, você vai pra casa de uma pessoa estranha, em outro país, uma pessoa que você passou poucas horas junto aqui. Em um lugar muito longe que você não tem pessoas conhecidas, te acho meio lesada.
Péssimo momento para a minha melhor amiga demonstrar qualquer preocupação comigo. Tínhamos almoçado no dia anterior e ela parecia bastante animada com a minha aventura, e agora, no dia da viagem, vinha com essa mensagem negativa.
– Amiga, você mais do que ninguém sabe o quanto sou desconfiada. Fica tranquila, eu não sou tão inocente, se der alguma merda vou me defender também. Rasgo qualquer um com essas unhas, rs.
Tentei não levar para o coração aquele alerta para que também não ficasse pilhada.
*
No momento do check-in, no aeroporto, tive que comunicar sobre o meu spray de pimenta na mala despachada e, graças a minha amiga, perdi o meu item de defesa para sempre, pois precisei retirá-lo e deixá-lo de fora. Até negociei com a balconista sobre ela guardá-lo para mim, mas nunca voltei para buscar.
Voo direto, porém, longo e, para variar, a comida do avião me deu refluxo. Assisti ao filme “Cinderela”, a versão de 2021, que tem a Camila Cabello, para já entrar no clima de conto de fadas.
O voo chegou meia hora antes.
– Pousei! – O avisei imediatamente.
Nada dele responder.
– O voo chegou antes. – Insisti, 20 minutos depois.
Novamente o silêncio. Comecei a ficar ansiosa. E se eu fosse raptada por uma agência clandestina que quisesse me transformar numa escrava sexual, como na novela “Salve Jorge”? E se ele não me respondesse mais e eu ficasse completamente sozinha e desabrigada, num país que não fala o meu idioma? Fui ficando cada vez mais tensa!
– Oie? – Novamente tentei contato, 15 minutos depois.
Comecei a ficar paranoica. Já tinha dado o horário original da chegada do voo, ou seja, já era para ele estar a caminho, e, no entanto, continuava ausente. Em contrapartida, a fila para passar pela Polícia Federal estava gigantesca e lenta. “Se até eu pegar a mala, ele não aparecer, irei ligar para ele”, pensei com meus botões, estruturando um plano de emergência. Mas quem disse que aguentei esperar? Cinco minutos depois eu estava ligando para ele, rezando para que me atendesse e não fosse um golpe.
– Alô.
– Oi.
– Oi! Você já chegou??
– Sim, o voo chegou meia hora antes. Você não está vindo?
– Não, mas eu moro perto. Estou a quinze minutos do aeroporto.
– Ah tá, é que eu te mandei mensagem e você não respondeu.
– …
– Você estava dormindo? – O voo tinha chegado às 7 da manhã.
– Não, estou me arrumando para ir te buscar. Como que está aí? Já pegou a mala?
– Ainda não. A fila da imigração é muito grande.
– Ahhhh sim! Por isso me planejei para chegar um pouco depois do pouso, sabia que iria demorar. Me avisa quando passar, que vou te buscar.
Finalizei a ligação mais tranquila, mas o sentimento de desconfiança não foi embora totalmente. Não tinha gostado daquela ausência. Se ele sabia que eu estava chegando, como não ficou atento nas mensagens? Ele sequer teve a preocupação de acompanhar a chegada do voo!
Após uma hora de espera, enfim chegou a minha vez de ser atendida.
– Qual o motivo da viagem? – O policial perguntou.
– Lazer.
– Onde ficará hospedada?
– Deixa eu pegar aqui.
– Você não sabe?
– Não sei de cor, é a casa de um… amigo.
– Onde você conheceu seu amigo?
– Num aplicativo de relacionamento. – Na mesma hora me bateu uma vergonha de falar isso em voz alta.
– Onde?
– Aplicativo de relacionamento.
– O que é isso?
– Você não conhece?
– Não. Internet?
– Isso! – Achei melhor não dificultar seu entendimento.
Pensei que o policial fosse barrar a minha entrada, mas logo em seguida devolveu o meu passaporte e liberou a minha passagem. Ufa! Após poucos minutos esperando a minha mala surgir na esteira, tive a expertise de checar num amontoado de malas em outro canto e por sorte a minha já estava lá. Um tanto burocrático para sair do aeroporto de Miami e quando a porta automática de saída abriu, o ar-condicionado congelante deu lugar a uma bufa de ar quente úmido. Ele já estava lá. Veio andando até mim, todo bonitão e cheiroso. Nos cumprimentamos e rumamos para o seu carro, que era uma BMW.
*
– Preciso passar num lugar antes. – Ele disse, enquanto estávamos na estrada, de repente, reacendendo a minha desconfiança.
– Que lugar?
– Como você é curiosa… É uma surpresa! – Disse ele, todo sorridente.
Eu não estava muito confortável com aquela “surpresa”. Chegamos numa área de Miami toda residencial, novamente achei que seria raptada. Ele estacionou num lugar estranho e disse que já voltava, me deixando sozinha no carro. Felizmente deixou a chave junto comigo, mas poderia ser um truque, pensei, ainda desconfiada. Fiquei observando aonde ele ia, até que virou a esquina e o perdi de vista. A rua era deserta, fiquei olhando de um lado para o outro incansavelmente.

Após uns dois minutos, surgiu um outro carro e parou a poucos metros de distância. Na mesma hora já peguei a chave do carro, preparada para apertar o cadeado se fosse preciso. O vidro do motorista do outro carro abaixou e o homem que estava ao volante fez algumas fotos da rua com o seu celular. Enquanto o observava extremamente atenta, experimentei um sentimento não muito agradável de medo, percebi que nunca passei por uma situação que me despertasse aquela sensação antes. Depois ele voltou a subir o vidro e deu ré, chegando muito perto do carro que eu estava. Senti mais medo ainda! Mas a sensação logo foi tomada por um alívio, quando manobrou e foi embora.
– Será que foi te comprar flores? – Minha amiga matou a charada antes que ele voltasse.
– Ai amiga espero que não… flores?
Um pequeno adendo aqui, eu devo ser uma das poucas mulheres que não acha a menor graça em ser presenteada com flores. Acho lindo quando vejo nos filmes, mas, na vida real, considero inútil. Gosto de presentes que poderei de fato guardar de lembrança e não que vá morrer em poucos dias.
– No mapa da localização que você mandou tem uma floricultura bem próxima. Só isso para fazer sentido. – Ela analisou.
E tinha acertado. Após alguns minutos, o vejo ressurgindo na esquina, sorrindo, como se estivesse carregando um troféu, segurando algo nas mãos. Devido à distância, não consegui identificar de primeira o que era, mas quando se aproximou mais, pude ver. Se tratava de um lindo buquê de rosas vermelhas, com apenas duas rosas brancas, uma distante da outra, que, segundo ele, representava nós dois, comigo no Brasil e ele nos Estados Unidos. Achei muito fofinho o gesto, coloquei meu lado atriz em ação e demonstrei a maior empolgação com o mimo, mas lá no fundo não me impressionou tanto assim, pois, como falei, flores não é algo que me causa grande encantamento, apesar de serem mesmo muito lindas.

Agora sim rumamos para o seu apartamento, que eu já conhecia de algumas fotos. Ao passar pela porta de entrada, a pequena cozinha americana ficava à direita e o banheiro a esquerda. Havia uma mesa de jantar entre a sala e a cozinha e o seu escritório ficava na frente do sofá, da sala de estar. O seu apê era um grande loft. A direita da sala tinha o quarto, esse sim com paredes e porta, que ligava ao banheiro, separado apenas por um pequeno closet no caminho. Achei engraçado que você podia acessar o banheiro por duas portas diferentes, pelo quarto e pela cozinha. Como é muito comum nos banheiros americanos, para usar o chuveiro você tinha que entrar numa banheira, que era protegida por uma cortina – prefiro muito mais os banheiros brasileiros, com box de vidro. Do lado de fora tinha uma varanda enorme, com uma vista incrível do mar.


Depois de me mostrar tudo, me deixou à vontade para tomar banho e arrumar as minhas coisas, enquanto ele participava de uma reunião online de trabalho. Ainda teve a delicadeza de me preparar uma deliciosa salada de frutas vermelhas com queijo fresco, granola e iogurte. Estava mesmo uma delícia. “Meu conto de fadas está só começando”, pensei, iludida.

Assim que ele teve um tempinho para ficarmos juntos, transamos. Uma transa muito longa para o meu gosto, diferente das transas que tivemos no Brasil. Torci para que essa longa duração não virasse um hábito, transas longas demais são exaustivas. No almoço ele fez um prato fit para gente, composto de ovos mexidos, tomate picado, banana, peito de peru e abacate. Uma mistura que falando pode parecer estranha, mas, comendo, via-se que a combinação era mesmo perfeita! Ele mandava bem na cozinha. Depois sugeriu que eu utilizasse a piscina e jacuzzi do condomínio, pois ele precisaria trabalhar mais um pouco e não queria que eu ficasse sem ter o que fazer. Assim sendo, desceu para me apresentar as áreas comuns do prédio e me deixou bem acomodada na jacuzzi. O lugar estava deserto, então pude ficar bem a vontade para fazer alguns conteúdos com o meu celular, ouvir música e relaxar mesmo.

Uma hora e meia depois, quando encerrou seu trabalho, se juntou a mim. Tivemos bons momentos juntos na jacuzzi e depois também fomos para a piscina. Enquanto estávamos na água, falamos sobre o nosso sexo e aproveitei para expor algumas de minhas preferências, como, por exemplo, preferir várias transas curtas do que uma muito longa.
– Eu achei que você gostasse de transas longas. – Ele disse.
– De vez em quando eu gosto, mas, se for sempre, fico sensível lá embaixo e aí não consigo transar tantas vezes. O ideal seria você gozar logo depois de mim.
– Ahh eu achei que você gostasse de gozar mais de uma vez na mesma transa.
– Não exatamente, porque depois que gozo fico muito sensível, precisando de um descanso.
– Hummm entendido então. Deixa comigo!
Essa conversa foi ótima, pois, ao retornamos para o apartamento, antes de sairmos para jantar, transamos novamente e ele ajustou esses detalhes, teve uma duração mais gostosa. Quando ele saiu do banho, vendo que finalmente tinha me ouvido e feito a barba para que não me pinicasse, quis agradá-lo e o puxei para mais uma rodada de sexo. Estava bem insaciável naquele primeiro dia.
Saímos para jantar num restaurante maravilhoso, chamado CVI.CHE 105. Aquela noite estava muito gostosa, fosse pela comida, pela nossa interação um com o outro – parecíamos um casal em lua de mel – ou pelo clima tropical de Miami. Estava tudo perfeito, até tiramos algumas fotos de casal na mesa do restaurante.






Saindo de lá, fomos dar uma volta, a pé mesmo, na Linconl Road. Ele fez algumas fotos minhas, já eu fotografava as coisas e lugares que passávamos.












Com o passar do tempo foi ficando tarde e depois decidimos que era hora de voltar para o apartamento.
Ao me trocar para dormir, fui presenteada com um vestido regata vermelho tão confortável, que logo entendi se tratar de uma camisola.

– Que camisola feia amiga. Usa suas coisas sexy. – Minha amiga reprovou, quando te enviei a foto do tal presente no meu corpo.
Realmente eu tinha levado uma camisola bem mais sexy da Victoria Secret, uma preta de cetim com renda, mas ele pareceu tão feliz e satisfeito ao me ver usando aquela roupa nada interessante que ele comprou, então o agradei.
*
Na manhã seguinte ele começou a me alisar pela manhã, mas fingi estar dormindo. Não que eu não quisesse transar logo cedo, mas minha pepeka ainda precisava se recuperar das três transas anteriores. Ele me disse que precisaria trabalhar durante a tarde, então me levou para almoçar fora e me deixou num shopping super chique, no mesmo estilo do Cidade Jardim em São Paulo, para que eu passasse o tempo. Não fiquei muito lá, pois as lojas eram muito caras e não quis ficar olhando coisas que eu não poderia comprar, sem me endividar. Minha amiga me falou de um Outlet chamado Marshalls, então fui para lá, andando, conhecendo a cidade e torrando naquele sol ardente de Miami.



Após quinze minutos de caminhada, cheguei e em poucos minutos explorando a loja, me dei conta de que não era tão especial assim.
– Mas menina, essa Marshalls é tão bombada assim? Essa aqui está as moscas, parece uma Americanas. Não vi nada de marca conhecida, só um sutiã da Calvin Klein.
– Menina, confundi com a Macys kkkkkk.
Bom… já que eu estava lá e tinha andado muito, resolvi me entreter ali mesmo. Acabei comprando algumas coisinhas, como uma pantufa para a minha mãe, um mocassim para mim – que nunca usei e depois acabei vendendo – um vestido de cetim preto e quatro blusinhas básicas. Chegou um momento que eu estava exausta de tanto provar roupa – a cada vinte peças que eu pegava, apenas uma ficava boa, os modelos eram muito grandes – e também ficando sem bateria. No exato momento que eu estava chamando um uber para ir à loja certa, ele me ligou, querendo saber como eu estava e se eu já queria voltar. Ele entraria em outra reunião logo mais, então eu tinha que decidir rápido se ele chamava um uber para eu ir embora. Acabei aceitando pois estava mesmo cansada. Ele me enviou a placa do carro, mas não poderia ficar de olho no meu embarque, pois a reunião começaria naquele instante. Quando saí na rua para acompanhar a chegada do motorista, me dei conta de que não conseguiria embarcar, pois a av. estava fechada, ou seja, o motorista não conseguiria me buscar ali. Droga. O jeito foi andar até uma rua próxima e chamar o carro eu mesma. O motorista que ele chamou ainda ficou tentando contato com ele, ligando enquanto ele estava em reunião, quis me ajudar e acabou se atrapalhando.
Quando cheguei no seu prédio, ele ainda não tinha reaparecido. Fiquei uns bons minutos esperando no hall, não pedi que interfonassem no seu apartamento, pois, sabia que ele ainda deveria estar em reunião e não queria atrapalhar, apenas lhe enviei uma mensagem, avisando que o esperava. Meia hora depois, quando veio me buscar na recepção, estava todo esbaforido e incomodado por ter me deixado tanto tempo esperando, mas o tranquilizei, estava tudo bem, tinha sido apenas um desencontro.
Naquela noite, antes de sairmos para jantar, tivemos mais uma sessão de sexo. Eu sou uma pessoa muito sexual e valorizo demais a qualidade do sexo num relacionamento, e por mais que estivesse fluindo muito bem entre a gente na cama, não pude deixar de perceber que, ainda que fosse bom, não era a melhor transa que eu já tive. Estava muito feijão com arroz, morno, sabe? Mesmo desenrolar de sempre, nada de novo acontecendo. Daí resolvi tentar trazer à tona um pouco mais das minhas preferências, no intuito de dar uma apimentada. Pedi que ele falasse algumas putarias, mas o tiro saiu pela culatra. O que era para ser picante, ficou um tanto broxante.
Mais tarde, me queixei com a minha amiga:
– Ai amiga o sexo não é incrível. Mediano.
– Você tava mais empolgada com o sexo antes. Por que mediano?
– Feijão com arroz. Hoje pedi pra ele falar algumas putarias.
– Ele falou??
– “Me encanta sentir-te”. Ai amiga kkkkkkk. Também não chupa os meus seios.
– Nem umas lambidas?
– Não amiga. A preliminar dele é ficar me masturbando. Mas ele já demonstrou interesse em querer saber o que eu gosto.
– Vamos elaborar essas preliminares. Esses detalhes são ajustáveis, precisamos falar o que gostamos, ensinar.
– Ainda mais que ele é gringo, né? Outra cultura, tenho que ser paciente.
*
Desta vez fomos jantar num restaurante Tailandês, chamado MOON THAI & JAPANESE CUISINE.

Não gostei tanto da comida. Pedimos comida japonesa, o gosto não estava extraordinário e ainda passei um pouco de frio lá dentro – devido ao calor úmido de Miami, todos os estabelecimentos possuem ar-condicionado e o desse estava muito gelado – , contudo, mesmo assim foi uma noite muito agradável! Conversamos bastante e demos muitas risadas. Ainda não estava apaixonada, mas caminhávamos para isso, uma vez que estávamos nos dando cada vez melhor.
Quando chegamos no apartamento, ele ainda precisaria trabalhar mais um pouco e eu acabei dormindo. Na madrugada, quando ele veio se deitar, começou a me alisar. Eu, que estava super embalada no sono, não gostei muito. Daí me levantei para ir ao banheiro, achando que isso cortaria a ação do momento, mas, quando retornei, ele continuou me alisando, então tive que ser mais incisiva. Delicadamente tirei a mão dele de mim e me queixei que ele estava me acordando. Ele parou. Deve ter ficado sem graça.
Na manhã seguinte transamos. Quando acordei ele já estava na sala trabalhando, daí fui lá atiçá-lo, animada para compensar o “chega pra lá” noturno. Rapidamente ele correspondeu as minhas investidas e fomos para o quarto. No meio do vuco vuco, ele, provavelmente se lembrando do meu pedido do dia anterior para que dissesse umas putarias, soltou espontaneamente:
– Me encanta sentir-te
Desta vez achei importante ajustar.
– Isso que você está falando não está legal, me soa muito romântico. Fala… – pensei em algo mais safado – “é gostoso foder você!” – Propus.
– Mas isso que você está falando é romântico.
– Não, não é! Rs.
– Para mim isso que soa muito romântico.
– Então não fala nada! – Desisti.
Custava ele apenas repetir e seguir com o momento? Daí tentei uma outra abordagem, falei que gostava de coisas mais selvagens, como puxada de cabelo e pegada no pescoço…
– Me trata como se eu fosse uma putinha. – Falei.
– Isso eu também gosto! – Finalmente deu match!
Daí fui conduzindo algumas posições. Pedi que me pegasse de quatro, depois de bruços, mas em algum momento começou a me machucar, por ele querer ir cada vez mais fundo, sendo que não tinha mais para onde ele ir, e eu com a cara colada no colchão, o que eu falava ficava inaudível. Enfim, trocamos para papai e mamãe, até que conseguimos gozar juntos, muito sincronizado, gostei bastante! No meu ponto de vista, apesar dos tropeços, tinha sido uma transa muito gostosa, mas acho que tivemos percepções diferentes do momento, pois, assim que gozamos, ele quis discutir a relação…
Desentendimento
Naquele momento delicioso e relaxado pós sexo, de repente, ele veio com um papo estranho, que eu custei a atender o porquê dele estar entrando numa discussão daquela.
– Nós estamos tendo problemas de comunicação. – Ele começou. – Eu não te entendo, uma hora você fala para ir forte, outra hora devagar, minha cabeça não entende. Fico sem entender o que você quer.
– Depois a gente conversa sobre isso, acabei de gozar, quero só curtir. – Eu não estava em condições de entrar numa DR naquele momento.
– Mas é importante falarmos sobre isso. Não estamos conseguindo nos comunicar.
Como não estávamos conseguindo nos comunicar se tínhamos acabado de ter uma transa tão gostosa?! Eu não queria acreditar que ele estava problematizando aquilo.
– Tá, mas eu não quero falar disso agora! – Finalizei firme, tentando salvar o último respiro de relaxamento.
Ele se calou. Percebi que não gostou muito. Ficamos um tempo deitados abraçados e cochilamos. Depois se levantou, antes de mim, pois precisava retomar o trabalho. Continuei deitada mais um pouco, até que veio me perguntar se eu gostaria de café da manhã, aceitei. Antes de sair do quarto, voltou no assunto:
– Estamos tendo uns problemas de comunicação.
– A gente pode conversar sobre isso depois.
Quando fui ao seu encontro, na cozinha, percebi que ele não estava muito receptivo, mal olhou na minha cara, pelo visto ainda ressentido pela situação. Fiquei olhando para ele até que nossos olhares se cruzassem e quando aconteceu, deu um sorriso rápido, forçado, aquele típico sorriso que damos sem a menor vontade, apenas por educação. Ele fazia duas coisas ao mesmo tempo, preparava o nosso café da manhã com frutas e um outro prato com ovos mexidos, similar ao que fez de almoço no nosso primeiro dia juntos.
– Você vai comer as duas coisas? – Perguntei, tentando puxar assunto.
– Não sei. Talvez sim. – Num tom não muito amigável.

Depois acrescentou que não teria tempo de cozinhar no almoço, então já estava adiantando. Reiniciei a conversa e falei que não entendia por que ele tinha dito aquelas coisas, pois para mim estávamos nos entendendo muito bem, que é normal durante uma transa não ser algo linear e querer coisas diferentes. Ele começou a fazer várias queixas sobre a nossa comunicação e instantaneamente o meu café da manhã foi ficando indigesto. “Por que ele está problematizando?” eu me indagava mentalmente. Não falei mais nada, só assentia com a cabeça.
*
– Menina as coisas deram uma azedada aqui.
Atualizei minha amiga.
– De repente as coisas ficaram meio estranhas, amiga. Ele todo sério. Complicado. Ele tava falando que ele deveria voltar para as aulas de português, que isso o ajudaria não só comigo, mas com o trabalho dele também… mas sei não menina, do jeito que desandou aqui, se continuar assim não vamos nos ver mais não. Deu uma pesada no clima. Não sei se ele também já estava incomodado de ontem à noite ter me alisado e eu ter dado aquele chega pra lá nele. Ai menina… nem tudo é perfeito.
– Eu também achei algo bem pequeno para tanta cara fechada. Vocês estão se conhecendo, não é para tanto. Tenta ir passear na praia amiga, sua viagem está muito ‘apartamento e restaurante’. Sai, vai espairecer, dá um espaço pra ele também. Anda na praia, vê as casinhas de salva vidas que são charmosas, toma um sorvete gostoso em algum lugar e vai curtir sua companhia amiga, conhecer coisas, turistar e bater perna mesmo sozinha! Deixa ele com esse suposto azedume sozinho aí, você está num lugar incrível! Depois ele se recompõe e quando você voltar já estará tudo bem de novo. Convivência é isso mesmo.
Fada sensata. Contraditoriamente, acabamos transando de novo, antes de me deixar na praia.
– Foi gostosinho, mas nada uau. Não acho que vamos pra frente. Ainda não tô apaixonada. Já estou com saudade da minha casa, dos meus gatos e das minhas coisas. – Continuei com a minha amiga.
– Ai amiga, tem coisas que não adianta forçar. Talvez, se fosse para ser, já estaria virando a chavinha da paixão e encantamento.
Ele me deixou na praia de South Beach, me mostrou um restaurante todo cor de rosa que eu poderia comer depois e rumou para o seu dentista. Aluguei uma espreguiçadeira e um guarda sol. Uma mulher ao meu lado, que também estava sozinha, puxou assunto, enquanto eu estava estirada tentando pegar um bronze.

– Precisa tomar cuidado. – Ela disse, em inglês.
– Com o que?
– Com esse sol. Você que é bem branquinha.
– Ah sim. Apenas vinte minutos de cada lado. – Falei.
– Brasileira?
– Como sabe?
– Pelo seu sotaque.
– E você é de onde?
– Sou de Nova York, vim para a casa de uns amigos.
– Ah sim.
– O que você está fazendo aqui? – Curiosa ela.
– Vim ficar com um cara que conheci num aplicativo de relacionamento. – Eu e essa minha mania de falar da minha vida para quem não conheço.
– Ahh legal. E está gostando?
– Estou sim.
Não entrei em detalhes que já tínhamos saído no Brasil ou que estávamos nos desentendendo aqui, muitos detalhes desnecessários para quem não tem nada a ver com a história.
– E onde ele está agora?
– Trabalhando. – Também não ia entrar em detalhes que ele foi ao dentista. Falar que está trabalhando sempre é justificável para muitas coisas, inclusive para não estarmos curtindo a praia juntos naquele momento.
Daí me virei para pegar sol de costas e o papo foi encerrado. Em outro momento ela me pediu para olhar as coisas dela, enquanto entrava no mar, o que me retribuiu para que depois eu pudesse me banhar também.
Mais tarde, quando bateu a fome, fui até a lanchonete que ele tinha indicado, chamada Big Pink. O garçom tentou tirar meu pedido umas três vezes, mas eu estava perdidinha com um cardápio tão extenso. Acabei pedindo um beirute, que não aguentei comer tudo e levei uma parte para casa. Para beber um drink chamado Piña Colada, que desde que ouvi no filme “De Repente 30”, sempre peço quando vejo no cardápio. Na hora de pagar a conta tive um pequeno conflito com o garçom, pois o dinheiro a mais que lhe entreguei foi para facilitar o troco e ele achou que era gorjeta. Eu não sabia dessa regra lá fora – enquanto aqui a gorjeta é opcional, lá é super ofensivo se você não der -, e de repente comecei a ser maltratada por querer o troco exatamente como calculei que voltaria. Se eu soubesse da regra da gorjeta teria deixado para lá, mas naquele momento senti que ele estava me roubando, querendo dar um de esperto, dizendo que eu tinha lhe entregado um valor menor do que realmente entreguei.

Peter me contatou. Somente naquele momento estava saindo do dentista. Avisei que estava na lanchonete que ele indicou, que tinha sobrado metade do lanche e ofereci para ele, já que se queixava de estar com fome, mas recusou, dizendo que tinha comida em casa e o jeito que ele falou me soou um pouco grosseiro, como se eu estivesse oferecendo resto para ele comer. Novamente entramos naquela questão de não conseguirmos nos entender direito. Perguntei se viria me buscar e entendi que ele precisaria passar em casa para comer antes, pois, passava mal quando ficava muito tempo sem uma refeição. Me sentindo completamente desabrigada, voltei para a praia e após dez minutos começou a chover. Por sorte eu tinha entendido errado e ele já estava indo me buscar direto do dentista. Assim que começou a chover mais forte, ele me ligou perguntando onde eu estava, pois já se encontrava parado no mesmo ponto que tinha me deixado mais cedo. Assim que entrei no seu carro, novamente ofereci o lanche, já que ele estava morrendo de fome, mas ele novamente recusou, pois, queria comer da sua própria comida fit. Eu preferiria comer o que tivesse, do que passar fome, se fosse ele, mas cada um, cada um, né?
*
– Eu dei uma broxada. Agora toda vez que não nos entendemos já me incomoda, depois do que ele disse passei a reparar mais. Nossa relação está muito no início, se é que viraria uma relação, daí como ainda tá começando, é muito cedo pra desentendimentos, isso já me broxa, porque não é uma relação sólida ainda. – Desabafei com minha amiga mais tarde.
– Acho que você não tá pronta ainda, talvez, e sendo de uma cultura diferente e também outra idade, já contribui pra falha de comunicação. Porque um cara de 48 anos com suas vivências, já te passou na maturidade. Acho que a questão do momento certo também é a chave! Aproveita com leveza tudo que for possível.
Mais tarde fomos ao mercado e o senti bastante frio. Saía andando sozinho na frente, sequer se preocupava de andar ao meu lado, o clima estava mesmo muito estranho. Fiquei um pouco emotiva com isso e quando estávamos voltando para casa, ainda no carro, tentei conversar sobre a frieza dele. Aparentemente nos entendemos. Chegando no apartamento, fomos transar para selar a paz na cama, mas quando eu estava quase gozando, ele broxou. Justificou dizendo que como estávamos transando todos os dias, ele precisava de um descanso, mas acho que broxou pelo todo.
Por volta das 22:25 ele queria cozinhar. Eu já estava com sono e sugeri deixarmos para outro dia, afinal, onze horas da noite não é horário de janta. Ele disse que no seu dia a dia sempre treina a noite e que é comum na sua rotina jantar mais tarde. Ou seja, novamente entramos num impasse. Eu costumo jantar oito horas da noite, para as onze já estar me preparando para dormir. Visivelmente ficou chateado. Costumes diferentes é mesmo complicado. E como se isso tudo já não fosse o bastante, naquela mesma noite, ainda tivemos uma discussão acalorada. Eis a nossa primeira briga.
C O N T I N U A
Acho que vou esperar juntar alguns “capítulos” pra ler tudo de uma vez rsrs Estou ansioso pra saber o que aconteceu.
Do meu ponto de vista essa relação que mal começou está com alguns problemas de relações com muito mais tempo. No começo de uma relação, quando há paixão, a dinâmica é bem diferente, pelo menos é o que eu lembro rsrs
Estou adorando que estou anotando suas preferências pra te agradar no nosso próximo encontro, adoro saber mais sobre você.