Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 5

Viagem a Miami

– Ai amiga, estou com uma intuição de preocupação, sei que dará tudo certo na sua viagem, não fica irritada, mas me promete que quando tiver o endereço, você vai me passar? E queria te pedir outra coisa, vai parecer esquisito, e só por precaução… Leva aquele seu sprayzinho na mala?  Porque querendo ou não, você vai pra casa de uma pessoa estranha, em outro país, uma pessoa que você passou poucas horas junto aqui. Em um lugar muito longe que você não tem pessoas conhecidas, te acho meio lesada. 

Péssimo momento para a minha melhor amiga demonstrar qualquer preocupação comigo. Tínhamos almoçado no dia anterior e ela parecia bastante animada com a minha aventura, e agora, no dia da viagem, vinha com essa mensagem negativa.

– Amiga, você mais do que ninguém sabe o quanto sou desconfiada. Fica tranquila, eu não sou tão inocente, se der alguma merda vou me defender também. Rasgo qualquer um com essas unhas, rs.

Tentei não levar para o coração aquele alerta para que também não ficasse pilhada.

*

No momento do check-in, no aeroporto, tive que comunicar sobre o meu spray de pimenta na mala despachada e, graças a minha amiga, perdi o meu item de defesa para sempre, pois precisei retirá-lo e deixá-lo de fora. Até negociei com a balconista sobre ela guardá-lo para mim, mas nunca voltei para buscar.

Voo direto, porém, longo e, para variar, a comida do avião me deu refluxo. Assisti ao filme “Cinderela”, a versão de 2021, que tem a Camila Cabello, para já entrar no clima de conto de fadas.

O voo chegou meia hora antes.

– Pousei! – O avisei imediatamente.

Nada dele responder.

– O voo chegou antes. – Insisti, 20 minutos depois.

Novamente o silêncio. Comecei a ficar ansiosa. E se eu fosse raptada por uma agência clandestina que quisesse me transformar numa escrava sexual, como na novela “Salve Jorge”? E se ele não me respondesse mais e eu ficasse completamente sozinha e desabrigada, num país que não fala o meu idioma? Fui ficando cada vez mais tensa!

– Oie? – Novamente tentei contato, 15 minutos depois.

Comecei a ficar paranoica. Já tinha dado o horário original da chegada do voo, ou seja, já era para ele estar a caminho, e, no entanto, continuava ausente. Em contrapartida, a fila para passar pela Polícia Federal estava gigantesca e lenta. “Se até eu pegar a mala, ele não aparecer, irei ligar para ele”, pensei com meus botões, estruturando um plano de emergência. Mas quem disse que aguentei esperar? Cinco minutos depois eu estava ligando para ele, rezando para que me atendesse e não fosse um golpe.

– Alô.

– Oi.

– Oi! Você já chegou??

– Sim, o voo chegou meia hora antes. Você não está vindo?

– Não, mas eu moro perto. Estou a quinze minutos do aeroporto.

– Ah tá, é que eu te mandei mensagem e você não respondeu.

– …

– Você estava dormindo? – O voo tinha chegado às 7 da manhã.

– Não, estou me arrumando para ir te buscar. Como que está aí? Já pegou a mala?

– Ainda não. A fila da imigração é muito grande.

– Ahhhh sim! Por isso me planejei para chegar um pouco depois do pouso, sabia que iria demorar. Me avisa quando passar, que vou te buscar.

Finalizei a ligação mais tranquila, mas o sentimento de desconfiança não foi embora totalmente. Não tinha gostado daquela ausência. Se ele sabia que eu estava chegando, como não ficou atento nas mensagens? Ele sequer teve a preocupação de acompanhar a chegada do voo!

Após uma hora de espera, enfim chegou a minha vez de ser atendida.

– Qual o motivo da viagem? – O policial perguntou.

– Lazer.

– Onde ficará hospedada?

– Deixa eu pegar aqui.

– Você não sabe?

– Não sei de cor, é a casa de um… amigo.

– Onde você conheceu seu amigo?

– Num aplicativo de relacionamento. – Na mesma hora me bateu uma vergonha de falar isso em voz alta.

– Onde?

– Aplicativo de relacionamento.

– O que é isso?

– Você não conhece?

– Não. Internet?

– Isso! – Achei melhor não dificultar seu entendimento.

Pensei que o policial fosse barrar a minha entrada, mas logo em seguida devolveu o meu passaporte e liberou a minha passagem. Ufa! Após poucos minutos esperando a minha mala surgir na esteira, tive a expertise de checar num amontoado de malas em outro canto e por sorte a minha já estava lá. Um tanto burocrático para sair do aeroporto de Miami e quando a porta automática de saída abriu, o ar-condicionado congelante deu lugar a uma bufa de ar quente úmido. Ele já estava lá. Veio andando até mim, todo bonitão e cheiroso. Nos cumprimentamos e rumamos para o seu carro, que era uma BMW.

*

– Preciso passar num lugar antes. – Ele disse, enquanto estávamos na estrada, de repente, reacendendo a minha desconfiança.

– Que lugar?

– Como você é curiosa… É uma surpresa! – Disse ele, todo sorridente.

Eu não estava muito confortável com aquela “surpresa”. Chegamos numa área de Miami toda residencial, novamente achei que seria raptada. Ele estacionou num lugar estranho e disse que já voltava, me deixando sozinha no carro. Felizmente deixou a chave junto comigo, mas poderia ser um truque, pensei, ainda desconfiada. Fiquei observando aonde ele ia, até que virou a esquina e o perdi de vista. A rua era deserta, fiquei olhando de um lado para o outro incansavelmente.

Após uns dois minutos, surgiu um outro carro e parou a poucos metros de distância. Na mesma hora já peguei a chave do carro, preparada para apertar o cadeado se fosse preciso. O vidro do motorista do outro carro abaixou e o homem que estava ao volante fez algumas fotos da rua com o seu celular. Enquanto o observava extremamente atenta, experimentei um sentimento não muito agradável de medo, percebi que nunca passei por uma situação que me despertasse aquela sensação antes. Depois ele voltou a subir o vidro e deu ré, chegando muito perto do carro que eu estava. Senti mais medo ainda! Mas a sensação logo foi tomada por um alívio, quando manobrou e foi embora.

– Será que foi te comprar flores? – Minha amiga matou a charada antes que ele voltasse.

– Ai amiga espero que não… flores?

Um pequeno adendo aqui, eu devo ser uma das poucas mulheres que não acha a menor graça em ser presenteada com flores. Acho lindo quando vejo nos filmes, mas, na vida real, considero inútil. Gosto de presentes que poderei de fato guardar de lembrança e não que vá morrer em poucos dias.

– No mapa da localização que você mandou tem uma floricultura bem próxima. Só isso para fazer sentido. – Ela analisou.

E tinha acertado. Após alguns minutos, o vejo ressurgindo na esquina, sorrindo, como se estivesse carregando um troféu, segurando algo nas mãos. Devido à distância, não consegui identificar de primeira o que era, mas quando se aproximou mais, pude ver. Se tratava de um lindo buquê de rosas vermelhas, com apenas duas rosas brancas, uma distante da outra, que, segundo ele, representava nós dois, comigo no Brasil e ele nos Estados Unidos. Achei muito fofinho o gesto, coloquei meu lado atriz em ação e demonstrei a maior empolgação com o mimo, mas lá no fundo não me impressionou tanto assim, pois, como falei, flores não é algo que me causa grande encantamento, apesar de serem mesmo muito lindas.

Agora sim rumamos para o seu apartamento, que eu já conhecia de algumas fotos. Ao passar pela porta de entrada, a pequena cozinha americana ficava à direita e o banheiro a esquerda. Havia uma mesa de jantar entre a sala e a cozinha e o seu escritório ficava na frente do sofá, da sala de estar. O seu apê era um grande loft. A direita da sala tinha o quarto, esse sim com paredes e porta, que ligava ao banheiro, separado apenas por um pequeno closet no caminho. Achei engraçado que você podia acessar o banheiro por duas portas diferentes, pelo quarto e pela cozinha. Como é muito comum nos banheiros americanos, para usar o chuveiro você tinha que entrar numa banheira, que era protegida por uma cortina – prefiro muito mais os banheiros brasileiros, com box de vidro. Do lado de fora tinha uma varanda enorme, com uma vista incrível do mar.

Depois de me mostrar tudo, me deixou à vontade para tomar banho e arrumar as minhas coisas, enquanto ele participava de uma reunião online de trabalho. Ainda teve a delicadeza de me preparar uma deliciosa salada de frutas vermelhas com queijo fresco, granola e iogurte. Estava mesmo uma delícia. “Meu conto de fadas está só começando”, pensei, iludida.

Assim que ele teve um tempinho para ficarmos juntos, transamos. Uma transa muito longa para o meu gosto, diferente das transas que tivemos no Brasil. Torci para que essa longa duração não virasse um hábito, transas longas demais são exaustivas. No almoço ele fez um prato fit para gente, composto de ovos mexidos, tomate picado, banana, peito de peru e abacate. Uma mistura que falando pode parecer estranha, mas, comendo, via-se que a combinação era mesmo perfeita! Ele mandava bem na cozinha. Depois sugeriu que eu utilizasse a piscina e jacuzzi do condomínio, pois ele precisaria trabalhar mais um pouco e não queria que eu ficasse sem ter o que fazer. Assim sendo, desceu para me apresentar as áreas comuns do prédio e me deixou bem acomodada na jacuzzi. O lugar estava deserto, então pude ficar bem a vontade para fazer alguns conteúdos com o meu celular, ouvir música e relaxar mesmo.

Uma hora e meia depois, quando encerrou seu trabalho, se juntou a mim. Tivemos bons momentos juntos na jacuzzi e depois também fomos para a piscina. Enquanto estávamos na água, falamos sobre o nosso sexo e aproveitei para expor algumas de minhas preferências, como, por exemplo, preferir várias transas curtas do que uma muito longa.

– Eu achei que você gostasse de transas longas. – Ele disse.

– De vez em quando eu gosto, mas, se for sempre, fico sensível lá embaixo e aí não consigo transar tantas vezes. O ideal seria você gozar logo depois de mim.

– Ahh eu achei que você gostasse de gozar mais de uma vez na mesma transa.

– Não exatamente, porque depois que gozo fico muito sensível, precisando de um descanso.

– Hummm entendido então. Deixa comigo!

Essa conversa foi ótima, pois, ao retornamos para o apartamento, antes de sairmos para jantar, transamos novamente e ele ajustou esses detalhes, teve uma duração mais gostosa. Quando ele saiu do banho, vendo que finalmente tinha me ouvido e feito a barba para que não me pinicasse, quis agradá-lo e o puxei para mais uma rodada de sexo. Estava bem insaciável naquele primeiro dia.

Saímos para jantar num restaurante maravilhoso, chamado CVI.CHE 105. Aquela noite estava muito gostosa, fosse pela comida, pela nossa interação um com o outro – parecíamos um casal em lua de mel – ou pelo clima tropical de Miami. Estava tudo perfeito, até tiramos algumas fotos de casal na mesa do restaurante.

Saindo de lá, fomos dar uma volta, a pé mesmo, na Linconl Road. Ele fez algumas fotos minhas, já eu fotografava as coisas e lugares que passávamos.

Com o passar do tempo foi ficando tarde e depois decidimos que era hora de voltar para o apartamento.

Ao me trocar para dormir, fui presenteada com um vestido regata vermelho tão confortável, que logo entendi se tratar de uma camisola.

– Que camisola feia amiga. Usa suas coisas sexy. – Minha amiga reprovou, quando te enviei a foto do tal presente no meu corpo.

Realmente eu tinha levado uma camisola bem mais sexy da Victoria Secret, uma preta de cetim com renda, mas ele pareceu tão feliz e satisfeito ao me ver usando aquela roupa nada interessante que ele comprou, então o agradei.

*

Na manhã seguinte ele começou a me alisar pela manhã, mas fingi estar dormindo. Não que eu não quisesse transar logo cedo, mas minha pepeka ainda precisava se recuperar das três transas anteriores. Ele me disse que precisaria trabalhar durante a tarde, então me levou para almoçar fora e me deixou num shopping super chique, no mesmo estilo do Cidade Jardim em São Paulo, para que eu passasse o tempo. Não fiquei muito lá, pois as lojas eram muito caras e não quis ficar olhando coisas que eu não poderia comprar, sem me endividar. Minha amiga me falou de um Outlet chamado Marshalls, então fui para lá, andando, conhecendo a cidade e torrando naquele sol ardente de Miami.

Após quinze minutos de caminhada, cheguei e em poucos minutos explorando a loja, me dei conta de que não era tão especial assim.

– Mas menina, essa Marshalls é tão bombada assim? Essa aqui está as moscas, parece uma Americanas. Não vi nada de marca conhecida, só um sutiã da Calvin Klein.

– Menina, confundi com a Macys kkkkkk.

Bom… já que eu estava lá e tinha andado muito, resolvi me entreter ali mesmo. Acabei comprando algumas coisinhas, como uma pantufa para a minha mãe, um mocassim para mim – que nunca usei e depois acabei vendendo – um vestido de cetim preto e quatro blusinhas básicas. Chegou um momento que eu estava exausta de tanto provar roupa – a cada vinte peças que eu pegava, apenas uma ficava boa, os modelos eram muito grandes – e também ficando sem bateria. No exato momento que eu estava chamando um uber para ir à loja certa, ele me ligou, querendo saber como eu estava e se eu já queria voltar. Ele entraria em outra reunião logo mais, então eu tinha que decidir rápido se ele chamava um uber para eu ir embora. Acabei aceitando pois estava mesmo cansada. Ele me enviou a placa do carro, mas não poderia ficar de olho no meu embarque, pois a reunião começaria naquele instante. Quando saí na rua para acompanhar a chegada do motorista, me dei conta de que não conseguiria embarcar, pois a av. estava fechada, ou seja, o motorista não conseguiria me buscar ali. Droga. O jeito foi andar até uma rua próxima e chamar o carro eu mesma. O motorista que ele chamou ainda ficou tentando contato com ele, ligando enquanto ele estava em reunião, quis me ajudar e acabou se atrapalhando.

Quando cheguei no seu prédio, ele ainda não tinha reaparecido. Fiquei uns bons minutos esperando no hall, não pedi que interfonassem no seu apartamento, pois, sabia que ele ainda deveria estar em reunião e não queria atrapalhar, apenas lhe enviei uma mensagem, avisando que o esperava. Meia hora depois, quando veio me buscar na recepção, estava todo esbaforido e incomodado por ter me deixado tanto tempo esperando, mas o tranquilizei, estava tudo bem, tinha sido apenas um desencontro.

Naquela noite, antes de sairmos para jantar, tivemos mais uma sessão de sexo. Eu sou uma pessoa muito sexual e valorizo demais a qualidade do sexo num relacionamento, e por mais que estivesse fluindo muito bem entre a gente na cama, não pude deixar de perceber que, ainda que fosse bom, não era a melhor transa que eu já tive. Estava muito feijão com arroz, morno, sabe? Mesmo desenrolar de sempre, nada de novo acontecendo. Daí resolvi tentar trazer à tona um pouco mais das minhas preferências, no intuito de dar uma apimentada. Pedi que ele falasse algumas putarias, mas o tiro saiu pela culatra. O que era para ser picante, ficou um tanto broxante.

Mais tarde, me queixei com a minha amiga:

– Ai amiga o sexo não é incrível. Mediano.

– Você tava mais empolgada com o sexo antes. Por que mediano?

– Feijão com arroz. Hoje pedi pra ele falar algumas putarias.

– Ele falou??

– “Me encanta sentir-te”. Ai amiga kkkkkkk. Também não chupa os meus seios.

– Nem umas lambidas?

– Não amiga. A preliminar dele é ficar me masturbando. Mas ele já demonstrou interesse em querer saber o que eu gosto.

– Vamos elaborar essas preliminares. Esses detalhes são ajustáveis, precisamos falar o que gostamos, ensinar.

– Ainda mais que ele é gringo, né? Outra cultura, tenho que ser paciente.

*

Desta vez fomos jantar num restaurante Tailandês, chamado MOON THAI & JAPANESE CUISINE.

Não gostei tanto da comida. Pedimos comida japonesa, o gosto não estava extraordinário e ainda passei um pouco de frio lá dentro – devido ao calor úmido de Miami, todos os estabelecimentos possuem ar-condicionado e o desse estava muito gelado – , contudo, mesmo assim foi uma noite muito agradável! Conversamos bastante e demos muitas risadas. Ainda não estava apaixonada, mas caminhávamos para isso, uma vez que estávamos nos dando cada vez melhor.

Quando chegamos no apartamento, ele ainda precisaria trabalhar mais um pouco e eu acabei dormindo. Na madrugada, quando ele veio se deitar, começou a me alisar. Eu, que estava super embalada no sono, não gostei muito. Daí me levantei para ir ao banheiro, achando que isso cortaria a ação do momento, mas, quando retornei, ele continuou me alisando, então tive que ser mais incisiva. Delicadamente tirei a mão dele de mim e me queixei que ele estava me acordando. Ele parou. Deve ter ficado sem graça.

Na manhã seguinte transamos. Quando acordei ele já estava na sala trabalhando, daí fui lá atiçá-lo, animada para compensar o “chega pra lá” noturno. Rapidamente ele correspondeu as minhas investidas e fomos para o quarto. No meio do vuco vuco, ele, provavelmente se lembrando do meu pedido do dia anterior para que dissesse umas putarias, soltou espontaneamente:

– Me encanta sentir-te

Desta vez achei importante ajustar.

– Isso que você está falando não está legal, me soa muito romântico. Fala… – pensei em algo mais safado – “é gostoso foder você!” – Propus.

– Mas isso que você está falando é romântico.

– Não, não é! Rs.

– Para mim isso que soa muito romântico.

– Então não fala nada! – Desisti.

Custava ele apenas repetir e seguir com o momento? Daí tentei uma outra abordagem, falei que gostava de coisas mais selvagens, como puxada de cabelo e pegada no pescoço…

– Me trata como se eu fosse uma putinha. – Falei.

– Isso eu também gosto! – Finalmente deu match!

Daí fui conduzindo algumas posições. Pedi que me pegasse de quatro, depois de bruços, mas em algum momento começou a me machucar, por ele querer ir cada vez mais fundo, sendo que não tinha mais para onde ele ir, e eu com a cara colada no colchão, o que eu falava ficava inaudível. Enfim, trocamos para papai e mamãe, até que conseguimos gozar juntos, muito sincronizado, gostei bastante! No meu ponto de vista, apesar dos tropeços, tinha sido uma transa muito gostosa, mas acho que tivemos percepções diferentes do momento, pois, assim que gozamos, ele quis discutir a relação…

Desentendimento

Naquele momento delicioso e relaxado pós sexo, de repente, ele veio com um papo estranho, que eu custei a atender o porquê dele estar entrando numa discussão daquela.

– Nós estamos tendo problemas de comunicação. – Ele começou. – Eu não te entendo, uma hora você fala para ir forte, outra hora devagar, minha cabeça não entende. Fico sem entender o que você quer.

– Depois a gente conversa sobre isso, acabei de gozar, quero só curtir. – Eu não estava em condições de entrar numa DR naquele momento.

– Mas é importante falarmos sobre isso. Não estamos conseguindo nos comunicar.

Como não estávamos conseguindo nos comunicar se tínhamos acabado de ter uma transa tão gostosa?! Eu não queria acreditar que ele estava problematizando aquilo.

– Tá, mas eu não quero falar disso agora! – Finalizei firme, tentando salvar o último respiro de relaxamento.

Ele se calou. Percebi que não gostou muito. Ficamos um tempo deitados abraçados e cochilamos. Depois se levantou, antes de mim, pois precisava retomar o trabalho. Continuei deitada mais um pouco, até que veio me perguntar se eu gostaria de café da manhã, aceitei. Antes de sair do quarto, voltou no assunto:

– Estamos tendo uns problemas de comunicação.

– A gente pode conversar sobre isso depois.

Quando fui ao seu encontro, na cozinha, percebi que ele não estava muito receptivo, mal olhou na minha cara, pelo visto ainda ressentido pela situação. Fiquei olhando para ele até que nossos olhares se cruzassem e quando aconteceu, deu um sorriso rápido, forçado, aquele típico sorriso que damos sem a menor vontade, apenas por educação. Ele fazia duas coisas ao mesmo tempo, preparava o nosso café da manhã com frutas e um outro prato com ovos mexidos, similar ao que fez de almoço no nosso primeiro dia juntos.

– Você vai comer as duas coisas? – Perguntei, tentando puxar assunto.

– Não sei. Talvez sim. – Num tom não muito amigável.

Depois acrescentou que não teria tempo de cozinhar no almoço, então já estava adiantando. Reiniciei a conversa e falei que não entendia por que ele tinha dito aquelas coisas, pois para mim estávamos nos entendendo muito bem, que é normal durante uma transa não ser algo linear e querer coisas diferentes. Ele começou a fazer várias queixas sobre a nossa comunicação e instantaneamente o meu café da manhã foi ficando indigesto. “Por que ele está problematizando?” eu me indagava mentalmente. Não falei mais nada, só assentia com a cabeça.

*

– Menina as coisas deram uma azedada aqui.

Atualizei minha amiga.

– De repente as coisas ficaram meio estranhas, amiga. Ele todo sério. Complicado. Ele tava falando que ele deveria voltar para as aulas de português, que isso o ajudaria não só comigo, mas com o trabalho dele também… mas sei não menina, do jeito que desandou aqui, se continuar assim não vamos nos ver mais não. Deu uma pesada no clima. Não sei se ele também já estava incomodado de ontem à noite ter me alisado e eu ter dado aquele chega pra lá nele. Ai menina… nem tudo é perfeito.

– Eu também achei algo bem pequeno para tanta cara fechada. Vocês estão se conhecendo, não é para tanto. Tenta ir passear na praia amiga, sua viagem está muito ‘apartamento e restaurante’. Sai, vai espairecer, dá um espaço pra ele também. Anda na praia, vê as casinhas de salva vidas que são charmosas, toma um sorvete gostoso em algum lugar e vai curtir sua companhia amiga, conhecer coisas, turistar e bater perna mesmo sozinha! Deixa ele com esse suposto azedume sozinho aí, você está num lugar incrível! Depois ele se recompõe e quando você voltar já estará tudo bem de novo. Convivência é isso mesmo.

Fada sensata. Contraditoriamente, acabamos transando de novo, antes de me deixar na praia.

– Foi gostosinho, mas nada uau. Não acho que vamos pra frente. Ainda não tô apaixonada. Já estou com saudade da minha casa, dos meus gatos e das minhas coisas. – Continuei com a minha amiga.

– Ai amiga, tem coisas que não adianta forçar. Talvez, se fosse para ser, já estaria virando a chavinha da paixão e encantamento.

Ele me deixou na praia de South Beach, me mostrou um restaurante todo cor de rosa que eu poderia comer depois e rumou para o seu dentista. Aluguei uma espreguiçadeira e um guarda sol. Uma mulher ao meu lado, que também estava sozinha, puxou assunto, enquanto eu estava estirada tentando pegar um bronze.

– Precisa tomar cuidado. – Ela disse, em inglês.

– Com o que?

– Com esse sol. Você que é bem branquinha.

– Ah sim. Apenas vinte minutos de cada lado. – Falei.

– Brasileira?

– Como sabe?

– Pelo seu sotaque.

– E você é de onde?

– Sou de Nova York, vim para a casa de uns amigos.

– Ah sim.

– O que você está fazendo aqui? – Curiosa ela.

– Vim ficar com um cara que conheci num aplicativo de relacionamento. – Eu e essa minha mania de falar da minha vida para quem não conheço.

– Ahh legal. E está gostando?

– Estou sim.

Não entrei em detalhes que já tínhamos saído no Brasil ou que estávamos nos desentendendo aqui, muitos detalhes desnecessários para quem não tem nada a ver com a história.

– E onde ele está agora?

– Trabalhando. – Também não ia entrar em detalhes que ele foi ao dentista. Falar que está trabalhando sempre é justificável para muitas coisas, inclusive para não estarmos curtindo a praia juntos naquele momento.

Daí me virei para pegar sol de costas e o papo foi encerrado. Em outro momento ela me pediu para olhar as coisas dela, enquanto entrava no mar, o que me retribuiu para que depois eu pudesse me banhar também.

Mais tarde, quando bateu a fome, fui até a lanchonete que ele tinha indicado, chamada Big Pink. O garçom tentou tirar meu pedido umas três vezes, mas eu estava perdidinha com um cardápio tão extenso. Acabei pedindo um beirute, que não aguentei comer tudo e levei uma parte para casa. Para beber um drink chamado Piña Colada, que desde que ouvi no filme “De Repente 30”, sempre peço quando vejo no cardápio. Na hora de pagar a conta tive um pequeno conflito com o garçom, pois o dinheiro a mais que lhe entreguei foi para facilitar o troco e ele achou que era gorjeta. Eu não sabia dessa regra lá fora – enquanto aqui a gorjeta é opcional, lá é super ofensivo se você não der -, e de repente comecei a ser maltratada por querer o troco exatamente como calculei que voltaria. Se eu soubesse da regra da gorjeta teria deixado para lá, mas naquele momento senti que ele estava me roubando, querendo dar um de esperto, dizendo que eu tinha lhe entregado um valor menor do que realmente entreguei.

Peter me contatou. Somente naquele momento estava saindo do dentista. Avisei que estava na lanchonete que ele indicou, que tinha sobrado metade do lanche e ofereci para ele, já que se queixava de estar com fome, mas recusou, dizendo que tinha comida em casa e o jeito que ele falou me soou um pouco grosseiro, como se eu estivesse oferecendo resto para ele comer. Novamente entramos naquela questão de não conseguirmos nos entender direito. Perguntei se viria me buscar e entendi que ele precisaria passar em casa para comer antes, pois, passava mal quando ficava muito tempo sem uma refeição. Me sentindo completamente desabrigada, voltei para a praia e após dez minutos começou a chover. Por sorte eu tinha entendido errado e ele já estava indo me buscar direto do dentista. Assim que começou a chover mais forte, ele me ligou perguntando onde eu estava, pois já se encontrava parado no mesmo ponto que tinha me deixado mais cedo. Assim que entrei no seu carro, novamente ofereci o lanche, já que ele estava morrendo de fome, mas ele novamente recusou, pois, queria comer da sua própria comida fit. Eu preferiria comer o que tivesse, do que passar fome, se fosse ele, mas cada um, cada um, né?

*

– Eu dei uma broxada. Agora toda vez que não nos entendemos já me incomoda, depois do que ele disse passei a reparar mais. Nossa relação está muito no início, se é que viraria uma relação, daí como ainda tá começando, é muito cedo pra desentendimentos, isso já me broxa, porque não é uma relação sólida ainda. – Desabafei com minha amiga mais tarde.

– Acho que você não tá pronta ainda, talvez, e sendo de uma cultura diferente e também outra idade, já contribui pra falha de comunicação. Porque um cara de 48 anos com suas vivências, já te passou na maturidade. Acho que a questão do momento certo também é a chave! Aproveita com leveza tudo que for possível.

Mais tarde fomos ao mercado e o senti bastante frio. Saía andando sozinho na frente, sequer se preocupava de andar ao meu lado, o clima estava mesmo muito estranho. Fiquei um pouco emotiva com isso e quando estávamos voltando para casa, ainda no carro, tentei conversar sobre a frieza dele. Aparentemente nos entendemos. Chegando no apartamento, fomos transar para selar a paz na cama, mas quando eu estava quase gozando, ele broxou. Justificou dizendo que como estávamos transando todos os dias, ele precisava de um descanso, mas acho que broxou pelo todo.

Por volta das 22:25 ele queria cozinhar. Eu já estava com sono e sugeri deixarmos para outro dia, afinal, onze horas da noite não é horário de janta. Ele disse que no seu dia a dia sempre treina a noite e que é comum na sua rotina jantar mais tarde. Ou seja, novamente entramos num impasse. Eu costumo jantar oito horas da noite, para as onze já estar me preparando para dormir. Visivelmente ficou chateado. Costumes diferentes é mesmo complicado. E como se isso tudo já não fosse o bastante, naquela mesma noite, ainda tivemos uma discussão acalorada. Eis a nossa primeira briga.

C O N T I N U A

Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 4

COMUNICAÇÃO A DISTÂNCIA

Ele realmente me ligou quando chegou no aeroporto e, pasmem, a ligação durou 11 minutos! Eu não estava com expectativas que manteríamos contato até a sua volta ao Brasil, mas ele sempre entrava em contato.

– Olá.

– Oie. Chegou bem de viagem?

– Sim. Como está você? – Nesse momento me enviou duas fotos, mostrando a vista incrível do seu apartamento.

– Também estou bem, correndo com os preparativos da viagem. – Eu viajaria para Paris em poucos dias. – Que mar lindo! Que alto! – Comentei sobre as fotos que me enviara.

– Andar 47.

– Seu trabalho? – Não temos prédios residenciais tão altos no Brasil, então achei que fosse a vista de um prédio comercial.

– Meu apartamento. Lembra que eu trabalho da minha casa?

– Lembro sim. Mas achei que você tivesse que ir na empresa uma vez por semana, sei lá.

Daí ele me enviou uma foto da mesa de escritório dele, enorme, com duas telas de computador, um tablet, vários posts it, xícara de café quase vazia, enfim, um verdadeiro caos. Complementou com um áudio, explicando sobre a empresa em que trabalha ser localizada na Suíça, como também contou alguns detalhes sobre a sua rotina de trabalho.

– Não lembrava que ficava na Suíça! Mas que bom, trabalhar remoto em tempo integral te dá mais liberdade de fazer seus horários, né?

Daí ele me ligou. Assim, do nada. Eu estava chegando na minha aula de percepção musical, então não atendi e avisei que tinha chegado na aula.

– Sorry. Apenas explicar a você. Mal-entendido de não me entender. – Que mal-entendido ele estava falando? Eu já tinha entendido tudo. – Eu moro em Miami. Trabalho para uma empresa que está na Suíça. Eu vou a Suíça umas 4 ou 3 vezes por ano, mas em Miami sempre trabalho da minha casa, do meu apartamento. Espero que você me entenda bem. Beijo. Bom dia.

Que mensagem mais estranha. Ele não precisava justificar tudo aquilo novamente e ainda finalizar mandando beijo e bom dia, quatro horas da tarde. Sério que esse era o motivo da ligação?

– Fica tranquilo, eu já tinha entendido desde a primeira vez que você falou. Mas muito fofo – estranho – da sua parte querer me ligar para explicar isso. – Ele se estendia em alguns assuntos desnecessários, repetitivo.

A noite nos falamos em ligação novamente, um papo leve, sobre coisas aleatórias. No dia seguinte, ele seguiu conversando:

– Olá Sara. Espero que você esteja bem e que esteja tudo pronto para a sua viagem. Beijo e abraço.

– Olá querido! Como foi sua viagem ao México? – Ele iria para o México visitar a mãe e fazer um procedimento estético no couro cabeludo. – Ainda tenho que fazer as malas!

– Minha viagem foi bem cansativa. Ontem fui à academia e voltei tarde. Depois jantei e fiz minhas malas. Dormi às 2h da manhã e despertei 5:10 para ir ao aeroporto, porque meu voou era às 8h. Cheguei às 10 em ponto no horário do México e fui almoçar com a minha mãe. Agora de volta na casa dela, vou trabalhar. Espero que esteja tudo bem com suas malas e os preparativos da sua viagem. Beijos. – Ele tem uma mania de ficar finalizando a conversa com “beijos” sendo que vamos continuar conversando.

– Caramba você está corrido hein, desde ontem você fez muita coisa, pouco tempo para dormir e descansar… você deve estar exausto, né? Foi bom matar a saudade da sua mãe? Já vai fazer o procedimento amanhã?

– O procedimento será na quinta, amanhã é o exame de sangue.

– Muito bom! Ansiosa pra ver como vai ficar o cabelo novo!

– Eu também.

– Já ouviu falar de uma peça em Nova York chamada “Sleep No more”? – Uma hora depois, resolvi resgatar a conversa com outro assunto.

– Noup. Soa interessante.

Ele nunca ouviu falar e sequer perguntou mais sobre o tema e já fez o assunto voltar para ele:

– Desculpa, estava muito cansado e dormi por uma hora. A casa da minha mãe tem quatro cômodos, então eu sempre que estou aqui fico no mesmo quarto. Tenho dormido, mas agora estou trabalhando e tenho que ir a costureira, porque tenho uma roupa que eu preciso apertar, mas agora estou aqui trabalhando. Um beijo, espero que você esteja bem, ao ponto de arrumar suas coisas. Um beijo.

Sim, o áudio dele foi exatamente assim, uma mistura de assuntos desconexos. Ignorei tudo que ele disse e voltei no assunto que eu estava falando antes, enviando um link em que fala melhor da experiência imersiva, Sleep No More.

– Duas pessoas já me falaram dessa peça. É um teatro imersivo. – Insisti.

– Lindo. 😍 Macbeth de Shakespeare. Outro em Miami. Nocturna. – E me enviou um link falando de um outro parecido com o que indiquei, só que em Miami.

– Imersivo também?

– Não sei. Mas tema interessante e show acrobático também. Um pouco de horror com um pouco sexy. Tema interessante penso. Em Miami e podemos ir juntos.

– Parece bem promissor!! Gostei.

Quando enviei a indicação do Sleep No More, fiquei com a esperança de que ele se animasse ao ponto de irmos até Nova York assistir, afinal, o que são 3 horinhas de voo, quando você já está nos Estados Unidos? Mas pelo visto ele não teve essa ideia e já pesquisou por algo parecido em Miami mesmo.

– Me anima muito fazermos programações de casal em Miami – Falei, igual uma emocionada.

– Claro! Eu te vejo como uma pessoa especial pra mim.

– E você pra mim! Estou achando muito legal continuarmos mantendo contato a distância.

– Igualmente.

– Que horas são aí agora?

– 8:24 pm. E para você?

– 11:25 pm. Pouca diferença.

– Sim. Que descanses baby. Beijo.

– Você também. Um beijo.

Eu viajaria para Paris no dia seguinte e no outro dia ele mandou uma nova mensagem:

– Boa viagem. 😘 Beijos.

– Oii Peter. A caminho do aeroporto agora. Muito obrigada!!

– Ok. Muito bom.

Aí, do nada, a conversa começou a ficar estranha, com ele dizendo:

– Muitas vezes não entendo você e sua maneira de se comunicar comigo. Mas, tudo bem, penso que tenho que ir direto ao ponto com você. Desejo que tenha uma boa viagem. Divirta-se. Tchau.

Oi? Do que ele estava se queixando se estávamos conversando normalmente? Alguém me explica? Mostrei essa mensagem para três amigos, que também ficaram confusos. Ele queria que eu fosse mais romântica, é isso?

– Mas o que você não entendeu? Gostaria que eu conversasse mais? Eu fico com receio de estar te atrapalhando, por isso espero que você mande primeiro. Mas, se quiser, posso falar mais do meu dia sim. – Ele que nunca pergunta, uai!

– Olá. Desfrute sua viagem. Falamos quando você voltar ao Brasil.

Três minutos depois, me enviou um áudio de dois minutos:

– Olá Sara, não, não é que você vai atrapalhar não, eu preciso disso, como eu falei com você, eu mostro muito, mas preciso que você mostre muito também. – Isso vindo de um cara que só fala de si e nunca pergunta das minhas coisas. – Então, não quero agora te preocupar com nada, quero que você tenha uma excelente viagem, passe muito bem, muito legal – se quisesse isso mesmo, não viria com essa DR justamente quando estou no aeroporto toda empolgada – Quando você conhecer um pouco de mim, verá que eu sou muito expressivo, eu gosto de ser carinhoso e terno, mas eu preciso receber o mesmo. Possivelmente você não é assim – isso me soou ofensivo, me chamando de fria na cara dura – e tenho que te conhecer e descobrir, então eu percebo que a comunicação com você é um pouco fria. – Fria? Estou sempre puxando assunto e dando corda para os assuntos dele!! – Mas pode ser que você é assim e se você é assim, está bem, eu tenho que entender, mas eu também tenho que ser da mesma maneira que você. – Ah sim, por que se eu for uma pessoa estúpida e cretina, ele também vai ser? Que papo mais nada a ver! Cada um deve dar o melhor de si e não se igualar ao outro – Isso é tudo. Não estou irritado, não estou bravo, não é uma briga, – imagina se fosse – não é nada, tudo bem. Somente, como falei, vou ser e escrever a você como você é comigo. É assim. Mas se você me pergunta como eu gosto, eu sou mais expressivo, sou mais carinhoso, mas está bem! Somente quero ir ao mesmo ritmo que você. Ok? Espero que você tenha uma excelente viagem e que seja tudo divertido, que você aproveite em Paris e que tenha momentos incríveis. – Me pareceu recalcado. –  Um beijo e nos falamos depois, quando você voltar, cuide-se muito. Passe bem. Beijos. Tchau.

Olha, hoje, olhando em retrospecto para todos esses detalhes do passado, enquanto escrevo esta história, percebo tantos sinais ignorados por mim mesma. Eu estava tão empolgada com o novo, o diferente, que não me atentei que isso não daria certo se já começava desse jeito, com essas cobranças.

– Oie. Eu não sou fria não – tentei responder de um jeito descontraído, definitivamente não estávamos tendo a mesma percepção da situação -, eu busco entender qual o ritmo da pessoa, pra não sentir que estou sendo a emocionada da história ou sufocando o outro. Mas já que você gosta de um contato mais diário – como se já não estivéssemos tendo – , por mim tudo bem. Vamos conversando mais sim. Estou na fila do embarque com a minha amiga.

– Olá Sara, eu não estou precisando de uma comunicação diária, eu gosto de uma comunicação de qualidade, não de quantidade. Então, pode ser pouco, que é o que acontece quando as pessoas estão longe, mas se expressar muito, com carinho, ternura, isso é bonito. Não tem que ser diário, nem todo o tempo, não!! Somente que seja bonita, terna, sem medo, penso que é assim que deve ser. Isso de ambos os lados, do seu também. Eu estou bem, não estou bravo com nada, simplesmente faço as coisas como eu vejo que as coisas são dadas para mim. Espero que você me entenda e se não, como falei, podemos falar quando você voltar, sem problema. Um beijo, tchau. Boa viagem.

Ele vai me desejar boa viagem mais quantas vezes?! O cara estava me cobrando mais romance nas mensagens? Ele não sabia que as coisas precisam fluir naturalmente, de maneira leve, sem esses scripts pré-definidos por ele? O sentimento precisa de tempo para ser desenvolvido, não vou trocar mensagens de amorzinho com quem ainda estou conhecendo! Francamente, viu. Sério, onde eu estava com a cabeça que não me liguei em todos esses detalhes do comportamento dele?

Cinco horas depois, sem qualquer resposta minha, ele me enviou mais mensagens:

– Espero que você chegue bem ao seu destino.

– Tem toda razão, concordo com você. Conversas de qualidade, não quantidade. Já faz um tempinho que chegamos no aeroporto de Paris. Perdemos um tempinho no banheiro carregando o celular, nos arrumando, escovando os dentes e aí agora vamos pegar a mala e ir atrás do cara do transfer do hotel.

– Tranquilo. Desfrute sua viagem. Beijo. Have fun. 🙂

*

Continuamos nos falando, todos os dias, um pouco, durante a viagem. Vez ou outra ele compartilhava fotos do seu dia e eu retribuía.

– Você me gusta muito… sabia?

– Você também me gusta. – Retribui.

*

Depois que voltei da viagem de Paris, alguns dias se passaram, até que, surgiu o convite para que eu fosse passar uma semana com ele em Miami.

– Acho que seria bom convivermos alguns dias para nos conhecermos melhor. – Ele disse.

– Me parece uma boa ideia. Mas como seria? Você compraria a passagem?

– Certamente. Eu cuidaria de tudo e você se hospedaria em minha casa.

Fiquei bastante animada com a ideia. Já tinha ouvido tantas histórias de mulheres que conheceram um gringo, se apaixonaram, casaram-se e viveram felizes para sempre em outro país, parecia muito a possibilidade de viver um conto de fadas. Talvez fosse o meu momento de viver algo assim também.

Ele propôs algumas datas e definimos uma que fosse dali a vinte dias, o tempo ideal para eu me organizar financeiramente para essa viagem. Seriam umas férias improvisadas, ficaria uma semana com ele, sem trabalhar, então precisava deixar tudo organizado por aqui.

– Estou muito contente e emocionado com a sua vinda.

– Eu também estou muito animada! – E estava mesmo.

Enviei a foto do meu passaporte e no dia seguinte já recebi o e-mail com a minha passagem aérea. Seguimos nos falando todos os dias, por mensagem e chamadas de voz, até que chegou o grande dia!

C O N T I N U A . . .

Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 3

Terceiro Encontro

Decidi encontrá-lo novamente e o convite para um almoço acabou virando treino juntos, já que lhe mandei mensagem logo pela manhã, aceitando encontrá-lo, e ele já quis me encontrar naquele horário mesmo. Conscientemente eu queria ir, mas, inconscientemente, algo dizia que não, cuja teoria foi reforçada ao sair da cama, quando bati meu joelho no guarda-roupa. Como se isso não fosse estranho o bastante, alguns minutos depois outra obscenidade aconteceu, quando eu estava me maquiando no espelho do banheiro. Começou com um som quase inaudível, até que, um segundo depois, antes que eu pudesse raciocinar de onde possivelmente vinha aquele barulho, o meu exaustor do banheiro despencou em cima da minha cabeça!! Sério, foi muito assustador! Parecia que uma coisa do além estava vindo me buscar! Meu coração quase saiu pela boca! Fui contar para a minha amiga os sinistros acontecimentos, achando que ela me apoiaria na minha teoria da conspiração, mas não…

– Toda hora você está inventando um negocinho, tá parecendo uma maluca. Vai logo nesse encontro! O exaustor já deu problema antes.

Enfim, eu fui!

Quando cheguei no hotel que ele estava hospedado, Meliá do Ibirapuera, ele já me aguardava na recepção e subimos até a suíte para eu deixar as minhas coisas, antes de irmos para a academia. Ao adentrarmos no quarto, o plano era realmente só deixar a bolsa, junto com a minha jaqueta, mas, não sei por que, ele colocou uma música para tocar em seu laptop. Disse que precisava procurar alguma coisa, mas percebi que era só pra ganhar tempo. Após a melodia iniciar, se voltou para mim e foi inevitável não rolar um clima.

Se aproximou devagar e lentamente começamos a nos beijar. Pude ouvir uns grunhidos vindo do fundo da sua garganta, como se fosse algo que ele ansiava muito acontecer. Aos poucos suas mãos começaram a passear pelo meu corpo, por cima da roupa de ginástica, até que, aos poucos, foi me despindo. Ele estava focado em me seduzir, então, ao me deitar na cama, se apressou em me agradar do jeito que se agrada uma mulher na intimidade. Seu sexo oral não foi o melhor que já recebi, mas valorizei sua dedicação. Na sequência partimos para a penetração, as preliminares encerraram ali.

O sexo durou um tempo considerável, ele não foi muito afoito, como também não durou uma eternidade. Gostei do timing, transas muito longas são exaustivas e para isso eu preciso estar com imenso tesão na pessoa para curtir tantos minutos a fio na atividade. Não que eu não estivesse com tesão nele, foi gostosinho, mas longe de ser aquela paixão arrebatadora.

Me bateu um soninho depois e como o quarto estava um pouco frio, nos cobrimos e cochilamos juntos. Após o que acredito ter sido meia hora de sono, despertamos quase ao mesmo tempo, iniciamos uma conversa, e o segundo round desenrolou naturalmente. Depois houve uma terceira rodada e então saímos para almoçar pela região. 

*

– Transamos 3x. Agora vamos almoçar, ficaremos juntos até ele ir embora. Menina, ele já está falando de eu conhecer a família dele! Disse que está há muito tempo sozinho, que quer fazer muitas coisas comigo em Miami. Ele tem um corpo muito bonito, muito inteiro amiga! O peitoral dele é do jeitinho que eu gosto, malhado, a barriga não tem gominhos, mas é bem sequinha. O negócio dele é médio, não muito grande, mas também não é pequeno. Se dedicou em mim de primeira, nem foi preciso eu retribuir e já partimos para o abate. Depois cochilamos juntos e conversamos bastante. Ele já até me ensinou um pouco de espanhol.

Fiz um resumão para a minha amiga, enquanto ele estava numa ligação de trabalho.

– Mas ainda não estou encantada. Talvez eu precise trabalhar essa questão do merecimento. Sempre comentei que seria muito história de filme conhecer um gringo, bem-sucedido e tal, ele é tudo isso e bonitão, o que mais estou querendo? Se tudo que ele me falou for verdade, se ficarmos juntos teremos muitas experiências legais a dois. Quer me levar para esquiar, para conhecer a mãe dele no México e ainda disse que vamos “bailar” kkkkk. Você acredita que dançamos salsa no quarto? Foi muito fofinho. Mas não estou iludida não, até porque nem estou tão encantada assim ainda.

– A transa foi boa? – A pergunta mais importante de todas.

– Foi sim. Ele tem bastante disposição, nem tive trabalho, só curti.

*

Seis horas depois…

– Estou aqui ainda. Ele está se arrumando para ir embora. Transamos muito amiga! Um saldo final de 5x! Estou gostando mais dele. Espírito jovem, parece ser uma pessoa legal, me contou bastante coisa sobre ele. Menina, não fiz oral nele ainda, acredita? Vamos descer para tomar algo no bar do hotel, após ele fazer o checkout. Aproveitando até o último instante. Você acredita que ele já me deu dois apelidos? Loquita e Nag (que em português quer dizer ranzinza) kkkkk. “Loquita”, por eu ‘tira casaco e coloca casaco’ toda hora que sinto calor e frio e “Nagging” por eu ficar reclamando da barba dele arranhando a minha pele, fiquei toda vermelha, tive que pedir para que nas próximas vezes ele a faça no dia e não na noite anterior, para que não me pinique. Ele é um tipão amiga! Bem-vestido, vaidoso, cheiroso… Obrigada pelas palavras que você disse ontem, sobre eu estar me autossabotando. Acordei pensando naquilo e me incomodou. E se causa desconforto é porque temos que dar atenção para o que está sendo dito.

– Que reflexiva. Claro, amiga, você foi no segundo encontro por alguma razão e tava se bloqueando sei lá por quê.

*

Foi uma despedida bem gostosa, tomamos a saideira no bar do restaurante. Desta vez ele não pôde chamar o Uber para mim, pois precisou chamar para si mesmo, rumo ao aeroporto. Disse que me ligaria antes de embarcar. Voltaria dali um mês. Será que não sumiria mesmo até lá?

Nem Todo Gringo é Um Bom Partido – Parte 2

Primeiro Encontro

O achei bonito. Um pouco mais velho do que nas fotos, mas, ainda assim, bastante apresentável e atraente. No entanto, não rolou aquele encantamento da minha parte.

O restaurante estava com fila, tivemos que esperar alguns minutos de pé, na escada da entrada, e aproveitamos esse tempo para nos conhecermos, já que mal conversamos pela internet. Descobri que seus funcionários também estavam jantando naquele restaurante e ele estava achando engraçado que nos vissem naquela situação de primeiro encontro. Ele me contou mais sobre o seu trabalho, falei um pouco da minha trajetória profissional também, como atriz e jornalista fake (obviamente não contei que era acompanhante de luxo) e em algum momento nos chamaram para nos encaminhar a nossa mesa. Coincidentemente, a mesa que nos acomodaram era justamente ao lado da mesa que estavam os seus três funcionários. Ele riu da coincidência.

Conversamos sobre muitas coisas. Ele é de touro com ascendente em escorpião, sem filhos e teve três relacionamentos ao longo da vida. Uma namorada alemã, muito fria, zero amorosa, cuja personalidade ele atribuiu a cultura do país dela. Foi casado por anos com uma venezuelana, casamento esse que fracassou quando ela descobriu que tinha endometriose e não conseguiria ter filhos. A terceira e última namorada, uma italiana temperamental, que exigia que ele fosse morar na Itália com ela.

– Eu me cuido, tenho um trabalho bom, sou uma pessoa legal e como é difícil encontrar alguém. – Ele disse.

Concordei internamente, pois também noto essa dificuldade de encontrar alguém legal e compatível. Todo sincerão, revelou que a troca do restaurante, não foi porque ele concordava que uma comida japonesa fosse mais leve para a noite e sim porque depois que mandei a mensagem, pedindo que ele me enviasse um áudio, ficou desconfiado de mim também e trocou em prol de si próprio, pois caso nosso encontro fosse por água abaixo, ele pularia para a mesa dos seus funcionários, após eu ir embora. Achei um tanto desnecessária essa revelação.

Em outro momento, quando meu drink acabou e lhe perguntei se podia pedir outro (tive esse cuidado, pois, obviamente, não seria eu que pagaria a conta), ele elogiou demais a minha postura, acrescentando que em Miami – onde ele mora – as mulheres se comportam completamente diferente, como se o homem fosse obrigado a pagar tudo, então já iam pedindo mais e mais coisas, sem se preocupar com o bolso de quem estava pagando.

Percebam que aqui já tive um pequeno sinal de que, talvez, ele fosse um pão duro. Sempre precisamos nos atentar aos sinais. Guardem essa informação para mais tarde.

– Pode pedir o que você quiser! – Ele autorizou.

Coincidentemente, quando estava com ele nesse restaurante, cujo lugar eu nunca tinha ido na minha vida, encontrei minha ex-chefe do passado, uma mulher que trabalhou comigo no meu segundo emprego, em 2011! Encarei aquilo como um ótimo presságio, como se fosse uma mensagem do universo, dizendo que seria bom me relacionar com ele.

Fomos os últimos a deixar o restaurante. Tivemos uma conexão legal. Ele, gentilmente, chamou meu uber de volta para casa e não propôs de esticarmos o encontro, o que achei muito positivo. Na despedida rolou apenas um selinho, por iniciativa minha. Já deixamos combinado um segundo jantar para dali a dois dias.

Segundo Encontro

Desta vez fomos num restaurante italiano. Ele se atrasou. Fui acomodada no balcão, enquanto a mesa não estava disponível. Ele chegou todo bonitão e cheiroso, realmente sabia vestir-se muito bem. Usava uma roupa social e casual ao mesmo tempo. Após sua chegada, ficamos pouco tempo no balcão e logo fomos acomodados na mesa. Tudo ia muito bem, até que começou a ir mal. Assim que pude, pedi licença para ir ao banheiro e já enchi minha melhor amiga de mensagens:

– Vim no banheiro. O papo ficou um pouco estranho com o gringo. Me senti um pouco pressionada a me relacionar com ele. Dizendo que com a ex-esposa dele já no primeiro encontro rolou tudo e sabiam que queriam ficar juntos, como se eu tivesse fazendo algum joguinho. Não gostei disso. Falei que ainda estamos nos conhecendo, que é o segundo encontro e tal. Ele vai embora amanhã e volta daqui um mês. Estou um pouco alcoolizada do vinho, mas tenho certeza de que estou tendo uma percepção clara das coisas. Me pareceu que queria ter garantia de sexo depois. Ele veio com um papo de que o homem já sabe de primeira se a mulher é para algo casual ou se será alguém importante na vida dele, mas que se a mulher fica desconfiada e com medo de se entregar, automaticamente muda na cabeça do cara, a percepção sobre ela. Não gostei desse papo, isso depois de eu dizer que sou mais cautelosa para me envolver. Me remete a caras que só quer transar e está tentando manipular para conseguir isso. O clima na mesa mudou um pouco. Ele tá mais sério e desanimado. Dei uma broxada. Claro que já transei em primeiros encontros, mas ele não me despertou essa vontade e estou cansada de ter transas vazias.

– Quanto de vinho você bebeu? – Minha amiga perguntou.

– Duas taças.

– Você está certa de não querer se entregar para qualquer um e não somos obrigadas a nada! Lembre-se do meu exemplo, como o menino lá foi tosco comigo porque eu não quis transar. Como entraram nesse assunto?

– Ele perguntou o que eu queria para a minha vida. Eu não tenho um plano definido. Eu sei o que eu quero, mas não fico estipulando prazos para isso. Eu sei que um dia quero casar e ter filhos, mas não fico obcecada procurando um marido, deixo as coisas acontecerem naturalmente. Aí foi daí que ele entrou nesse papo, acho que me achou muito vaga na resposta.

– Ahh entendi. Se você também não sentiu atração amiga, não é pra ser! Me dá notícia.

Voltei para a mesa e tentamos resgatar um clima agradável. Ele falou sobre seu apartamento em Miami, que seria legal eu ir passar uma semana com ele para nos conhecermos melhor, que poderíamos fazer algumas atividades juntos, como ir assistir alguma peça, praticar algum esporte juntos, coisas desse tipo, o que me soava muito como historinha de conto fadas, como se ele esperasse me deslumbrar com esse cenário. Quem convidaria uma estranha para uma semana, aparentemente incrível e promissora, em Miami? Alguma coisa não me cheirava bem, sou muito desconfiada.

Após algum tempo de conversa, comecei a ficar com sono. Tinha acordado cedo naquele dia e o jantar não estava mais tão empolgante. Ele quis salvar o encontro, me convidando para esticar no seu hotel, mas eu já tinha dado uma bela desanimada, fora o álcool e o sono, tudo que eu não estava era empolgada para me exercitar transando. Recusei o convite, mas o beijei em algum momento na mesa, o que foi super bem recebido por ele. Me convidou para almoçar no dia seguinte, antes dele ir embora. Não dei certeza de que sim, mas também não disse que não. Novamente chamou um uber para que eu fosse embora e permaneceu no restaurante sozinho.

*

– Está desconfiada mesmo do cara, hein amiga? Cismou com ele, que coisa!

– Estou desconfiada porque parece ser bom demais para ser verdade. Um cara rico, bonito (apesar dele ter 48 anos não aparenta ter a idade que tem), inteiraço, gringo e tal, querendo algo sério assim? Sendo que nem nos conhecemos direito para dizer que já está apaixonado. Até onde ele realmente está falando a verdade?

– Aceita amiga. Eu não tô entendendo tanta desconfiança. Se sabotando. Ele não está te pedindo em casamento, você pode dar uma chance. Ele vai te dar um golpe de te levar pra cama? Talvez, se fosse um brasileiro você já teria ido. Está criando coisas na sua cabeça amiga, paranoias. É aquela questão do merecimento. O cara parece ser super legal. Você vai analisando, você não é burra. Só que você já está se sabotando, impedindo que as coisas aconteçam. Amiga, relaxa, vai almoçar com ele amanhã, relaxada, sem pressão de nada. O cara falar que quer algo sério, não quer dizer que ele vai te levar para o altar amanhã. Ele só falou o que ele deseja, um relacionamento sério, não necessariamente com você, também está sendo analisada.

Fui dormir e acordei com aquelas palavras martelando na minha cabeça. Será que eu estava mesmo me autossabotando de conhecer alguém legal e viver uma linda história de amor?

Nem Todo Gringo é Um Bom Partido

Eu já ouvi muitas histórias sobre mulheres que conheceram um homem gringo, bem-sucedido e maravilhoso, que se apaixonaram, casaram e foram morar no país de origem dele. Para mim isso soava muito como história de conto de fadas. Eu não conhecia ninguém que tivesse passado por isso, até ter a minha própria experiência.

Se relacionar com um gringo pode soar muito instigante num primeiro momento, afinal, é charmoso alguém que fala outro idioma ou que tenha nascido em outro país. Mas, se relacionar com uma pessoa de uma cultura diferente é muito mais desafiador do que uma religião ou classe social diferente. Não ter os mesmos costumes influencia bastante na convivência, pois, algo que pode ser ofensivo para você, pode não ser para o outro e vice-versa. Outra questão importante a ser observada é: como a mulher é vista na educação que esse homem teve? Muitos pontos precisam ser analisados e muito bem alinhados para que não haja atritos no relacionamento.

Sou uma mulher solteira, livre, desimpedida, em busca de novas aventuras. Me envolver com um homem que não fosse brasileiro não era exatamente a minha meta de relacionamento, mas, a oportunidade se apresentou e eu pensei: “Por que não?”

Parte 1

Nos conhecemos num aplicativo de relacionamento. Não, não foi no Tinder. Por sugestão de uma amiga e alguns seguidores, decidi experimentar o Bumble, que diziam ser mais elitizado, com pessoas mais bonitas e etc. Voilà, demos match! A descrição do seu perfil dizia o seguinte:

Ele era bem mais velho do que eu. 48 anos, mas você jamais diria que ele tinha aquela idade. Se exercita bastante, desde os 11 anos, pratica hóquei no gelo, voleibol, tênis e academia todos os dias. Seu corpo era de causar inveja em muito novinho. Pele bronzeada, umas coxas lindas, peitoral saltado, barriga chapadinha, mais sarado de que todos os caras com quem já me relacionei. A única coisa que, talvez, entregasse um pouco a sua idade, eram as ruguinhas na região dos olhos, mas nem um fio de cabelo branco para contar história. Nossa conversa pelo aplicativo foi bem sucinta e rapidamente me enviou seu número de telefone.

E já me enviou seu número de telefone, sem eu ter pedido. Confesso que achei um pouco precipitado. Levei uns dois dias para salvar seu número e enfim lhe enviar uma mensagem.

– Olá! Sara do Bumble aqui. Tudo bem com você Peter?

– Olá. Sim.

E de repente me ligou! Simples assim. Óbvio que não atendi, coisa mais estranha ligar para o outro sem o menor nível de intimidade ou aviso prévio. Não falamos nada após a recusa da chamada e três horas depois me fez o seguinte convite:

– Boa noite. Eu chego a SP terça feira. Espero poder jantar com você.

– Terça à noite tenho aula de canto.

– Quarta? Ou quinta?

– Quinta pode ser.

E a conversa morreu aí. Três dias se passaram sem que conversássemos, até que na véspera do suposto jantar, me enviou uma confirmação:

– Olá Sara. Bom dia. Espero que sua semana esteja bem. Espero podermos jantar amanhã. Beijo.

– Oi Peter, bom dia. Podemos jantar sim.

– Perfeito. Bom dia para você. Beijo. Você gostaria de carne? Me avisa ou se gosta de outra coisa. Beijo. – Jeito estranho de conversar, dizendo beijo toda hora.

– Gosto da sugestão.

– Perfeito. Beijo.


*


No dia do jantar me bateu a maior preguiça de encontrá-lo. Não era uma pessoa que eu estava muito empolgada para conhecer, diante da total falta de assunto.

– Olá. A que horas você pode?

Ignorei. Duas horas depois ele tentou novamente.

– Olá.

Achei melhor responder.

– Olá Peter, boa noite. Estou um pouco insegura de ir encontrar alguém que eu mal conversei. Poderia me enviar um áudio para eu ouvir a sua voz?

Daí ele me enviou um áudio de 47 segundos, falando português, mas carregado de sotaque espanhol:

– Olá Sara, estou aqui em Offner café, com o pessoal do trabalho, estou aqui afora. Eu não falo perfeito português, pero, si, eu posso falar. Eu queria ver se você quer, se vamos ir a jantar e… eu não sei como você pensa. Entendo que você pensa que é complicado, difícil demais. Se você quer falar comigo ou se quer uma vídeo chamada, eu estoy bien, eu posso falar um poco com você, para que você se sinta bem, você me avisa.

Depois acrescentou por escrito:

– Se quiser falamos por telefone ou vídeo chamada.

Vídeo chamada? Até parece que eu, que estava toda largada e descabelada na cama, sem nenhuma maquiagem, faria uma vídeo chamada com alguém. Agradeci pelo áudio e respondi que já tinha sido o suficiente, não necessitando fazermos uma chamada.

– Podemos combinar para 20h? O que acha? – Sugeri.

– Está bem para eu.

– Combinado então.

– Só penso que você deve estar insegura porque penso que você agora não está convencida de conhecer-me e eu não gostaria sentir-me incomodado porque você este incomodada.

Do que ele estava falando? Eu já tinha dito que o áudio tinha sido o suficiente e que podíamos seguir adiante com o encontro.

– Não entendi.

– Só quero saber se você está segura de nos conhecermos. Você pode falar rápido por vídeo chamada?

Que insistência pela vídeo chamada! Decidi lhe enviar um áudio também.

– Oi, vou mandar áudio igual você fez, tá bom? Vídeo chamada não. Eu vou começar a me arrumar aqui, então te encontro às 20h, tá bom? Até daqui a pouco.

– Você prefere Japonês, melhor? Ou carne está melhor para você?

– Acho que comida japonesa, à noite, é mais leve! Gosto da mudança.

– Perfeito. Eu também prefiro japonês. Te encontro em Djapa às 8pm. Beijo.

– Combinado, até lá! Beijos.

Preparados para esse primeiro encontro? 👀

Minha Primeira Vez na SCANDALLO

Querido diário,

Sempre tive muita curiosidade em conhecer a Scandallo, – para quem não sabe ou não conhece, é uma casa noturna luxuosa e sofisticada, aqui em São Paulo, conhecida por seu público classe A, festas exclusivas, DJs, gastronomia e entretenimento adulto. –, mas por outro lado, ao mesmo tempo em que eu tinha essa vontade, relutava por saber de algumas regras da casa, como por exemplo: a garota ter que cumprir 7h, cinco dias por semana. Tenho um espírito livre e gosto de fazer meus horários (uma certa fobia com regras empregatícias que me remetem a CLT), além de nunca ter sentido a real necessidade de buscar clientes na casa, uma vez que sempre tive boa procura através das minhas redes e já possuir muitos clientes fixos. No entanto, a vida foi conduzindo para que eu me jogasse nessa aventura!

Em agosto deste ano, recebi mensagem de uma nova pupila, querendo contratar a minha mentoria (direcionada para quem quer iniciar no ramo), e pedi que ela me contasse um pouco do seu contexto:

Daí fizemos uma chamada de vídeo com duração de 2h e conversamos bastante. A Lia – seu nome de trabalho – é muito linda e já teve algumas experiências similares através do Meu Patrocínio. Mantivemos contato desde então e ela veio para São Paulo, indo trabalhar na Scandallo. Após muitas tentativas de nos encontrarmos, sempre sendo sabotadas pela incompatibilidade de agenda, enfim marcamos nosso café da tarde, num domingo, três dias antes de eu decidir também embarcar nessa aventura. Ouvindo a Lia me contar de todas as suas experiências bem-sucedidas com clientes que conheceu na casa, me senti mais confiante de experimentar, uma vez que eu a teria como minha rede de apoio lá dentro.

Marquei a entrevista com o contato do gerente que ela me passou, ele me pediu algumas fotos de biquini ou lingerie (algo corriqueiro pra mim que tenho dezenas de fotos assim nas minhas postagens), e daí agendamos uma entrevista presencial.

De cara achei o lugar beeeeem bonito! Realmente uma balada mais chique. Na entrada já constava um banner enorme divulgando o show do Vintage Culture que ocorreria na noite seguinte.

O segurança pediu para vistoriar a minha bolsa, fui anunciada pelo rádio e então liberaram a minha entrada. Aguardei no sofá. Depois fui chamada numa sala, onde estava o tal rapaz que eu havia falado pelo WhatsApp. Muito respeitador, conversamos de porta aberta. Me sentei ao seu lado, numa grande mesa de reunião. Começou a me explicar as regras da casa, vestimentas proibidas, sistema de pagamento e comanda, multa se não cumprir os cinco dias, enfim, todas as informações pertinentes. Ao final, disse que precisava de meninas para o horário do meio dia e que até me liberaria para já começar, mas como eu estava de jeans, não seria possível naquele momento, por eu não estar no dress code permitido, o que achei ótimo, pois eu já tinha clientes agendados e não fui preparada para ficar direto.

– Eu não sabia que talvez ficaria direto, você não mencionou nada. – Justifiquei.

– Não falamos sobre isso pelo WhatsApp sem antes ver a garota pessoalmente, porque às vezes chegam aqui completamente diferente das fotos, muito Photoshop. Mas você, olha, vou até dizer, é mais bonita pessoalmente do que nas fotos que me enviou.

– Ai que bom! Obrigada. 😊

Cá entre nós, os clientes sempre me dizem isso, eu achava que era xaveco, mas pelo visto é verdade, ainda bem! Imagine se fosse o contrário? Rs.

Me autorizou a iniciar no dia seguinte – na data do show do Vintage –, no mesmo horário que a Lia, às 18h.

*

Eu encarava a minha primeira experiência na Scandallo como uma noite de balada entre amigas, sem olhar para o evento como uma noite propriamente de trabalho e a Lia também estava na mesma energia, ambas empolgadas pro show do Vintage, num ambiente sem muvuca, desfilando nossa beleza. 

Primeiramente jantamos no restaurante que tem lá dentro, muito bom inclusive, todo na penumbra, depois seguimos para o ambiente da pista de dança, pedimos uma garrafa de vinho branco e enquanto o show não começava, bebericávamos, sentadas no bar, próximo ao palco, interagindo com quem parasse para conversar com a gente. Papeamos com outra acompanhante (uma muito fofa que tinha me reconhecido quando estávamos saindo do banheiro) e com um bonito rapaz que estava passando a parou pra puxar assunto.

Como chegamos muito antes do auge da noite, foi interessante observar a casa enchendo e o público mudando. Depois que nossa garrafa esvaziou, fomos dar uma circulada nos ambientes e achei o máximo as mulheres terem acesso livre aos camarotes, quando somente um público mais selecionado poderia estar ali com a gente. 

Todo lugar que você andava chovia mulher bonita. Mulheres aos montes pros caras  escolherem. Um verdadeiro paraíso para eles, imagino. Mulheres de todos os tipos, que eles podiam abordar sem medo de serem ignorados. 

Eu não estou acostumada a adular ninguém pra sair comigo, pelo contrário, os caras que me adulam pra sair com eles, então eu não fazia o tipo “atacante” que chega nos clientes. Preferia deixar essa conquista pra eles. Penso que se ele sabe que todas que estão ali estão suscetíveis a ficar com ele em troca de pagamento (salvo algumas exceções em que o cara for escroto na abordagem e aí ninguém é obrigada a nada), o flerte inicial eu decidi que deixaria por conta deles. Não lhes tiraria essa pequena conquista.

*

Em outro momento, enquanto eu a Lia voltávamos para a pista de dança, um rapaz japonês, acompanhado de uma linda mulher, começou a acenar pra gente. Ficamos na dúvida de qual das duas ele estava chamando e nos aproximamos deles. 

– Você é a Sara. Não é?

– Sou! – Já abrindo aquele sorrisão. 

– Eu te sigo! – Visivelmente empolgado.

E daí ele pegou seu celular, abriu no meu Instagram e mostrou pra sua esposa: “Olha amor, eu sigo ela!” E aí pronto, foi o que bastou para engatarmos uma prosa com eles. Ficamos um tempão, eu e a Lia, interagindo sem qualquer pretensão financeira com o casal. Curioso que até uma outra garota se inseriu na interação – algumas mulheres lá são mesmo muito atacantes – quando sentou no banco atrás deles, daí a esposa dele olhou pra trás sobressaltada e a garota respondeu brincalhona: “Perdeu o lugar”.  A esposa dele entrou na brincadeira e sentou no colo dela. Achei o máximo que uma interação que iniciou por conta de mim, estava rendendo até para as minhas “colegas”, rs. E essa garota participou por algum tempo, ora ela conversava com o japonês, enquanto eu e a Lia conversávamos com a esposa dele, ora invertia, e ela papeava com a esposa dele, enquanto eu e a Lia com o japonês. Depois, em algum momento, quando provavelmente ela percebeu que dali não sairia nada, se despediu e saiu. Ainda lhe lancei um elogio final, pois a achei muito parecida com a Belinda, que ela sorriu e agradeceu, mas também não sei se todo mundo conhece essa cantora, rs. 

Depois uma outra amiga da Lia se juntou a nós e aí desvinculamos daquele casal para dar uma circulada. 

*

Quando o show acabou e a balada se encaminhava para o fim, um rapaz colou na gente, primeiramente interagindo com essa outra amiga da Lia. Eu estava curtindo o som, um pouco aérea do que estava acontecendo, só fui seguindo as meninas até um grupo de homens, que se tratava dos amigos desse tal cara. Daí, rapidamente, um grudou em mim, (vou apelidá-lo de “Cara do TI”), e um outro também já gostou da Lia. 

Aquele rapaz ficava me abraçando e tentando me beijar algumas vezes, mas eu sempre desviava, afinal, as meninas tinham me alertado de caras que tentam tirar casquinha sem pagar, eu que não facilitaria nenhuma amostra grátis. Só viraria a chavinha para o meu mood namoradinha depois que meu cachê estivesse na conta. 💵 

O Cara do TI e seus amigos ficavam dizendo que eu era brava e desconfiada, (e sou mesmo), por eu ser a mais séria do grupo, mas eu só estava tentando sacar qual era a deles, se realmente ficariam com a gente. Daí me perguntaram o que eu precisaria pra ficar feliz naquela noite. “Hummm, o me faria feliz nessa noite?” Repeti em voz alta, pensativa. 🤔 

– Ah… 5k me faria muito feliz nessa noite! – E finalizei com um sorriso malicioso. 

Daí eles absorveram a informação e também ficaram pensativos. Depois falei pras meninas sobre essa conversa que tinha rolado, para que ficássemos todas alinhadas. Daí iniciou-se uma grande sessão de negociação/enrolação. 

Fizeram uma contraproposta de R$ 3.300. Ok, razoável. Mas alguém ainda não estava concordando com este valor para todas.

– Vamos fechar em R$ 3k. – Um outro tentou negociar. 

– O que são mais R$ 300 pra quem já vai pagar R$ 3k?! – Rebati. 

Os caras demoraram UMA VIDA pra bater o martelo, porque todas as garotas que eles conversavam, jogavam o valor lá embaixo.

Com o passar do tempo, o meu carisma estava indo embora diante do cansaço da espera e as tentativas de reduzir o nosso cachê. De repente, aquele montante já não me apetecia mais, o paraíso que eu visualizava era ficar descalça e me teletransportar para a minha cama.

– As meninas ficam desesperadas pra trabalhar e cobram menos. – Avaliou a Lia

Ela anunciou que ia embora, daí o rapaz que tinha a escolhido, a segurou pela mão e insistiu que esperasse mais um pouco, pois tanto ele, quanto o que sairia comigo, estavam tentando fechar alguém pra sair com a terceira garota. Ainda brincaram que venda casada era crime, rs. 

– Olha só, deixa eu te falar uma coisa… – disse o meu par, no meu ouvido, enquanto me abraçava. – eu fecharia 5k em você, mas não dá pra fechar 5k nas suas amigas. (Ele foi delicado de dizer no plural para não especificar de quem realmente estava falando, já que o outro que ficaria com a Lia, também já tinha concordado). É sua primeira vez aqui, então olha só, se você fica na dependência das suas amigas, vai perder dinheiro. Eu fecho com você, mas só com você. 

Achei coerente o seu toque, mas eu estava um pouco alterada do álcool (aproveitei por ser show do Vintage e a minha estreia na casa) e não me sentia segura de sair dali sozinha com ele. É um outro modo de trabalhar, que eu não estava acostumada. 

Depois o vi conversando com outra profissional, uma loira bonita, e ali pensei em ir embora, não iria entrar em disputa com ninguém, meu pé doía cada vez mais, ansiava pelo meu descanso. Mas quando ele voltou para me abraçar, aproveitei para dar uma alfinetada:

– Nossa você já estava negociando com outra? Assim, na minha frente?! 

– Nãooooo. É que ela é de Brasília também, tava pegando o contato pra uma próxima vez. Ficou com ciúme?? – Dando um sorrisinho malicioso e aproveitou pra tentar me beijar de novo. 

Essa outra garota ficou ali rodeando, e percebendo que ele ficava entre nós duas, decidi unir minhas forças com a concorrente:

– Sabia que hoje é minha primeira noite aqui? – Puxei assunto.

– Ah é? Que legal! – Ela foi super simpática. 

E rapidamente viramos um trisal. 😈

– Ela faz por R$ 2.500. – Ele barganhou. 

– Nada de R$ 2.500. Estamos combinando R$ 3.300! – Reafirmei batendo o pé sobre o valor.

Ele achou que me faria reduzir diante do perigo da perda, mas eu fiz com ela subisse o cachê também, kkkk. 

– Ahh eu tinha entendido que seria aqui. Pra irmos pra outro lugar realmente é mais caro. – Ela entrou na onda e eu adorei essa cumplicidade feminina. 😏

Em outro momento, uma moça morena, com traços indianos, que sairia com aquele amigo dele que nos abordou primeiro, veio me perguntar por quanto estávamos combinando, pois o par dela estava achando caro R$ 2.500. E um outro amigo dele também afirmou que tinha subido com uma garota linda mais cedo por R$ 1.500. Alguns de seus amigos buscavam o menor preço, então a negociação seguia interminável.

Eu estava por um fio de ir embora. 

– Amiga tá uma enrolação isso aqui. Eu tô muito cansada. Quero ir embora. 

– Amiga não costuma ser enrolado assim. Geralmente é bem rápido.

Daí a Lia disse pro seu par: “Bom, a gente vai dar uma volta.” Um código para “vou buscar algo melhor”, daí seu par a segurou pela mão novamente e insistiu que aguardasse mais um pouco, eles estavam tentando levantar o dinheiro em espécie, para não deixar registros na conta. (Dilemas de homem casado.)

– Eu preciso muito sentar. – Anunciei. – Meus pés já estavam querendo dar PT. 

– Eu também. – A outra loira, que descobri se chamar Gi, concordou. E daí fomos nós três (eu, ela e o nosso par) e mais um amigo dele (aquele que afirmou ter ficado com uma por R$ 1.500) para a área Garden, na parte externa, onde nos acomodamos em uma mesa. 

– É a sua primeira vez na casa ou trabalhando com isso? – Seu amigo me perguntou. 

– Primeira vez trabalhando na casa.

– Como você fazia antes?

– Ahh, através das minhas redes sociais.

– Das suas redes sociais? Como assim? 

– Meus clientes vem através das minhas redes. 

– Você é influencer?

– Ahhh… sou. (Eu não me via dessa maneira, rs)

– Quantos seguidores você tem?

– Ahh, no insta tenho 11 mil e no Tiktok 70. – Nem mencionei o Twitter. 

– Olha só, uma influencer… 

Daí o assunto foi migrando para outras pautas e em algum momento eu olhei para o lado, observando as interações das outras pessoas, e daí achei ter visto o meu ex. 😳 Não o Intenso, o que veio antes, aquele que era cliente e que parei de atender para irmos morar junto (contei tudo aqui). Achei muito bad vibes vê-lo ali e torci para que fingisse que não me conhecesse. Em outro momento decidi olhar de novo para ter certeza e felizmente constatei que não era. Mas de fato aquele cara parecia muuuuuito com ele! Ufa, foi só um susto.

Depois voltamos para a pista onde estava o resto do pessoal, ver se já tinha desenrolado, e minha amiga já tinha R$ 1k em mãos como garantia. Ia rolar, era só questão de tempo. 

– Depois que beijar vai ficar louco. – Lá vinha meu par tentando me tascar um beijo de novo, mas novamente desviei, só beijaria depois que a minha garantia também estivesse na conta, rs. 

*

Enfim chegou o momento de partirmos para a segunda fase da noite. A outra amiga da Lia tinha se ajeitado com outro cara do grupo (um que iria com ela e mais uma) e aí fomos para a interminável fila do caixa. A balada estava nas últimas, então uma multidão foi fechar a conta ao mesmo tempo. 

Os nossos pares se encarregaram de pagar a nossa comanda, e eu fiquei sentada num sofá próximo, descansando os meus pés naquele salto. 

Restava agora o pagamento do nosso cachê. O meu par pagaria no crédito e o aplicativo da Nubank não estava abrindo para eu fazer a cobrança. Me bateu um leve desespero, mas aí a Gi me lembrou do cartão branco que todas nós recebemos quando entramos na casa, um sistema da Scandallo que recebe o pagamento por nós e posteriormente repassa para a nossa conta integralmente. Muito útil se o cliente não tiver como fazer o pix. Aí sim deu certo, ufa! Deixei minha mala no meu carro (não estava em condições de dirigir) e seguimos de táxi para o hotel que o Cara do TI estava hospedado. 

O Cara do TI

– Eu vou no meio. – Ele anunciou antes de entrar no táxi, depois que a Gi já tinha entrado, rs. 

Chegamos no hotel e fomos direto para o elevador, passando ilesos daquela burocracia chata do check-in para visitantes. 

Assim que entramos na suíte, eu a Gi arrancamos o salto, guardei meus anéis (já perdi muito anel em atendimento) e entrei no banho. Ai que coisa boa uma chuveirada descalça, depois de horas em pé naquele salto. Agora precisava recarregar as energias para dar um trato naquele homem. 

Ele gentilmente tentou pedir um café da manhã pra gente, mas ainda era cinco e pouco da manhã e só liberavam o serviço do café no quarto, a partir das 7h. 

Depois que me banhei e percebi que não tinha uma terceira toalha pra Gi, conduzi para que ele fosse na sequência (já tinha uma em uso), enquanto esperávamos a recepção trazer outra (que acabaram nem trazendo e a Gi se secou com uma de rosto). 

Daí após ela entrar no banho, eu e ele continuamos conversando, um papo super interessante sobre formas de pesquisar algo no Chat, (ele até mencionou um artigo que tinha escrito a respeito), e então engatamos o tão esperado beijo. 💋

– Eu te falei que quando beijasse ia ser louco. – Ele repetiu.

Eu estava enrolada na toalha deitada no sofá, ele veio por cima de mim e com poucos beijos logo estava abocanhando os meus seios. Hummm que delícia. Conforme foi ficando mais quente, sugeri irmos para a cama, o que ele aderiu rapidamente. 

No quarto, nos beijamos mais um pouco ainda de pé, até que conduzi para que se deitasse e fui pra cima dele toda seduzente, em direção ao seu pau. Me surpreendi com o tamanho. Era grande e grosso. 😋 Comecei delicadamente pelas bolas, ao que ele assistia com um sorriso de quem estava gostando. Fiquei um tempo naquele agrado, até que subi para chupar o membro inteiro. Ele tinha um pau gostoso, macio, já imaginava como seria delicioso sentar nele. 😈 Em algum momento a Gi voltou do seu banho e entrou na brincadeira, o masturbando, enquanto eu voltava com a minha boca para as suas bolas.

– Não esperava que você tivesse tudo isso não. – Ela elogiou. Pelo visto não foi só eu que achou ele bem dotado, rs.

Ele ficou louco de tesão com as duas interagindo nele ao mesmo tempo. Depois ela o abocanhou por completo e só saiu quando ele a puxou para sentar na cara dele. Ficamos nessa troca de energia deliciosa, ele chupando ela, eu chupando ele, e depois invertemos. Em outro momento, quando era eu que estava sentada na boca dele, sentindo a sua língua na minha buceta, ela o chupou mais um pouco, e então encapou, já sentando. 🔥 Até ofereci se ela não queria um gelzinho, mas a danadinha nem quis saber e não perdeu tempo, cavalgou nele com gosto. Teve uma hora que eu até interrompi a sua chupada e saí de cima dele, pra que pudesse apreciar a visão dela performando. 

– Ai caralho. – Ele repetia várias vezes. 

A Gi sentava sorrindo, aquilo nem parecia um esforço pra ela, fazia na maior naturalidade. Achei que ele fosse gozar, pois eu já estava quase gozando só de assistir aquela cena erótica, mas ele tinha bebido e em algum momento ela se deu por satisfeita, saindo de cima dele. 

Entendi que era a minha vez de assumir a tarefa, mas nessa pausa acabamos dispersando, nos distraímos tentando ligar o ar condicionado (a temperatura tinha esquentado) e entramos em algum assunto, somado a pausa para pedir o nosso café da manhã.

Em outro momento dei alguns amassos nele, mas sexo mesmo só foi rolar depois que a Gi foi embora. Ele decidiu liberá-la antes (já que mal tava dando conta de uma, rs) e depois que ela partiu, ainda tiramos um providencial cochilo. Somente ao acordarmos, levemente mais descansados, que desenrolou a transa e ele me pegou de bruços bem gostoso. 😈 Ficou algum tempo assim, depois quis me pagar no papai e mamãe, bem amorzinho, beijando e metendo ao mesmo tempo. Ai que delícia! Estava muito bom, mas, infelizmente, nem comigo ele não chegou lá, ☹️ e após um tempo de atividade, pedi pra fazermos uma pausinha, afinal, o seu brinquedo era grande demais pra minha pepekinha. 

Seus amigos ligavam toda hora, o requisitando para ir encontrá-los, (a essa altura já era umas onze da manhã) mas quem disse que ele conseguia me deixar ir embora? 🥰 Ficamos de beijos e chamegos até uma da tarde, quando enfim fui mais firme, pois ainda precisava buscar meu carro lá na Scandallo. (Ele generosamente me deu mais um presentinho pelo tempo extra).

*

A noite ele propôs de sairmos novamente. Queria que eu o acompanhasse em outra boate que iria com seus amigos (até estranhei ele querer repetir, do que ter uma nova experiência), o que eu até toparia se ele aceitasse a minha proposta de R$ 6k pelo pernoite, mas achou muito, fazendo uma contraproposta de R$ 3k, que acabei recusando. Uma coisa era aceitar essa quantia já estando no rolê, quando eu não tinha expectativas de rolar algo, outra era eu sair da minha casa, ainda não recuperada do cansaço, e ter que me produzir tudo novamente para ficar mais não sei quantas horas em pé outra vez. Se por um lado fiquei triste que não rolou o reencontro, por outro fiquei feliz de poder descansar mais daquela noitada. 

Saldo final da aventura: Gostei, mas também cansei, contudo, repetirei! 😈

E vocês, o que acharam de tudo isso? 👀

Desaventuras Amorosas em Série – Pte 7

Querido diário,

Voltei para o Bumble.

Minha relação com esse aplicativo é de amor e ódio, rs. Na verdade, mais ódio do que amor, rs. O ciclo geralmente é: me reconecto engajada, daí basta uma experiência ruim, que desanimo novamente, rs. E nesse momento me encontro no ciclo engajada!

O Garotão Passageiro

O cara da vez é uma incógnita pra mim. Não achei ele muito bonito nas fotos, mas gostei das coisas que estavam escritas e pensei: “por que não dar uma chance para os não tão bonitos, mas engraçados? Quem sabe me surpreendo!” Sua idade marcava 25 anos, não curto novinho e dificilmente daria moral, mas como nas fotos ele aparentava ser dez anos mais velho, decidi arriscar.

O papo fluiu rapidamente, logo estávamos trocando áudios, super conectados nos assuntos. (Infelizmente não consigo trazer os diálogos detalhadamente, pois, o final foi tão estranho, que, no impulso, já desfiz o match e perdi o histórico.)

Em meio a uma conversa que estávamos tendo, ele teve a iniciativa do nosso primeiro encontro ser num evento imersivo de terror, chamado “Edifício Rolim”, que acontece nesse mesmo prédio, localizado na Praça da Sé. É um evento novo, dos mesmos donos de outro evento de terror, chamado “Abadom”, que rolava em Santo Amaro.

Como eu já estava querendo ir conhecer, adorei quando ele propôs a ideia, já que a minha amiga que planejava ir comigo, nunca está casando as agendas. Ele comprou os ingressos e ficamos sem nos falar de quinta até domingo, quando ele me enviou uma mensagem durante a tarde, confirmando nosso encontro para a noite daquele mesmo dia.

Precisei atender um cliente antes e com isso acabei me atrasando para o nosso date. Combinei com ele 19:30 (meia hora antes do evento), mas acabei chegando quase oito horas. (Não deixei que me buscasse em casa, por questões de segurança.) Como cheguei em cima da hora, nossa interação inicial foi mais objetiva, nos cumprimentamos e já fomos subindo as escadas.

No entanto, é claro, que não pude deixar de reparar na sua aparência. Muito mais bonito que nas fotos, corpo robusto e malhado, um verdadeiro armário: alto e grande. Gostei bastante!

O Thales, esse boy que conheci no aplicativo, já tinha me avisado que era muito medroso e que gritava fino. E realmente ele não estava mentindo. Fomos num grupo de seis pessoas, sendo três casais, e ele era o que mais se assustava, o que acabou dando um tempero pra experiência, com seus demasiados gritos femininos kkkkkk. Nem as outras mulheres se assustavam tanto quanto ele, rs. Confesso que numa hora deu até um tesãozinho, quando nossos corpos se prensaram em determinado cenário.

O evento em si não me surpreendeu, mas isso porque sou atriz, já trabalhei em outros eventos com essa mesma temática e não me assusto fácil. Além de notar muitas similaridades com a forma de conduzir o público e propiciar os sustos. Muita bateção de porta, muita escada, muita correria. Eu só ficava sorrindo, por prestigiar a atuação dos meus colegas, (inclusive até reconheci um, mesmo caracterizado de monstro), mas susto mesmo, não levei nenhum.

Saindo de lá, sugeri irmos no barzinho ORFEU, que ficava perto e dava pra ir a pé. Conversamos bastante, assuntos leves, nada muito profundo e de fato ele era muito engraçado, sempre desenrolando uma piadinha. Tomei um Bloody Mary e ele uma cerveja, ainda pedi tiras de fraldinha como petisco e, no final, ele fez questão de pagar a conta.

Viemos andando até a minha casa. Quando chegamos na frente do meu prédio, não o convidei para que subisse, ele perguntou se podia me dar um beijo e quando nos beijamos, rapidamente senti o seu volume no meio das pernas. Parecia bem grande. Deu um tesãozinho, mas nada que me fizesse transar com ele naquela noite. Depois que entrei no meu apartamento, choveu de mensagens suas, querendo sair comigo novamente. Combinamos para o final de semana seguinte e a programação exata não foi definida.

*

– A senhorita quer algo mais romântico, intimista ou algo mais encontro casual? – Ele perguntou, enfim, na véspera do segundo encontro.

– Todas as opções me apetecem. – Respondi. – Você tá em qual vibe?

– Eu tô na vibe de te ver. Ajuda? Hahah.

– Ou seja: “Decide você, qualquer coisa pra mim tá bom”. Kkkkk.

– Não é isso hahah, é que eu queria fazer alguma vontade sua. Não tem nenhum lugar que vc queira ir?

– A minha vontade é te ver também. – Devolvi a peteca.

– Olha só que astuta. Nesse caso, quer tomar vinho? Podemos ir ver algum filme, depois pararmos pra tomar vinho.

– Um cineminha? Gostei.

– Tenho o meu favorito de estimação (ele gosta de ir no Cine Belas Artes, ali na rua da Consolação). Mas se eu escolher o cinema, você escolhe o filme.

Ele mandou o link para que eu escolhesse, isso foi por volta das 18h e só apareci com a resposta no dia seguinte, dez da manhã:

– Bom dia!! Desculpa a demora, minha amiga chegou aqui em casa ontem e não consegui ver com calma as opções. – Mentira, eu tinha ido atender.

Não estava sendo captada por nenhum filme, até que, de repente, vi: ANORA, ganhador do Oscar, que eu tava louca pra assistir.

*

Ele veio me buscar num carrão. – Quero dizer, eu achava que era carrão, até ouvir do meu personal que Spin não é carrão e sim carro grande, utilizado para transportar coisas. – Deixou o carro no estacionamento que fica ao lado do Hotel Renaissance e caminhamos alguns quarteirões até o teatro, o que não achei muito conveniente, rs.

Chegando lá, pude perceber uma forte tensão sexual vinda dele, quando estávamos parados na fila da compra do ingresso e depois na fila da pipoca. Como se o tempo inteiro ele quisesse me seduzir a ir embora dali, querendo beijar em público, num ambiente extremamente iluminado e cheio de pessoas em volta. Por vezes tive que contê-lo. Após sentados na poltrona, não sei como iniciamos um assunto sobre sexo, com ele falando da sua primeira vez e que o recorde que já aguentou foi oito numa noite. De repente o filme foi começando e ele queria continuar falando. Aquilo me constrangeu um pouco, detesto incomodar os outros.

– Fala mais baixo, – Solicitei, cochichando, para que ele entrasse na minha.

– O filme já vai começar. – Cochichei de novo, em outro momento, para que ele desligasse o radinho.

Ele queria ficar beijando no cinema. O que não vejo nenhum problema, se a sessão estiver mais vazia. No entanto, havia pessoas ao meu lado e do dele, e ninguém merecia ficar ouvindo os estalos dos nossos beijos, então, a certa altura, o interrompi, que toda hora vinha fazer uma nova tentativa, beijando o meu ombro, no intuito de que eu virasse o meu rosto para ele. Em outro momento acabei cedendo e nessa hora ele quase me levou pra sua casa.

– Agora entendi porque você deixou que eu escolhesse o filme, já que a sua intenção nem era assistir mesmo. Né? Rs. – Cochichei.

Ele concordou.

– Então nem precisava ter vindo né, já devia ter combinado outro lugar. – Continuei.

E nesse momento ele falou que se eu quisesse podíamos ir embora, naquele momento, para a sua casa. – Ele morava com a vó, mas, segundo ele, ela estava internada no hospital.

– Em Osasco?! – Desanimei um pouco com a distância e a fama do lugar.

Ainda assim, achei que seria uma adrenalina conhecer a casa dele e transar naquela noite. Por um segundo passou um filminho na minha cabeça, me visualizando levantando da poltrona, passando pelas pessoas e depois no carro com ele. Foi por muito pouco que não aceitei, pois também estava com bastante tesão. Mas aí olhei pro filme que estava passando na tela e também era algo que eu queria muito assistir, não quis fazer uma escolha no impulso, então recuperei um pouco da sanidade e propus:

– Vamos fazer assim, terminamos a pipoca e vamos assistindo mais um pouquinho do filme.

Se o filme fosse chato, eu concordaria em ir embora depois.

Mas o filme foi ficando interessante. E dali a pouco, quando ele vinha tentar me beijar, eu não tirava mais os olhos da tela. Só voltei a dar atenção pra ele, quando comecei a ficar apertada e incomodada com a demora para que o filme acabasse (durou quase 3h).

MINHAS PERCEPÇÕES DO FILME ANORA

Tem Spoiler

Não vi nada de extraordinário que merecesse o Oscar mais do que “Ainda Estou Aqui”, mas sim, gostei, e achei interessante que abordaram a prostituição num contexto que eu nunca tinha visto igual em outro filme. A garota que se deixa iludir por um riquinho mimado, de 21 anos, (se iludindo tipo, casando com ele), pra depois ter todo um rebuliço dos pais dele, extremamente milionários e influentes, contratando capangas para que fizessem o garoto anular o casamento, pois era um escândalo, ele ter casado com uma prostituta.

Daí o moleque foge e ela fica refém dos capangas, mas assim, nada violento, essa cena, inclusive, foi uma das mais engraçadas. Analisei até que a razão pela qual a atriz também tenha ganhado o Oscar, possa ser pela sua capacidade de dar vários gritos, como aqueles frenéticos de histeria. Daí o filme se demora muito na busca pelo rapaz (talvez tenha sido proposital, para justamente nos causar essa mesma sensação de desgaste), para depois o bonitão ser encontrado na mesma boate que ela trabalhava, numa dança particular com justo uma garota que ela tinha muitos desafetos. O mais incrível disso tudo, pelo menos pra mim, é que, apesar de todas as evidências apontarem para uma coisa óbvia, assim como na vida, precisamos nos humilhar mais até entender a grande sacanagem da outra pessoa com a gente. O filme inteiro ela buscando um apoio dele, em meio a aquilo tudo e o tempo inteiro ele em cima do muro, sem manifestar de que lado estava de fato. Somente nas últimas cenas ela consegue extrair isso dele, numa cena decisiva em que eles estão prestes a entrar no jatinho particular para viajar até Las Vegas e anular o casamento.

Enfim, eu até que tava gostando do filme, ia sair com uma conclusão de Talvez Amei do que apenas GOSTEI, até que a cena final foi além da minha capacidade de entendimento, não entendi aquela mensagem final que quiseram passar e isso me fez não sair plenamente satisfeita com o filme. (Preciso assistir mais vezes para que venham mais reflexões).

Daí, voltando ao encontro, quando saímos do cinema, trocamos poucas impressões sobre o filme, porque, afinal, eu ainda não estava com uma opinião formada.

– Você quer fazer o que agora? – Ele perguntou manhoso, jogando a peteca pra mim.

O que eu queria fazer? Sinceramente? Ir pra minha casa dormir. Foram três horas exaustivas de filme, tava começando a me dar uma leve dor de cabeça pelo tempo que fiquei sem comer algo realmente nutritivo (aquela pipoca carregada de óleo e sódio não conta), já era 23:30h, consideravelmente tarde, e eu tinha cliente no dia seguinte, 11h (o que significava eu ter que acordar 9h).

– Pra casa. Tá tarde. – Falei, desanimando os planos dele.

– Você vai fazer alguma coisa amanhã? – Ele perguntou se eu ia fazer alguma coisa no dia seguinte, que era feriado.

Fiquei muda, sem responder. Eu tinha um cliente de 2h para às 11 da manhã, mas como poderia falar que ia ter que trabalhar no feriado?

Na caminhada de volta até o estacionamento, eu tremia de frio. Estava vestida consideravelmente agasalhada, saia com meia calça fio 80, bota, e uma blusa de malha, de manga comprida, cacharréu. Ele disse:

– Quer que eu tire minha camisa? Coloca suas mãos pra esquentar debaixo da minha camisa. (Em contato direto com a pele dele.)

E eu fiz, andando meio que abraçada nele. Mas não resolveu, continuei com muito frio. Daí no carro eu percebi seu jeito sutilmente mais hostil, acendendo até mesmo um cigarro, com o carro em movimento.

– Meu cabelo vai ficar fedendo a cigarro. – Reclamei de um jeito mais fofinha.

Não lembro as palavras que ele usou, mas disse que estava se empenhando para que a fumaça não viesse muito pra dentro do carro e aí eu abri todo o meu vidro também. Percebi que ele devia estar frustrado por eu determinar que não transaríamos. Daí voltei nesse assunto e falei sobre marcarmos algo no dia seguinte a noite (que era feriado de 1 de maio), ou na sexta a noite, que eu não precisaria acordar cedo no dia seguinte. Ele super animou e até apagou o cigarro.

Quando estávamos descendo a minha rua, tivemos um diálogo peculiar. Ele fez mais uma das suas belas cantadas da noite, tão perfeita e clichê, daí eu respondi:

– Sei. Só vou acreditar em tudo isso se você não sumir depois de transar kkkkk. – Ele achava que eu era ingênua?

– Por que, você está acostumada com as pessoas fazendo isso com você? – Ele perguntou.

– Eu não diria acostumada, pois isso seria se eu tivesse confortável com a situação. Mas sim, acontece bastante. – Revelei.

– Por quê?

– Porque eu só encontro caras que não querem nada com nada.

Pausa na história para uma revelação!

Sabemos que eu tô sempre falando que não quero me relacionar e sim ter muitos contatinhos, certo? Pois bem, descobri que esse meu discurso tem uma grande contradição com o que realmente reverbera dentro de mim. Eu sempre acabo me apegando aos contatinhos que me despertam algum tipo de admiração e que o sexo é incrivelmente compatível. Aí você pensaria: “Ahh mas isso se chama carência, Sara”, e não necessariamente, pois o que mais tenho a minha volta são homens com dinheiro, querendo me paparicar e me conquistar, e não me envolvo por eles. O apego vem por aqueles caras que me interesso na minha vida pessoal, sem qualquer envolvimento financeiro e que eu escolhi. Não consigo ter mais de um contatinho, porque basta rolar um legal, que já canalizo naquele pobre coitado todas as minhas energias. Então os caras somem e eu, que sei o quanto sou maravilhosa e gostosa, fico na merda tentando entender o porquê deles não terem se apaixonado por mim. Daí entro numa crise existencial de falta de autoestima, me questionando se realmente sou tudo isso, afinal, eu sou uma mulher da vida, né? (Pois, é, nessas horas eu dou uma balançada).

Por que a Sara é mais amada?

O que eu estou usando em uma que não uso na outra?

E o que poderia ser usado por ambas?

Enfim…

Daí corta para o diálogo de volta:

– E você perguntou por que não querem namorar? – Ele perguntou.

– Todos traumatizados.

De fato, tenho dois casos muito parecidos, são caras que decidiram nunca mais se apaixonar (e eu achava que a gente não tinha controle sobre essas coisas), pois tinham traumas com relações ruins do passado, até mesmo se espelhando no relacionamento fracassado dos próprios pais dentro de casa. Eu sempre acho que o cara vai mudar essa visão se acontecer uma mágica, mas essa mágica nunca acontece comigo. Acabo atraindo muito esse perfil de caras não disponíveis emocionalmente, porque, afinal, o universo só está me ouvindo gritar aos quatro ventos que não quero relacionamento, então só me manda caras que não estão disponíveis pra se relacionar.

Pois bem, no dia que eu chorei durante a minha terapia, trazendo pra fora a minha real vontade de querer viver um amor, a partir dali o universo entendeu e agora sim está trabalhando a meu favor.

Ele não disse nada após a minha conclusão acima e logo chegamos no meu prédio. Du a volta para estacionar com calma do outro lado da rua e então demos aquele beijo de despedida. Que beijo. Fiquei com MUITO tesão.

– Você não quer ir lá pra casa? – Ele tentou novamente.

– Mas eu tenho compromisso amanhã 11h. – Respondi pesarosa, pois eu queria mesmo poder fazer as duas coisas.

– Eu te trago bem cedo.

– Mas já é meia noite, vai ficar muito tarde, daqui dez minutos vou cair de sono. Quero te encontrar de novo, com mais tempo. Numa próxima podemos nos encontrar umas 18h, vamos pra sua casa, pedimos um Ifood e vemos Netflix. – Sugeri.

Ele adorou a ideia.

– Podemos amanhã a noite ou sexta a noite. – Tentei já deixar combinado.

Ele demonstrou muito entusiasmo com as duas opções, se mostrou bastante compreensivo com a minha decisão de não encerrar a noite na casa dele, desceu do carro para abrir e porta pra mim, e ali fez sua última tentativa, me beijando tão colado, que novamente senti o seu volume no meio das pernas.

– Você não quer dormir de conchinha comigo? – Ele apelou e fiquei com ainda mais tesão por dentro.

Me imaginei tendo que cancelar com o cliente no dia seguinte, mas era um cliente potencial que eu estava meio que fidelizando, não queria dar essa mancada, então, com muito autocontrole, decidi seguir a razão e não ir pra casa dele.

– Dá um beijo nos seus gatos por mim? – Ele disse, e senti que queria que eu o chamasse pra dentro da minha casa, já que eu não estava com disposição de ir até a dele. Uma tentativa que achei um tanto apelativa e falsa, visto que nunca falei dos meus gatos com ele.

*

– Em casa senhorita. Obrigado por hoje novamente. – Ele mandou mais tarde.

– Que bom que chegou em segurança. Obrigada também.

– E vc chegou bem?- Cheguei sim.

Na manhã seguinte, acordei morrendo de tesão, todo aquele tesão reprimido que não descarreguei durante a noite. Mandei mensagem pro cliente reconfirmando o encontro, e, para o meu desgosto, ele disse que tinha amanhecido resfriado (até gravei um vídeo contando essa história lá no meu Tiktok), fiquei muito puta naquele momento (literalmente), porque além de ter ficado sem sexo, também ficaria sem dinheiro. Eu quase tinha ido transar na noite passada com um boy que eu estava com muita vontade, não fui, pois, se eu fosse provavelmente cancelaria com o cliente e agora o infeliz que cancelava!! VTC.

Após a confirmação e a decepção de que eu não me encontraria com o cliente, tentei resgatar alguma coisa com o Thales:

– Dormiu bem?

– Bom dia senhorita. Como estamos? Dormi sim, acabei de acordar. E vc? Como foi sua manhã?

– Produtiva. – Frustradíssima.

– O que fez de bom?

– Tive reunião, te falei ontem. – Corta pro horário dessa mensagem: 11:11

– O que você acha de encontrarmos pra almoçar e esticar a tarde juntos? – Propus doida pra dar, com o tesão todo acumulado da noite passada.

– Eu vou almoçar no hospital com a minha avó hoje, então não consigo.

Na hora que essa mensagem bateu nos meus olhos, eu o não vi indo cuidar da avó e sim me rejeitando.

– Como ela está? Nenhuma melhora? – Ele disse, na noite anterior, que ela estava internada, com câncer. – Será que eu fui insensível? Afinal, não se melhora de um câncer da noite para o dia.

Vocês acreditam que ele nunca mais falou comigo depois disso?

A noite eu fiz uma nova tentativa de contato:

– Oie, tudo bem por aí? Aconteceu alguma coisa? Cê sumiu, fiquei preocupada.

Comecei a achar que a vó dele tinha morrido. Ele nunca demorava tanto pra me responder no whatsapp, aquele sumiço estava fora do normal. Fui investigar no Instagram, ele tinha postado dois stories depois da minha mensagem perguntando da vó dele mais cedo, o que demonstrava ele não ter me respondido de propósito e não porque estivesse longe do celular. Interagi nesses stories, mas o boy evaporou. Sequer visualizou as minhas interações.  

No dia seguinte, comecei a cair em mim que ele tinha me dado um ghosting e fui buscar respostas no tarot. Contatei uma taróloga maravilhosa que me responde 7 perguntas por R$ 42 com áudios riquíssimos de detalhes e interpretações completas.

A primeira pergunta que eu fiz era se a vó dele tinha morrido.

Não tinha.

– Aqui nas primeiras cartas não aparece óbito, não aparece energia de desencargo. Ela pode até estar doente, mas ainda não mostra aqui no baralho que ela tenha morrido. Até porque quando tem desencargo são cartas bem específicas que aparecem.

Na sequência perguntei se ele tinha sumido por conta da vó.

Não tinha.

– Não, não é por conta da vó dele, tá tendo alguma outra situação que tá pedindo pra ele maturidade, postura, tempo inteiro, que faz com que ele cuide demais disso e dê menos atenção a vocês. E não é necessariamente por conta da vó, pode ser que a história da vó esteja envolvida, mas não é só isso. Tem outras coisas. Talvez seja algo relacionado ao trabalho, pois está mostrando cartas aqui que ele tá precisando de mais maturidade, dedicação e empenho, fazendo com que ele coloque mais energia nisso. – Fala se ela não dá uma interpretação muito completa?

A terceira pergunta foi se ele tinha sumido por ter perdido o interesse em mim:

– Não é isso. Tem aqui uma conexão que ele ainda sente em relação a você, mas muito mais ele fazendo coisas da vida dele, coisas que pedem a atenção e energia, do que não estar mais interessado em você.

Gente mas que rebuliço é esse que aconteceu na vida dele, do dia para a noite, se a vó dele não morreu?!

Na quarta pergunta eu quis saber se ele era comprometido.

– A carta da árvore diz que sim. Ele tem algum tipo de compromisso com outra pessoa. Ou ele fica com outra pessoa, ou tem uma relação, mas consta sim um vínculo.

Na quinta pergunta eu quis desvendar algo que parecia meio óbvio, se ele queria só sexo.

Incrivelmente disse que não.

– Não, ele até tava se envolvendo, tava gostando do contato e da vivência que tava tendo contigo. Não era só sexo, claro que o sexo falava mais alto, mas tinha também um envolvimento a mais, talvez pelo seu jeito, pela sua energia.

Depois perguntei se ele ia me procurar e quanto tempo demoraria.

– A resposta é sim, só que isso pode demorar um pouco. Ele ainda não tem clareza desse tempo.

De acordo com essas respostas, quis investigar mais e paguei por mais perguntas avulsas:

– Ele mora com a pessoa que é comprometido?

– A resposta é sim. Ele tem algum tipo de convivência séria, mais intensa com essa pessoa. Talvez alguém que ele fique e dorme na casa, alguém que ele já tem uma certa intimidade.

– A vó dele está mesmo internada?

– Aqui mostra que essa pessoa tem sim algum tipo de problema de saúde, mas não confirma uma internação. Ou ela passou pela internação e agora tá em casa, mas ainda assim com algum problema de saúde. Aqui fala mais sobre o problema de saúde do que a internação em hospital. Ela deve fazer uso de medicamentos e ter um acompanhamento médico mais intenso.

– Se eu tivesse transado com ele, teria sumido do mesmo jeito?

– A resposta é sim, mas não é sobre você. O fato dele ter sumido não é porque não gostou de você, mas é que a vida dele tem outras responsabilidades, outras demandas, outra situação, que desconectou vocês nesse caminho. Mas você transar ou não com ele, não ia mudar em nada isso.

Pode até ser, mas se eu tivesse transado e gostado, com certeza teria me sentido pior com esse sumiço.

O tarot me ajudou a superar aquela história.

MAS ESTOU ACEITANDO TEORIAS DO OCORRIDO NOS COMENTÁRIOS!!

Depois deixei de seguir, removi e desfiz o match. Fiquei com um leve ranço, não por ele ter desistido, afinal, entendo perfeitamente que as pessoas têm livre arbítrio. Mas ele poderia ter sido mais honesto e transparente no que ele estava buscando e não vir com aquele papo fajuto de que não gostava de relações líquidas.

Toda essa situação reverberou uma energia tão estranha, que até o cliente que tinha cancelado em cima da hora comigo, me bloqueou, quando orientei que o correto seria me acertar o combinado do mesmo jeito. Uma pessoa que se mostrava exageradamente encantado por mim e que já tinha dado essa mancada de cancelar com pouca antecedência anteriormente.

Não entendi nada do que aconteceu com esse menino, muito menos com o cliente, mas como tenho aprendido na terapia, estou praticando o “deixar fuir” e apenas aceitar como as coisas vem, sem me estressar, nem reter qualquer energia. Não era pra ser, com nenhum dos dois.

Palpites?

P.S.: Quem se interessou pelos talentos da taróloga, o insta dela é @saritah.tarott

Essa música tocou no momento em que ele me buscou em casa. Achei muito gostosinha:

Uma Vez Que Provar o Brigadeiro, Não Quer Mais Saber do Beijinho – Gran Finale

Querido diário, 

Quem diria que quase 10 meses depois de eu ter postado a Parte 3 desta saga, eu retornaria para postar o Final Season do porquê eu e o finado Brigadeiro, paramos de sair. (Agradeçam as seguidoras do TikTok que pediram muito por esse desfecho! ?)

Posso dizer que foi difícil retomar essa escrita, pois, que vergonha alheia de mim mesma, do tanto que insisti para que ele continuasse ficando comigo. Preciso confessar que quando estou apaixonada sou muito paspalha, mas, quem não é? Não é mesmo? No entanto, foi um belo aprendizado olhar pra trás dessa maneira e reconhecer que, hoje em dia, independente da pessoa, eu jamais agiria assim novamente (assim espero, kkkkkk).

De lá para cá, tenho notado um certo padrão em mim, quando estou gostando de alguém. Eu me empolgo tanto com a pessoa (emocionada nível master), que acabo sendo intensa demais, muitas vezes roubando o papel do homem na relação. 

Basicamente eles não precisam mais se esforçar para sair comigo, porque eu mesma já faço isso pelos dois. Então, demasiadamente tomo iniciativas (ahh mas que legal Sara, uma mulher que tem iniciativa), legal coisa nenhuma, rs. Homem não gosta disso. O homem é atraído pela conquista e se já tá conquistado, acabou o desafio. 

E eu sou uma pessoa ansiosa, quero viver intensamente tudo com aquela pessoa e não tenho paciência pra esperar ele dar o próximo passo, então me antecipo e nisso vou colocando o cara numa posição extremamente confortável, de não precisar mais bolar programações para ficarmos juntos. 

Bom, com este cidadão aqui foi assim desde o princípio, sempre eu me esforçando para que a gente ficasse, e isso é algo que preciso urgentemente mudar. Deixo essa reflexão para qualquer mulher que esteja lendo e se identificando com esse modus operandi

Recapitulando a última postagem, após transarmos em casa naquele dia, tivemos alguns contratempos que nos impediram de manter a frequência semanal de encontros. Numa semana a mãe dele ficou doente, noutra eu que fiquei, e aí chegamos na seguinte conversa:

– Sem sexo pra vc então. – Ele debochou, após a minha mensagem desmarcando. – Vou ter que arrumar outro contatinho.

Daí respondi com umas figurinhas zombando das coisas que ele disse, e então continuou:

– Poxa logo agora, com os 3 meses batendo, rsrs. (Relembrando o que ele disse lá atrás, que quando ele está saindo com alguém, o prazo de validade é 3 meses.)

– Esse argumento não me assusta. – Rebati.

– Já enjoou.

– Alguém tinha falado de prorrogação. – Relembrei. 

– Então, mas tá ficando muito sério.

– Acho que perdi essa parte. Está se baseando em que?

– Em tudo.

– Que subjetivo. Quero fatos.

– Gostar é subjetivo. 

– Você está gostando?

– Rsrs.

– Eu sei que desde o início temos essa  dinâmica em que vc se coloca reticente e cauteloso sobre nós, e estamos acostumados a nos provocar sobre isso, mas a essa altura esse tipo de interação não me causa mais divertimento. Acho muito mais valoroso quando a pessoa se apropria do que está sentindo e reconhece para si mesmo do que ficar nessa zona de conforto de só responder “rsrs” quando algo mais sério está sendo dito. – Sapateei em cima do boy.

– Sim senhora. Gosto da sua cia e me sinto bem com vc.

– Já é uma resposta melhor que “rsrs”. – Reconheci. 

E ele não disse mais nada depois disso, sequer deu boa noite para finalizar a conversa. Daí, 72h depois, ele reapareceu:

– E aí, tudo bem com você?

– Oi. Estou sim e você?

– Quando não pode transar vc esquece que eu existo rsrs. 

– Ué estou esperando você tomar a iniciativa de fazermos algo também rs.

– Sei. Virei seu toy boy.

– Estou um pouco chateada desde sábado e deve ter intensificado com a tpm.

– Chateada comigo?

– Não com vc, rolou um lance da audição e isso acabou me deixando sem paciência com o resto.

– Vc esquecer a coreografia? Isso acontece. 

E daí mandei um textão contando detalhadamente tudo o que tinha acontecido. Achei bonitinho ele demonstrar todo aquele interesse e aproveitei para me abrir.

– Ninguém é superior a vc, para com isso. – Ele disse em algum momento, me consolando. 

– Nem a Beyoncé? Rs.

– Nem ela, tirando o dinheiro, as pernas e peitos e o jay Z, sou mais vc. 

– ?

Conversamos mais um pouco e então retomamos no dia seguinte, com o seu “Bom dia”.

– Melhor hoje? – Ele perguntou. 

– Eu te falei que já estava melhor desde terça rs.

– Ontem, por eu ter feito vc falar, pensei que poderia ter ficado na bad.

– Fiquei na bad todos esses dias. Só consegui falar do assunto por já ter superado.

– Muito bom. Eu admiro muito vc! Sempre te falei que vc era uma jovem atriz/ jornalista, com grandes perspectivas. Vc é uma mulher forte vestida numa skin de Barbie frágil, só para enganar as pessoas.

Muito fofinho, né?? ? Me empolguei e soltei:

– Feliz dia dos namorados, ainda que não sejamos. (Era 12 de junho)

– Rsrs. 

Depois retomei a conversa da parte que estava esperando ele tomar uma inciativa sobre sairmos:

– Mas de qualquer forma, isso se aplica. – Falei. 

– Devo sair do ostracismo só depois do dia 15. Fico reflexivo, até deprimido, perto de aniversário e no final do ano. – O aniversário dele estava próximo. 

– Ah sim, inferno astral. Compreensível. E quais os planos pro seu niver? Ficar enclausurado em casa?

– Nossa você me conhece tão bem. O plano é esse mesmo. Em casa, estudando. 

– Podíamos fazer alguma coisa pra não passar em branco. Tinha comentado com vc sobre irmos naquele restaurante vegano, Camélia Ododó, lembra?

– Obrigado, mas vou ter que recusar.

– Ok.

– Desculpa. 

– Não entendi o motivo da recusa, mas tudo bem. Imagino que será muito melhor e mais divertido passar fazendo o que você já faz todo dia.

– Não tem motivo.

– O que é pior ainda. 

– Só eu sendo chato.

– Tô vendo. Você não toma iniciativa de fazermos algo e quando eu tomo você recusa. Quer parar de me ver logo?

– Nossa. Que brava. Eu sou assim.

Daí eu mandei uma figurinha que dizia:

“Fica com Deus, porque comigo não vai rolar”

– Eita. Tá me dando um fora por emoji. 

– Eita digo eu.

– Essa é nova. 

– Uma loira linda dessa te dando mole, se propondo de te levar pra almoçar no seu niver e você fazendo o difícil, ao invés de viver a vida. É inconcebível pra mim uma atitude dessa. Se você não faz questão de passar momentos especiais na minha companhia, não sei o que tô fazendo aqui. E não gosto dessa posição de ter que convencer alguém de algo. – Descarreguei sem dó nem piedade.

– Entendo. Na verdade eu sabia que chegaria neste ponto, geralmente minhas atitudes são interpretadas como um tanto faz.

– Não estou te pedindo em namoro, nem pra passar um fim de semana comigo, propus apenas um almoço, numa data que é importante pra você, visto que seus planos são mais do mesmo.

– É só uma inaptidão nata em manter qualquer relacionamento mesmo.

– Não sabia que um almoço era um relacionamento.

– Não gosto de aniversários prefiro não fazer nada. Mas foi bom isso acontecer, eu já achava que estava monopolizando o seu tempo mesmo. Agora que vc me deu um fora vai encontrar seu príncipe rsrs.

– Super monopolizando, uma pessoa que mal vejo. Não preciso de príncipe pra nada, eu me basto.

– Claro que sim, vc é foda, já falei. Eu realmente tenho problemas.

– Devia fazer terapia. Faço toda quinzena, recomendo muito. – Juro que não falei em tom grosseiro, queria mesmo ajudá-lo. 

– Obrigado pela dica.

– Falo numa boa mesmo.

– Tô aceitando numa boa tbm.

– Pq ficar com esse papo de “tenho problemas” e não buscar ajuda, não faz o menor sentido.

– Eu sei que meu comportamento não é  normal. Não tô justificando nada.

– Se você tem consciência disso, pq nunca buscou ajuda?

– Boa pergunta. Bom, talvez isso me protege de não quebrar a cara. Mas por outro lado, me afasta das pessoas.

– Isso não é necessariamente uma proteção, pq quando você tá bem resolvido consigo mesmo, não se abala com um coração partido, na vdd vai lidar muito bem com a situação. Pode ser confortável agora, mas a longo prazo você ficará cada vez mais sozinho. Hoje você tem sua mãe, seus familiares, no futuro, que você poderia estar vivendo uma coisa boa com alguém, estará empacado, sem nenhuma perspectiva. É isso mesmo que vc quer pra você?

– Não sei. Não vejo mais nenhuma perspectiva, nessa parte da minha vida.

– Mas poderia. Você é um homem super interessante, bonito, gostoso, inteligente, poderia ter a mulher que quisesse se saísse desse buraco que não sei quem te enfiou aí.

– Pois é, agora vc acertou em cheio, me sinto as vezes neste buraco, é um vórtice tão profundo e carregado quanto de um buraco negro, tenho medo de alguém cair aqui comigo e não conseguir sair.

A conversa foi ficando estranha. ?

– Só tento não machucar ninguém enquanto arrasto tudo. – Ele continuou. – De qualquer forma vc cruzar o meu caminho me fez muito bem, espero que não fique com raiva de mim.

– Pois então você deveria iniciar a terapia para ontem. Vamos cuidar disso agora? Me diga no que te fiz bem, se você tá preferindo me deixar ir do que se tratar para viver a vida de forma mais plena?

– Tudo acaba mesmo de uma forma ou de outra. 

Ele estava muito derrotado.

– Acaba pq vc não está cuidando da sua mente.

– Ainda não. Um dia, talvez. 

– Um dia?

– Agora não tenho tempo para ser doido.

– Nossa, eu não tô acreditando que estou lendo algo tão ignorante, vindo de uma pessoa tão inteligente e articulada.

– Você entendeu, não tenho tempo para essas questões. Gostei de ficar com vc, e as perspectivas que vc gerou.

– Que perspectivas foram essas, afinal?!

– Coisa minha. Não vou compartilhar.

– A sua saúde mental deveria ser prioridade.

– Minha saúde mental está ótima, desde que eu não pense em relacionamentos.

– Isso não é sobre relacionamentos. É sobre alguém que está infeliz na vida.

– Pois é, segundo Aristoteles a felicidade é o que todo homem busca. Duro é definir a felicidade.

– Ninguém é feliz todo o tempo, temos momentos de felicidade. Se você fizer terapia será guiado por esse caminho. Deixa eu te ajudar com isso? Posso procurar um terapeuta pra você. Você já fez alguma vez na sua vida?

– Não precisa, obrigado! ?? Eu vou ficar bem.

– E eu não te dei um fora, falei dessa sexta. Que ESSA SEXTA você ia ficar com Deus. – Tentei salvar a conversa, pois, de fato não era um fora definitivo, mas a prosa tinha tomado um rumo estranho, que corrigir isso foi ficando cada vez mais distante.

– Me deu um fora e mandou eu fazer terapia. Mas tá tudo bem. 

– Eu falar pra você fazer terapia só mostra o quanto eu me importo com vc. Isso não deveria ser visto como ofensa.

– A gente pode continuar amigos pelo menos?

– Eu quero continuar transando também. 

– Rsrs. 

– Inclusive queria agora. Pode vir? Vc tá aqui do lado? – Tentei trazer um tom mais leve e divertido pra conversa.

– Eu tô. – Ele  trabalhava perto da minha casa.

– Então vem?

– Não vou não.

– Ué. 

– Acho que vc tá certa. Nada a ver eu te colocar nessa situação.

– Vem aqui, a gente transa, conversa um pouco e depois você vai embora, se assim quiser.

– Não é isso, mas vc me fez refletir. Pra que tudo isso?

– Vamos refletir juntos na minha cama. – Eu tava tarada. 

– Ok o sexo é bom, mas pra que continuar? Não vai levar a lugar nenhum. 

– Pode não levar a lugar nenhum hoje, que você tá aí cheio de paranóias. Mas quando vc decidir fazer a terapia, vai expandir a sua mente. Sério, se vc não vir eu vou ficar muito chateada. Somos adultos. Sexo bom não se recusa. 

– ? não tô afim não. Já me sinto mal por não te dar a atenção q vc merece, tbm sempre acho q vc merece mais do q posso te oferecer.

– Mas tem coisas bobas que você poderia me dar e que não te daria trabalho, como vir aqui, conversar olhando olho no olho, como dois adultos que somos.

– No final das contas os 3 meses deram certo. Toda vez que transei com vc, eu gostei, além do sexo de ficar e sentir vc. Não sei se agora isso vai acontecer. 

– Só vindo pra descobrir ué. Bom que se não rolar já encerramos os três meses com certeza. Com direito a despedida

– Acho que a gente já encerrou. Só não tínhamos percebido.

– Então tá, você não vai se dispor a vir? Prefere ficar falando essas merdas por mensagem mesmo? 

– ??

– Espero que esteja feliz com a sua escolha. Boa noite.

– Não tô feliz. Boa noite. 

– Eu devo mesmo ter o dedo podre pra homem, pq nem um contatinho só pra sexo não consigo. Impressionante rs.

– Rs acho que deve ser mais fácil ter um namorado do que um contatinho.

– Dá pra ser um homem adulto e vir aqui finalizar a nossa história direito? – Insisti mais uma vez. 

– Pq finalizar, vc não vai mais ser minha amiga? A gente só não vai mais transar.

– Então seja meu amigo e vem me oferecer um ombro amigo. Acabei de romper com o cara que eu tava saindo.

– Kkkkk. Você é boa. Mas neste caso eu estou impedido de atuar, tendo em vista o meu interesse no feito.

– Estou te delegando sua primeira missão no seu novo cargo.

– Rs, Jornalistas são tão boas com as palavras, quanto advogados.

– Obrigada por reconhecer o meu árduo trabalho de te fazer mudar de ideia.

– Você é demais. 

– Mas o reconhecimento mesmo que eu gostaria, era o seu ombro amigo aqui então.

– Isso não vai te fazer bem. Eu sei que pra mim não vai. 

– Para de sofrer por antecipação.

– Mas de toda forma eu tenho que estudar, muito mais agora. Eu ia te deixar na mão mais cedo ou mais tarde.

– Que eu saiba você não terá nenhuma prova ainda essa semana, então essa desculpa é fraca.

– Tenho algumas chegando em julho e abriu ontem MP MG. 

Enfim, ele não cedeu. 

Nos dias que se seguiram as conversas continuaram, mas nada demais. Fiquei com a sensação de que ele não fodia, nem saía de cima. Não queria mais continuar transando, no entanto, me enviava foto dele na academia, ou da granola que comíamos aqui em casa, dizendo: “eu não vou te esquecer nunca”, e em outra conversa, ele disse o seguinte:

– Bom, já que a gente parou de ficar, eu posso te contar. Eu ia nessa academia esporadicamente quando tinha algo pra fazer pelo Centro, um dia te vi de quarta, então percebi que era o dia fixo que vc ia, então eu ia só pra te ver, mas nunca foi, nem será a minha academia preferida. – Justificando o fato dele não ir treinar mais na mesma academia, depois que começamos a ficar. 

– Pq você precisou esperar não estarmos mais ficando pra me dizer isso?

– Só para vc não se achar.

– Então você já tinha me notado antes de eu te notar? Quanto tempo levou pra eu retribuir o seu interesse?

– Menos de um mês.

– Ou seja, você ficou interessado em mim antes de eu ficar em você, ainda assim fez todo aquele jogo duro, como se só eu tivesse interessada e depois ainda me deu um pé na bunda. Muito bacana suas atitudes comigo.

– Não era pra gente ter ficado. Desculpa por todo o resto.

– Ai por favor né. Se você ficou indo na academia só por minha causa, o seu interesse era só olhar então?

– Sua figura me agrada. Já te falei isso.

– Só pra olhar?

– Esse era o plano.

– Basicamente você só foi pra essa academia até conseguir o que não queria.

– Falando assim, parece q eu articulei um plano mirabolante para te levar pra cama.

– E ainda me descartou depois que perdeu a graça pra você.

– Nossa.

– Não faz o menor sentido pra mim, se você já tinha me curtido, antes mesmo de eu curtir você e romper comigo quando ainda está bom.

– É melhor parar quando ainda está bom, assim ficam ótimas lembranças.

– Então você começou já planejando o fim. Tudo arquitetado. Depois ainda fala de responsabilidade afetiva.

– Não. Mas sabia que o fim era iminente.

– Fortaleci o seu ego, da menina que você tá de olho na academia se interessar em dar pra você, e aí quando já usufruiu tudo que queria, saiu fora.

– Não é isso. Eu amei ficar com vc, sua intensidade é no ponto certo, vc está pronta, vc brilha e isso talvez assuste homens fracos. Eu queria estar pronto do mesmo jeito que vc, não acho justo vc perder tempo comigo ou qualquer outra pessoa que não esteja na mesma sintonia que vc. Isso me deixa mais triste ainda comigo, nessa altura da minha vida já era para eu estar pronto em todos os sentidos.

Enfim, rolaram mais algumas conversas, que me dá extrema preguiça de trazer aqui. Sempre ele justificando que não poderia se relacionar antes de alcançar seus objetivos profissionais e que não poderíamos continuar como estávamos, visto que ele achava que eu merecia muito mais do que ele podia me oferecer. 

Decidimos o caminho da amizade, mas é claro que isso também não deu muito certo. Marcamos um treino na academia, num dia que eu não tinha Personal, e vocês acreditam que ele conseguiu ser escroto no treino? Não teve a menor delicadeza de ajustar os equipamentos pra mim, sabendo que temos altura e porte diferentes e eu treino com Personal, logo, não tenho as manhas de ajustar os equipamentos, tal como ele, que sempre treinou sozinho. Ainda zombou num momento que reclamei do banco não estar proporcional para o meu treino, dizendo: “Você acha que eu sou seu Personal pra arrumar tudo pra você?”

Em outro momento ele foi ainda pior, quando o flagrei olhando para os meus peitos. Propositalmente é claro que fui treinar com um top interessante, que valorizasse o meu colo e quando vi ele olhando, brinquei: “Está olhando pros meus peitos?”, e ao invés dele se apropriar disso, entrar na brincadeira e talvez até levar para um contexto mais sexual, ele fez um comentário tão infeliz, menosprezando o meu corpo, dizendo: “que peitos?”, me senti na quinta série. Ele ficou com vergonha por ser confrontado e se protegeu me ofendendo. Sério, que homem adulto e maduro agiria dessa maneira? Minha vontade foi de ir embora naquele mesmo momento, mas achei que essa atitude seria de uma garotinha mimada, então continuei, mas fechei a cara na mesma hora, foi difícil engolir essa e seguir com o treino numa boa. 

– Não gostei da forma como você se referiu ao meu corpo hoje na academia. – Falei depois, por mensagem.

– Eu percebi. Besteira sua pq eu sempre gostei do seu corpo. Mas peço desculpa e não falo mais nada sobre nada.

– Tem certos temas que são sensíveis para fazer brincadeira. Da mesma maneira que você não gostaria se eu fizesse comentário zombando do seu pau. Percebi que não fez na maldade, mas ainda assim achei bastante indelicado na hora. Enfim, fica de aprendizado para você, nunca mais faça brincadeiras desse tipo com nenhuma mulher, que nunca vai pegar bem.

– O que tem meu pau? Rsrs. – É sério que ele se achava esse gostosão todo, com aquele pau fino?

– Está perguntando dessa forma prepotente pq?

– Rsrs.

Fiquei com muita vontade de falar o que eu realmente achava do pau dele, mas optei por ser elegante e deixar pra lá, pois ia parecer reatividade minha e não que eu achava que era fino mesmo. 

Mas a tentativa de amizade encerrou completamente dois dias depois. Meu gato estava tendo crise de espirro, algo que nunca tinha acontecido antes, me deparei com tal adversidade e fiquei desesperada, várias idas ao veterinário, buscando entender o que estava acontecendo. 

Enfim, em meio a todo esse caos, determinado dia, enquanto eu estava indo para a academia, quis otimizar o tempo e liguei para a clínica veterinária com o objetivo de marcar uma consulta. Eu nunca mexo no celular na rua, sei dos assaltos, mas eu tava tão preocupada com o meu gato, que ignorei tudo isso. E aí, enquanto eu estava falando com a atendente, um filho da puta de bicicleta passou e roubou o meu celular. A merda nunca vem sozinha. 

– Pintadinho tá melhor? – Ele perguntou naquele mesmo dia, a noite.

– Não. ? – E enviei um vídeo dele espirrando sem parar.

– Tadinho. 

– Estou exausta. Comprei até um inalador hoje. Isso que é só um gato, imagine se fosse uma criança. ?‍?

– Eu imagino. 

Eu tinha comentado com ele que a única coisa diferente que tinha entrado dentro da minha casa, foram umas flores que eu tinha ganhado (de um cliente), mas que a veterinária esclareceu que orquídeas não causam alergia em pet. E ele pareceu um pouco enciumado, dizendo para eu falar para o meu admirador secreto do prejuízo que tinha me dado, meu gato espirrando, meu IPhone roubado e mais os gastos veterinários. 

– Eu sempre vou culpar as flores. – Ele finalizou, debochando. 

– Acho que mais importante do que apontar culpados é focar na solução. – Me irritei. 

– Sim, vc eu posso ficar só culpando mesmo.

– Te acho um pouco babaca as vezes, olha esse seu áudio, rindo e debochando, “esse gato aí”, não é “esse gato aí”, é o Pintadinho, vulgo meu filho. – Foi nesse tal áudio que ele reclamava das flores e do meu “admirador secreto”.

– Vc q disse que é só um gato. – Ele resgatou da parte que eu falava “Isso que é só um gato, imagine se fosse uma criança.” – Adoro o Pintado, mas realmente sou meio babaca mesmo.

– Pois saiba que a pessoa que me deu as flores foi a mesma que me ajudou com o problema do celular, mesmo sem ter nenhuma ligação de que foi culpa das flores. Diferente de certas pessoas que quando tem a oportunidade de estar comigo, fica fazendo piadinha de mau gosto, inferiorizando o meu corpo. E mesmo vendo que me chateou, não teve a menor humildade de se desculpar na hora. Te falta muito tato pra lidar com mulheres.

– Ok.

– Boa noite. – Finalizei irritada. 

– Pois é. Paramos por aqui. Boa noite. 

Daí, meia hora depois, ele voltou na conversa, dizendo o seguinte:

– Só era brincadeira com um pouco de ciúme envolvido, e as piadinhas de mau gosto, eram só piadas, pela quantidade de vezes que a gente transou, pensei que era evidente que gosto do seu corpo. Mas percebi que a gente não pode ser amigos, pois sempre vai ficar um mal estar, vou ter que ficar medindo palavras para não parecer ofensivo e isso demanda mais energia que o próprio relacionamento. Então é isso, te desejo tudo de bom, melhoras para o Pintadinho e sorte com o cara das flores.?

Eu nem respondi. Já estava de saco cheio das atitudes dele e percebi que era importante pra ele, parecer que era ele que tava colocando um ponto final na história. 

17 dias depois ele postou no status do WhatsApp a seguinte frase: 

“Será que todo ***** (o nome dele) está destinado a ser um cuzão?”

Não me aguentei e cutuquei:

– Está lidando bem com a solidão?

– Lido melhor com ela do que magoar as pessoas.

E foi isso. Nunca mais nos falamos. Deixei de segui-lo no Instagram e quando ele percebeu, retribuiu. 

Paramos de ficar em junho de 2024 e desde então não consegui ter qualquer envolvimento mais profundo com ninguém. Está mesmo muito difícil se relacionar hoje em dia. 

Cruzeiro – Parte 1

Querido diário,

Participei da aventura mais insana dessa minha trajetória como acompanhante! E tudo começou com o seguinte diálogo:

– Vou viajar em janeiro com a família. – Compartilhou meu cliente, durante um de nossos encontros, enquanto bebericávamos um delicioso vinho branco na banheira.

– Aii que demais! Pra onde vocês vão?

– Vamos fazer um cruzeiro.

– Nossa vocês vão amar! Já fiz duas vezes e gostei muito!

– E se você fosse junto?

– Como assim?

– Você viajar junto, numa cabine separada.

– Você tá falando sério??

– Não sei, o que você acha?

– Eu acho que você é doido! Kkkkk.

E caímos na risada, rs. Até que a risada cessou e percebi que ele estava falando sério.

– Mas você não teria medo? Eu tô passada que você tá propondo isso! Kkkkk.

– Acha que daria certo?

– Acho que sim, mas muita adrenalina, não?! Hahaha.

– Das vezes que você viajou foi de Yacht Club?

– Não!! Vocês vão de Yacht Club?! Que chique!!

– Será que conseguimos pra você também?

Meus olhos brilharam com a possibilidade de viajar na categoria mais top da MSC!

– Eu iria de Yacht Club também?!

– Sim, quero que você tenha a melhor experiência.

Colocando o moralismo de lado, me vi diante de uma aventura completamente inédita. Não tive como não me empolgar com a ideia!

– Como ficaria o seu presente pra essa viagem? – Ele sondou.

Tive que pensar um pouco.

– Podemos fazer pelo mesmo valor do nosso pacote mensal. Já que serão 4 dias, o pacote abrange 4 encontros, com o benefício de que estarei a sua inteira disposição e poderemos encontrar mais de uma vez ao dia.

– Humm. Gostei.

Entramos no site da MSC pra ver como estavam as condições da viagem àquela altura. Em torno de R$ 16.000 a brincadeira.

– Estou de acordo com o valor, só tem uma questão, vou precisar que você passe no seu cartão e pago quando vier a fatura, vai chamar atenção no meu. – Ele disse.

– Claro, podemos fazer desse jeito sim. – Ele sempre paga em dia quando decide me presentear, pagando algo que eu comprei pra mim mesma, então não me preocupei.

Devido a correria daquela semana, levei uns dois dias para fechar, achando que por ser a categoria mais cara, não esgotaria tão fácil. Mas me enganei. Fiquei um pouco frustrada por não ser dessa vez que eu viveria a experiência Yacht Club da MSC, mas, há males que vem para o bem. Como ele já tinha concordado com aquele valor e a categoria abaixo ficaria metade disso, tive a ideia de propor que eu levasse uma amiga, assim eu não ficaria sozinha quando ele não pudesse estar presente, visto que as “escapadinhas” provavelmente representariam 20% do nosso tempo juntos. Propus, um pouco sem jeito, não queria, de maneira alguma, que me achasse uma aproveitadora, mas achei plausível, visto que não alteraria em nada o valor acordado. ?

Ele demorou tanto para me responder, que quase apaguei o meu áudio, mas quando a sua resposta veio, foi a mais positiva possível! Ele super aderiu a ideia, disse que achava muito bom eu não ficar sozinha no navio e que se eu não tivesse proposto algo assim, ele mesmo proporia. Fiquei ainda mais empolgada com a viagem!! ?

Quando fui falar com a minha amiga, a única condição era de que não importasse o horário que ele quisesse me encontrar, ela teria que liberar o quarto pra gente, uma condicionante pequena, diante de uma viagem daquelas. Ela topou super empolgada também, é claro!

Dois dias depois que voltei da minha viagem de réveillon, lá estava eu embarcando em uma nova aventura, ainda mais emocionante!

*

– Se eu for falar com vocês, é porque a barra tá limpa. – Alertou o meu cliente, ajustando alguns detalhes.

– Mas E SE em algum momento que você achar que a barra tá limpa, ela voltar pra buscar alguma coisa e ver a gente conversando? Já vamos pensar numa história, sobre de onde nos conhecemos, caso isso aconteça!

– Humm, você pensa em tudo, hein. Dá onde nos conhecemos então?

– Posso ser uma fornecedora da sua empresa. Que tal?

– Pode ser.

– Mas você acha que ela faria perguntas técnicas? Porque se ela fizer, eu não vou saber responder!! Kkkkkkk.

– Não, acho que não.

No final das contas foi até melhor eu não ter ficado no Yacht Club com eles, pois o risco teria sido ainda maior!

Dia do Embarque

Mais do que um relato insano sobre as escapadas de uma viagem em família, quero que encarem a postagem como dicas para quando você for fazer seu cruzeiro também! ?

Dica número 1: Se você for embarcar com a MSC no navio Seaview, não caia na lábia da vendedora de carregadores universais, que vai te abordar logo na entrada do porto, dizendo que a tomada do navio não é compatível com as que usamos no Brasil. Eu já fiz cruzeiro antes, mas não lembrava desse pequeno detalhe. Pagamos R$ 60 cada uma e, quando entramos na cabine, descobrimos que havia tomadas dos dois tipos! ?

Dica número 2: Se puder, feche a categoria Aurea, é mais cara, mas tem alguns benefícios, como o embarque prioritário. Estava cheio de pessoas no porto, esperando pelas suas respectivas senhas para embarcarem, e nós fomos direto para o balcão de check-in, nos sentindo completamente vips. ?

Dica número 3: Talvez seja óbvia para muitos, mas eu falhei nessa. Medicamentos e roupas de banho deixe na bagagem de mão. A cabine não estará disponível imediatamente e você poderá usufruir da piscina nesse meio tempo, se quiser. O que não foi o nosso caso. Não sei em que momento comecei a ter MUITA dor de cabeça, literalmente falando, despachei a minha mala e meu Paracetamol estava lá dentro, péssimo jeito de iniciar a viagem. Embarcamos rapidamente, menos mal, mas a minha cabeça estava explodindo. Entramos no navio e fomos direto para o restaurante, estilo “bandejão”, que é aberto para todo mundo, self service, acreditando que a minha dor de cabeça fosse fome. Não era. Achei a comida sem sabor e tava muito povão naquele primeiro momento, mas atribui essa experiência ruim a minha dor de cabeça, afinal, quando não estamos bem, nem a Disney é tão incrível.

Quando liberaram a suíte e fomos para a nossa cabine, a minha mísera dor de cabeça se transformou numa grande enxaqueca. Eu tinha escolhido uma suíte com varanda envidraçada, estilo essa:

E o que entregaram foi essa:

Como eu iria gravar meus conteúdos naquela varanda horrorosa, com vista obstruída?! Fiquei indignada. Quem me conhece sabe que eu sou um pouquinho brava, então é claro que eu não iria aceitar aquilo sem lutar. Eu mesma tinha fechado a reserva, tinha plena certeza do que havia escolhido e não era nada daquilo. Nos direcionamos até a recepção, onde havia o atendimento e já tinham algumas pessoas na fila. Quando chegou a nossa vez, tive que ouvir da atendente que a reserva estava correta e que as imagens são MERAMENTE ILUSTRATIVAS!!! Como assim, gente?? Não era um cardápio com fotos de comida pra ser “meramente ilustrativa”, estávamos falando das características de uma cabine! Imagina você alugar um Airbnb e chegar lá ser diferente das fotos e te disserem que as imagens são meramente ilustrativas?! Fiquei furiosa!!

– Não faz o menor sentido eu pagar em torno de R$ 20.000 (ficou esse valor com os acréscimos de alguns serviços) pra ficar numa suíte com uma vista obstruída desse jeito! Olha aqui no site como aparece a imagem da varanda! Isso é propaganda enganosa!!!

– Vou verificar o que pode ser feito, só um momento. – A mulher sumiu porta adentro.

E a minha cabeça latejando. Quando a mulher voltou, uns bons minutos depois, veio com aquele mesmo discursinho, falando da imagem ser meramente ilustrativa.

– Não estamos falando da foto de uma comida pra ser ilustrativa! Ninguém reserva um quarto de hotel se as fotos não forem fidedignas a realidade. Você acha que eu sou idiota?!

– Senhora, estou tentando te ajudar, se for usar palavras de baixo calão, não poderei ajudar.

Desde quando “idiota”, ainda mais se referindo a mim mesma, é palavra de baixo calão?!

– Ok, desculpa. – Me retratei mesmo assim.

Daí minha amiga fez o papel do policial bonzinho, e tentou ver com a mulher alguma forma de trocarmos de cabine.

Eu estava tão nervosa com tudo aquilo, somado a minha terrível dor de cabeça, que depois da fúria, veio o choro de raiva. O que acabou sendo ótimo, pois sensibilizou ainda mais a atendente, rs. Disse que cuidaria do nosso caso pessoalmente, que precisaríamos esperar terminar o embarque, caso alguém não viesse e vagasse uma cabine nas condições que queríamos, ela nos trocaria, mas por hora, não teria o que fazer. Se comprometeu a nos dar um retorno mais tarde, quando finalizasse o processo de embarque.

Voltamos para a suíte e procurei me conformar de que ficaríamos naquela cabine mesmo. Minha cabeça continuava martelando de dor e bem nessa hora o cliente mandou mensagem, dizendo que conseguiria encontrar. Nessa primeira escapada, confesso, eu não estava no clima, a cabeça explodindo, ainda absorvendo a frustração da cabine, e a minha mala ainda não tinha chegado, sequer conseguiria tomar um banho para recebê-lo. Obviamente não transpareci nada disso pra ele, fui estritamente profissional e confirmei que poderia vir.

Minha amiga ficou na varanda, fechei a porta e a cortina. Falei pra ele que não poderíamos transar, pois meus preservativos estavam dentro da mala, também não deixei que me chupasse, ainda que ele insistisse muito, pois não estava confortável sem tomar um banho antes. Foi um pouco estranho fazermos as coisas às pressas daquele jeito, pois, sempre que saímos, almoçamos ou jantamos antes, nunca vamos direto ao ponto logo de cara. Caprichei no boquete.

Depois que ele gozou e foi embora, me deitei e tentei dormir, pra ver se a dor de cabeça passava, sem sucesso. A cada dez minutos eu ia checar se a minha mala tinha chegado. Quando enfim chegou, tomei o remédio e aí sim consegui tirar um cochilo. Depois que o navio saiu do porto, começaram uns avisos extremamente barulhentos e incômodos dentro da cabine, toda hora uma voz falava super alto sobre a obrigatoriedade de todos participarem do treinamento de segurança, para caso o navio afundasse.

– É obrigatório, mas eu não quero ir! – Resmunguei pras paredes e a minha amiga deu risada.

Não fomos. Já fiz cruzeiro duas vezes, me vi mais necessitada de um descanso naquele momento, precisava restaurar o meu humor.

*

Mais tarde, renovada, começamos a nos arrumar para o jantar, outra energia, descansadas, super animadas, ali eu comecei a sentir o prazer da viagem. A atendente ligou na nossa cabine para dar uma resolução da nossa queixa e disse que não poderia nos trocar, realmente, mas, como forma de amenizar o inconveniente, nos daria como cortesia um jantar em algum dos restaurantes de especiarias (os restaurantes mais chiques que precisam pagar a parte). Agradeci, já mais conformada, e feliz com o mimo.

Naquela primeira noite eu e a minha amiga jantamos no restaurante à la carte, que tínhamos direito pela categoria Aurea e depois nos entretemos no karaokê. Cantamos “Toxic” da Britney (já virou nosso tema de abertura nos karaokês, pois sempre abrimos com essa, rs), “My Heart Will Go On” da Celine Dion (que não achei uma boa, por remeter ao Titanic, navio afundando e etc, mas, minha amiga insistiu que seria bom) e “Look What You Made Me Do” da Taylor Swift (essa foi escolha minha hehe). Como demorou muito pra chegar a nossa vez, infelizmente o karaokê já estava nas últimas, com poucas pessoas, então não tenho parâmetros para avaliar se curtiram ou não, rs.

Meu cliente conseguiu dar uma nova escapada a noite, até nos assistiu cantando a última música, e então fomos para a cabine. Agora sim eu estava mais inspirada e transamos deliciosamente. Por mim essa teria sido a nossa primeira interação a bordo, muito mais tranquila e gostosa, que aquela primeira, pós-embarque.

Desaventuras Amorosas Em Série – Pt 6

Querido diário,

Três meses se passaram desde a última postagem deste quadro. Como o tempo passa rápido! ? Enfim, eis que retorno com mais uma nova experiência desses boys de aplicativo (Bumble). Decepcionante para mim e divertido para vocês! Incrível como os caras de hoje em dia não estão servindo nem pra sexo! ?

“O Folgado”

Demos match num domingo e rapidamente ele conduziu para que eu lhe passasse o meu WhatsApp. Fui na onda, afinal, perder tempo pra que?

No dia seguinte, ele chamou no meu número. Novamente sendo rápido na condução das coisas, propondo de irmos beber alguma coisa e trocar ideia, naquele mesmo dia. Eu tinha acabado de chegar em casa de um atendimento de casal, ainda estava um pouco alegrinha das taças que tomei no encontro e achei que seria legal outra aventurinha, em plena segunda-feira. Aceitei. Por volta das 17h ele passou para me buscar em casa (adorei que tinha carro) e seguimos para um barzinho roots, na Santa Cecília, chamado “Moela”, por sugestão dele. Me arrumei bem básica, afinal, encontro no meio da tarde, num barzinho na Santa Cecília, não era algo que merecesse uma grande produção, sem ficar over. 

Minhas percepções sobre ele: não era um Brad Pitt, mas daria pra dar uns pegas. O estilo dele não era muito o que eu curto normalmente, mas, estava com a mente aberta para conhecer novos ares. Eu gosto dos Faria Limers e ele era um Santa Cecilier. Suas roupas pareciam de skatista, nada a ver com a patricinha que vos fala. Mas era independente, tinha carro, morava sozinho e trabalhava com publicidade. “Deixa a vida me levar”, pensei, empolgada com o encontro. 

O papo fluiu super gostoso, bebemos dois drinks, cada um, e comemos uns croquetes. Ficamos umas 2h no bar. Eu já tinha avisado que não poderia ficar muito tempo, por conta da minha aula online a noite (que na verdade era um Job, eu que não iria perder dinheiro por causa dele).

Dividimos a conta (ele perguntou se eu queria dividir e respondi que poderia ser), 100 conto pra cada. Paguei de bom grado, mas, confesso que não vejo com bons olhos homem que não faz esse cortejo num primeiro encontro. Contudo, as minhas expectativas já estavam baixas, então não foi uma grande surpresa. Ao me deixar de volta em casa, demos um beijo na hora da despedida. Achei gostosinho.

Na mesma noite ele me enviou um invite do Spotify, coisa que eu nem sabia que era possível, para a plataforma criar uma playlist compartilhada com as músicas dele e as minhas. Achei criativo. Como também sou vidrada em música, foi bom para mantermos a conversa, graças a isso a interação rendeu bastante, ora eu comentando de alguma música dele que eu gostei, ora ele falando de algumas minhas também. 

Na noite seguinte, ele, ousadamente, me enviou a seguinte mensagem:

– Tá de boa? Tomo um banho e passo ai pra gente jantar? haha

Eu já estava jantando num restaurante, com uma amiga que eu não via há muito tempo. Levei horas pra responder sua mensagem. Combinamos de sair no fim de semana, mas, na noite seguinte, antecipamos o encontro. 

*

Quando ele chegou no meu apê, lhe servi uma taça de vinho e nos sentamos no sofá. Conversamos bastante, demorou até que rolasse o beijo e começássemos com a pegação.

Quando o sexo foi desenrolando, foi muito frustrante perceber que ele não tinha muita iniciativa na cama. Não me chupou em nenhum momento, o que me decepcionou profundamente. Ainda que muitas vezes eu prefira chupar, do que ser chupada, valorizo muito quando o parceiro demonstra essa vontade em agradar. E tenho bastante experiência com homens para saber que se ele não me chupa de primeira, dificilmente vai chupar depois. E como não me chupou, direitos iguais, também não me prontifiquei em fazer sexo oral nele. 

Daí lá vem ele com aquele dedo mexendo na minha pepeka, podia ser a língua, né? Mas tudo bem. Já que era masturbação que ele queria, era masturbação que ele iria ter. Fui com a minha mão para o pau dele também. 

Em algum momento perguntou se eu tinha camisinha (por que ele mesmo não trouxe a dele?) e após encapado o dito cujo, pediu que eu fosse por cima. Se eu já não tinha gostado que ele não me chupou, o achei ainda mais preguiçoso, querendo que eu trabalhasse primeiro. 

Todas essas minhas queixas não transpareci na hora, para não azedar o clima, e fui por cima sem falar nada. Até que estava gostoso sentar nele, porque o abençoado tinha sorte de ter um pau apetitoso. Porém, quando invertemos e ele veio por cima, não gostei nada do jeito que ele metia. Ficava quase tirando e colocando, detesto quem transa assim, primeiro porque me dá aflição de entrar no buraco errado, segundo que a camisinha vai secando, não sendo mais tão gostoso com o negócio entrando seco. 

Por conta do meu trabalho, estou tão acostumada a transar em prol do prazer do outro, que quando estou em encontros civis, às vezes esqueço de me priorizar também. Então por mais que não estivesse tão gostoso e confortável transar com ele daquele jeito que ele fazia, não interrompi logo de cara, pois pensei que ele pudesse estar quase gozando e não quis cortar seu barato, mas, pra variar, ele não gozava nunca, e eu só deixei para interromper quando chegou no meu limite de desconforto com aquilo. Deveria ter interferido bem antes. 

Daí ele tirou a camisinha, e se sentou do meu lado, de modo que seu pau ficasse na altura do meu rosto. Percebi o que ele estava tentando fazer, olhei pra cara dele e dei uma risadinha, do tipo “é sério isso?”, daí ele perguntou se eu não queria chupar. Afffff. O cara que nem chegou perto da minha pepeka, estava querendo ser chupado? ? A minha vontade foi de responder: “você não me chupou”, mas, respirei fundo e consenti, pra evitar um climão na hora. 

Enfim, gozou na minha barriga. 

Após meu banho, ficamos deitados na cama conversando, até que o bonitão se convidou pra dormir, dizendo: “Você não vai desligar a TV e a apagar as luzes?”. Minha vontade era de dizer: “Sim, depois que você for embora”, mas, novamente não quis ser indelicada e consenti que ele dormisse comigo. Ainda reclamou que um dos meus travesseiros parecia uma pedra. ?

Eu não quis ficar de chamego, nem dormir abraçadinho, quando ele vinha encostando em mim, eu já dava um chega pra lá. Permiti que ele dormisse apenas por ser de madrugada, acreditando que ele iria embora bem cedo na manhã seguinte. Mas, o meu grande erro é sempre esperar que as pessoas tenham o mesmo bom senso que eu teria. 

De manhã, ele veio tentar um sexo matinal, já cortei, falando pra parar de mexer comigo, pois queria dormir mais. Por volta das 9h acordei e o bonitão ainda estava capotado. Levantei, fiz meu pré treino, peguei minha roupa de academia e fui me trocar no banheiro. 

Quando voltei para o quarto, felizmente ele já tinha acordado, estava mexendo no celular, mas, reforçando a minha percepção de ser um folgado, continuou a vontade na minha cama, como se a casa fosse dele, mesmo vendo que eu já estava na ativa. Abri a persiana e nada do bonitão levantar e se arrumar pra ir embora, só faltou pedir um café da manhã na cama. 

Vendo que ele não se levantava e como eu também não estava a fim de fazer sala, comecei a fazer minhas tarefas domésticas, como, tirar o lixo e ir limpar a areia dos gatos, colocar roupa pra lavar e lavar a louça. Nem arrumar a minha cama, que ele dormiu, o folgado não teve a educação de fazer. Se vestiu e foi sentar no meu sofá, esperando não sei o quê para ir embora. 

Ele tentou puxar assunto, comentando de um quadro que eu tinha na parede, respondi seca, sem dar muita conversa. Em outro momento, ele ainda teve a audácia de pedir para que eu colocasse uma música, pois estava muito silêncio. A minha vontade foi de responder: “Já não deu a hora de você ir embora não, querido?” Mas novamente fui educada e apenas respondi que não gostava de ouvir música pela manhã, o que é uma grande mentira, só não queria que ele se sentisse ainda mais a vontade e confortável de continuar na minha casa.

Em algum momento ele justificou que estava esperando dar 10h por conta do rodízio do seu carro, o que não justificou pra mim, pois, se eu estivesse na casa de alguém e percebesse que a minha presença não era mais bem vinda, eu já teria vazado e esperado no carro. Mas vai saber se ele percebeu, né? Pelo visto não.

Depois que eu já tinha adiantado todas as minhas tarefas, me sentei e falei que só ia esperar ele ir embora para poder estudar um pouco. Daí ele se tocou e disse que já estava indo, faltando 10 para as 10. Geralmente, quando recebo um boy que eu curto muito, fico fazendo companhia até o elevador chegar, mas com ele só falei: 

– -2 tá?

E fechei a porta. 

Uma semana depois…

Ignorei.