A Namoradinha do Seu Marido

Querido diário, 

Preparados para um post polêmico? 

Esses dias estava refletindo sobre como é uma delícia ser namoradinha de homem casado. Mas calma, não sou nenhuma talárica, apenas estou exercendo o meu trabalho, cumprindo uma função que frequentemente me é atribuída. 

90% dos meus clientes são casados, e olha… como são um perfil delicioso de atender! 😎 Outro dia, aconteceu uma coisa muito atípica, que em alguns anos como acompanhante nunca tinha me acontecido. Um cliente que eu já tinha saído algumas vezes, me contratou para uma brincadeira a três com a sua esposa, em que eu precisei fingir que nunca tinha saído com ele, rs.

Sim, os homens são muito safados. Tão safados, ao ponto de cada vez mais eu ter certeza que o matrimônio é uma grande mentira. Uma farsa criada pela sociedade para esconder a hipocrisia. Esses dias, quando estava na Scandallo, conversei com um rapaz muito inteligente, que me afirmou que 99,99999% dos homens são infiéis. Não que seja alguma novidade pra mim, eu também já cheguei a essa concepção, mas vendo um homem reconhecer isso, se apoiando em dados científicos, achei muito agregador na conversa. Ele afirmou que existe uma parte do cérebro masculino que está sempre em busca de dopamina. O homem não trai por falta de amor ou caráter, mas sim porque seu cérebro é programado para isso. Algo que eu até compreendo, não estou aqui para julgar, mas para refletirmos juntos o quanto lutamos contra nossa real essência, ao querermos nos enquadrar em algo que foge da nossa natureza.

As pessoas adoram me perguntar: “Você não quer casar e formar uma família?”, daí eu penso, pra que vou me enfiar numa prisão em que a longo prazo ambos diminuiremos o tesão pelo outro, passar para o lado da esposa que o marido engana saindo com outra, se ser a namoradinha do casado é muito mais gostoso?

E digo mais, é claro que não posso falar por toda a população do planeta Terra, mas diante do que vejo nesses bons anos trabalhando como uma profissional do sexo, é muito provável que todo homem casado tenha uma namoradinha, seja ela paga ou não, para se divertir fora do seu casamento. Eles casam com as puras, mas se divertem com as putas. 

As vantagens de ser uma esposa, ao meu ver, são bem poucas, na verdade. A oficial sempre está presente em datas comemorativas e eventos de família. Ponto. Essas são as únicas vantagens. 

A namoradinha fica com todas as outras partes boas. Sexo ardente que nunca esfria, pois não tem o desgaste da convivência, passeios diferentes por ele querer fugir do estresse da vida cotidiana, presentes interessantes por ele querer ver o deslumbre nos olhos de alguém que não está acostumado a ter isso todos os dias, não temos os estresses das contas a pagar, dos filhos a educar, dos parentes chatos a socializar, ficamos apenas com aqueles momentos íntimos em que ele se desconecta da sua vida real para ser outra pessoa.

Eu adoro ser namoradinha dos meus clientes. Não tem brigas, falta de tesão ou mesmice. O que você chama de solidão por as vezes eu estar sozinha na minha casa, eu chamo de paz, liberdade e sossego. Tem duas coisas que os homens têm de melhor: sexo e dinheiro. E eu consigo ter isso deles, sem a parte da dor de cabeça. É o paraíso. 

Daí você pensa: “Nossa, que coração de gelo”, até que não, sabia? Já me apaixonei perdidamente por dois clientes!

O primeiro foi logo ali no começo, no meu primeiro ano de experiência. Seu apelido aqui no blog é “Habib”, por ele ter traços árabes. Escrevi alguns relatos sobre ele. Empresário, tinha alguns comércios no Brás. Não foi um cliente que me apaixonei de primeira. O achava bonito, mas muito fumante e o sexo nem era lá essas coisas. Sabe como ele conseguiu me conquistar? Me levando para vários restaurantes caros. O meu ascendente é touro, ou seja, me conquistou pela barriga. A primeira vez que fui num restaurante chique, foi com ele. Lembro que fiquei espantada quando vi que a conta tinha ficado R$ 600, isso em 2015, quando o dinheiro tinha outro valor. Mais do que o deslumbre por coisas finas, ele não me contratava pelo sexo, mas sim pela companhia, quantas vezes saímos pra jantar, sem a obrigatoriedade do “algo a mais” depois? 

– Sabe qual é o meu sonho? – Ele me disse certa vez, durante o sexo, quando eu ainda não estava envolvida. 

– Qual?

– Que um dia, nem que seja só uma vez, você transe comigo sem eu precisar pagar. Que você queira transar comigo não pelo dinheiro, mas porque você quer mesmo. 

Lembro que quando o ouvi dizer isso, pensei “coitado”, mas o danadinho conseguiu reverter o jogo. Com o passar do tempo, conforme fui me apaixonando (saíamos mais de uma vez por semana), transar com ele passou a ser algo cada vez mais prazeiroso. A paixão é como um filtro de embelezamento numa rede social: traz um brilho extra para cada momento. 

O Habib só tinha um problema: era muito ciumento com o meu trabalho. Algo completamente ilógico, visto que me conheceu assim e ainda era casado, com filho pequeno. É ridículo como os homens adoram ter posse, quando nem eles se prendem ao que foi construído. 

E já que me queria de forma exclusiva, o que caberia a ele fazer então? Me bancar financeiramente. Tivemos essa conversa e colocamos no papel todos os meus gastos. Ficaria apertado, mas, segundo ele, conseguiria. Eu não poderia ter nenhum luxo extra, seria tudo contadinho, mas como eu estava apaixonada, topei do mesmo jeito. 

A grande questão foi que, até isso de fato acontecer, precisei continuar atendendo, o que resultou em mais brigas desgastantes por ciúmes. Eu não podia mais nem aceitar uma carona dos meus clientes. E se tem uma coisa que eu já percebi que detesto é ser controlada por alguém. 

Certa noite, o Habib quis me encontrar para discutir a relação e eu recusei. Já estava saturada de brigar e falei para nos resolvermos por mensagem mesmo, e só deixarmos para nos encontrarmos quando estivesse tudo bem. Queria encontrar pra curtir e não pra ter conversas exaustivas, que nunca resolviam o problema de fato. Daí, de pirraça, ele parou de me responder, mesmo eu demonstrando toda uma boa vontade de conversar a distância. 

Quando ele voltou a me dar atenção, disse o seguinte:

– Estava jantando com a minha esposa e precisei arquivar a conversa. Eu te chamei pra vir jantar comigo e você que não quis. A minha esposa, apesar de já ter jantado, veio me acompanhar. 

Eu apenas respondi:

– Palmas pra ela. 

Daí sabe o que ele fez? 

– Quem você pensa que é pra ofender a minha esposa? Vai se fuder!!

E me bloqueou. Assim, sem mais nem menos. E vamos combinar que eu nem tinha ofendido ela, apenas fiz um comentário irônico. Foi o rompimento mais ridículo que eu já vivi. Fiquei na maior fossa por vários dias. Não conseguia atender ninguém, fiquei na merda sem dinheiro, e ele tinha cortado o contato completamente. Ainda me senti uma grande idiota, por ter parado de cobrar dele, o que só reforçou o sentimento de ter sido usada. 

Quatro anos depois, novamente me apaixonei por um cliente. Aqui no blog ele está como: “O Fenomenal”. Um carioca careca, advogado, gostoso. Diferente do Habib que a conquista levou um certo tempo, pelo Fenomenal foi paixão imediata desde o primeiro encontro. Até aquele momento eu nunca tinha tido uma transa tão gostosa. Ele me apresentou o que era um sexo de respeito. Me conquistou pela cama. E desde o primeiro encontro passamos a nos falar todos os dias. A recíproca foi tão verdadeira que, para o nosso segundo date, ele comprou uma passagem de avião para que eu fosse encontrá-lo numa viagem de trabalho em Porto Alegre, onde tivemos o nosso primeiro pernoite. Transar com o P era coisa de outro mundo. Me apaixonei completamente, se tornou meu muso inspirador aqui no blog. Os textos: “P de Paixão”, “Romanticamente Safada” e “Eu, Tu e Ela” foram escritos inspirados nele. 

Diferente do Habib, o P não tinha ciúmes do meu trabalho, até porque ele morava no Rio e também era casado, com dois filhos pequenos. Mas assim como o primeiro, tentou me manipular para que eu deixasse de cobrar dele. 

– Olha linda, vai ter dias que eu vou pra São Paulo, mas não poderei sair com você. Não porque eu não quero, mas porque não posso. 

Imediatamente compreendi que se referia a um possível impedimento financeiro. Eu amava transar com o P, muito mais do que foi com o Habib, mas eu já tinha aprendido a minha lição e jamais cometeria o mesmo erro novamente. Deixar de cobrar de cliente casado, quando eu não tenho nenhuma garantia na relação, é a forma mais burra de me tornar uma amante. Obviamente não cai no seu joguinho.

– Tudo bem lindo, quando você não puder sair, a gente não sai. 

Mas mesmo assim o P tinha algumas regalias comigo, me pagava o equivalente a um pernoite e eu ficava com ele a noite e o dia seguinte inteiro. Nunca saíamos do quarto do hotel, nossos encontros eram regados a muito sexo. Tenho até um vídeo de 0:23 segundos, transando com ele, que envio no privado, como mimo, para os meus assinantes do Only

Na última vez que estivemos juntos, saímos para jantar e até tiramos uma foto na mesa do restaurante. Ele nunca tinha saído comigo em público, e naquela noite pareceu que estávamos avançando. Ledo engano, depois daquele encontro, nunca mais nos vimos. E como foi o rompimento? Determinada tarde, enquanto tínhamos nossa costumeira troca de mensagens diária, de repente ele reapareceu dizendo que sua esposa tinha descoberto, que ela estava com seu celular na mão e acabou vendo a minha mensagem. Ou seja, a casa caiu pro lado dele. 

Como ele vivia reclamando do casamento e fazia insinuações sobre um possível futuro comigo, achei que se separaria se em algum momento desse merda. Nada disso, quem ficou a ver navios fui eu. Novamente sofri um coração partido. O meu único consolo foi não ter deixado de cobrar dele em nenhum momento. Eu tinha perdido o meu brinquedinho, mas dessa vez não saí me sentindo usada. É muito importante aprender com os erros. 

Depois do P, eu tive um novo aprendizado: não mais me deixar enganar por xaveco de homem casado. E a terceira vez que me permiti ter esse envolvimento, foi por um cliente que não me atraiu pela aparência, nem pelo sexo, mas pela forma como ele me tratava. Pelos pernoites em que agendava e cozinhava pra mim em seu apartamento para depois assistirmos filme no sofá da sala, como um legítimo casal namoradinho. Não me apaixonei rapidamente, foi uma construção que levou tempo, resultando em um ano de namoro e um ano morando juntos durante a pandemia. Mas essa história você pode conferir completa em outra postagem, só clicar aqui

Eu já estive dos dois lados. Já morei junto, já fui casada. É um modo de vida diferente, você ganha a companhia e o amor do outro, mas perde a sua liberdade e solitude. Talvez ainda não fosse o meu momento de me prender a alguém, mas não sei se algum dia isso me fará totalmente feliz, já que todas as vezes que tentei me relacionar, não fui bem sucedida. Até mesmo com o Intenso, ainda que apaixonada e disposta a parar de atender mais uma vez, lá no âmago eu me sentia um pouco castrada ao vislumbrar o meu futuro. E deve ser por esse mesmo motivo que os homens traem, por lá no fundo eles também sentirem essa fobia, com a diferença de que eles dão o seu jeito para terem o melhor dos dois mundos. Mas será que apreciariam suas esposas também terem seus namoradinhos?

Talvez um dia eu volte a escolher o outro lado. Talvez não. Hoje, a verdade é que prefiro a lucidez à ilusão. Já fui esposa, já fui amante, hoje sou namoradinha de aluguel. E se tem algo que aprendi estando em todos esses lugares, é que o problema nunca foi onde eu estava, mas a mentira que contaram sobre onde deveríamos estar.

No fim das contas, talvez o problema nunca tenha sido a namoradinha do marido. Talvez o problema seja a fantasia que insistimos em sustentar sobre amor, posse e fidelidade, mesmo quando a realidade se apresenta todos os dias de forma oposta. Eu não sou vilã, nem heroína. Sou apenas uma mulher que escolheu não fingir. E enquanto o casamento continuar sendo um acordo social que ignora a natureza humana, sempre haverá uma esposa acreditando… e uma namoradinha sabendo. 😏

Perdendo a Fé nos Homens

Querido diário,

Acho que nunca contei nessas páginas sobre o meu último relacionamento. O tal que morei junto e que parei de atender por conta dele. Sempre fui muito discreta em relação a ele, pela forma como nos conhecemos: era cliente. Mas ao contrário do Habib e Fenomenal, já relatados aqui, que me deixei envolver e eram casados, com este o curso da história foi totalmente ao contrário.

Na primeira vez que saímos, ele também era comprometido, casamento nas últimas, até me mostrou a foto da esposa e me surpreendi que ela fosse tão mais bonita do que ele. Sobre o nosso encontro, sinceramente falando, não gostei muito. Não me atraiu em nada e a parte sexual também não teve nada de surpreendente.

Meses se passaram e ele voltou a me procurar. Desta vez, recém separado, reconstruindo sua vida. Neste encontro lhe fiz uma deliciosa massagem tântrica – lembro dele dizendo que tinha sido muito intenso –, e ao final do encontro lhe indiquei um filme que o ajudaria muito nesse processo de “voltar pra pista”, chamado “Amor a Toda Prova”, pelo nome parece um filme mela cueca, mas, pelo contrário, tem uma trama muito interessante e condizente com esse momento de vida, do homem mais velho que termina um casamento de anos e precisa reencontrar a sua masculinidade.

Mais alguns meses se passaram, até que ele voltou a me procurar. Agora o atendimento foi direto no seu apê de homem solteiro. Eu fiquei bastante surpresa quando ele abriu a porta, estava repaginado! Tinha deixado a barba crescer, fez uma tatoo grande no braço e tinha emagrecido! Uma outra versão muito melhorada. ??

– Adorei a dica do filme, me ajudou bastante. – Ele reconheceu, agradecido.

Se tornou meu cliente fixo, saindo comigo toda semana, inicialmente encontros de 4h que passaram a ser pernoite. Com o passar do tempo, atender ele não parecia mais trabalho, ele me tratava como uma legítima namorada, cozinhava pra mim – e mandava muito bem, poderia abrir um restaurante que seria sucesso –, assistíamos filme juntinhos no sofá, me levava pra jantar fora, enfim, dates que fugiam do estereótipo sexual de programa.

Na última vez que saímos pagando, lembro dele ter contratado um pernoite de sexta para sábado e no dia seguinte eu não queria ir embora. Tive que decidir naquele momento se ultrapassava essa linha ou não, e acabei decidindo por sim.

– Você sabe que essa é a última vez que você sai comigo pagando, né? – Admiti pra ele.

– Ainda bem, já estava ficando sem dinheiro. – Ele brincou, rs.

Logo mais veio a pandemia, o que intensificou ainda mais o nosso envolvimento. Em um mês saindo, sem que houvesse mais a parte financeira envolvida, oficializamos o namoro.

– Você está namorando com essa *******? Todo fim de semana só fica com ela! – Um amigo dele o questionou, e ele estava me contando.

– E o que você respondeu? – Perguntei.

– Que sim.

– Você me pediu em namoro, por acaso?

– Precisa pedir?

– Mas é claro!

Daí ele se ajoelhou e me pediu em namoro, fazendo toda uma cena. Foi muito fofinho. Confesso que levei algum tempo para desvincular a sua imagem a de um cliente. Muitas vezes tinha receio de compartilhar alguma coisa dos encontros, pensando nele como um cliente também, como se eu estivesse sendo antiética, não o vendo como alguém que eu poderia compartilhar qualquer coisa. Foi uma delícia quando a minha chavinha virou e já não o via mais como alguém que um dia precisou pagar para sair comigo.

No começo ele lidava bem com o meu trabalho, mas conforme foi ganhando mais importância na relação, começamos a ter sérios desentendimentos, por ele não se sentir confortável de eu continuar atendendo, com receio de que da mesma forma que me envolvi por ele, também me apaixonasse por outro. Quando completamos um ano de namoro, decidimos morar juntos, como uma forma de reduzir os meus gastos. Foi nesse período que criei minha conta no OnlyFans, com o intuito de migrar a minha fonte de renda.

E lá fomos nós, entramos de cabeça nessa vida a dois. Coloquei meu apartamento pra alugar, ele também saiu do que ele estava e nos mudamos para um maior. Me senti muito feliz durante esse período, estava completamente apaixonada, já imaginando o dia que nos casaríamos oficialmente e teríamos filhos.

Ele tinha uma vida social bastante ativa, todo final de semana íamos para eventos diferentes com a sua turma, sempre viajávamos com dois casais de amigos, festas, churrascos, esse povo rico sabe viver a vida. O curioso é que nunca consegui me conectar completamente com as namoradas/esposas dos amigos dele. Isso me incomodava muito por dentro, como se eu não me encaixasse naquele meio. Não que elas me tratassem mal, muito pelo contrário, mas nunca rolou uma amizade profunda, organicamente.

Tentei fazer dar certo a minha carreira de atriz, trabalhando em alguns eventos, mas nada que me trouxesse a renda que eu tinha antes, é claro, o que, com o passar do tempo, começou a me gerar incomodo. Uma vez, o chamei pra conversar e falei sobre eu voltar a atender, apenas para estruturar a minha saúde financeira, já que parei de atender abruptamente por conta do nosso relacionamento – ele bancava a casa, nossos passeios e viagens, mas as minhas despesas mensais ficavam por minha conta –, e ele não foi nada flexível, dizendo que se eu voltasse a atender, terminaríamos. Egoísta. Pensando apenas na sua insegurança masculina, mesmo as minhas contas não fechando, todo mês no vermelho, desde que começamos a morar juntos.

Com o passar do tempo, o meu sentimento por ele foi diminuindo, uma vez que eu precisei me diminuir para estar com ele. Eu não tinha mais autonomia financeira, não podia mais fazer as coisas que eu gostaria, como aulas de canto e dança para me desenvolver nas artes, eu nem andava mais de uber e também tive que reduzir o amparo que fornecia a minha mãe. Me vi num grande retrocesso de vida. Tinha saído de casa, aos 25, pra ter a minha independência, pra agora estar presa num pseudo casamento, sem nenhum puto no bolso.

Por outro lado, eu não tinha o que me queixar dele. Era um lord comigo, cozinhava pra mim, me tratava como uma rainha. Pagou até coach profissional para que eu descobrisse outras áreas que eu pudesse me desenvolver profissionalmente. Mas num destes tantos testes que precisei fazer com ela, descobri que estabilidade financeira é um valor muito importante pra mim, e talvez por isso que eu estivesse cada vez mais tão incomodada de continuar naquele relacionamento.

A chavinha não virou do dia para a noite. Aos poucos fui ficando sem paciência, sem vontade de transar e calhou dele passar um mês fora viajando a trabalho. Eu ainda mantinha as minhas redes sociais da Sara e, um dia, enquanto ele viajava, decidi responder uma mensagem no Twitter, em que a pessoa me perguntava se eu atendia casal. Num primeiro momento respondi que não mais e indiquei a Manu Trindade. Mas depois voltei na conversa e especulei para quando gostariam. Eu não confirmei que os atenderia, no entanto, cogitei essa possibilidade.

Para o meu azar – ou não –, o meu Twitter estava logado no celular dele. Ficou furioso e desconfiado de que eu já estivesse atendendo escondido, já que ele estava o mês inteiro fora. Eu não estava, mas também não fiquei me desculpando por nada, não era novidade que eu estava sem dinheiro e chegou um certo ponto em que comecei a pesar na balança o que era mais importante, um relacionamento ou minha independência financeira. Diante das circunstâncias, continuar com ele já não tinha mais o mesmo brilho e vê-lo me acusando de estar atendendo pelas suas costas, me causou mais revolta ainda, pois, odeio ser acusada de algo que não fiz. Por outro lado, suas acusações me fizeram me imaginar naquele cenário – o de estar atendendo novamente – e gostei de me ver nesse lugar, tendo a minha antiga vida de volta.

Nesse momento o jogo inverteu. Vendo que eu terminaria com ele para voltar aos atendimentos, ficou mais flexível, querendo ceder a um pedido meu do passado, quando propus que eu voltasse a atender até me estruturar financeiramente. Mas agora era tarde demais, eu não queria ter que ficar mais dando satisfação para ninguém e voltar a ter a minha total liberdade para fazer o que eu bem entendesse. Lembro como se fosse ontem a nossa conversa que culminou no término, foi a mais difícil que conduzi em toda a minha vida.

Ele chegou de viagem e me buscou no meu trabalho de atriz. Ali eu vi que não sentia mais nada por ele, pois fazia dias que não nos víamos e eu sequer estava com saudade. Ele tentou me beijar no carro, mas me esquivei da sua investida e falei que em casa conversaríamos, eu que não ia lhe provocar emoções enquanto dirigia. Quando chegamos, na maior calma, falei que ia tomar banho e enquanto eu estava no chuveiro, estruturei toda a conversa na minha mente. Eu sabia o que eu queria, mas não sabia como colocar pra fora de forma condizente, mas, conforme aquela água caía sobre a minha pele, veio tudo naturalmente.

Nos sentamos na sala e então comecei.

– Eu não estou mais feliz nesse relacionamento.

Pausa.

– Sinto um carinho e gratidão enorme por você, mas, os sentimentos que mantém uma relação viva, eu já não sinto mais. – Continuei.

Mais pausa.

– Quero voltar a atender e ter a minha independência financeira de volta.

– Não tem nada que eu possa fazer?

– Não.

– E se alinhássemos sobre você voltar a atender, ainda estando juntos?

– Quero ter minha liberdade pra atender tranquilamente.

Em resumo, foi uma conversa bastante difícil, ambos choramos. É difícil romper um ciclo, ainda mais um ciclo bom como tinha sido aquele. Ele foi tão evoluído que, dias depois, ainda me ajudou a empacotar as minhas coisas, mesmo que a minha partida doesse nele. Choramos muito no dia da minha mudança. Eu estava triste por estar indo embora, mas não triste o bastante pra continuar ali.

Ao todo nosso relacionamento durou pouco mais de dois anos e estamos separados há dois anos e quatro meses. Mantivemos contato, afinal, não tinha acontecido nada de grave para que terminássemos, traição ou coisa do tipo, apenas momentos de vida diferentes. Vez ou outra trocamos mensagens, nada que tivesse segundas intenções de nenhum dos lados.

O fato novo é que, recentemente, retomei o contato com uma grande amiga, – uma que estávamos há meses sem nos falar, mas que sempre fomos muito próximas, inclusive na época que eu ainda estava com ele – e descobri que esse homem que eu nutria um certo respeito e admiração por toda a nossa história, estava dando em cima dela! (Talvez pensou que por estarmos afastadas, tudo bem cortejá-la, ignorando o fato de sempre ter sido uma pessoa muito próxima a mim e que poderíamos retomar a amizade a qualquer momento). Não é uma amiga qualquer, mas justo uma que frequentava a nossa casa, que sempre estava presente nos eventos que organizávamos para reunir a galera.

Quando ela me contou, não pensei muito na perplexidade que aquela informação representava e reagi numa boa.

– Amiga, se você quiser tudo bem, dou o maior apoio, não sinto mais nada por ele. – Até me diverti com a possibilidade.

Mas conforme ela avançava no relato e me mostrava as mensagens trocadas, se mostrando perplexa e nem um pouco interessada, que foi caindo a minha ficha do grande papelão que ele havia cometido, ao ponto ainda dele argumentar com ela, que a minha amiga não estava embarcando no flerte dele por medo de mim, ignorando o fato dela não estar interessada e também de haver um respeito e código de ética entre amigas, quando se refere a ex-namorados (que dirá ex maridos). Entendo que não estávamos mais juntos, mas ainda assim achei feio, pra não dizer péssimo.

A imagem que eu tinha dele ruiu completamente. Eu o via como um cara super legal, correto, decente, até mesmo por ainda mantermos contato de forma respeitosa, interagindo vez ou outra sobre algum assunto, mas saber que ele deu em cima da minha melhor amiga (ainda que estivéssemos brigadas) me fez criar um certo desprezo e ranço, ainda que, de verdade, eu não tenha mais o menor interesse nele há muito tempo. Será que estou sendo antiquada?

Você que é homem, acha normal e plausível dar em cima de alguém muito próximo da sua ex? E vocês mulheres? Como receberiam algo desse tipo, mesmo que não sentisse mais nada pelo cara? Não ficariam com a sensação de que sempre houve esse interesse por parte dele, mesmo quando ainda estava com você? Estou sendo careta? Qual a visão de vocês sobre o assunto?

A Instituição do Casamento

Querido diário,

Hoje estou aqui para divagar sobre um tema que tem aparecido muito no meu TikTok (criei a conta há uma semana) e caixinha de perguntas no Instagram. Algumas pessoas têm me perguntado nos comentários dos meus vídeos, sobre a minha profissão atrapalhar o meu futuro, quando eu decidir constituir uma família.

Percebi que essas perguntas começaram a me incomodar, como quando você vai visitar um parente distante e vem aquela tia chata perguntando: “e os namoradinhos?”, como se isso fosse o mais importante de tudo. Como se eu devesse alguma satisfação por ter esse estilo de vida. Como se eu não fosse uma mulher de valor ao ponto de um dia me casar, tendo toda essa bagagem.  Por outro lado, também me incomodou por alguém induzir que por eu ser mulher, é claro que eu quero tudo isso.

Essa questão me abriu uma série de reflexões comigo mesma sobre a instituição do casamento, filhos e como isso foi moldável a vontade da mulher. Afinal, é da natureza feminina querer ser mãe, casar e viver no padrãozinho da sociedade perfeita.

Continuei indo mais fundo nas minhas reflexões e cheguei à conclusão de que, para início de conversa, talvez, eu não acredite na instituição do casamento. E eu não sou uma pessoa fria, muito pelo contrário, sou bastante romântica e acredito no amor. No amor, mas não no casamento.

Não estou dizendo que não existam casamentos genuinamente felizes, que dão certo e duram até o fim da vida. Mas acredito que esses são as exceções e não a regra. E antes que você pense: “Que propriedade essa menina tem para falar do assunto?”, te digo que eu tenho muita, pois, atendo muitos clientes casados e também já vivi esse modelo de relacionamento.

Não julgo os meus clientes, pois, já estive do mesmo lado. Você ama a pessoa, mas se atrai por coisas novas. Aí vem os moralistas e falam que é falha de caráter, a falha é obrigar a pessoa a viver num sistema monogâmico porque assim foi estipulado pela sociedade há milhões de anos. 

Com meu último namorado moramos juntos e terminei sem que nada de grave tivesse acontecido. Simplesmente aquilo perdeu o sentido para mim. Desde então fui buscar terapia, pois, na minha cabeça também era inconcebível que eu tivesse me cansado daquele modelo lindo e seguro de relacionamento.

Eu mesma, quando era mais nova, achava que queria tudo isso. Estava dentro de um namoro desgastado de 8 anos, com o meu primeiro, e mesmo não sendo plenamente feliz, queria intensificar ainda mais os laços com ele, pois achava que era assim que tinha que ser. Você namora, casa, tem filhos e é isso. O ciclo da vida. Como se eu tivesse sido programada para ser assim.

Não eu.

Eu gosto de ser livre, independente e o casamento é uma privação de tudo isso. Isso não quer dizer, obviamente, que não quero ter alguém legal para dividir alguns momentos da vida. Mas por que precisa ser 8 ou 80? Quando eu falo sobre ter contatinhos, muitos se divertem achando que estou contando uma piada, não, eu realmente acho que a vida é curta demais para ficarmos presos a uma única pessoa, nos privando de termos várias experiências diferentes, com pessoas diferentes.

Sim, não vou ser hipócrita e dizer que quando estou apaixonada por alguém, eu não me iludo com o pensamento de que quero ficar somente com aquela pessoa até o fim, também. Todo mundo é fiel no estágio da paixão. O grande ponto aqui é que isso não se sustenta. Em algum momento, o fato de a pessoa sempre estar disponível pra você, te tirará a grande emoção do desafio.

Daí os moralistas vão dizer: “É natural você desejar outra pessoa, mas o que não pode é se sucumbir aos desejos”. Que merda de vida é essa que você precisa ficar se reprimindo, transando com a pessoa que você está junto e pensando em outra? Por que as pessoas não podem simplesmente aceitarem que é normal você estar com alguém e se atrair por outra? Que é normal você não querer ficar passando vontade?

Daí você me pergunta: “Então quer dizer que quando você casar será compreensiva se for traída?”, esse é o X da questão, eu não quero casar e passar por isso, porque eu já sei que o modelo de casamento não é compatível.

Então a pergunta certa não é se eu não acho que o meu estilo vida vai me atrapalhar, como se eu tivesse que me moldar ao que é aceito e bem-visto pelo/alguns homens, mas sim, o que será que é preciso para um homem me conquistar a este ponto?